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03/03/2009
Da série "Rapidinhas"
Mais uma vez...
Sem vergonha nenhuma na cara, cá estou de novo escrevendo sobre meu retorno ao blog depois de um tempo de abandono. Era falta de tempo. Além do que, andei viajando por aí, em lugares sem acesso à Web. É, ainda existe lugar que não tem Internet, pode acreditar!
Porto Velho
Na sua edição de hoje, no caderno Cidades, a FOLHA DE LONDRINA publica a minha aventura rodoviária: de Londrina a Porto Velho, capital de Rondônia, pela viagem de ônibus mais longa partindo daqui sem a necessidade de trocar de busão. Coisa de Louco!
Paranaenses no nortão
Nas décadas de 1950, 60 e 70 um montão de gente saiu do Paraná para ir ganhar a vida em Rondônia. Ainda hoje tem gente que faz esse caminho. Alguns na esperança de também encontrar o "eldorado", outros para visitar familiares. Se quiser ler a matéria e não tiver o impresso nas mãos, faça pela Internet: www.folhadelondrina.com.br.
Tudo como antes...
De volta à terrinha depois de também percorrer um bom bocado de chão Paraná afora (assunto para depois), encontrei tudo igual:
- O ex-padre prefeito, com seu jeitinho mineirinho, continua tocando a cidade, falando manso e bonito, fazendo o básico e agradando,
- A situação do Tio Bila ainda está enrolada juridicamente e continua sendo possível que ele se torne prefeito,
- Mesmo assim teremos o duelo Hauly X Barbosa, que, é claro, continuam trocando farpas,
- E o LEC... Ai, o LEC... Melhor não falar nada... |
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09/02/2009
Crack
Como é a produção
- São recolhidas as folhas da planta de coca, um arbusto que tem o nome científico de Erytroxylon Coca.
- As folhas são colocadas em uma espécie de piscina com uma solução de ácido clorídrico.
- O ácido arrebenta as paredes das células vegetais das folhas. Das células da folha de coca extravassa o líquido interno.
- O conteúdo das células vegetais se mistura com o ácido, em um processo parecido com a digestão do estômago humano, formando uma massa.
- À essa massa se adiciona solvente, que pode ser clorofórmio, acetona, gasolina ou outros produtos semelhantes.
- O solvente atrai todas as substâncias que tenham afinidade química com ele, inclusive a cocaína, mas não se mistura com a massa e continua na forma líquida.
- O solvente é separado da massa e colocado para evaporar, com a ajuda de lâmpadas e ventiladores, dali saíra a cocaína.
- A massa que sobra é o crack.
Fonte: Ademar Consalter - perito químico-legal do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina---------------------------------
O caminho da droga no corpo humano
- O crack passa do estado sólido para vapor a 95ºC.
- Quando a droga é fumada, alcança rapidamente o pulmão.
- No pulmão, que é um órgão muito vascularizado, a droga cai na corrente sanguínea.
- Rapidamente, o crack chega ao cérebro.
- O usuário sente os primeiros efeitos em 10 a 15 segundos depois das primeiras tragadas.
- Apenas cinco minutos depois do uso, os efeitos já não são mais sentidos pelo viciado.
Fonte: Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid)
Crack, a droga da morte
De baixo custo e com grande poder de tornar o usuário dependente, o crack se transforma em um grave problema social para o país
Wilhan Santin
Na década de 1980, os traficantes de drogas do Brasil giravam seus negócios predominantemente em torno de duas substâncias: a cocaína, consumida pelos viciados da elite, e a maconha, que virava ''baseado'' na mão de muita gente. As drogas sintéticas, como o ecstasy, também ganhavam espaço. A história mudaria na década seguinte.
Nos anos 1990, uma droga que já estava sendo consumida nos Estados Unidos começou a ganhar espaço nas ruas brasileiras. O nome veio do barulho que as pedras faziam quando eram queimadas: crack. Surgia a substância que se tornaria um verdadeiro problema social para a maioria das cidades do país. Com uma série de particularidades, o produto feito com as sobras do refino da cocaína resultaria em uma infinidade de viciados, roubos, mortes.
