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Mulher
24/08/2009 -- 08:45

Nova técnica combate o mioma sem retirar o útero

Alternativa à histerectomia, a embolização não prejudica a fertilidade da mulher e requer apenas uma pequena incisão na virilha

Redação Bonde
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Usar dois absorventes ao mesmo tempo e até fraldas geriátricas para conter o fluxo menstrual, sofrer com fortes dores na região pélvica e com inchaços que não raro são confundidos com uma gravidez no início são rotina para as mulheres que têm mioma uterino, que é relativamente frequente na idade adulta e uma das maiores causas da perda do útero. Os sintomas incluem ainda dismenorréia (cólica menstrual), dispareunia (dor genital durante ou após o ato sexual), sensação de pressão na região pélvica, dores nas pernas e nas costas e constipação intestinal, o que prejudica ainda mais a qualidade de vida.

O tratamento clássico para o mioma, a histerectomia (procedimento cirúrgico para retirada do útero, que muitas vezes se estende também a ovários e trompas) significa para muitas mulheres comprometer sua identidade feminina e renunciar à maternidade.

Muitas desconhecem as alternativas à cirurgia, como a embolização, uma moderna técnica que requer apenas uma incisão do tamanho de uma ponta de caneta na virilha, com anestesia local, e que tem o objetivo de cortar o suprimento de sangue para o tumor, provocando a "morte" do mioma, sem prejuízos à saúde − por oferecer uma recuperação mais rápida − e, principalmente, à fertilidade da mulher.

Para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a técnica, que também é indicada para tratar tumores ósseos, de fígado, cânceres e aneurismas, será realizado em São Paulo, entre os dias 25 e 28 de agosto, no Caesar Park Business (Rua Olimpíadas, 205, V. Olímpia), o Embolution 2009 − Simpósio Internacional de Terapia Minimamente Invasiva, que reúne especialistas de países como Argentina, Canadá, EUA, França, Holanda, México e Turquia.

No evento serão apresentados novos insumos e medicamentos para emboloterapia, alternativas para o tratamento de câncer de fígado, intervenções em fetos antes do nascimento (intra-útero) e procedimentos vasculares arteriais e venosos, entre outros. O simpósio conta com a parceria da Universidade da Carolina do Sul e do Hospital Israelita Albert Einstein.

Histerectomias crescem 10% ao ano no País

Apesar das vantagens da embolização, o número de histerectomias realizadas pelo SUS no Brasil cresce 10% ao ano desde 2006, segundo dados do Ministério da Saúde. De janeiro de 2006 a dezembro de 2008 ocorreram 182.393 cirurgias desse tipo no sistema público. A Bahia foi o Estado que mais realizou o procedimento no período, somando 24.965 cirurgias, mais que São Paulo, o segundo colocado, com 20.872 procedimentos.

A embolização, ou emboloterapia, é uma cirurgia minimamente invasiva e muito menos traumática que a convencional. Requer uma pequena incisão na virilha, por onde é introduzido o cateter, que é conduzido pelas artérias, visualizadas por meio de um equipamento computadorizado de raios X. Quando se alcança as artérias uterinas que levam o sangue até o útero e os miomas, injetam-se partículas que entupirão essas artérias, impedindo os miomas de receberem sangue, regredindo rapidamente de tamanho. Ao fim do procedimento, simplesmente retira-se o cateter, sem a necessidade de pontos. A paciente fica apenas 2 horas na sala de recuperação e pode voltar para casa em 24 horas, com o retorno às atividades normais até dez dias após a cirurgia.

Projeto leva a técnica a hospitais públicos

Durante o Embolution 2009 serão apresentados os primeiros resultados do projeto Angiomóvel − Unidade de Radiologia Intervencionista Móvel, idealizado pelo médico Nestor Kisilevzky, especialista em Radiologia Intervencionista, médico do Hospital Israelita Albert Einstein e único especialista latino-americano a ser nomeado como Fellow da Society of Interventional Radiology.

O projeto visa atender uma grande parcela de mulheres que sofrem com problemas relacionados aos miomas uterinos e que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde. A embolização uterina é um procedimento de Radiologia Intervencionista que não é rotineiramente oferecido em hospitais públicos. A falta de estrutura tecnológica e/ou equipes médicas especializadas faz com que mulheres de baixa renda não tenham acesso a essa tecnologia.

Pensando nisso, Nestor Kisilevzky, que vem desenvolvendo a técnica de embolização de mioma uterino para tratamento sintomático desde 1999, idealizou com sua equipe WebMioma o conceito de Unidade Móvel de Radiologia Intervencionista, que possibilita o atendimento de pacientes em qualquer Instituição hospitalar.

Em parceria com o Instituto Israelita de Responsabilidade Social Albert Einstein, foi criado em novembro de 2008 o programa para atendimento gratuito de mulheres com mioma sintomático em hospitais do SUS, por meio do Angiomóvel, um caminhão que conta com equipamentos e material de alta tecnologia para a realização de Embolizações Uterinas. A Unidade regularmente visita alguns hospitais públicos no Estado de São Paulo.

Numa primeira etapa, foram desenvolvidas parcerias com quatro instituições: Hospital Universitário de Jundiaí, Hospital do Mandaqui, Hospital Regional de Cotia e Hospital Leonor Mendes de Barros. Uma vez por semana, o Angiomóvel visita uma dessas instituições, onde são realizados os procedimentos de embolização uterina de forma gratuita no estilo de "mutirão". Os casos são selecionados e preparados pelas equipes de ginecologia de cada Instituição na base de um protocolo de cooperação científica e assistencial desenvolvido conjuntamente com a equipe médica WebMioma.
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