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Colunistas
28/10/2008 -- 09h14

Diário de um banana, de Jeff Kinney

O diário de um menino sobre a difícil infância

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Capa da edição nacional
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Uma das tiras do livro: primeira parte
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Segunda parte
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Terceira parte

Caro Leitor,

Se eu escrevesse diários em vez de colunas sobre livros que eu gostei de ler, já teria um modelo a seguir.

Eu certamente anotaria em meu diário sobre o bom livro "O diário de um banana". E como seu personagem principal, Greg, não chamaria minhas notas de todo-dia de diário, mas de algo mais pomposo (se bem que não pomposo, mas mais "intelectualizado"), algo como "Caderno de observações cotidianas & Reflexões" (acho pra lá de supimpa esse ‘e’ comercial e jamais perderia a oportunidade de fazê-lo adornar um título).

Greg Heffey conta em seu diário — que ele prefere chamar de LIVRO DE MEMÓRIAS, em caixa alta mesmo — as dificuldades de um menino que está no Ensino Fundamental, convivendo em uma sociedade infantil tipicamente masculina (lembre-se temos somente o ponto de vista de Greg).

Nesse insólito ambiente — porém, bastante familiar — existem garotos maiores, mais fortes e que fazem a barba convivendo com os magrinhos como Greg.

No diário, quer dizer, Livro de Memórias de Greg há também as tumultuosas relações familiares — sobretudo as fraternais. É uma representação possível da sociedade norte-americana, sob a óptica de uma criança.

Essa abordagem não é exatamente novidade nos livros, porém a concepção humorística do autor Jeff Kinney, que retrata Greg como um ser humano egoísta, inexperiente, manipulador, aproveitador covarde e algo inocente funciona muito bem. Greg é uma criança bastante verossímil. Grande parte da força da obra é a verossimilhança do personagem. Kinney descarta a idéia da criança idealizada como reduto da bondade e apresenta uma sonhadora, covarde, frágil e egoísta criança.

Greg é nosso irmão mais novo que rouba no esconde-esconde, nosso primo inconveniente que chega no meio do domingo, nosso vizinho que não devolve os quadrinhos emprestados. É um anti-herói típico em tamanho P.

Greg, além desse caráter anti-heróico, é fracote e pouco talentoso, uma criança de pouca atitude, um wimpy kid, do original em inglês.

Ah, tem outro lance que teria em meu diário, quer dizer, em meu Relatório (relatório é mais impactante que caderno) de observações cotidianas &Reflexões: os desenhos.

As ilustrações que acompanham o texto são traços simples, que simulam a arte do próprio Greg, representando as situações contadas no diário – falando nisso, a capa do livro e a encadernação parecem de um caderno ou de um diário, com imitação de pauta em cada página. O trabalho editorial da V & R editoras é excelente.

Embora algumas pessoas tenham apresentado o Diário de um banana como uma história em quadrinhos, ele não é. Existe alguma carga narrativa nas imagens em momentos específicos do texto, mas eles são minoria. A maior parte dos desenhos ilustra aquilo que texto já apresentou e alguns poucos aquilo que ainda apresentará. Mas quase não há informação nova nas imagens ou narrativa exclusiva delas.

O livro de Jeff Kinney é um bom presente atrasado de dia das crianças para crianças tardias.

Mais informação em:
www.diariodeumbanana.com.br

Sugestão de leitura:
Volta ao dia em oitenta mundos (Julio Cortázar); Drácula (Bram Stoker) A maldição da moleira (Índigo); Calvin & Haroldo: Yukon ho! (Bill Watterson); O senhor das moscas (William Golding).
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Quem escreve esta coluna?
Lielson Zeni

Lielson Zeni, 27 anos, é formado em Publicidade e Propaganda pela UFPR e Mestre em Estudos Literários (também pela UFPR). Atualmente, cursa Letras. Passou muito mais tempo do que deveria lendo livros e quadrinhos e vendo filmes. Mesmo assim, é uma boa pessoa (segundo o próprio).