O responsável pela delegacia de homicídios da 10ª Subdivisão Policial, Ernandes Cezar Alves, não hesita em dizer que em torno de 90% dos homicídios que ocorrem em Londrina estão relacionados ao tráfico de drogas. ''Porém, não é possível dizer especificamente qual a porcentagem que está relacionada diretamente ao crack'', ressalta o delegado, que afirma, no entanto, que há casos em que traficantes mandam matar usuários de drogas por conta de dívidas de apenas R$ 10. Tipicamente, os usuários de crack chegam ao ponto de não conseguirem pagar nem mesmo pequenos valores aos donos das ''bocas de fumo''.
De preço baixo e efeito rápido, as pedras de crack são vendidas nas ruas de Londrina por preços que variam de R$ 5 a R$ 10; são queimadas pelos usuários em ''laricas''- cachimbos improvisadas - e o vapor é inalado. Os efeitos são rápidos e devastadores.
Absorvida pela corrente sanguínea, a substância chega ao cérebro em poucos segundos. O efeito é quase instantâneo, não demora mais que 15 segundos. Quem injeta cocaína na veia só sente algum prazer depois de três minutos. Porém, a euforia do crack desaparece rapidamente, em torno de cinco minutos depois da inalação. É aí que bate a tristeza, a depressão. A vontade do usuário é utilizar novamente para voltar a sentir prazer. ''Se eu conseguir R$ 300 em um dia, compro tudo em crack'', revela um rapaz que perambula pelo centro de Londrina pedindo dinheiro.
Os usuários de crack se tornam violentos e passam a viver com medo. Emagrecem e deixam de ter cuidados com a higiene. Para conseguir a droga passam a praticar furtos e roubos. As leis do tráfico não perdoam quem pega fiado e não paga. ''As mortes do tráfico são por dívidas de drogas, acerto de contas ou para mostrar poder'', enfatiza o delegado Alves.
Em outras palavras, o usuário de crack que não encontra tratamento e ajuda acaba encontrando a morte. Outro fato triste é o envolvimento de menores com a droga. De acordo com levantamento feito nos arquivos da FOLHA DE LONDRINA, pelo menos 23 menores morreram assassinados em 2008. Desses, 14 foram executados com diversos disparos de arma de fogo ou golpes de objetos cortantes.
''Quando começamos o nosso trabalho, no ano 2000, o crack não estava espalhado por Londrina, ficava restrito a dois bairros. Hoje se consome muito dessa droga, que é devastadora quimicamente e socialmente. É um problema grave, pois um adolescente que hoje trabalha vendendo drogas - e eles encaram como se fosse um trabalho como outro qualquer - ganha R$ 300 ou R$ 400 em uma noite.
Já o adolescente que é usuário não gera a violência, mas é vítima dela. Nós percebemos que, dos adolescentes envolvidos com o crack, em torno de 50% é dependente e a outra metade trabalha para os traficantes. Se a segurança pública não agir, isso só vai piorar'', ressalta a assistente social Jacqueline Micali, coordenadora do projeto Murialdo da Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), que trabalha com menores infratores. |
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07/02/2009
Da série "exclusivas"
Causa-me indignação os transtornos que esta porcaria chamada crack nos causa. Por isso, fiz uma materialzinho sobre o assunto. Publico em duas partes aqui no blog:
Crack
O caminho e o preço da droga
- A grande maioria do crack que chega à região de Londrina é proveniente do Paraguai e atravessa clandestinamente o lago de Itaipu.
- O meio de transporte mais utilizado pelos traficantes é o rodoviário. Eles utilizam partes internas dos automóveis para esconder a droga.
- Um quilo de crack sai do Paraguai por R$ 6 mil. No Brasil, a peça de um quilo de crack vale R$ 11 mil.
