Bonde Briguet - Paulo Briguet
03/08/2016 - 10:12
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07/07/2016 - 12:03
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De 1959 para cá, os cidadãos de Cuba que tentam fugir do paraíso socialista para o inferno capitalista (utilizem a tecla SAP de ironia, por favor) são chamados pelo regime de "gusanos". Para quem quiser ter uma noção sobre como é a vida de um gusano, sugiro a leitura de dois livros: "Filho da Revolução", de Luis Manuel Garcia, e "Antes que Anoiteça", de Reinaldo Arenas. Só para começar.

Ontem eu tive a honra de ser chamado de gusano em português. Para quem não sabe, verme. Sim, uma indignada militante feminista, suposta ex-aluna da USP, chamou-me de "verme" porque escrevi contra a doutrinação ideológica nas escolas. Receber tal xingamento é a prova de que estou no caminho certo.

Na minha coluna do último sábado — texto mais lido no ranking da Folha naquele dia —, afirmei que uma minoria militante quer transformar as escolas brasileiras em campos de concentração mental. Nada mais natural, para a militante Maria Dolores Zetkin, do que se referir a um adversário ideológico utilizando um termo de guarda de campo de concentração. "Verme" é como os prisioneiros eram chamados nos campos comunistas e nazistas — afinal, inimigos da esquerda merecem ser "extirpados da face da Terra", no dizer de Saul Alinsky, guru de Hillary Clinton.

Por sinal, Zetkin tem toda pinta de ser um pseudônimo, a não ser que a militante seja descendente de Clara Zetkin, militante comunista agraciada com a Ordem de Lênin em 1932, já na ditadura de Stálin. Por sinal, o caixão de Clara Zetkin foi carregado pelos camaradas Stálin, Molotov, Voroshilov e Ordjonikdze — tudo gente boa. Alguém que se apresenta como Dolores Zetkin é mais ou menos como se eu assinasse Antônio Fidel Dzerzhinsky. Ou Paulo Guevara Alinsky.

Não me espanto que os militantes escolares estejam desesperados e pedindo a minha cabeça a cada quatro palavras. A crônica "Seu filho corre perigo", tanto na Folha quanto no Bonde (onde saiu com o título "A esquerda quer doutrinar nossos filhos"), esteve entre os meus textos mais lidos no jornal até hoje, perdendo apenas para o perfil do delegado Gerson Machado, pai da Lava Jato. Alguns Zetkins atacam o colunista, mas em número incomparavelmente os leitores compartilham e recomendam o texto. Professores, estudantes e pais de família sérios ainda são a grande maioria, e não aceitam a doutrinação ideológica nas escolas. Aliás, doutrinação é um termo muito fraco: o que existe hoje é um projeto de engenharia social à custa da saúde mental de nossos filhos.

Quando a verdade vem à tona, o militante esquerdista vai à loucura. Nem sequer uma celebridade acadêmica como Marilena Chauí consegue manter a linha: acaba dizendo que Sérgio Moro é um "agente do FBI" e por aí abaixo. Ela conseguiu ser pior do que seu companheiro Sibá Machado, que pelo menos delirou citando o órgão correto, a CIA. Daqui a pouco Sibá vai dar aula na USP.

Essa turma precisa urgentemente carpir uma data. Ou — para usar o gênero neutro, como eles gostam — carpir uma datx. É ridículx.
06/07/2016 - 18:22
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Nesta semana, quando eu passar pela biblioteca municipal para devolver os dois livros que tomei de empréstimo dias atrás — "A Cartuxa de Parma" e "Fogo Morto" —, alguma coisa terá mudado. À primeira vista, vai parecer tudo igual: a simpatia dos funcionários, a escadaria que conduz ao segundo pavimento, o vitral colorido, as placas de bronze, as prateleiras tão conhecidas, o silêncio dos leitores. Não haverá transformações na sala em que as pessoas ficam lendo os jornais do dia e as revistas da semana. Tampouco se verá mudança na Sala Londrina, nem no chora-paulista, nem na antiga mesa de reuniões do prefeito, nem nas três bandeiras da sacada, nem nas árvores do bosque vizinho, nem nas mesas de xadrez da calçada (em que há muitos anos eu vi Estélio Feldman, com seus óculos de grossas lentes, concentradíssimo em uma partida). A Biblioteca Pública Municipal em tudo parecerá o mesmo lugar de sempre: um pedaço do coração de Londrina, que antigamente sediou o Fórum e, mais antigamente ainda, era o palco das partidas de tênis entre os funcionários escoceses da Companhia de Terras Norte do Paraná.

