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BondeNews
28/09/2010 -- 07:53

"Estou juntando os cacos", diz Pe. Silvio Andrei

Padre Silvio Andrei nega, em entrevista exclusiva à FOLHA, que tenha oferecido dinheiro e favores sexuais a PMs e adolescente

Wilhan Santin - Folha de Londrina
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Oriundo de uma família de Congonhas, distrito de Cornélio Procópio (Norte), o padre Silvio Andrei, 41 anos, conta que optou pelo sacerdócio aos 18 anos, quando ia à missa diariamente para cumprir promessa com a intenção de ser aprovado no vestibular para o curso de Jornalismo. Foi convidado por um padre a conhecer o seminário e aceitou.

Depois de ser odernado padre palotino, em 1997, passou a utilizar também seu dom para a comunicação. Apresentou programas de rádio, foi assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina. Em 2004, transferido para São Paulo, assumiu a Paróquia Rainha dos Apóstolos e um cargo na assessoria de comunicação da região Episcopal da Sé. Paralelamente, apresentava um programa na TV Canção Nova; em duas redes de rádios católicas e em uma rádio de Londrina.

Carismático, o padre Silvio Andrei chocou aqueles que acompanhavam sua carreira ao ser preso na madrugada de 16 de maio, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), acusado por policiais militares de dirigir nu e embriagado; oferecer favores sexuais a um adolescente e aos próprios policiais, que também relataram uma suposta tentativa de suborno por parte de Silvio Andrei. Na delegacia, o padre foi exposto, sem calça e algemado pelo tornozelo, a equipes de televisão. Ele foi denunciado à Justiça por corrupção ativa, importunação ofensiva ao pudor e ato obsceno. O processo corre em segredo de justiça. O Ministério Público de Ibiporã instaurou procedimento para apurar se houve abuso de autoridade por parte dos policiais.

O que aconteceu na madrugada de 16 de maio?

Eu só posso dizer e chamar tudo o que aconteceu de acidente de percurso. Jamais esperava passar pelo que eu estou passando. Penso que foi consequência de um dia marcado pelo estresse, pelo cansaço, pela agenda lotada. Eu vinha de alguns dias dormindo pouco, me alimentando mal e trabalhando muito. Por algum instante, houve uma ruptura com a realidade e aconteceu todo esse episódio, que está sendo para a minha vida como um grande furacão. Quase cinco meses depois, eu diria que sou um homem que está juntando os cacos, mas sem perder a esperança da vida, de viver. Sei que Deus vai realizar muitas obras por meio do meu ministério.

Naquele dia, o senhor ingeriu bebida alcoólica?

Eu celebrei um casamento na Paróquia Rainha dos Apóstolos, do Jardim Shangri-Lá, em Londrina. Em relação à bebida, é preciso que se esclareça que eu sou o tipo de pessoa ''alérgica'' a ela. Algumas pessoas podem ingerir bebidas alcoólicas e outras não podem. Eu nem tenho como dizer se foi um ou se foram dois copos de vinho. Independentemente de quanto foi, a verdade é que me fez muito mal. Quando eu tinha 18 ou 19 anos tive uma experiência com a bebida que me fez mal. Eu sou o tipo de pessoa que a prudência pede para não ingerir nada alcoólico. Mas, além disso, foi o conjunto de fatos. Naquele dia, estive numa churrascaria com a minha família na hora do almoço, mas não comi nada. Isso tudo me levou à ruptura com a realidade e ocasionou tudo que aconteceu. Além disso, eu estava tomando também alguns medicamentos.

Antidepressivos?

Não. Mas posso dizer, não tem problema, eram controladores de apetite.

O que aconteceu depois do casamento?

Me lembro de algumas coisas. Como foi algo totalmente diferente de qualquer coisa que eu já havia passado, há uma mistura do real, do que não foi. Tive vários pesadelos depois do episódio.

Em Ibiporã, o senhor chegou a abordar um adolescente?

Não abordei ninguém.
Nem os policiais?
Também não.
O senhor ofereceu favores sexuais a eles?
Essa é a lembrança que tenho: não abordei ninguém.
O senhor ofereceu dinheiro aos policiais?
Absolutamente.
O senhor tentou omitir sua verdadeira identidade, dizendo ser professor da UEL?

Absolutamente. Sou uma das pessoas mais conhecidas no Norte do Paraná, minha imagem, meu nome. Todos os documentos meus estavam comigo. Não havia como eu me passar por outra pessoa.

O senhor estava nu?

Não me recordo disso.

Hoje tudo fica registrado na internet. Cada vez que se digita o nome do senhor em um site de busca, sempre aparece o fato de Ibiporã. Como lidar com isso?

Uma das grandes lições que estou tirando para a minha vida é a humildade. Numa conversa que tive com o padre Fiori (palotino que trabalha em Londrina), ele me falou uma frase muito bonita: ''Ficar, de certa maneira, com uma marca negativa na vida é também um caminho para a santidade''. Pretendo trabalhar essa situação toda, com a internet, com a notícia que aparece com o meu nome - com ou sem exagero, com ou sem sensacionalismo, com verdade ou com mentira - usando a humildade. Lembro-me do que São Vicente Pallotti, fundador da minha congregação, dizia: ''Sou nada e pecado''.

O que o senhor sente quando vê as imagens que lhe mostram algemado pelo tornozelo?

Para ser sincero, só vi uma vez aquela imagem. Confesso que não resisti e chorei muito. Em alguns momentos, quando me recordo do episódio, ainda choro bastante. Mas chorar é uma coisa nobre do ser humano. Vejo essas lágrimas como purificação de tudo o que vivi, para me tornar uma pessoa melhor para servir a Deus. Confesso que me esforço para não ver e para não relembrar daquelas imagens, mas para encher a minha mente com outras: dos muitos casamentos que celebrei, dos muitos doentes que visitei e tenho visitado, das muitas pessoas com as quais já conversei, das muitas missas das quais participei. Me esforço para que essas imagens do padre que ama ser padre e se coloca à disposição de Deus e das pessoas consolem o meu coração e me fortaleçam para uma nova etapa.

O que o senhor tem feito neste tempo que se manteve em silêncio?

Tenho rezado bastante, lido, conversado com pessoas próximas de mim, como o Dom Albano Cavalin (arcebispo emérito de Londrina), que é um pai espiritual para mim. Tenho tentado assimilar tudo e tenho pedido a Deus que isso me faça amar mais para servir melhor. Escrevo também, as coisas que sinto, que penso, que desejo. Tenho tentado refazer um projeto de vida, me restaurar.

Quando o senhor volta às suas atividades?

Para São Paulo eu não volto mais. Meu superior me transferiu e eu estou morando em Curitiba. Quanto ao rádio e à televisão, penso que é preciso dar tempo ao tempo. Estou agora dando meus primeiros passos no desejo de comunicar com as pessoas. Até peço perdão por esse tempo de silêncio, mas vejo como algo necessário. Aprendi que na hora da tempestade é preciso silenciar, ouvir a voz de Deus para depois falar. Não é prudente falar no impulso, marcado pela tristeza, pela mágoa, pela euforia.
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