Ponto e Vírgula - Paula Barbosa Ocanha
08/01/2013 - 09:30
 


Fazia tempo que eu não me divertia tanto lendo um livro. O romance do austríaco Daniel Glattauer, @mor, lançado no Brasil pela Suma de Letras, é incrivelmente simples e complexo em sua escrita - se é que isso é possível.
Ele é simples porque é inteiramente contado através de e-mails. Os protagonistas, Leo e Emmi, se conhecem por acaso por conta de uma correspondência eletrônica que foi enviada para o remetente errado. Já a história que se desenrola entre os dois é absurdamente complexa e real.
Não sei se senti ainda mais as emoções do protagonistas porque eu mesma conheci meu marido pela internet e sei como um relacionamento como esse pode se tornar forte e irresistivelmente viciante, ou se o autor criou tão bem a essência dos dois que você se envolve com o drama dos personagens. Não sei o que foi, mas sei que esse romance me prendeu do começo ao fim, linha por linha, e-mail por e-mail.
Se você nunca se apaixonou por alguém virtualmente, pode achar uma tolice. Mas acredite em mim, toda a história é absolutamente plausível e real. Sei disso, porque eu já vivi uma assim. Apaixone-se também por Leo e Emmi.

"@mor.
Se você já encontrou a pessoa perfeita,
Por que se arriscar a conhecê-la pessoalmente?"

"Assunto: Cancelamento
Gostaria de cancelar minha assinatura. Dá pra fazer por aqui?
Cordialmente,
E. Rothner"


18 dias depois

"Assunto: Cancelamento
Quero cancelar minha assinatura. É possível por e-mail?
Solicito uma resposta rápida.
Cordialmente,
E. Rothner"


33 dias depois

"Assunto: Cancelamento
Prezados senhores e senhoras da editora Like.
Caso o fato de os senhores ignorarem insistentemente minha tentativa de cancelar uma assinatura tiver como objetivo não deixar cair o volume de vendas de seu produto, que está em lamentável e constante decadência, infelizmente devo lhes comunicar: eu não vou mais pagar!
Cordialmente,
E. Rothner"


Oito minutos depois

"Fw:
A senhora se enganou. Este é um e-mail particular. Meu endereço eletrônico é woerter@leike.com. A senhora certamente queria escrever para woerter@like.com. A senhora já é a terceira pessoa que me pede o cancelamento. A revista realmente deve ter ficado muito ruim."


Cinco minutos depois

"Re:
Oh, me desculpe! E obrigada pelo esclarecimento.
Saudações,
E. R."


São esses e-mails que abrem o romance @mor e que são responsáveis pelo início da história de Emmi e Leo. A personagem principal está tentando cancelar a assinatura de uma revista, mas envia o e-mail para o remetente errado. Leo Leike, que não vive seus melhores dias, responde após a insistência de Emmi que ela cometeu um erro. Mas, o que era para terminar por aí se desenvolve de forma hilária em uma relação de amizade virtual.
Você pode estranhar o fato do livro ser contado exclusivamente por e-mails. Não há relatos paralelos sobre os personagens, suas vidas ou o que eles fazem em suas horas vagas. Não há narrador observador. Há somente uma porção de e-mails trocados entre duas pessoas que resolvem se conhecer melhor. Está aí a graça do romance. Tirando o que eles mesmos revelam para o outro, todo o restante fica por conta da imaginação do leitor, que começa a se sentir um intruso. É literalmente como se você conseguisse deliciosamente bisbilhotar os e-mails de alguém que está começando uma relação com um completo desconhecido.
A leitura é viciante. A cada e-mail você quer saber mais sobre os personagens, sobre o desenrolar da amizade e sobre os dramas que cada um está vivendo em seu universo particular - compartilhado apenas em doses homeopáticas em algumas linhas enviadas por correio eletrônico.
O livro não tem o desenrolar perfeito de uma relação simplesmente porque os personagens são muito verdadeiros. Você sente raiva de Emmi em alguns trechos, porque ela se mostra egoísta muitas vezes. Fica irritado com Leo, pela complacência e inércia. Mas tudo isso mostra o quanto o escritor foi inteligente em criar uma história tão simples com personagens tão complexos. Porque nós todos somos assim: chatos, legais, irritantes, egoístas, emotivos, apaixonados e apaixonantes em nossas qualidades e, principalmente, nossos defeitos.
O autor Daniel Glattauer nasceu em 1960, em Viena, e trabalha desde a década de 80 como escritor e jornalista.