Na hora de devolver os livros, eu irei até o balcão de empréstimos e só então perceberei o que mudou: a bibliotecária Malu não está mais lá. Na sexta-feira, dia 1º de julho, depois de quase 30 anos atendendo com simpatia e eficiência aos leitores da biblioteca, Malu Zoraya Iaquinto aposentou-se. Todas as semanas ela me recebia com um sorriso e um comentário gentil. Nos últimos anos, perguntava sempre pelo Pedro; conhece-o por fotos desde bebezinho. E nunca deixava de se espantar: "Como seu filho está grande e bonito, Paulo!"
Com a aposentadoria, Malu vai ter mais tempo para viajar e curtir a família. Mas confesso que a notícia me pegou de surpresa. Malu aparentava ser muito nova, uma daquelas pessoas que ao longo dos anos parecem ter sempre a mesma idade. É por isso que para mim ela continuará sendo sempre a moça da biblioteca.

Na primeira vez em que pus os pés na biblioteca de Londrina, tinha apenas 18 anos e 68 quilos. Meus cabelos não possuíam entradas nem vestígios de neve. Entrei um jovem revolucionário e saio hoje um velho conservador, que neste domingo estará mais perto dos 50 do que dos 40. Talvez tenha aprendido um pouco com os livros do acervo, mas continuo cheio de dúvidas, angústias e perplexidades. Quanto mais leio, mais me sinto ignorante e pequeno.

Os funcionários da biblioteca são todos competentes e gentis. Ao longo destes 27 anos, nunca tive razões para me queixar de nenhum deles. Se andei emprestando uns livros ruins, a culpa é exclusivamente minha. No entanto, vai ficar faltando um detalhe nas minhas visitas semanais ao velho prédio. Tenho a impressão de que Deus escolhe muito bem as pessoas que encontramos ao longo do caminho, e a bibliotecária Malu era uma delas.

Obrigado, Malu, por ajudar a escrever a história de minha vida. A amizade é um livro que não precisamos devolver.
04/07/2016 - 14:15
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1. Faço hoje um alerta a você, mãe ou pai de família que tem filhos em idade escolar. Sem saber, você pode estar enviando seus filhos todos os dias para um pequeno campo de concentração mental. Em número cada vez maior, escolas públicas brasileiras estão sendo literalmente tomadas de assalto por uma minoria de militantes travestidos de professores. É fundamental conversar com seu filho e procurar saber o que ele anda aprendendo em sala de aula. Faça isso antes que um radical político o adote.

2. Como bem disse o procurador federal Guilherme Schelb, que esteve recentemente em Londrina, a minoria mais indefesa em nosso tempo são as crianças e os adolescentes em idade escolar. A sala de aula é o ambiente propício para que certos "professores" radicais façam doutrinação ideológica em lugar de transmitir conhecimentos. E seu filho pode ser a próxima vítima.

3. Como os partidos esquerdistas por ora não podem mais tomar de assalto os cofres públicos, seus militantes querem fazê-lo com as escolas públicas. Inspirados na doutrina da luta de classes, tentam dividir os alunos em grupos antagônicos, para que assim possam reinar sobre todos.

4. Não tenho dúvidas de que os professores de escolas públicas, em sua maioria, sejam profissionais sérios e tentem realizar um trabalho digno. Devemos apoiá-los e defendê-los. O problema é que a minoria radical se comporta com a arrogância de quem possui um salvo-conduto para fazer o que quiser. É a típica minoria com alma de maioria: barulhenta e arrogante. Diante disso, os verdadeiros professores acabam sendo calados e intimidados.

5. Antes da queda do Muro de Berlim, os alemães orientais tinham uma piada sobre o nome oficial do país, República Democrática da Alemanha: não era república (porque o povo não tinha vez); não era democrática (mas uma ditadura); e não era da Alemanha (porque a Rússia é que mandava). De maneira análoga, há escolas brasileiras que vivem hoje uma completa inversão da linguagem. Os militantes educacionais prometem diversidade, tolerância e igualdade — mas entregam pensamento único, censura e discriminação. Devem ter se inspirado na campanha da Dilma.