- Com um grama de crack, os traficantes fazem quatro pedras. Cada pedra é vendida a pelo menos R$ 5,00.
- Vendido em pedras, um quilo de crack pode render até R$ 20 mil. Em 2008, o Denarc de Londrina apreendeu mais de 60 quilos da droga.
Fonte: Michael Araújo, delegado do Denarc de Londrina.
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Uma morte anunciada
O relato que você vai ler é real. Luis Gustavo de Souza Oliveira, 14 anos, foi morto, alvejado por diversos disparos de arma de fogo, na noite do dia 20 de fevereiro. Quem conta a história é a professora aposentada Josefa Alves de Souza, a ''mãe de coração'' do garoto. Ela criou o menino devido à falta de condições financeiras da mãe biológica, que era só uma adolescente quando engravidou do menino. O pai é desconhecido.
''Ele teve sérios problemas gástricos e intestinais na infância. Além disso, sempre foi muito agitado, hiperativo. Por isso, quando chegou à adolescência, fiz de tudo para dar atividade ao Luiz Gustavo, inclusive o matriculei na escolinha de futebol.
Quando ele estava na 5ª série eu já soube que ele estava aprontando. Troquei-o de escola, mas não adiantou, pois o tráfico está plantado em todos os lugares. Por eu querer colocá-lo na linha, revoltou-se contra mim e voltou para a casa da mãe. Mesmo assim continuei dando alimentação e vestimenta. Um dia, ele ameaçou suicídio. Impedi. Voltou a morar comigo.
Depois, ele me contou que não era usuário de drogas, mas era 'aviãozinho' do tráfico. Quase morri quando escutei. É muito triste, pois essa molecada apronta, mas quem faz a cabeça deles é sempre um adulto. É impressionante, ele sempre conversou muito comigo, mas nunca, em hipótese alguma, disse quem era o 'peixe grande'.
Fiz mudanças de escolas outras vezes, mas em todas elas ele encontrava gente do tráfico. As coisas ficaram piores quando ele tentou assaltar um ônibus na companhia de outros menores e de adultos também, mas esse crime não deu certo e ele foi parar no Centro de Sócio Educação (Cense). Começou a bater gente aqui no portão querendo dinheiro porque o assaltou não deu certo. O recado era claro: ou eu pagava ou matariam ele. Paguei R$ 50.
Depois que ele saiu do Cense - foram 45 dias de detenção - as cobranças ficaram constantes. As vendas de drogas que ele fazia não davam certo, pois ele não conseguia receber dos adultos para os quais vendiam. As ameaças eram muitas. Começaram a bater no Luiz Gustavo. Ele chegou a apanhar ao ponto de quebrar os ossos da face e precisou passar por cirurgia. No fim das contas, paguei mais de R$ 2 mil para os traficantes.
Comecei a andar com ele para todos os lados. Fiz com que frequentasse o projeto Murialdo. Ele estava melhorando. Mas era só ele sair por alguns instantes sem a minha presença que voltava espancado. Várias vezes voltou arrebentado. Um dia antes de morrer, apanhou muito. Sempre me falava que os traficantes queriam mais dinheiro, mas eu já não tinha de onde tirar.
A morte era anunciada. No dia em que ela aconteceu, no período da tarde, vários motoqueiros fizeram uma algazarra em frente à minha casa. Eles estavam comemorando o que aconteceria à noite. Antes de sair de casa para levar os tiros, Luiz Gustavo deixou um anjo desenhado para mim.'' |
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04/02/2009
Da série "bastidores da notícia"
Apesar de ficar por mais de 48 horas em Santa Cruz de la Sierra, a segunda cidade mais importante da Bolívia, com quase 1,5 milhão de habitantes, pude conhecer muito pouco dos pontos turísticos e outros atrativos do lugar. O motivo? Correria. Tinha várias entrevistas para fazer e muitas informações para levantar.
Só pude passear um pouco no domingo (25/01), que era dia de referendo. Com a cidade parada, fui na base da botina mesmo, apesar do sol de rachar. Quando tem votação na Bolívia não podem circular táxis, ônibus ou qualquer outro tipo de transporte público. Quem sai de carro ou moto tem que dar explicações à polícia.