Ps: quando chegar ao final do romance você pode querer matar o escritor, mas calma. O livro é uma duologia, então você terá que comprar a continuação, que deve ser lançada como "Emmi e Leo, A sétima ond@", pela mesma editora, ainda no primeiro semestre deste ano. Particularmente, eu acho que o livro todo poderia ter sido lançado em um volume só... Mas vocês sabem como são as editoras danadinhas!

Até a próxima, pessoal. ;)
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17/12/2012 - 12:24
 


Assim como quando o best seller de Dan Brown, O Código da Vince, vendeu como água em todo mundo e em um instante tínhamos vários outras obras nas prateleiras das livrarias copiando a ideia ou simplesmente discutindo o assunto para pegar carona na fase "pseudo-intelectual" que os leitores estavam vivendo, hoje as editoras estão pegando carona na onda erótica, levantada pelo péssimo 50 Tons de Cinza, que vendeu mais de 100 milhões de cópias em todo mundo.

Lançado esse ano pela Editora Paralela está o romance da escritora norte americana Sylvia Day, Toda Sua. Diferente de E. L. James, autora de 50 Tons, Sylvia não é escritora de primeira viagem - o que significa que o livro dela é melhor escrito do que a obra da britânica. O que não significa, porém, que a história está livre de cenas clichês.

Mesmo que eu não tivesse confirmado em algumas matérias que Sylvia tinha se inspirado em 50 Tons para escrever seu romance, estaria óbvio logo nas primeiras páginas. A personagem Eva Tramell, uma jovem de 24 anos, vai começar a trabalhar em uma das maiores agências de publicidade dos Estados Unidos. - E agora, permitam-me traçar paralelos entre as personagens das duas obras. Diferente de Anastácia, personagem de 21 anos de 50 Tons, Eva é mais madura. Mesmo assim, pasmem, quando encontra pela primeira vez o jovem lindo e riquíssimo Gideon Cross, dono da agência e de metade da cidade, ela cai no chão. (!!!)

Por que as personagens caem quando encontram homens lindos? Ninguém pode escrever uma cena onde uma mulher consegue ser digna o suficiente para ver um homem bonito e continuar com os dois pés no chão?

Gideon, que é "extremamente sexy, lindo e tem olhos azuis", se interessa por Eva, e Eva por Gideon. Mas ele não costuma namorar, nem é muito ligado em romance. Além de ter algum trauma de infância que não fica muito claro qual é no primeiro dos três ivros. (Oi? Alguém já viu essa história por aí?) A partir do encontro é iniciada uma relação entre os dois. E eu paro por aqui, porque só li o primeiro. 50 Tons é um Crepúsculo pornográfico. Toda Sua é um 50 Tons sem o sadomasoquismo.

Em resumo, para quem gostou de 50 Tons, é mais do mesmo. Para quem não gostou, pode ser que a história convença um pouco mais porque é melhor escrita que a outra obra e a personagem não é tão infantil quanto Anastácia. Agora, para mim, sinceramente, as duas obras são chatas, irritantes e não mereciam ser best sellers.

Outra coisa. Por que de uma hora para outra ninguém mais lança uma obra só? Tudo vem em trilogias, quadrilogias ou duologias. Por quê? As editoras querem vender livros. Não importa se ele é ruim, se não tem conteúdo ou é um romance chato e vazio. Elas querem vender por isso criam "fenômenos editoriais" de marketing, não de conteúdo. Não por merecimento. São fenômenos criados para que você consuma a história.

Por que eu li, então? você pode estar se perguntando. Porque eu quero ter a oportunidade de expressar minha opinião em cima de uma obra lida. Conheço quem diz que esses livros são ruins e nem leram as obras. Eu só falo do que eu conheço, e por isso perdi algumas horas da minha vida lendo esses "romances".

Sinceramente, se você gostou ou não do livro, espero que tenha pelo menos lido e avaliado outras obras. Se você não tinha o hábito de ler e esses livros fizeram você ter vontade de consumir boas histórias, pode ser que tenha valido a pena. Senão, eu só tenho a lamentar.