6. Padre José Kentenich (1885-1968), que esteve aprisionado no campo de concentração de Dachau, já nos anos 50 alertava sobre os perigos do coletivismo. A meta dos militantes coletivistas é fazer com que o indivíduo se dissolva numa categoria grupal, perdendo sua identidade própria em nome de um partido, de um movimento social ou de uma ideologia. Se não tomarmos cuidado, é isso que vai acontecer com nossos filhos.

7. Corajosamente, muitos pais, alunos e professores já tomaram consciência da gravidade da situação — e começam a reagir. A família, principal alvo dos militantes, será a grande responsável por derrubar os muros ideológicos nas escolas públicas.
01/07/2016 - 14:42
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O novo presidente da Acil, Cláudio Tedeschi, é um colecionador de pensamentos. Atento leitor dos clássicos, o empresário reconhece a importância da cultura no desenvolvimento da cidade, da região e do país. Uma dos pensamentos que ele sempre cita é do economista e professor José Monir Nasser (1956-2013), seu grande amigo e fomentador do empreendedorismo cívico: "Uma sociedade não pode ficar rica antes de ser inteligente".

Valter Orsi, que encerrou sua segunda gestão à frente da Acil, tem o perfil de um homem de ação; Tedeschi pode ser definido como um homem de reflexão. No entanto, o novo presidente da entidade põe o sentido prático como elemento essencial de qualquer pensamento. "Tudo que pode ser sonhado também pode ser realizado", dizia Walt Disney, em outra máxima que Tedeschi conserva em sua coleção. O pensador Tedeschi, a exemplo de seu amigo Orsi, é também um fazedor. Uma dupla que se complementa.

Experiência e currículo não faltam a Cláudio Tedeschi: empresário da construção civil, ele foi fundador e segundo presidente do Sinduscon Norte; presidente da Adetec; presidente da Codel; e presidente do Fórum Desenvolve Londrina. Formado em engenharia pela Escola Politécnica da USP, nos anos 80, Tedeschi não é apenas um leitor de livros, mas também um homem conhecido pelas habilidades da conversação. "Se você lê os antigos gregos, percebe que a essência humana continua sendo a mesma. Tentamos ser dignos das nossas experiências e dificuldades e utilizar da melhor forma o livre-arbítrio que nos foi dado por Deus."

Certamente, o mandato de Tedeschi será marcado pelo desafio de superar a crise econômica, política e cultural em que o país está mergulhado. "Há um lado positivo na crise. Pela primeira vez, o Brasil está repensando seriamente a sua organização social, política e econômica. Mesmo os setores mais refratários à livre iniciativa estão mais abertos ao diálogo. As pessoas estão ampliando seu horizonte intelectual." Pouco a pouco, o Brasil deixa de ser aquele país em que — como dizia Millôr Fernandes — "as ideologias vêm morar quando ficam bem velhinhas".

Cláudio Tedeschi é um líder 100% livre da linguagem politicamente correta. O que ele tem a dizer, diz na lata. Suas principais críticas se dirigem à burocracia governamental, ao Estado brasileiro paquidérmico — criadouro da corrupção — e à alta carga tributária. "Além disso, nossa legislação trabalhista é arcaica, com forte viés ideológico de luta de classes. E a previdência divide os brasileiros entre cidadãos de primeira e segunda classe."

Apreciador da literatura e da música, o novo presidente da Acil quer marcar os eventos da entidade com apresentações de artistas locais. Um de seus sonhos é transformar o centro de Londrina em um espaço cultural permanente. Difícil? "Se pode ser sonhado, pode ser realizado."

Paulo Briguet
 
Escritor e jornalista. Mora desde 1989 em Londrina. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias. Assina a coluna diária Avenida Paraná, na Folha de Londrina. Autor dos livros de crônicas "Diário de Moby Dick" (em parceria com o pai, Paulo Lourenço), "Repórter das Coisas" e "Aos Meus Sete Leitores". Casado com a jornalista Rosângela Vale, pai do Pedro, paulistano de certidão, pé-vermelho de coração. Conservador em política, liberal em economia, católico em religião. Em suma, um cronista em busca dos seus sete leitores.



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