A proibição de ir e vir é para que as pessoas não consigam votar em mais de um lugar. Acontece que falta um pouco de organização, então o cidadão que esteja disposto a fraudar as eleições consegue votar em várias escolas. Outra medida do governo é obrigar o eleitor a mergulhar os dedos em uma lata de tinta depois de votar. Dessa forma, a pessoa fica marcada e não consegue votar novamente.
Mas há outras coisas que chamam a atenção. O trânsito é terrível. Há buzinaço o tempo todo. O calor também é de amargar.
Como toda grande cidade, Santa Cruz de la Sierra tem contrastes, com casas lindas em bairros chiques e enormes favelas nas periferias.
A poucos quilômetros do centro, aparecem as vacas na beira da estrada. Acontece que o povo tem gado, mas não tem pasto. Então, saem pastoreando os animais na beira da estrada, aproveitando os trechos onde há capim. Se um motorista desavisado atropelar uma das vacas, tem que pagar!
Voltando a falar de táxis, há muitos e muitos na cidade. É só parar em qualquer rua que logo aparece algum. Uma corrida de uns cinco quilômetros sai por 10 bolivianos, menos de R$ 4. Barato, não?
Bom, como já disse, não posso falar muito sobre a cidade, pois não deu tempo de conhecê-la melhor. Uma pena!
Aproveito para agradecer a você que acompanhou a minha aventura boliviana. Valeu mesmo! Ah! acabou a série, mas não deixe de acompanhar o blog.
As fotos mostram:
1) os policiais indagando motoristas e motoqueiros que ousaram sair com seus automóveis em dia de referendo. Lá é assim, ninguém usa capacete nas motocas.
2) Um boliviano mostra o dedo manchado de tinta depois de votar.
3) Bolivianos pastoreiam vacas na beira da estrada.
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03/02/2009
Da série "bastidores da notícia"
Continuo com o relato da minha aventura boliviana. Se você, meu caríssimo leitor, não leu os últimos dois textos, por favor, leia para entender essa papagaiada toda.
Bom, passado o sufoco para conseguir um visto no passaporte dos súditos de Evo Morales, era hora de tomar o famoso "trem da morte". A versão mais confiável sobre o temeroso nome do trem, que liga Puerto Soares a Santa Cruz de la Sierra, fala sobre o tempo que doentes de uma grande epidemia de febre amarela utilizavam a composição.
Então lá vamos o simpático taxista Pablo Taquichire e eu até a estação para comprar o bilhete. Surpresa! Para a minha tristeza e da nobre leitora Jéssica Rocha - que escreveu um comentário no post anterior dizendo que aguardava o relato sobre o trem - todas as saídas de sábado foram suspensas pelo governo federal. Isso mesmo, suspensas, sem mais nem menos.
O que acontece é o seguinte: na Bolívia, tudo para em dias de pleito eleitoral. Como a viagem da composição só terminaria no dia seguinte, domingo, que era de referendo, as saídas de sábado foram canceladas. Dancei!
Mas o super Pablo, como no caso da vacuna, mais uma vez tinha a solução:
- Por que o senhor não vai de avião. Tem um TAM militar saindo às 15h? Sugeriu.
Desconfiei. Como seria esse avião? Mas resolvi encarar. O taxista me levou até o ponto de venda da Transporte Aéreo Militar (TAM) da Bolívia, onde pedi para ver fotos do avião. Achei a aeronave bonita, com quatro turbinas. Comprei a passagem por 580 bolivianos, em torno de R$ 200. A TAM boliviana é um exemplo da estatização pela qual passa o país. Morales não se cansa de criar serviços controladas pelo governo.
No fim das contas, perdi em aventura, mas ganhei em conforto. Em vez de 18 horas de trem, curti 1h30 de avião. O único problema da aeronave do Exército boliviano é o barulhão. Só no ar é que entendi o motivo dos algodões que os bolivianos tinham no ouvido.
