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Mulher
05/05/2008 -- 07h54

Em Curitiba, programa garante o sonho da maternidade

Programa do Hospital de Clínicas oferece tratamento para mulheres sem condições financeiras de custear a fertilização in vitro

Andréa Lombardo - Folha de Londrina
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Três gestações ectópicas - em que o embrião se desenvolve nas trompas - fizeram a vendedora Sueli Schuta, de 33 anos, perder parte do aparelho reprodutivo e a capacidade de engravidar naturalmente. Mas, o problema físico não foi um obstáculo para ela, que não desistiu de ir atrás do sonho de ser mãe novamente. Determinada e com apoio do marido, o marceneiro Odilson José Odia, Sueli buscou os recursos oferecidos pela medicina até descobrir o Programa de Fertilização In Vitro (FIV), desenvolvido em parceria entre o Centro de Reprodução Humana, do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba, e o Centro Paranaense de Fertilidade.

O resultado de tanta determinação tem nome, bochechas rosadas e um ar sereno. A tão esperada Ana Maria chegou às 9h43 do dia 15 de abril, pesando 3 quilos e 115 gramas e medindo 49 centímetros, para alegria dos pais e do irmãozinho Jonathan, de 9 anos. Foi o primeiro ''bebê de proveta'' a nascer, desde que o programa foi oficializado, em meados de 2007. ''Se não fosse pelo programa, não teria condição de ser mãe pela segunda vez'', afirmou Sueli, referindo-se ao empecilho financeiro. Um tratamento de reprodução assistida em clínicas particulares pode custar de R$ 9 mil a R$ 10 mil: valor que não caberia no orçamento da família.

Sueli conta que chegou a procurar uma clínica particular e se ofereceu para ser doadora de óvulos em troca do tratamento, mas, mesmo assim, teria que arcar com cerca de R$ 3 mil. Foram quatro anos tentando engravidar, até chegar ao FIV. Para sua sorte, a gravidez foi confirmada já na primeira tentativa, o que acontece para cerca de 40% dos casos de fertilização in vitro.

O casal decidiu guardar segredo sobre a gravidez. ''A gente preferiu esperar os três primeiros meses para depois contar para a família'', disse Sueli. Agora, ela e o marido não conseguem esconder a felicidade com a pequena Ana Maria, que ganhou um irmão, também, muito bajulador.

A londrinense Marinalva Pereira dos Prazeres, 33 anos, tem uma história parecida com a de Sueli. A diferença é que ela soube que está grávida a cerca de duas semanas. Casada há cinco anos, ela conta que buscou tratamento médico no HC, em 2004, pois não conseguia engravidar. Passou por uma série de exames e fez tratamento até que, no final de 2006, veio a confirmação da impossibilidade de uma gestação normal: uma infecção havia comprometido as trompas. ''Eu chorei muito, fiquei muito abalada'', lembrou. No ano passado, foi chamada para se inscrever no FIV. ''Em todos os dias das mães eu pedia a Deus que me mandasse alguém para me chamar de mãe. Acho que é o sonho de toda mulher'', desabafou.

Marinalva começou o tratamento em agosto de 2007. O apoio do marido, o pedreiro Arnaldo de Menezes Ramos, 40 anos, foi fundamental para levar adiante o sonho de ser mãe. ''Se não fosse ele, eu tinha abandonado'', revelou Marinalva. Quando souberam que estavam grávidos, ambos choraram de felicidade.

Os cuidados nos primeiros meses de gravidez serão redobrados. Marinalva decidiu deixar de lado os afazeres como diarista para cuidar do bebê que está por vir. ''Como o médico explicou, é uma gravidez provocada. Então, tenho que me cuidar, repousando bastante, até meu corpo se adaptar'', disse Marinalva, sem esconder a ansiedade de comemorar o próximo Dia das Mães com o filho nos braços.

Mulheres com mais de 40 anos chamam atenção

A maioria das mulheres inscritas no Programa de Fertilização In Vitro (FIV) do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba e do Centro Paranaense de Fertilidade (46%) tem problemas tubários ou ovarianos. No entanto, o que mais chamou a atenção do médico responsável pelo programa, Karam Abou Saab, foi o número de mulheres com mais de 40 anos - cerca de 18% do total inscrito - que tem buscado tratamento para engravidar.

A preocupação do médico é que nessa faixa etária a técnica de fertilização in vitro vai perdendo sua eficácia. ''É importante alertar as mulheres para que não deixem para procurar o tratamento depois dos 40 anos, pois as chances de engravidar vão se reduzindo'', advertiu Saab. ''Elas demoram mais para engravidar, precisam de mais tentativas, o estoque de óvulos se esgota e muitas entram na menopausa'', acrescentou o médico ao explicar as dificuldades.

Saab lembra que 40% das mulheres que fazem a fertilização in vitro engravidam na primeira tentativa. Essa proporção cai para 10% ou 20% entre as mulheres com 40 anos ou mais. Segundo ele, entre as inscritas no programa, que já passaram dos 40 anos, muitas não tiveram oportunidade de fazer o tratamento. ''Mas, muitas delas acharam que poderiam engravidar quando quisessem'', complementou.

Mais de 1,2 mil casais se inscreveram no FIV. Por causa da grande demanda, as inscrições foram suspensas, já que o Centro Paranaense de Fertilidade só consegue disponibilizar 10 tratamentos por mês. De acordo com o médico, boa parte dos casais não tem indicação para fertilização in vitro. Podem contornar a dificuldade de engravidar com medicação ou cirurgia.

O único custo para o casal durante o tratamento no programa é o do medicamento para estimular a ovulação - entre R$ 100,00 e R$ 200,00. O Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece nenhum serviço de reprodução assistida. Para Saab, essa questão merece ser revista, uma vez que a demanda de casais que não podem pagar pelo tratamento é grande. O aprimoramento e simplificação na técnica de fertilização in vitro, segundo ele, tornaram o tratamento mais barato. Por isso, o médico acredita que o SUS poderia inclui-lo na lista de procedimentos oferecida aos segurados.
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