Ponto e Vírgula - Paula Barbosa Ocanha
26/11/2012 - 11:07
 


Então eu li a trilogia Cinquenta Tons de Cinza – formada pelo livro que resenhei em setembro e pelos livros Cinquenta Tons Mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade, da autora britânica Erika L. James. No post passado eu tinha lido somente o primeiro livro, e fui criticada (com razão) por ter dado minha opinião em cima da obra parcialmente avaliada. Por isso estou escrevendo novamente, para dizer que fiquei feliz por ter lido os três livros. Só serviu para reafirmar a minha crítica anterior. A obra é ruim. Fraca. Irritante. E uma cópia deslavada de Crepúsculo.

Agora vamos desenvolver o raciocínio. Quando li o primeiro livro só tinha achado ele arrastado e a personagem principal - Anastasia Steele - extremamente boba e irritante, e minha crítica tinha basicamente a ver com o quanto a obra era infantilizada e atrairia leitores de uma faixa etária não apropriada. Depois de ler os três fiquei ainda mais irritada com a obra, porque como o primeiro ficava só na promessa (basicamente enrolava e não acontecia nada), ainda existia a possibilidade dos outros dois salvarem a história...

Pessoal que ainda não leu os três: a partir deste ponto o texto possui spoilers (ou seja, possuem informações que podem estragar a surpresa de quem ainda não conhece o texto. Só leia se quiser conhecer as informações ou se já leu a trilogia).

Assim como em Crepúsculo, Ana é perseguida por "pessoas más". Ambos os casais casam em um período ridículo de tempo depois de iniciar a relação. Os dois personagens principais homens são controladores, muito ricos e superprotetores. As duas engravidam "sem querer", causando um problema no relacionamento. Em certa passagem, Grey algema Ana, e depois se arrepende por ter deixado marcas nos braços e pernas dela. Edward, na primeira noite com sua esposa – ainda humana – também se arrepende das marcas deixadas em Bella. Tirando as interjeições cansativas da Ana, ao pensar sobre Grey, que são iguais o tempo todo, todo o livro é ridiculamente igual à saga dos vampiros.

A diferença básica é: a autora de Crepúsculo criou personalidade para personagens fantasiosos. A escritora de "50 Tons", mesmo querendo criar um personagem "real", fez um homem que não existe. O livro é de ficção, mas teria que ser de ficção científica para que Grey conseguisse fazer o tanto de sexo que faz com Ana. Ele teria que ser um robô! E eu não tenho nada contra Ana ser virgem aos 21 anos (como afirmaram nos comentários). Muito pelo contrário. O problema é que os dois como casal não convencem – pelo menos não convenceram a mim. O livro teria que ser descrito como "conto de fadas erótico", e não "romance erótico".

No início do segundo livro PARECE que a autora vai sair um pouco da narrativa repetitiva, quando começa a descrever a história de Grey quando criança. Mas logo ela volta a ser cansativa e o livro é basicamente extremamente superficial. Algumas pontas sobre a história dele ficaram perdidas, assim como a descrição da cena em que Ana é sequestrada, depois de entrar em um banco ARMADA para sacar R$ 5 milhões de dólares (uma coisa muito plausível) foi simplesmente cortada no meio. Parece que a autora cansou de descrever o fato. Após Ana ter dado um tiro na perna do sequestrador ela desmaia. Na próxima página tudo estava resolvido, os bandidos estavam presos e todo mundo foi feliz para sempre.

A minha opinião é a mesma do primeiro texto, e eu não sou do tipo que não dá o braço a torcer. Se a história tivesse se desenvolvido de outra forma, não teria problema nenhum em admitir isso neste post. Mas não foi o caso. O livro é bobo. Não mudei minha opinião depois de ler a obra toda - aliás, ela só piorou. Se eu tivesse lido somente o primeiro livro, neste momento eu odiaria MENOS a história.

FIM DO SPOILER

Assim como quando "O Código Da Vinci", de Dan Brown, foi lançado e depois muitos copiaram a ideia, alguém já lançou outra trilogia erótica – copiando 50 Tons de Cinza. O primeiro livro da série chama Toda Sua, e eu já terminei de ler. Pretendo fazer um comparativo sobre as duas trilogias em breve.

Obrigada por acessarem e deixarem comentários. Quero deixar aqui meu respeito para quem gostou dos livros - cada um tem sua opinião, e por isso o que eu escrevi aqui chama-se "resenha crítica" e não "verdade absoluta". O texto é baseado na MINHA percepção da obra, conforme MINHA bagagem emocional e literária. Cada um tem a sua!

