Bonde - O Maior Portal do Paraná
Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014. | Bem-vindo usuário! Faça login ou cadastre-se.
32º / 18º Londrina - PR Outras Cidades Google Twitter Whatsapp - (43) 9124-1630 Facebook Youtube - Vídeos
Mulher
02/12/2009 -- 09h39

Lição de casa é tarefa da criança; pais devem participar

Pais que fazem o trabalho pelos filhos impedem sua autonomia e tiram da escola um importante termômetro de aprendizagem

Silvana Leão - Folha de Londrina
QR:
Add to Flipboard Magazine.
Olga Leiria/Equipe Folha
Olga Leiria/Equipe Folha
Rebeca Gonzalez, a mãe Paula e o irmão Juan Pablo chegaram há dois anos da Argentina e estranharam a quantidade de exercícios
Olga Leiria/Equipe Folha
Olga Leiria/Equipe Folha
Thais Salvadori com os quatro filhos: a maior dificuldade está em lidar com as diferentes idades

Para muitos pais, as lições de casa trazidas pelos filhos são sinônimo de dúvidas e preocupações. O que fazer diante das dificuldades dos pequenos estudantes? Há aqueles que, quando dominam o assunto estudado, tendem a bancar o professor particular. Outros têm que se segurar para não fazer a tarefa pela criança. A importância do envolvimento paterno na vida escolar é consenso entre educadores, mas é preciso saber até que ponto essa interferência é benéfica.

''Os pais devem dar suporte para os filhos adquirirem autonomia. A criança deve ter uma boa base, uma bagagem que pode ser estimulada pelos pais à medida que dedicam parte do seu tempo a ler com os filhos e lhes oferecem bons livros. Nos primeiros anos a criança deve aprender a ler e também a interpretar'', defende a psicopedagoga londrinense Maria Aparecida Prizão Saporetti. Ela lembra que são comuns os casos de estudantes que crescem sem conseguir entender o enunciado de um problema.

A psicopedagoga recomenda que desde os primeiros anos a criança tenha horários preestabelecidos para estudar, disciplina, um local apropriado e uma agenda compatível com sua idade e seus horários. ''A criança também precisa de tempo para brincar, para praticar esporte e para ter contato com a natureza, o que vai permitir que ela tenha uma formação global, e não apenas de conteúdo intelectual.'' Também por isso, segundo Maria Aparecida, é preciso ficar atento para que a tarefa não preencha todo o tempo livre da criança. ''O papel da lição de casa é ser um reforço do conteúdo dado em sala, e jamais um castigo.''

Já os pais que na ânsia de ajudar ou proteger acabam fazendo a tarefa pelos filhos e até resolvendo problemas por eles estão tirando-lhes uma chance preciosa de aprender a ser autônomos. ''Quando os pais ajudam muito, a obrigação da tarefa passa a ser deles, impedindo que a criança se torne responsável. Além disso, muitos pais trabalham o dia todo, chegam em casa cansados, e a tarefa dos filhos pode acabar se tornando uma fonte de estresse'', diz a psicopedagoga.

Silvia Colello, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, concorda: ''O ideal é que o pai dê subsídios para que a criança possa resolver a questão e saia de cena. É preciso estimular a autonomia''.

Pesquisa divulgada recentemente pelo movimento Todos Pela Educação revelou que 65% dos pais nas regiões metropolitanas acompanham com frequência a realização da lição de casa. Foram ouvidas 1.350 pessoas no Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal.

''Quando a criança chega com a lição perfeita porque o pai ou a mãe corrigiu, o professor perde a noção de quanto ela de fato aprendeu e do quanto precisa ser retomado'', explica Silvia. Para ela, a lição tem três papéis principais: exercitar uma competência que foi dada em aula, estimular hábitos de leitura e aprofundar um tema estudado por meio de pesquisa.

A especialista em práticas do ensino Neide Noffs, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, tem o mesmo ponto de vista. ''A lição é um exercício de revisão'', diz. Neide admite que é difícil ver um erro e deixar passar, mas aconselha que o pai tente ajudar a criança a chegar sozinha na resposta certa. ''Se o filho não conseguir, a dúvida deve ser devolvida à escola''.

Edimara de Lima, coordenadora pedagógica da escola Prima Montessori, acredita que o principal papel dos pais é apoiar a criança nos treinos de leitura. ''Até que ela se torne um leitor fluente e tome gosto pela atividade é fundamental o apoio da família'', diz. Ela recomenda que os pais leiam em voz alta, enquanto a criança acompanha o texto com os olhos. (Com Agência Estado)

Estimular sim, mas sem pressão

Com quatro filhos, Thais Vanessa Kussano Salvadori tem que se policiar para não fazer alguns deveres no lugar dos filhos. ''Gosto de fazer trabalhos manuais com eles, e às vezes me empolgo.'' Atualmente a família possui uma rotina estabelecida - as lições são feitas no período da manhã, quando a mãe está por perto para orientar, se preciso -, e todos têm consciência das responsabilidades. Mas nem sempre a questão foi tão tranquila. João Pedro, de 10 anos, passou por uma fase em que só fazia tarefa se a mãe estivesse sentada ao seu lado. Leonardo, de 14 anos, também passou a exigir mais atenção da família quando entrou na 5 série.

''Por sugestão da escola, arrumamos uma 'tutora' para acompanhá-los nas lições de casa. Durante um ano ela fez um acompanhamento personalizado, com o compromisso de dar ritmo e organização às crianças. O resultado foi muito bom, ela nos ensinou a comemorar cada conquista'', explica Thais. Segundo ela, a maior dificuldade é lidar com as diferenças de idade entre os quatro. ''A Fernanda (seis anos), por exemplo, está sendo alfabetizada e demanda mais atenção, e os mais velhos ficam com ciúme.''

Porém, a mãe tem consciência do tênue limite entre a dependência e a autonomia dos filhos. ''Eu procuro orientar, estimulo a reflexão para que caminhem sozinhos'', ressalta. Segundo Thais, que também é mãe de Gustavo, de oito anos, determinadas questões são discutidas em família, que é uma forma de estimular a troca de informações. ''Acho que quando os pais participam, acompanham a vida escolar dos filhos, eles se sentem mais seguros. A gente percebe que eles sentem até orgulho do dever pronto.''

Os irmãos Rebeca e Juan Pablo Rius Gonzalez, respectivamente de quatro e 10 anos, são argentinos e vieram com a família de Buenos Aires há dois anos. No começo a família estranhou a quantidade de tarefas enviadas pela escola. ''Lá é bem diferente, tivemos que recomeçar'', define a mãe, Paula Graciela Gonzalez. Ela diz, porém, que os filhos não tiveram problemas para passar de ano e hoje estão bem adaptados ao sistema de ensino. ''Sabemos que eles têm capacidade e não cobramos demais deles. Falamos que é importante entender, e não decorar'', diz a mãe.

Paula e o marido têm a preocupação constante de incutir o hábito de leitura nos filhos, e se empolgam quando os pequenos trazem para discussão familiar os temas trabalhados em sala de aula. O casal faz questão de estar por dentro do conteúdo que os filhos estão aprendendo na escola. ''História do Brasil, por exemplo, estamos aprendendo junto com eles'', brinca a mãe.
Abaixo, usuários do Facebook que comentaram outras notícias no Bonde
Plugin gerado com dados do Facebook com a App - Última atualização: 22/10/2014 22:43
PUBLICIDADE
Carregando ...
PUBLICIDADE
 
PUBLICIDADE