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Mulher
26/04/2012 -- 10h27

Fertilização: descubra quais são as chances de ter gêmeos

Taxas de gêmeos e múltiplos variam dependendo da clínica de fertilidade e de outros fatores

Redação Bonde
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Em 2011, mais de 10 mil mulheres ficaram grávidas graças a um tratamento de
fertilização in vitro (FIV) no Brasil. Dessas, pelo menos 2.500 tiveram gêmeos,
trigêmeos ou até quadrigêmeos. Esse número é alto quando se considera que, de forma natural, apenas uma em 88 gestações resulta em gêmeos, 1,1% do total. Os dados são da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. E de acordo com a entidade, a popularização das técnicas de fertilização teve impacto direto no número de múltiplos no país.

No mundo todo, o aumento do nascimento de gêmeos é impactado pela decisão das mulheres de adiar a maternidade. As "mamães tardias" são responsáveis pelo aumento de um terço na taxa de gemelaridade. O restante do aumento é explicado pelo uso de drogas para infertilidade e de alguns tratamentos para engravidar.

Reprodução


Um estudo recente sobre o tema, fez uma retrospectiva de sete anos de um programa de fertilização in vitro com base em grande estimulação ovariana e na
transferência de um único embrião. A ocorrência de gêmeos monozigóticos
(também chamados de idênticos ou univitelinos) foi de 1,01% em 14.956 gestações clínicas. A cultura de blastocistos foi associada a um risco significativamente maior de gêmeos, enquanto o congelamento de embriões e a fertilização empregando a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) não influenciou na incidência de gêmeos.

Chances de ter gêmeos com tratamentos de fertilidade

"Tratamentos de infertilidade que promovem um aumento da ovulação podem conduzir ao nascimento de gêmeos, trigêmeos ou mais múltiplos. É importante dizer que nem todos os tratamentos de infertilidade ‘vêm com este risco aumentado’, mas a maioria pode expor o casal a este risco", esclarece o ginecologista Jonathas Borges Soares, diretor do Projeto ALFA, Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida.

A seguir, o médico enumera medicamentos e tratamentos que podem levar ao nascimento de gêmeos com mais freqüência:

- Uso de Clomid;
- Uso de Femara;
- Uso de Gonadotrofinas (também conhecido como injetáveis) como Gonal-F e
Follistim;
- Inseminação intra-uterina, quando utilizada junto com medicamentos para
infertilidade;
- Fertilização in vitro.

O emprego dos medicamentos Clomid e Femara têm a menor taxa de gêmeos, variando de 5 a 12%. A taxa de trigêmeos e de múltiplos de ordem superior é inferior a 1%.

Já as gonadotrofinas, se usadas com ou sem inseminação intra-uterina, têm a
maior taxa de gêmeos. Segundo alguns estudos, até 30% das gestações concebidas com gonadotrofinas levam a múltiplos. A maioria destas gravidezes são gestações gemelares, mas até 5% são de triplos ou gravidezes de ordem superior.

"Contrariamente à crença popular, o tratamento de fertilização in vitro não
é a principal fonte de triplos e de gravidezes de ordem superior. Os últimos dados recolhidos pelo CDC, Centers for Disease Control, nos Estados Unidos, indicam que a taxa de trigêmeos, em 2009, foi de cerca de 3,6% para as mulheres com idades entre 35 e 40 anos", observa o ginecologista Jonathas Soares.

Ainda segundo o órgão americano, gêmeos oriundos da fertilização in vitro são
relativamente comuns, com a taxa mais elevada para as mulheres com menos de 35 anos, algo em torno de 33,4%, em 2009. Já a taxa de fertilização in vitro para gêmeos é menor para as mulheres com mais de 35 anos de idade, provavelmente devido à diminuição da taxa de sucesso global dos tratamentos de infertilidade, relacionada à idade da mulher.

Causas para o nascimento de gêmeos

Tratamentos de infertilidade não são a única causa para o nascimento de gêmeos. A seguir, o diretor do Projeto ALFA enumera outros fatores que aumentam as chances de nascimento de múltiplos:

Idade da mulher: mulheres com mais de 30 têm um risco aumentado de ter gêmeos. Isso ocorre porque o hormônio FSH aumenta à medida em que a mulher envelhece. "O FSH, hormônio estimulante do folículo, é responsável pelo desenvolvimento dos óvulos nos ovários, antes de serem liberados. Níveis mais elevados de FSH são necessários quando uma mulher envelhece, pois os óvulos requerem mais estímulos para crescer do que em uma mulher mais jovem. Esta situação é um pouco ambígua, visto que os níveis de FSH aumentaram também devido à diminuição da fertilidade. Nestes casos, muitas vezes, os folículos reagem com mais agressividade aos níveis mais elevados de FSH, e dois ou mais óvulos são liberados, resultando em uma gravidez de gêmeos", explica o médico;

