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15/10/2008 -- 09h29

Em casa e na escola, afetividade facilita o aprendizado

Confundido muitas vezes com permissividade, conceito significa educar com limites, ensinando a importância de saber respeitar as regras e o outro

Érika Gonçalves - Folha de Londrina
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Celso Antunes: 'Saltamos em uma geração dessa absurda restrição para uma ilimitada permissividade. Entre os extremos tem que haver um diálogo'

Estabelecer limites sem frustar a criança e ao mesmo tempo educar. Esse é o grande desejo dos pais. E com a correria do dia-a-dia, muito disso acaba sendo transferido para a escola. Mas será que pais e professores estão preparados para essa nova forma de ensino?

Celso Antunes, especialista em Inteligência e Cognição e Mestre em Ciências Humanas, esteve em Londrina nos dias 26 e 27 de setembro para participar da Convenção do Sistema Maxi de Ensino. Autor do livro ''Afetividade na Escola: Educando com firmeza'', ele falou com exclusividade à Folha de Londrina sobre como trabalhar o tema em casa e na escola.

O que significa afetividade na educação?

É um conceito diferente do usual. Há uma tendência na cultura latino-americana em associar a idéia de afetividade à idéia de carinho, de bondade, de ternura. Na realidade, é passar segurança e você passa segurança para uma criança quando educa com firmeza no cumprimento das regras, das normas, porque isso efetivamente prepara para a vida.

O fato dos pais trabalharem fora faz com que se sintam culpados por não estarem com os filhos e então transferem para a escola essa obrigação de educar?

Essa é uma das razões. Eu suponho que a base está no fato de que afetividade se aprende. E se nós não aprendermos afetividade enquanto pais, enquanto professores, nós nos tornamos permeáveis exatamente para confundir o sentido da palavra e, nesse caso, transformar a idéia de afetividade em uma idéia de permissividade. Ele precisaria saber que não é exatamente isso que os filhos querem dele. Regras são regras e conviver com o outro implica em regras.

É correto transferir a educação para a escola, já que se diz que a função de educar é dos pais?

A formação integral de uma pessoa é feita através de diferentes espaços, incluindo a família e a escola. Entre os dois, existem outros espaços que se perdem se não forem bem orientados pela família e pela escola. Alguns exemplos disso são a televisão, o cinema, o clube, a rua. Mas quando se fragiliza a educação no lar e quando a escola não sabe como conduzir a afetividade, esses outros veículos de formação acabam de uma certa forma levando a aquela permissividade.

Por que trabalhar a afetividade na escola?

A escola é um espaço onde isso é mais fácil de ser trabalhado, porque é o ambiente ideal para sociabilidade, sobretudo no perfil da família contemporânea, onde o pai tem um, dois filhos. Quando a criança entra numa escola e passa a frequentar grupos, nem todos têm por ela a afeição que têm os pais. É quando ela começa a enfrentar mecanismos de rejeição, mecanismos de recusa e é nessa hora que ela precisa aprender a lidar com esse convívio. Nesse contexto que a importância da escola é muito grande também, na medida em que é o espaço ideal para a sociabilidade.

Como o professor trabalha essa afetividade em sala de aula?

A aprendizagem básica é que toda vida social implica em cumprimento de regras. Pegue por exemplo uma partida de futebol: tire as regras e acabou o jogo. Ensinar afetividade é ensinar a conviver com regras e também a modificá-las. Não se ensinará menos matemática, português, ciências, mas se mostrará que o convívio com outro são regras.

Essa proposta é um meio termo entre a escola mais tradicional e a extrema liberdade que se deu há alguns anos?

Nós passamos de um degrau para o outro, nenhum dos dois são bons e o meio termo entre os dois não foi devidamente compreendido. Ninguém hoje pode defender aquele rigor punitivo. Nós saltamos em uma geração dessa absurda restrição para uma ilimitada permissividade. Entre aquele extremo e esse tem que haver um diálogo, um debate. Ai sim, estará emergindo a afetividade, que é baseada no respeito.

A partir de que idade podemos usar isso, já que crianças mais novas não têm maturidade para fazer concessões ou negociar com os pais essas regras?

A partir dos dois anos de idade, bem devargazinho a criança começa a iniciar o processo de desafio. Então é a hora que aquele 'não' com firmeza e com explicação do 'porque não' tem que ser utilizado. Ela precisa compreender instruções. A partir dai, com alguma firmeza, a partir dos quatro, cinco anos as regras começam a ser estabelecidas. Isto é aprendido no lar e praticado na escola, no clube, na rua. Se em nenhum lugar isso é aprendido, surge a criança que não pode aceitar recusa e que nunca aprendeu o não e dirá sim ao traficante. É neste intuito que a educação afetiva é importante.
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