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Economia
20/10/2009 -- 08h20

Macarrão Galo pode deixar Londrina

Grupo Selmi negocia terreno com a prefeitura de Rolândia; equipe de Barbosa Neto tenta reverter mudança da indústria

Gisele Mendonça - Redação Bonde
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O Grupo Selmi, fabricante de macarrão, farinha de trigo e biscoito, deve montar uma unidade de produção em Rolândia. A empresa está negociando com a prefeitura a doação de um terreno de 300 mil metros quadrados no Parque Industrial Barra Grande. Os empresários e a administração municipal de Rolândia não confirmam, mas segundo fontes ligadas à FOLHA, a empresa estaria saindo de Londrina e a equipe do prefeito Barbosa Neto (PDT) tenta evitar. O grupo mantém uma unidade em Londrina desde a década de 1960.

Segundo Ernesto Benedito Nogueira, secretário de Desenvolvimento Econômico de Rolândia, as negociações entre prefeitura e empresa começaram no início do ano e estão na reta final. ''Estamos na formalização da compra do terreno a ser doado'', diz, informando que a área vai de encontro ao que a empresa pediu, pois tem fácil acesso aos transportes rodoviário e ferroviário. ''Esta logística é o mais importante para eles. Hoje o transporte rodoviário é muito caro''.

O secretário afirma que a Selmi vai implantar no município uma unidade para a fabricação de produtos das marcas Renata e Galo - com foco no espaguete e no macarrão instantâneo - e de uma nova marca de biscoitos. Os planos para o terreno envolvem ainda a implantação de um moinho de trigo e de uma unidade para moagem de farelo de soja para exportação. No local também deve funcionar um centro de distribuição geral do grupo.

A intenção da empresa, segundo Nogueira, é comprar trigo diretamente dos produtores da região. ''O Paraná é hoje um grande produtor e tem qualidade muito boa. Os produtores vão ganhar com isso'', observa. A empresa deve começar a construção em Rolândia em 2010, com expectativa de gerar, ao final de um prazo de cinco anos, 1 mil empregos diretos e mais 2 mil indiretos. ''A cidade está muito feliz com a vinda da Selmi. A bandeira da atual administração (municipal) são os empregos'', diz Nogueira. O secretário afirma que durante as negociações os empresários não falaram nada sobre o possível fechamento da unidade londrinense.

Para garantir a permanêncida do Grupo Selmi em Londrina, o prefeito Barbosa Neto visitou recentemente a empresa. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Kentaro Takahara, e o vereador Joel Garcia (PDT), devem se reunir com a direção da empresa, em Sumaré, provavelmente nesta semana. O vereador, conforme a assessoria, é amigo dos proprietários do grupo e estaria ajudando a intermediação.

O Grupo Selmi não confirma a informação de que montaria uma linha de produção em Rolândia. Em nota enviada por meio da assessoria de imprensa, a empresa comunica que está ''analisando a viabilidade de negócio para a compra de um terreno na cidade de Rolândia, que em princípio seria utilizado para a construção de um centro de distribuição; e não há previsão de conclusão da negociação''. O grupo destaca que ''a possível compra da área não implica - direta ou indiretamente - no fechamento ou mudança da fábrica de Londrina''.

O comunicado diz ainda que ''a empresa tem capacidade para expandir e não tem a intenção de fechar nenhuma de suas duas unidades fabris (em Londrina e em Sumaré, interior de São Paulo). Os empresários alegam que não darão entrevista à imprensa enquanto a negociação não for concretizada.

Estrutura

As duas unidades produtoras da Selmi somam 850 funcionários - a matriz é em Sumaré. Inaugurada na década de 1960, a unidade de Londrina é uma das fábricas mais tradicionais do país, possui mais de 12 mil metros quadrados e produz 110 das 150 toneladas diárias que tem capacidade.

Dirigida exclusivamente à produção de massas, a unidade possui uma máquina para massa longa tipo espaguete (capacidade de 2.500 quilos/hora); uma máquina para massa cortada (capacidade de 2 mil quilos/hora), duas para massa tipo ninho (capacidade de 350 quilos/hora, cada uma), e uma para macarrão instantâneo (capacidade de 1.200 quilos/hora).

Inaugurada em 2000, a fábrica de Sumaré tem 23 mil metros quadrados de área total construída e produz 345 mil quilos/dia de massas; 220 mil quilos/mês de bolos e 70 mil quilos/dia de farinhas. O Grupo Selmi exporta 50 toneladas por mês, entre massas e bolos. Entre os países atendidos estão Angola, Argentina, Austrália, Chile, Paraguai, Uruguai, Cabo Verde, Japão, Venezuela e Portugal.
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