Beijos e até a próxima! =)
Paula Barbosa Ocanha
COMENTÁRIOS
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 Em 21/01/2014, 10:34, lute silva disse:
Eu gostei .. e claro que umas partes ficaram meio assim..mais no contexto gostei
 Em 26/09/2013, 23:48, Gustavo Souza Dias disse:
Li todos os livros, gostei mas, também tive a impressão de está lendo novamente a série crepusculo.
 Em 11/09/2013, 00:22, Sandra disse:
estou lendo e também acho que a autora se baseia em um monte de "obras" anteriores, dentre elas, A História de Ó, o filme. Embora eu nao tenha duvidado da capacidade de transar tantas vezes do Gray, ja que existe Viagra, eu me espantei com a capacidade de ter tantos orgasmos da Ana, principalmente na primeira transa, o que definitivamente nao é muito normal.
 Em 03/09/2013, 22:37, Ivanete disse:
Eu li o primeiro e o resumo do segundo e o terceiro não aguentei é muito fraco e chato de ler, realmente o livro dever ser bom para mulheres que são virgens, e não tem experiência alguma de sexo, para ficarem imaginando. O livro é muito chato de ler só embromação não vejo nada de erotismos quem não sabe nada de sexo pode gostar do livro e dizer que deixa as mulheres louca e excitada kkkkkkkkk é pura mentira... O livro é bobo mesmo nada haver com quem gosta de uma boa leitura.. Ou seja, eu não tenho é paciência...
 Em 23/08/2013, 09:50, Vanda disse:
Caramba! Pensei que era a única a achar esta trilogia ridícula! Grey deveria mandar muitas vezes aquela chata da Ana ficar quieta porque vou falar mulherzinha chata pior que ela só a Bella. Aff não da pra acreditar que estas autoras estão ganhando tanto pelo mundo todo com histórias tão ruins!
 Em 01/05/2013, 12:56, Natalia S. de Souza disse:
Eu considerei várias resenhas, li os três livros e queria ouvir opniões. Acho sempre que um livro por mais que traga personagens da vida real, uma estudante e um empresário, devem ser levados como ficção. Acho válido criticar, mas sem esquecer que isso tudo não passa de imaginação, o livro tem a capacidade de nos envolver em histórias irreais, sem lógica, porque o mundo já nos traz para lógica e racionalidade constantemente. Claro, me preocupa, adolescentes lerem, esse livro não foi feito para pessoas que não tem estabelecido, o que é uma relação saudável, o amor, a dor...
 Em 05/04/2013, 13:22, Elaine disse:
Gostei do livro, mas é muita fantasia mesmo. Pra mim o que tira a veracidade do cara: primeiro: o cara terminar de dar uma e já está pronto pra segunda??? Onde que isso verdade, rsrs. Segundo: na primeira da Anastasia ela já tem um orgasmo??? A tá, o cara é mágico, rsrsrs, isso não existe e finalmente, se apaixonar completamente com 3 semanas ??? É muita historinha ...
 Em 11/03/2013, 09:21, Mary Santos disse:
Bom Dia!Gosto cada um tem o seu, porém concordo que o livro se tornou muito cansativo pela "cenas" se sexo toda hora, isso é chato..... porém não achei cópia da saga dos crepúsculo, pois se trata de romance mas cada um tem o seu lado! porém não posso deixa-la de parabenizar você pela sua critica que foi ótima. Concordo com vários pontos quer você destacou, muito cansativo, cenas como as parte em que ana dá um tiro em Jack, ela cortou..... mas enfim se o livro fosse mais resumo seria muito melhor, pois ele é cansativo mas eu gostei... achei bom e incido para quem quiser ler.... Beijos e parabéns pelo seu ponto de vista... sua critica foi boa mesmo! Tchau
 Em 05/03/2013, 21:44, Vanessa disse:
Achei o livro enfadonho, arrastado, patético e totalmente fora da realidade. Poderia ter sido melhor se o homem fosse mais real, mas este da história, aos 27 anos é um bilionário que, embora tenha zilhões de empresas para administrar, parece que tem todo o tempo do mundo para ser um maníaco Às 24 horas e ocupar seu tempo indo resolver as picuinhas criadas pela "teimosia" da Anastasia. O homem é bilionário, lindo de morrer, fala outras línguas fluentemente, pilota helicóptero, planador, é sagaz, e um maníaco sexual. menos por favor! e a Anastasia? que tipo de universitária é essa, que depois de formada, ainda não sabe usar um computador? e é impressionante como os conflitos são rapidamente resolvidos, e de uma página pra outra os vilões estão presos e já está tudo bem. Faltou coesão, eis uma história esfarelada, com eventos mal estruturados, e personagens com características exageradas: o homem perfeito demais (o trauma dele é só a cerejinha do bolo pra torná-lo mais atraente), e a mulher é insegura, fraca, sem amor-próprio e inocente.
 Em 27/02/2013, 10:22, Lince disse:
Olá Paula. Bom ler sua "resenha"! Gostei tanto que queria pedir fizesse comentário resaltando o lado "sadomasoquista" da história já que, as salas de bate papo e redes sociais relacionadas ao tema estão sobrecarregadas de "curiosos" levados pelo apelo romântico do livro. Pobre coitadas! Acredito que a narrativa do livro não menciona as intensas dores, marcas nem o sangue derramado, não é mesmo! Fica a sugestão e aguardo.
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Paula Barbosa Ocanha
 
Paula Barbosa Ocanha, ou 'Setembro', é jornalista, tem 23 anos e é apaixonada por leitura. Não importa se o livro é brasileiro, estrangeiro ou intergalático. Clássicos da literatura, romances, suspenses e histórias de mulherzinha ocupam o mesmo espaço na estante, sem preconceitos. Aliás, não precisa nem ser livro. Gibis, revistas e bulas de remédio também servem, quando não tem nada novo para ler! Nesse espaço, a jornalista divide sua opinião sobre os best-sellers que saem no mercado editorial.



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