Até a próxima, pessoal.
Paula Barbosa Ocanha
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26/11/2012 - 11:07
 


Então eu li a trilogia Cinquenta Tons de Cinza – formada pelo livro que resenhei em setembro e pelos livros Cinquenta Tons Mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade, da autora britânica Erika L. James. No post passado eu tinha lido somente o primeiro livro, e fui criticada (com razão) por ter dado minha opinião em cima da obra parcialmente avaliada. Por isso estou escrevendo novamente, para dizer que fiquei feliz por ter lido os três livros. Só serviu para reafirmar a minha crítica anterior. A obra é ruim. Fraca. Irritante. E uma cópia deslavada de Crepúsculo.

Agora vamos desenvolver o raciocínio. Quando li o primeiro livro só tinha achado ele arrastado e a personagem principal - Anastasia Steele - extremamente boba e irritante, e minha crítica tinha basicamente a ver com o quanto a obra era infantilizada e atrairia leitores de uma faixa etária não apropriada. Depois de ler os três fiquei ainda mais irritada com a obra, porque como o primeiro ficava só na promessa (basicamente enrolava e não acontecia nada), ainda existia a possibilidade dos outros dois salvarem a história...

Pessoal que ainda não leu os três: a partir deste ponto o texto possui spoilers (ou seja, possuem informações que podem estragar a surpresa de quem ainda não conhece o texto. Só leia se quiser conhecer as informações ou se já leu a trilogia).

Assim como em Crepúsculo, Ana é perseguida por "pessoas más". Ambos os casais casam em um período ridículo de tempo depois de iniciar a relação. Os dois personagens principais homens são controladores, muito ricos e superprotetores. As duas engravidam "sem querer", causando um problema no relacionamento. Em certa passagem, Grey algema Ana, e depois se arrepende por ter deixado marcas nos braços e pernas dela. Edward, na primeira noite com sua esposa – ainda humana – também se arrepende das marcas deixadas em Bella. Tirando as interjeições cansativas da Ana, ao pensar sobre Grey, que são iguais o tempo todo, todo o livro é ridiculamente igual à saga dos vampiros.

A diferença básica é: a autora de Crepúsculo criou personalidade para personagens fantasiosos. A escritora de "50 Tons", mesmo querendo criar um personagem "real", fez um homem que não existe. O livro é de ficção, mas teria que ser de ficção científica para que Grey conseguisse fazer o tanto de sexo que faz com Ana. Ele teria que ser um robô! E eu não tenho nada contra Ana ser virgem aos 21 anos (como afirmaram nos comentários). Muito pelo contrário. O problema é que os dois como casal não convencem – pelo menos não convenceram a mim. O livro teria que ser descrito como "conto de fadas erótico", e não "romance erótico".

No início do segundo livro PARECE que a autora vai sair um pouco da narrativa repetitiva, quando começa a descrever a história de Grey quando criança. Mas logo ela volta a ser cansativa e o livro é basicamente extremamente superficial. Algumas pontas sobre a história dele ficaram perdidas, assim como a descrição da cena em que Ana é sequestrada, depois de entrar em um banco ARMADA para sacar R$ 5 milhões de dólares (uma coisa muito plausível) foi simplesmente cortada no meio. Parece que a autora cansou de descrever o fato. Após Ana ter dado um tiro na perna do sequestrador ela desmaia. Na próxima página tudo estava resolvido, os bandidos estavam presos e todo mundo foi feliz para sempre.

A minha opinião é a mesma do primeiro texto, e eu não sou do tipo que não dá o braço a torcer. Se a história tivesse se desenvolvido de outra forma, não teria problema nenhum em admitir isso neste post. Mas não foi o caso. O livro é bobo. Não mudei minha opinião depois de ler a obra toda - aliás, ela só piorou. Se eu tivesse lido somente o primeiro livro, neste momento eu odiaria MENOS a história.

FIM DO SPOILER

Assim como quando "O Código Da Vinci", de Dan Brown, foi lançado e depois muitos copiaram a ideia, alguém já lançou outra trilogia erótica – copiando 50 Tons de Cinza. O primeiro livro da série chama Toda Sua, e eu já terminei de ler. Pretendo fazer um comparativo sobre as duas trilogias em breve.

Obrigada por acessarem e deixarem comentários. Quero deixar aqui meu respeito para quem gostou dos livros - cada um tem sua opinião, e por isso o que eu escrevi aqui chama-se "resenha crítica" e não "verdade absoluta". O texto é baseado na MINHA percepção da obra, conforme MINHA bagagem emocional e literária. Cada um tem a sua!