História familiar: se você tem gêmeos fraternos (não-idênticos) na sua
família, suas chances de conceber gêmeos aumentam. Uma história familiar de
gêmeos idênticos não significa, contudo, aumento do risco de gêmeos. "Uma
história de gêmeos no lado feminino da família indica uma maior probabilidade de ovular mais de um óvulo por ciclo. Uma história de gêmeos fraternos do lado
masculino indica uma maior probabilidade do homem produzir espermatozóides
suficientes para fertilizar mais de um óvulo", explica Jonathas Soares;

Peso: mulheres obesas, com IMC acima de 30, são mais propensas a conceber gêmeos do que mulheres com IMC normal. "Esta é outra situação ambígua, uma vez que mulheres acima do peso também são mais propensas a apresentarem dificuldades para conceber. O excesso de gordura leva o corpo a produzir quantidades cada vez maiores de estrogênio. O aumento dos níveis de estrogênio pode levar uma maior estimulação dos ovários, que ao invés de liberar apenas um óvulo durante a ovulação, podem liberar dois ou mais", afirma o médico;

Altura: mulheres mais altas que a média têm um risco aumentado de conceber gêmeos. Um estudo descobriu que mulheres com média de 164,8 centímetros de altura tinham maior probabilidade de conceber gêmeos do que as mulheres com média de 161,8 centímetros. "Por que isso acontece? Ainda não sabemos, mas uma teoria é que uma melhor nutrição, o que pode levar uma estatura maior, pode estar por trás do aumento da taxa de gêmeos", conta o diretor do Projeto ALFA;

Número de filhos: gêmeos são mais comuns em mulheres que já
engravidaram mais vezes e têm famílias grandes;

Raça: mulheres negras são mais propensas a conceber gêmeos do que as mulheres brancas. As asiáticas são as menos propensas a conceber gêmeos;

- Amamentação: mulheres que engravidam durante a amamentação são mais propensas a conceber gêmeos. "É verdade que a amamentação também pode afetar a fertilidade e prevenir a gravidez, especialmente nos seis primeiros meses de vida do bebê, caso ele se alimente exclusivamente de leite materno. No entanto, é possível engravidar durante a amamentação. E de gêmeos! Um estudo verificou que a taxa de gêmeos é de 11,4% entre as mulheres que amamentam, em comparação com apenas 1,1% em mulheres que não amamentam", diz o ginecologista;

Dieta: embora muitas pesquisas sobre este tema ainda estejam em curso, alguns estudos descobriram que mulheres que consomem mais produtos lácteos são mais propensas a conceber gêmeos. Uma teoria é que os hormônios de crescimento dado às vacas possam afetar os níveis hormonais em humanos.

Chances de ter gêmeos idênticos

A maioria das gestações múltiplas concebidas via tratamentos de infertilidade
são de gêmeos fraternos. Os tratamentos de infertilidade aumentam o risco de ter gêmeos idênticos. De acordo com um estudo sobre o tema, os gêmeos idênticos representam 0,95% das gestações concebidas após o tratamento. Isso é o dobro do risco da população em geral. Não está claro porque os tratamentos de infertilidade levam ao nascimento de mais gêmeos idênticos. Uma teoria é que os embriões colocados em cultura durante a FIV aumentam o risco de geminação de idênticos. Outra teoria é que os tratamentos com gonadotrofinas levem ao aumento do risco de gêmeos idênticos.

Suas chances de ter gêmeos

Suas chances de ter gêmeos dependerão não apenas do uso de medicamentos para infertilidade, mas também da sua história familiar, raça, idade e de muitos
outros fatores. Esses fatores "agem juntos". Em outras palavras: uma mulher alta com uma história familiar de gêmeos fraternos têm mais chances de conceber gêmeos durante tratamentos de infertilidade do que uma mulher mais baixa, sem qualquer história familiar de gêmeos.

"Suas chances de conceber gêmeos também são afetadas pela causa específica da sua infertilidade. Uma mulher jovem com óvulos mais saudáveis ​​têm mais
chances de conceber gêmeos que uma mulher com mais de 40 anos, cujos óvulos apresentam uma qualidade mais comprometida", observa o ginecologista Jonathas Soares.

"As taxas de gêmeos e múltiplos também variam em cada clínica de fertilidade.
Taxas de gêmeos diferem com base em como cada clínica controla a estimulação da ovulação e de quantos embriões elas transferem durante a FIV. E mesmo que o seu médico decida tentar a transferência de um único embrião, você ainda pode conceber gêmeos idênticos", explica o médico.

Serviço:
www.projetoalfa.com.br
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