Falando de Literatura - Isabel Furini
17/09/2016 - 09:14
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Não se bebe para escrever. Bebe-se devido ao vício, pois a escrita é o pior deles: detona o resto. Livro publicado. Teses acadêmicas defendidas sobre tal obra na medida exata em que exemplares mofaram nos porões da editora.

Livro que não vende é livro fracassado – diria o editor. – Deve-se circular com desenvoltura por aí: ministrar oficinas, participar de eventos literários, abrir mão de sua profissão e, quiçá, de suas relações mais pessoais – continuaria o editor. – O autor precisa pensar em performance; enjaular-se em uma cela de cristal para lançar e divulgar a sua obra, tendo um Nobel como vassalo a trazer-lhe docinhos e beijar-lhes os pés. Não é maravilhoso?

Não importa o que escreve venha a ser pastiche de grandes mestres. Você é o produto. Quem se importa com a Literatura? Quem? Você faz parte de turminhas? Cria polêmicas? Você é uma gracinha de criatura? Concorda com tudo e com todos e sempre está disponível para discutir o impacto da crise contemporânea que avassala a criatividade pós-moderna? Ganhou ou foi indicado a qualquer prêmio que possa trazer feito piercing no nariz? Fez cinema, tevê, teatro ou é político, cantor, crítico, empresário renomado?

Filho, domine a arte de falar em público e cative plateias. Lance perfume com o seu nome. Contrate alguém para enviar e-mails às redações e sites de relacionamento para propagar o quanto você é cult, sex, punk, dez, antenado. Este alguém, óbvio, é você mesmo adornado por pseudônimo tirado da obra de J. M. Coetzee.

Crie um personagem de si próprio. Dedique-se mais ao marketing pessoal do que à escrita. Isso é o "sucesso". Sucesso de público com milhares de exemplares vendidos de um livro sobre suspense policial erudito ou a respeito de sua vida abarrotada de infortúnios e pitada de sexo. Sucexo!

Caso contrário, de escritor promissor passará a coadjuvante dos próprios sonhos. Qual a saída? Bebida. Enfurnou-se nela para escrever outra ficção. Algo ambientado em Portugal, século quatorze, envolvendo a doidice de Pedro, o cru. Enviou o original à editora. Dois anos transcorridos para, então, receber a resposta do editor, após prólogo amistoso e desculpas sobre o tempo e quantidade de material a ser analisado.

– Conversamos muito sobre o seu livro em nosso conselho editorial e, creia-me, foi uma decisão difícil, pois, além de ser autor da casa, você escreve muito bem. Apesar de termos apreciado o seu livro, não iremos publicá-lo. Tem sido difícil trabalhar com este tipo de literatura na mídia e nas livrarias. Além disso, os livros são como vacas leiteiras mantidas no pasto, engordando; isso se produzirem. Do contrário, viram gado de corte para nos dar carne fresca e retorno imediato. Não trabalhamos com a pessoa, mas com o produto acabado. Temos carinho por você, no entanto é mais outro gado de corte. Leite, meu filho, leite. Não adianta escrever caso não tenha quem o deleite. Não interessa se é ou não bem recebido pela crítica ou se é um cara interessante que será descoberto no século 23. De qualquer forma, agradeço o envio do original e espero ter o prazer em conhecê-lo pessoalmente para um café.

Cachaça. Muita. Encontraram-no colapsado em uma quitinete. Os olhos, talvez o espírito, não mais o orbitavam. O corpo continuava intacto, exalando cadeverina. Perto da boca esfolada garrafas de Boazinha. Sobre o corpo manuscritos preparados a uma editora fictícia; emails escritos dele para ele mesmo e sempre finalizados na base do – Boa sorte com os livros. Livros, por sinal, jamais escritos.

Marco Aurélio Cremasco
(Texto publicado no O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ -Terça-feira, 13 de setembro de 2016)
Publicado no blog do Bonde Falando de Literatura de Isabel Furini com autorização do autor.


Foto de  Marco Aurélio Cremasco - Acervo do escritor
Foto de Marco Aurélio Cremasco - Acervo do escritor


Marco Aurélio Cremasco é natural de Guaraci, Paraná, e reside em Campinas, SP. É autor de três livros técnicos; do romance Santo Reis da Luz Divina (Record, 2004), do livro de contos Histórias prováveis (Record, 2007), das coletâneas de poemas Vampisales (Editora da UEM, 1984), Viola caipira (Edição do autor, 1995), A criação (Cone Sul, 1997), fromIndiana (Edição do autor, 2000) e As coisas de João Flores (Patuá, 2014). Atualmente é membro do Conselho Editorial da Editora da Unicamp e colunista no jornal O Diário do Norte do Paraná, Maringá.
13/09/2016 - 23:07
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Esse poema de Maria Antonieta Gonzaga Teixeira faz parte do livro Percepções.

13/09/2016 - 08:54
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Hoje, 13 de setembro/2016, a partir das 15 horas, no Sesc Cadeião Cultural l R Sergipe, 52 l Espaço de Leitura.