Beijos e até a próxima! =)
Paula Barbosa Ocanha
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24/09/2012 - 09:30
 


Li o "best-seller" Cinquenta Tons de Cinza há uns meses, pela internet, ainda em inglês, antes de o livro ter sido lançado no Brasil. Resolvi dividir minha opinião depois de ver que uma matéria sobre ele saiu na Época, falando sobre "o grande fenômeno editorial" que ele se tornou e como ele estava sendo bem recebido pelo público. Somente no Brasil já foram mais de 100 mil cópias vendidas, e no mundo todo, mais de 40 milhões! Eu realmente fiquei chocada.

Mais do que fazer uma resenha, vou fazer uma crítica séria. Mas, primeiro quero deixar claro que leio histórias de diversos estilos, principalmente quando vejo que um livro está causando muito "barulho". Poucas vezes o barulho se revela uma boa surpresa, como "A Última Carta de Amor". Na maioria das vezes eles são literaturas da moda, efêmeras, que dificilmente vão conquistar leitores daqui dez ou vinte anos.

Após ler a história percebi que existe um enorme problema em "Cinquenta tons de cinza", e em toda sua trilogia. Apesar do livro ser considerado literatura adulta, erótica – por ter descrição de cenas de sexo e do conteúdo ser impróprio para menores de idade – ele é totalmente infantilizado, como se fosse escrito para o público adolescente. Isso porque a personagem principal é uma menina de vinte e um anos, com pensamentos e inseguranças de uma adolescente de quinze, atitudes de uma jovem inexperiente, mas o livro é um "romance" que trata de sadomasoquismo! As peças simplesmente não se encaixam.

Depois de ler o primeiro, e descartar completamente a possibilidade de ler os outros dois, pesquisei sobre a autora e descobri que (agora sim tudo começa a fazer sentido) ela é fã da série Crepúsculo. Ou seja, ela praticamente refez a história de Bella e Edward com muita erotização no meio. Se retirassem as partes proibidas para menores, a história se torna um romance bobo, com uma personagem principal vazia, sem conteúdo e completamente óbvio. Sem querer fazer julgamentos – já fazendo – creio que quem gostou de Cinquenta Tons de Cinza não deve ter amadurecido no gosto literário. É como se o livro fosse da série "Sabrina", com uma história um pouco maior!

Antes de me baterem, preciso deixar uma coisa clara. Não tenho nada contra livro direcionado ao público adolescente. Até hoje leio alguns, e eles são sim simplificados e possuem histórias superficiais e bonitinhas, nada além do óbvio. Mas quando são livros direcionados para esse público, não vejo inconvenientes. O problema é quando um livro de gosto absolutamente duvidoso é colocado como literatura adulta com o objetivo claro de ser apreciado por jovens – mesmo menores de idade. Com uma leitura tão simples, sem complexidade e superficial, é lógico que adolescentes se interessarão pela história, e o texto não é recomendado para esse público.

Sem mais delongas, a história é absolutamente irritante, assim como os personagens. Não recomendo.

O livro Fifty Shades of Grey, da autora britânica Erika L. James, conta a história de uma universitária de 21 anos que, ao fazer um favor para sua amiga – de entrevistar um rico empresário para o jornal da escola – acaba se apaixonando perdidamente por um homem cheio de facetas e segredos obscuros. Christian Grey, magnata de apenas 27 anos, também fica fascinado pela jovem. O relacionamento dos dois, porém, nunca poderá ser normal – já que Grey não tem namoradas, somente escravas sexuais. A história se passa em Seattle. Anastasia, apaixonada, mas completamente inexperiente, tem que decidir se vai se entregar ao magnata ou se vai se afastar do mundo obscuro habitado por Grey.

A curiosidade pela prática do sadomasoquismo e pela história de Grey – que demonstra ter sofrido muito no passado – fala mais alto, e Anastasia se envolve em uma história que não sabe se vai ter maturidade para continuar.

A narrativa, como eu já disse, é exaustiva e extremamente lenta. Se você, como eu, tiver o azar de ler essa história, boa sorte! Você vai precisar!