No próximo capítulo: Santa Cruz de la Sierra.
Fica a foto do avião no qual viajei, com um milico do lado, é claro. Afinal, estamos falando de um serviço militar.
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01/02/2009
Da série "bastidores da notícia"
Já era noite da sexta-feira, dia 23/01, quando desembarquei em Corumbá-MS. A ideia (agora sem acento) era ir até a cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, a 640 km da fronteira com o Brasil, para entrevistar brasileiros que são agricultores no país vizinho.
A viagem podia ser feita de avião, mas eu já estava pelo estado do Mato Grosso do Sul para fazer uma outra reportagem, por isso decidi entrar por terra, pela cidade de Puerto Soares, que fica do ladinho de Corumbá. Dessa forma, poderia encarar 18 horas no famoso "trem da morte" até Santa Cruz, aproveitando o ensejo para fazer uma matéria sobre o trem, que partiria às 12h30 do dia seguinte.
Na manhã de sábado, acordei cedo e tomei o rumo da Bolívia, de táxi. Na bagagem, passaporte, RG e a carteira de vacinação, mas a nacional. Eu já sabia que se exige a carteira de vacina (ou vacuna, em espanhol) internacional para entrar naquele país. Mesmo assim, insisti em não providenciá-la. Primeiro por falta de tempo, já que a viagem foi planejada de última hora; segundo para ver na prática como funciona a corrupção por lá.
O taxista brasileiro me deixou na aduana boliviana, onde um gentil taxista boliviano, Pablo Taquichire, fez as honras da casa, praticamente tomando as minhas malas e colocando dentro do carro dele. Fui carimbar o passaporte. O policial que me atendeu só sabia dizer:
- Vacuna, vacuna. Onde está vacuna?
Dei um migué e entreguei a carteira nacional. Ele disse que não servia. Tinha que ser a internacional (apesar de a nacional mostrar que eu estou com todas as vacinas em dia). Expliquei que sou jornalista e que precisava entrar para trabalhar. Não adiantou. Ele explicou, de um modo bem grosseiro, que eu devia ir até Corumbá providenciar a carteira internacional.
- Mas hoje é sábado. Não vou conseguir o documento. Preciso trabalhar. Não há mais nada que eu possa fazer? - indaguei.
- Eu não falo mais com você. Saia daqui!
Depois dessa resposta, um outro policial esbravejou para que eu tirasse a minha mochila que estava sobre uma mesa. Encantado com a gentileza, saí. Fui até Pablo e pedi que ele devolvesse as minhas malas, pois teria que voltar ao Brasil e arranjar uma vacuna. Sabe-se lá como.
Porém, Pablo disse que a falta da carteira internacional não era problema:
- Yo arranjo uma para ti!!!
Respondi que topava descolar uma carteira, desde que não fosse falsa. Então, ele me levou até a prefeitura local, onde um cidadão fica de plantão só para descolar carteiras a turistas desavisados que topem pagar 80 bolivianos, a moeda local (em torno de R$ 30). Paguei e saí com uma carteira pronta em menos de dois minutos.
Voltei à aduana. Atendeu-me o mesmo policial de antes. Ele fez um charminho para aceitar a carteira comprada na prefeitura de Puerto Soares, mas aceitou. Passaporte carimbado. Viva, a Bolívia me aceitou por 30 dias!!!
É hora de encarar o trem da morte. Não perca essa história no post de amanhã (terça-feira). Agora fala sério: não ficou um charme - para não dizer frescura - essa coisa de contar a aventura boliviana em capítulos?
Antes que você diga palavrões sobre a minha pessoa, fica a foto do sr. Pablo Taquichire, meu taxista, e seu carro exuberante.
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31/01/2009
Depois de vários dias de estrada para fazer uma matéria para a FOLHA na região norte do país e uma esticadinha até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, estou de volta - para a alegria geral da nação!
