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Mulher
23/02/2009 -- 09h57

Como evitar a gravidez na adolescência?

Agência Fiocruz - Fiojovem
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Reprodução

"Ouvi dizer que durante a menstruação podemos ter relações sexuais sem perigo de engravidar. Quais os dias mais seguros para ter relações sem nenhum risco de engravidar? E como uma garota pode saber se está no período fértil?" Estas são as perguntas mais frequentes sobre o tema gravidez que receberam o maior número de visitas na Biblioteca Virtual em Saúde Adolec Brasil. Elas retratam dúvidas semelhantes às ouvidas por profissionais de diferentes áreas que trabalham em serviços de atendimento a jovens. Os relatos mostram que meninos e meninas tomam a iniciativa de buscar informações sobre prevenção à gravidez, mas nem sempre conseguem articulá-las.

"Em geral, eles não têm a informação completa, o que também acontece com adultos, sabem muitas coisas misturadas. Podem conhecer os métodos, mas não sabem usá-los", diz a pediatra e médica de adolescentes Regina Katz, do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Nesa/Uerj). Segundo a médica, há um grande desconhecimento do corpo: "A adolescente demora muito a se saber grávida, mas este não é um problema só dela, deve envolver os dois."

Principais dúvidas

Entre outras atividades, o Nesa/Uerj oferece o Programa de Orientação em Saúde e Sexualidade. O atendimento é feito por estudantes de diferentes áreas da universidade. De acordo com a instituição, 40% dos adolescentes que procuram o serviço não tiveram relações sexuais.

As principais dúvidas apresentadas são sobre o funcionamento do corpo, a maneira correta de colocar a camisinha, os riscos do coito interrompido e as doenças sexualmente transmissíveis. Segundo a equipe de atendimento, os meninos costumam dizer que as meninas sabem pouco sobre o ciclo menstrual. Elas, por sua vez, acham que podem usar sempre a pílula do dia seguinte.

Para a médica Vania Cristina Chuva, que atua como técnica do Programa do Adolescente nas secretarias municipal e estadual de Saúde do Rio de Janeiro, meninos e meninas costumam ter as mesmas dúvidas, entre as quais saber se há risco de engravidar se transarem sem penetração ou se praticarem o coito interrompido. "É comum também acharem que não vão engravidar em uma só relação sexual", completa. Ela observa, no entanto, que os meninos, em geral, não se sentem responsáveis pela contracepção.

Vania Chuva diz que as meninas demoram muito a entender o uso dos métodos, principalmente das pílulas: quando começar a tomar, qual o prazo de parada, o que fazer se esquecer... "Na minha experiência de atendimento, as adolescentes, quando estão namorando e consideram um relacionamento sério, param de usar a camisinha."

Gravidez desejada

A assistente social Fernanda Graneiro, coordenadora da Atenção Primária do Nesa/Uerj, ressalta que o maior problema observado não é a falta de informação: "Não basta ter qualquer informação, mas sim aquela que faça sentido para os jovens." Ela acompanha um grupo de adolescentes grávidas ou com filhos recém-nascidos que participam de reuniões semanais nas quais são discutidos temas relacionados a sexualidade, gênero e relacionamentos.

"Quando pergunto às meninas que chegam ao atendimento por que estão grávidas, elas me respondem o que pensam que eu gostaria de ouvir: ‘porque estourou a camisinha’, ‘porque esqueci de tomar a pílula’... Depois vêm as outras falas, que mostram o desejo de ficar grávida, de testar o corpo, saber o que ele responde", relata.

A médica e professora Maria Helena Ruzany acrescenta que é bastante comum entre as jovens grávidas a referência a alguém na família que teve filho mais cedo, frequentemente a própria mãe da adolescente. Também são comuns os relatos sobre amigas grávidas ou que tiveram filhos recentemente. A professora cita o caso de uma garota que disse a uma amiga participante de um projeto do Nessa/Uerj: "Este ano vou engravidar."

De acordo com as profissionais, esse desejo teria maior repercussão em comunidades mais pobres, nas quais a gravidez pode representar uma mudança de status social. "Elas deixam uma posição social de ‘namoradeiras’ e passam para um status de mãe, sem dúvida com maior respeito comunitário", diz Maria Helena Ruzany. Vania Chuva acrescenta: "Já atendi adolescentes que me procuravam porque queriam ficar grávidas e não conseguiam. Tinham receio de serem inférteis."

Para ela, a primeira gravidez é mais difícil de ser evitada porque, na maioria das vezes, é desejada, e torna-se um projeto de vida. Regina Katz observa, no entanto, que os projetos de vida mudam com o tempo, especialmente na adolescência.

Escola e campanhas

Na avaliação da médica Luisa Cromack, também do Nesa/Uerj, meninos e meninas se informam de maneiras diferentes. "Tradicionalmente a busca de informações sobre sexualidade é mais frequente entre as meninas. A escola tem um papel fundamental para a prevenção da gravidez na adolescência, desde a informação, desde sempre."

Um dado importante neste sentido é o fato de as jovens grávidas atendidas pelo Nesa/Uerj que estão na escolaridade correta continuam a estudar depois do nascimento do filho, o que não acontece na mesma escala com as que estavam atrasadas ou tinham muitas dificuldades no aprendizado. Luisa Cromack cita também o papel da mídia e da família nesse processo.

Segundo ela, um caminho importante para a prevenção à gravidez seria garantir espaços individuais para discutir a questão dentro dos ambientes coletivos. As profissionais do Nesa/Uerj acreditam, contudo, que as campanhas publicitárias com este objetivo não devem apontar a gravidez na adolescência como um estorvo, e sim como uma fase importante na vida de adolescentes e jovens de ambos os sexos.

Para saber mais:
Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (Nesa/Uerj)
Biblioteca Virtual em Saúde Adolec Brasil
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