Até o próximo post, pessoal.
Paula Barbosa Ocanha
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16/09/2012 - 14:43
 
Divulgação


Eu não gosto de livros de romance com suspenses excessivos e desnecessários, como aqueles que o escritor joga uma informação importante no começo do livro e enrola a história inteira para contar o segredo do personagem no final. Penso que são escritores limitados. Escritores que só conseguem prender a atenção do leitor guardando aquela informação chave, fazendo com que a pessoa seja obrigada a ler exasperadamente o texto todo para saber o desfecho da história. Por isso tive que escrever sobre "A última carta de amor". O livro me surpreendeu, no bom sentido. Não é uma história de romance clichê, apesar de começar com um: uma mocinha que perde a memória e tem que redescobrir sua vida e seus próprios segredos. Mas eu recomendo o livro, e é por isso que vim – após muito tempo – deixar uma nova resenha para vocês.

A Última Carta de Amor (The Last Letter From Your Lover) é um romance da britânica Jojo Moyes, lançado este ano no Brasil pela Editora Intrínseca. A história é centrada em três personagens principais e narrada em épocas diferentes – presente e passado. No presente, a personagem principal é Ellie, uma jornalista de 30 e poucos anos que – trabalhando com reportagens especiais – recebe a incumbência de procurar notícias interessantes de 40 anos atrás, que rendam uma matéria de comportamento.

Ellie busca nos arquivos do próprio jornal em que trabalha material para o texto que precisa escrever, e acaba achando uma triste carta de amor, relatando uma despedida. Envolvida em seu próprio drama pessoal, Ellie quer saber quem são os personagens da linda carta.

Paralelamente à história de Ellie, a autora narra a história de Jennifer, que aos 24 anos, em 1960, acorda em um hospital após um acidente, sem lembrar de sua vida recente. Ela não lembra que é casada, não sabe quem é seu marido (Laurence) e nem quem são seus amigos. Jennifer, porém, resolve descobrir sobre sua vida, e acaba achando entre seus pertences a mesma carta que Ellie, quarenta anos depois, acha em sua pesquisa. Jennifer, mesmo sem recordar de nada, acaba finalmente entendendo que a sensação de estranheza e vazio que estava sentindo era porque alguém estava faltando em sua vida.

"Estarei na plataforma 4, às 19h15, sexta-feira à noite, e nada no mundo me faria mais feliz do que você encontrar coragem para vir comigo. Saiba que você tem meu coração, minhas esperanças em suas mãos. Seu, B."

Jennifer e Ellie, em épocas diferentes, tentam descobri quem é o autor da linda carta. Jennifer, obviamente, não pode perguntar ao marido ou aos amigos, já que na época em que vivia, era normal ter um casamento falido, mas mantê-los pelas aparências. Já Ellie tem a barreira do tempo e da falta de informação para chegar aos protagonistas do romance.

A história de Jojo Moyes poderia ser clichê, simples ou óbvia, mas não é. Ela amarra as informações com muita sensibilidade, e te dá informações importantes aos poucos, à medida que a história avança, mas sem deixar o leitor com a sensação de cansaço e monotonia, ou deixar a história arrastada. A Última Carta de Amor é uma história linda. Encante-se.
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18/02/2011 - 13:28
 
Dia desses fui até o sebo que fica ao lado da Folha de Londrina. Teoricamente "só para dar uma olhadinha", já que não tinha dinheiro para gastar em livros. Mas, - você me pergunta - como alguém que é viciada em leitura consegue sair de um sebo sem comprar nada? Pois é.

O jeito foi procurar na prateleira de livros que custavam R$ 1,00 e, acreditem, achei uma preciosidade. Paguei com duas moedas de 50 centavos e sai muito satisfeita. Aliás, o bom de comprar livros por esse preço é que se você não gostar dele, ou nunca chegar a ler uma página, ele custou tão baratinho que não dá peso na consciência. =)

O livro que eu comprei é antigo e pouco conhecido no Brasil. Mas é uma história rica, cheia de detalhes e facetas que encantam os fascinados por leitura como eu. "A mulher só", de Harold Robbins com tradução de Nelson Rodrigues, é um clássico da literatura americana que relata brilhantemente como uma sociedade conservadora e hipócrita pode estragar a vida de uma pessoa por se importar muito com as aparências. Ainda não terminei de ler, mas estou encantada com a narrativa e com os personagens – tão profundos e complexos quanto pessoas reais.

Sei que muitos preferem ler literatura contemporânea. Eu também gosto de histórias atuais. O que me fascina, porém, na literatura clássica, é que a sociedade era diferente, os costumes eram outros e você aprende coisas sobre o cotidiano das pessoas que somente um relato íntimo e verdadeiro poderia ensinar. Aliás, você acaba percebendo que a sociedade não mudou tanto assim e que 1976 pode estar logo ali, na casa vizinha.