Foi uma experiência interessante. Ainda não posso falar sobre o material que produzi na região norte, mas posso falar sobre a Bolívia. A matéria, que fala sobre o medo que os brasileiros que são agricultores por lá estão passando por conta da instabilidade política, será publicada na edição de amanhã da FOLHA.
Caraca, aquele país é muito maluco. Muito mesmo! Santa Cruz então, nem se fala. A cidade tem 1,5 milhão de habitantes e um trânsito que é um verdadeiro "salve-se quem puder". Não há regras bem definidas, não há preferencial, mas há um baita buzinaço. Se eu dirigisse lá, bateria o carro umas cinco vezes por dia.
Depois de andar pelas ruas de Santa Cruz, de táxi, é claro, passei a achar o trânsito de Londrina o mais maravilhoso do mundo.
Bom, na verdade, escrevo para dizer que, de segunda a sexta-feira da próxima semana, terá uma série aqui no blog, com fotos, da minha aventura boliviana. Será ao melhor estilo "bastidores da notícia", com tudo que não deu para escrever na FOLHA. Não perca!!! |
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Quando frustra ser jornalista 18/01/2009
Da série bastidores da notícia
Há nove meses - coincidentemente o tempo de uma gestação - fiz uma matéria denunciando a venda de Cytotec, um medicamento abortivo proibido no Brasil, no camelódromo de Londrina.
Disfarçado, fui até lá e comprei quatro comprimidos por R$ 300. O aborto causado pelo Cytotec, que originalmente é produzido para curar úlceras gástricas, é terrível para a mãe e para o feto. Os comprimidos chegam ao Brasil contrabeados do Paraguai.
Denúncia feita, formalmente encaminhei o caso ao Ministério Público. As polícias (Civil e Federal) também foram avisadas. Sabe o que as "otoridades" fizeram? Nada! Comprar o abortivo continua fácil... Tristeza!
Abaixo, o texto que foi publicado na FOLHA DE LONDRINA em abril de 2008.
Abortivo é vendido no Camelódromo de Londrina
Medicamento chega à cidade trazido do Paraguai
A informação partiu de um médico: gestantes estão comprando o medicamento Cytotec, que provoca aborto, no Shopping Popular da Rua Mato Grosso, conhecido como Camelódromo de Londrina. A reportagem da FOLHA checou e descobriu que realmente é possível comprar o abortivo - que tem a venda proibida nas farmácias de todo o Brasil - dentro do Camelódromo. O medicamento é originalmente produzido para prevenção de úlcera gástrica e duodenal.
Tarde de sexta-feira, 25 de abril de 2008. O repórter não encontrou dificuldades para adquirir quatro comprimidos do medicamento por R$ 300.
Escolhendo aleatoriamente uma das muitas bancas que existem no lugar, o jornalista perguntou ao rapaz que estava atrás do balcão se seria possível adquirir por ali alguns comprimidos de Cytotec. Inicialmente, o vendedor afirmou que não sabia sobre a existência de tal produto dentro do Shopping Popular. ''Esse remédio que você quer comprar é para causar aborto. Faz tempo que ninguém mais vende por aqui'', respondeu. Mas depois de o repórter informar que tinha uma quantia razoável de dinheiro no bolso para adquirir o produto, o rapaz voltou atrás e chamou o seu vizinho de banca, que saberia chegar ao vendedor.
O segundo rapaz foi direto ao ponto: ''Conheço quem tem os comprimidos, mas ele é ruim de negócio. O valor é R$ 300 e não tem conversa''. O jornalista pediu para ir até o vendedor, porém, foi informado de que não havia necessidade. ''É só entregar o dinheiro para mim que eu trago pra você'', rebateu.
