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Colunistas
13/05/2012 -- 20h22
NÃO PRECISAMOS SER CRUÉIS
 

Certamente seria um espetáculo deprimente, mas, à semelhança do show real do Big Brother, deveriam ser colocadas câmeras permanentes dentro dos presídios, conectadas aos gabinetes das autoridades, para que vissem com frequência a situação nos cubículos e como podem viver confinadas cem ou mais pessoas onde deveria estar apenas metade.

Esse realismo poderia ser visto também pela população, para saber da precariedade do sistema prisional brasileiro e dar seu parecer, como no BBB. Quem não tem anseio de vingança iria se comover ante a desumanidade ali reinante. É comum ouvir-se que os delinquentes merecem sofrer, mas se eles precisam ser isolados do meio social para que não repitam seus crimes, não há necessidade de sermos cruéis com eles.

Nesse ambiente sórdido não vemos mulheres de corpo escultural, nem homens especialmente escolhidos para agradar aos olhares femininos, nem festas espetaculares regadas a champanhe e pratos refinados, mas sim muita coisa chocante, como a promiscuidade, o sofrimento pelo desconforto, pela ausência de higiene e pela proliferação de doenças, calor e frio e alimentação precária. Coisas que não podem ser admitidas à luz da sensatez humana.

Não é dinheiro que falta para solucionar o problema, mas humanismo. Não se pede mordomias para os presos (o que a maioria dos brasileiros não tem), mas se entre os reclusos muitos foram perversos no praticar seus crimes, a sociedade que se proclama sã e cristã não pode comportar-se como eles, ou será igual. Prende-los já basta, e melhor se lhes forem propiciados meios de se ressocializarem.

Empolga as multidões ver como se comportam num recinto fechado 18 homens e mulheres bem dotados e cercados de todo o conforto, mas seria oportuno, para a reflexão das autoridades pertinentes, olhar com mais humanidade a situação dentro de celas fétidas e superlotadas. Prender e isolar, para defesa dos cidadãos, mas sem crueldade.
Quem escreve esta coluna?
Walmor Macarini

Walmor Macarini é jornalista e atuou na FOLHA DE LONDRINA desde 1955 até o final de 2009. Foi repórter e desempenhou atividades em todas as editorias. Em 1964 assumiu a direção da Redação, onde permaneceu 27 anos. Também foi editorialista, durante a última década. Atualmente escreve no jornal uma coluna semanal, principalmente sob temas esotéricos. Simultaneamente, durante 12 anos, foi correspondente regional do jornal "O Estado de S.Paulo".