Confesso que você pode comprar um livro barato que é uma porcaria – eu também já comprei. Mas vale a pena arriscar. Com R$ 1,00 eu descobri "O vale das bonecas", de Jacqueline Susan, que virou filme em 1967 e encanta gerações até hoje, e "Pode servir o vinho", de Cynthia Freeman, que sem dúvidas é um dos meus livros preferidos. São cativantes os autores que conseguem criar uma vida inteira para seus personagens. E são desses livros que eu gosto mais. Dos longos, detalhados, pessoais... Creio que para gostar dessas narrativas você tem que gostar de analisar e de conhecer intimamente as pessoas. E eu gosto!

Resumindo: vão até o sebo e garimpem na sessão de livros por R$ 1,00. As histórias que vocês vão encontrar nessas prateleiras valem, com certeza, um dinheiro que vocês nunca poderiam pagar.

Ps: Sim, eu sumi! Desculpem... Se esse blog ainda tiver leitores prometo que vou escrever mais. Aliás, estou preparando um texto sobre as obras de Nicholas Sparks. Quem já leu os livros dele?

Até breve, pessoal!
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ico_twi
12/08/2010 - 14:00
 


Olá pessoal! Desculpem a demora para postar!
Mudei para a editoria de política recentemente, e vou contar uma coisa para vocês: não é nada fácil!
Bom, hoje vou falar de um livro que eu gostei, mas não está entre meus livros preferidos. Achei a história fraca. O diferencial, porém, são os detalhes sobre a vida da personagem no novo país, e a sensibilidade que a autora trata alguns assuntos. Vamos lá...

O romance "A doçura do mundo", lançado em 2007, é da mesma autora de "A distância entre nós", Thrity Umrigar. A jornalista atualmente mora em Ohio e escreve para vários jornais locais, além de lecionar literatura na Case Western Reserve University.

Neste livro, Umrigar conta a história de uma família que aprende a transcender dificuldades e barreiras culturais para viver no mesmo país. A personagem principal é Tehmina, uma indiana de 76 anos que sempre viveu em Bombaim. Uma mulher batalhadora e inteligente que perde seu marido amado e, pela primeira vez, precisa tomar decisões sozinha.

Em um primeiro momento, Tammy, como é chamada a personagem no decorrer da história, busca conforto na casa de Sorab, seu único filho que foi morar nos Estados Unidos quando tinha apenas 21 anos. Hoje, com 38, Sorab é um homem bem sucedido, casado e pai de um menino. Sua mulher, Susan, é a típica americana branca que não está muito acostumada com as tradições ocidentais. Apesar das reprimendas e de não sentir-se à vontade na casa do filho, quem faz a velha senhora passar dias felizes é seu netinho Cavas, de apenas sete anos, que adora a companhia da avó.

Tammy está a quase seis meses na América e pela primeira vez tem que decidir sozinha uma questão que poderá mudar sua vida para sempre: ficar nos Estados Unidos com seu único filho, agüentando as censuras e falta de paciência da nora. Ou voltar para seu apartamento na Índia, onde a cidade, a língua, cultura e pessoas são antigos amigos que ainda podem confortar um coração cansado.

O romance relata como as feridas no coração e na alma de Tehmina cicatrizam e como duas crianças que moravam na casa ao lado podem influenciar na sua difícil decisão. Uma história previsível e fácil de ler, sem muitas tramas ou revira-voltas, mas que encanta pela simplicidade e emoções presentes em cada parágrafo.

Logo na contracapa do livro a autora resume os sentimentos presentes no texto. "O melhor lugar do mundo é um só: perto daqueles que amamos".
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ico_twi
13/07/2010 - 15:52
 
Quem leu a série Millennium sabe que a trilogia foi de perder o fôlego! E agora chega a notícia de que o escritor Stieg Larsson estaria escrevendo o quarto livro da série que virou fenômeno mundial.

Eu gostei muito do estilo literário do escritor, e gostei muito da série. Achei essa matéria no G1. O que vocês acharam da notícia?

Amigo de Stieg Larsson dá detalhes sobre quarto livro da série ‘Millenium’

Trama se passaria no Canadá, em um mês de setembro e teria 440 páginas.
Larsson deixou rascunho com 320 páginas ao morrer em novembro de 2004.