Dito e feito. Com o dinheiro na mão, o vendedor logo voltou com quatro comprimidos de Cytotec embrulhados em papel de presente. A entrega foi feita em um corredor, distante da banca em que ele trabalha. As orientações dadas ao comprador são objetivas e assustadoras. ''Seguinte: são quatro comprimidos. Manda a menina ficar em jejum a partir das seis horas da tarde. Não pode comer nada durante a noite inteira. No dia seguinte, ela toma dois comprimidos e introduz os outros dois na vagina. Antes tem que lavar bem as mãos e enxugar com uma toalha limpa. Ela tem que estar deitada e só pode levantar lá pela 1 hora da tarde'', orientou.
''Mas ela não vai passar mal?'', questionou o jornalista. ''Não. Vai dar uma cólica mais forte, como se fosse uma menstruação, mas isso é normal. Quando 'descer', vai ser com bastante sangue. Diga para ela não se apavorar. Não precisa procurar médico. Depois que 'descer' é tranquilo, já era'', enfatizou.
A última pergunta do jornalista foi sobre a procura ao medicamento. ''Geralmente vem bastante gente... Mas eu não gosto de vender isso'', finalizou. Todos os diálogos foram gravados em áudio.
Em 30 de setembro de 2000, a FOLHA publicou uma matéria mostrando situação semelhante. A diferença é que há oito anos quatro comprimidos eram vendidos por R$ 80. |
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Não tocado; puro, incorrupto 16/01/2009
Da série "rapidinhas"
Os ilibados
Nunca na história desta cidade a palavra "ilibada" foi dita tantas vezes. A cada vez que o prefeito interino José Roque Neto fala sobre algum dos seus secretários ou até de funcionários do segundo escalão, faz questão de dizer que escolheu "homens de conduta ilibada".
Aurélio
Vamos ao dicionário. Está lá: ilibado - Não tocado; puro, icorrupto. Tomara...
É ex-padre
Dom Orlando Brandes, em entrevista à FOLHA na última semana, sentenciou: o prefeito é ex-padre perante a Igreja Católica.
Mudando de assunto...
Tive a oportunidade de ficar em casa pelo período da manhã nesta semana. Eis que ligo a TV no SBT e lá está o velho Chaves, mas desta vez na versão desenho. É isso mesmo, transformaram em desenho e velho e divertido seriado mexicano. Gostei. Pelo menos é melhor do que a escolinha do Magal...
Vergonha
Peço desculpa aos poucos leitores pelo longo tempo sem postar por aqui. Acontece que eu estava tocando uns projetos por aí... Bom, não vem ao caso...
Até
Amanhã e domingo haverá novas postagens, pois segunda-feira embarco em uma loucura. Logo você entenderá. Abração! |
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08/01/2009
Esta vem do arquivo. Vasculhando alguns jornais antigos, encontrei a primeira matéria que escrevi para a FOLHA, como freelancer, em 2006. Lembro bem como foi: estive no jornal pedindo emprego. O chefe de redação sugeriu que eu apresentasse alguma matéria, como teste. Mostrar o trabalho dos vendedores de minhoca da Vila Marízia foi a melhor ideia que tive naquele momento.
Sempre que passava na BR-369, no trecho próximo ao entroncamento com a Avenida 10 de Dezembro, eu ficava observando aquele pessoal, moradores do bairro que num passado não distante era favela, que oferecia minhocas. O trabalho deles me deixava curioso.
Parar para entrevistá-los foi experiência das mais interessantes. Encontrei uma gente simples, mas trabalhadora, que sabe se virar para ganhar o trocado de cada dia. Os fregueses são pescadores.
"Minhoqueiros", como dona Maria Aparecida da Silva, há mais de 30 anos no ramo, contam que já não se acha mais minhocas no córrego que corta o bairro, por isso é preciso ir longe para encontrar o produto. Ela também reclama da concorrência. Com o tempo, a Vila Marízia virou referência da venda de minhocas, logo surgiu mais gente por ali com interesse de também vender os bichinhos.
O comércio já vai além da beira do asfalto, em várias casas há plaquinhas indicando a venda dos invertebrados, como na de Pedro da Silva.
Para mim, começar no jornalismo impresso mostrando os vendedores de minhoca foi bom. Comecei com o pé direito.
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