Segundo a agência, somente duas pessoas tiveram acesso ao rascunho, de cerca de 320 páginas: sua companheira Eva Gabrielsson, que se recusou a comentar o assunto, e o amigo John-Henri Holmberg, que disse ter recebido um e-mail sobre a obra cerca de um mês antes da morte do escritor, em 9 de novembro de 2004.

Holmberg contou que Larsson planejara concluir o livro em dezembro. Os dois se conheceram em um evento de ficção-científica na década de 1970. O amigo afirmou que Larsson já tinha conseguido uma trama para o início da história e uma para o final, mas faltava o meio.

Apesar de dizer não saber mais nada sobre a história, Holmberg acredita que Larsson teria um detalhamento dos procedimentos para terminar o livro em algumas notas. O amigo diz ainda que o escritor e gostaria que a obra fosse completada. Ele sugeriu ainda que a mulher do escritor, Gabrielsson, que trabalhou próximo a Larsson nos três primeiros livros, fizesse a redação final.

"Dê dez anos" após o filme de Hollywood ser lançado, ele disse: "Depois disso, não haverá razão para lançar o livro. E eu acredito Stieg estava focado em ter algum sentido no que ele escrevia."

Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/07/amigo-de-stieg-larsson-da-detalhes-sobre-quarto-livro-da-serie-millenium.html
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ico_twi
29/06/2010 - 18:29
 
Olá, pessoal!
Hoje não vou publicar nenhuma resenha, mas preciso escrever um texto explicando algumas coisas. (Sim, esse vai ser um post relativamente grande!)

Primeiro preciso dar nota para os livros que eu publiquei antes de estipular esse sistema (sugestão que o Miguel deu em um dos comentários). Aliás, o segundo motivo tem a ver com os comentários, mas vamos por partes.

Notas - Lembrando que vão de 1 a 5, e são representadas por asteriscos.

Água para Elefantes - Sara Gruen: ***
O Vendedor de Sonhos - Augusto Cury: **
A Cidade do Sol - Khaled Rosseini: ****
O Caçador de Pipas - Khaled Rosseini: ****
Os Homens que não Amavam as Mulheres - Stieg Larsson: *****
Eu Sou o Mensageiro - Marcus Zusak: ****
A Menina que Roubava Livros - Marcus Zusak: *****

É isso aí! Acho que o motivo das notas já estão explicados no próprio texto. Agora vamos aos comentários.

Alguém, anônimo - vou chamá-lo de Fred (não sei porque achei que seria um homem, mas enfim) - perguntou nos comentários se eu tinha lido todos os livros antes de escrever a resenha. E aqui, citando as palavras de Fred: "eu acho beeeeem improvável!!! bjo". Fred, acontece assim: (Acabei de me dar conta que geralmente homem não escreve "bjo" no final dos comentários, e por isso talvez Fred seja uma mulher! Fred, se você for mulher, sinto muito. Da próxima vez não escreva um comentário anônimo!). Continuando. Fred, eu amo ler. Tenho esses livros há algum tempo e já li essas histórias todas. No entanto, os únicos livros que eu li neste mês para escrever resenhas foram os do Stieg Larsson.

Todos os outros são livros que eu já li há dois, três anos. Alguns mais de cinco vezes. Quando a proposta do blog surgiu eu já tinha mais de 15 resenhas para publicar. Resumindo: tenho uma gaveta enorme de textos e resenhas guardados (não literalmente). Eu só os atualizo para o blog, entendeu? Por isso, Fred, respondendo sua pergunta: sim, eu li todos esses livros (literalmente). Isso não significa que eu os li desde que o blog começou. Continue acessando o site e obrigada pelo comentário. "Bjo" pra você também!

Outra pergunta que já me fizeram mais de uma vez, por comentários, e-mail e pessoalmente: Por que Setembro?

Setembro é a personagem de um livro e eu achei o nome bonito. Veio a calhar que eu nasci em setembro - dia 26 para quem quiser mandar um presentinho. Então achei que o nome combinava comigo! Quando conheci meu marido na internet eu não usava meu nome verdadeiro. Por isso, para ele eu era apenas "Setembro". Mesmo depois que soube meu nome ele continuou com o apelido e por isso todas as pessoas que me conheceram através dele me chamam assim. Menos o marido de uma amiga nossa que vive se confundindo e me chama de Primavera. A coisa é tão séria que dentro da aliança dele (do Miguel, e não do marido da amiga) está escrito Setembro e não Paula (para desgosto dos meus pais, que acham meu nome lindo)!

Última coisa. Eu terminei a trilogia do Stieg Larsson. A história é absolutamente incrível, mas não vou escrever a resenha dos outros dois livros. Quem acompanha o blog percebeu que saiu uma matéria minha na Folha de Londrina sobre a série, e acho que é o suficiente. Eu não gosto de estragar surpresas e acho que resenhar o segundo e o terceiro livro irritaria as pessoas que querem ler a trilogia, mas não gostam de ler informações demais sobre a história. Aliás, obrigada aos leitores que indicaram os livros. Para mim, todos eles merecem nota 5!

É isso aí! Até o próximo post!
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ico_twi
26/06/2010 - 11:13
 


Esse é um dos meus livros preferidos!

Na capa da obra existe a seguinte frase: Memórias de uma família que aprendeu a criar finais felizes. A verdade é muito mais profunda do que resumem essas palavras, mas a frase dá uma boa noção do que o livro conta. O Castelo de Vidro é uma não-ficção, e narra a história da jornalista Jeannete Walls e sua família.

A obra é encantadora. Longe, porém, de contar a história de uma família perfeita. Os pais de Jeannete (Rex e Rose Mary Walls) eram nada convencionais. "Rex era um escritor fracassado, um homem brilhante e carismático. Sabia que sua família era especial e por isso sonhava em construir uma grande casa no deserto, o Castelo de Vidro. Compreendia perfeitamente a imaginação dos filhos. Ensinava-lhes física, geologia e, acima de tudo, como enfrentar a vida intrepidamente. Mas, quando estava bêbado, Rex era desonesto e violento. Rose Mary, pintora e escritora, era uma mulher alheia às necessidades dos filhos e pensava mais na arte do que na comida e no bem-estar da família". (Trecho retirado da orelha do livro)

Bom, retirei esse pedaço pronto porque, na minha opinião, os pais de Jeannete eram completamente malucos! Então foi uma maneira de passar a vocês uma ideia mais geral dos fatos.

O que mais me impressionou nessa história foi a maneira que a autora escreveu suas memórias. Num primeiro momento você pode achar que é um livro triste, e eu te afirmo que depois de começar a ler você percebe que ela, na verdade, conta tudo com muito humor. É claro que é uma história que te cansa, porque você pensa em vários momentos: MEU DEUS! Como podem as pessoas viverem assim, no mundo da lua?! Essa, pelo menos, foi a minha impressão sobre os pais dos garotos. Num momento especialmente irritante, as crianças (Jeannete tem mais três irmãos) estão tiritando de frio e a mãe fala: "Não temos aquecimento, mas temos um ao outro". (Nesse momento você não consegue ver, mas eu não consigo deixar de revirar os olhos para cima em sinal de reprovação e exaspero!) Resumindo: ela é quase uma Polyanna adulta, para irritação dos leitores.

A história é quase um conto de fadas moderno. É incrível, emocionante, irritante e exaustiva, como só uma boa história consegue ser. Jeannete virou um exemplo para mim e é por isso que eu amo tanto esse livro. A menina era pequena e aprendeu a se virar e cuidar dos irmãos. Hoje, ela não só é uma jornalista mundialmente famosa, mas conhecida por sua alegria e vontade de vencer.

Vocês podem pensar: porque a história recebeu nota 4 e não 5, se é tão boa? É que é uma excelente história, mas é uma história fácil de entender. Deixarei as notas mais altas para aqueles enredos fascinantes, complexos e densos, que só um escritor exímio poderia criar. Isso não muda, porém, minha preferência sobre a obra!

O Castelo de Vidro ficou dois anos na lista dos mais vendidos do New York Times e ganhou vários prêmios. Entre eles o Elle Readers de 2005 e o Alex 2006 da American Library Association. Jeannete Walls atualmente mora na Virginia com seu marido, e também escritor, John Taylor.
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Paula Barbosa Ocanha
 
Paula Barbosa Ocanha, ou 'Setembro', é jornalista, tem 23 anos e é apaixonada por leitura. Não importa se o livro é brasileiro, estrangeiro ou intergalático. Clássicos da literatura, romances, suspenses e histórias de mulherzinha ocupam o mesmo espaço na estante, sem preconceitos. Aliás, não precisa nem ser livro. Gibis, revistas e bulas de remédio também servem, quando não tem nada novo para ler! Nesse espaço, a jornalista divide sua opinião sobre os best-sellers que saem no mercado editorial.



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