Com o tema Autores Paranaenses, o Sesc Paraná lançou em 2016 um novo projeto literário: O Clube de Leitura, um espaço de interação com o livro e a leitura de maneira lúdica e estimulante que durante o ano refletiu sobre o Paraná, trabalhando obras literárias de autores paranaenses disponíveis no acervo bibliográfico de cada unidade. Em Londrina, o autor escolhido foi Mauricio Arruda Mendonça e seu livro Londrinenses. Ao longo do ano, o livro foi trabalhado pelo Clube de Leitura e agora culminará no encontro durante a Semana Literária.

Foto: Acervo pessoal.
Foto: Acervo pessoal.


Maurício Arruda Mendonça é dramaturgo, tradutor, poeta, músico e diretor teatral. É graduado em Direito, Mestre e Doutorando em Letras na Universidade Estadual de Londrina. Colabora com a Armazém Companhia de Teatro e com o diretor Paulo de Moraes desde 1995. Publicou mais de quinze livros entre poesia, teatro, conto e pesquisa historiográfica. É o único dramaturgo brasileiro com três prêmios internacionais, tendo recebido nos anos de 2013 e 2014 por duas vezes o prestigioso prêmio Fringe First Award concedido pelo jornal The Scotsman, por "innovating and outstanding new writing" [inventiva e excepcional nova escrita] das peças A Marca da Água (2013) e O Dia em que Sam Morreu (2014) durante o Festival de Teatro de Edimburgo (Escócia) – o maior festival de teatro do mundo.

Serviço

DIA:
13/09/2016
HORÁRIO:
15h00
LOCAL:
Sesc Cadeião Cultural l R Sergipe, 52 l Espaço de Leitura
PÚBLICO:
Livre
AGENDAMENTO:
Inscrição: gratuita

(Fonte: http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/evento/clube-de-leitura-encontro-com-escritor/)
11/09/2016 - 09:48
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Amanhã, 12/09/2016, iniciará a 35a Semana Literária SESC – XIV Feira do Livro Editora UFPR. Palestras, lançamentos de livros, Mesas Redondas, cine-Sesc, música e outras atividades culturais fazem parte da programação.



Destacamos a presença dos escritores Miguel Sanches Neto e Marcia Tiburi. Eles participarão da Mesa Redonda "Vamos falar de quê"? Em 13 de setembro, a partir das 19h30m., na Praça Santos Andrade, em Curitiba.

Marcia e Miguel responderão algumas perguntas que inquietam as pessoas: Como se conduzir diante da profusão de textos impressos e eletrônicos dos dias de hoje? Por que essa extrema necessidade de se expor nas redes sociais, por que se fala tanto? Há algum conteúdo em tanta comunicação? O conteúdo está no texto escrito ou além do texto? O conteúdo está na fala ou naquilo que se cala? O que falar quer dizer? Do que estamos falando?
O mediador será o jornalista Rogério Pereira.

[ Miguel Sanches Neto é doutor pela Unicamp (1998) e professor-associado na Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde atua no Programa de Pós-Graduação em Linguagem, Identidade e Subjetividade. Autor de mais de 30 livros, como os romances Chove sobre minha infância (Record), Um amor anarquista (Record) e A máquina de madeira (Companhia das Letras), traduzidos para o espanhol e para o francês. Lançou em 2015 o romance de história alternativa A segunda pátria (Intrínseca), sobre os nazistas no sul do Brasil, e em 2016 A Bíblia de Che (pela Cia. das Letras), um policial que se passa em Curitiba, Cuba e Bolívia. Recebeu, entre outros, o Prêmio Cruz e Sousa (2002) e Binacional das Artes e da Cultura Brasil-Argentina (2005).

Marcia Tiburi é doutora em filosofia pela UFRGS e escritora. Ano passado lançou Como conversar com um fascista: reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro (Ed. Record, 2015). Publicou diversos livros de filosofia, entre eles As Mulheres e a Filosofia (Ed. Unisinos, 2002), Filosofia Cinza – a melancolia e o corpo nas dobras da escrita (Escritos, 2004), Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero (EDUNISC, 2008), Filosofia em Comum (Record, 2008), Filosofia Brincante (Record, 2010), Olho de Vidro (Record, 2011), Filosofia Pop (Ed. Bregantini, 2011) e Sociedade Fissurada (Record, 2013). Publicou também os romances Magnólia (2005), A Mulher de Costas (2006), O Manto (2009) e Era meu esse rosto (2012), todos pela Record. É autora ainda dos livros Diálogo/desenho, Diálogo/dança, Diálogo/Fotografia e Diálogo/Cinema (Ed. SENAC-SP). Em 2014 lançou o ensaio Filosofia Prática, ética, vida cotidiana, vida virtual, pela Record. É professora do programa de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie e colunista da revista Cult.

SERVIÇO:
DIA:
13/09/2016
HORÁRIO:
19h30
LOCAL:
Auditório Praça Santos Andrade
PÚBLICO:
Adulto
SOBRE OS CONVIDADOS:
Miguel Sanches Neto
Marcia Tiburi
03/09/2016 - 18:40
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REGRESSÃO

Aprendi a tocar
os tambores da minha essência.
Em rituais atávicos,
os sons despertaram meus enigmas.


Adélia Maria Woellner pertence á Academia Paranaense de Letras (Cadeira n 15), ao Centro de Letras do Paranã, e outras entidades culturais.


Poema do livro Luzes no Espelho - Memória do Corpo e da Emoção - Editora Instituto Memória - 2008
Isabel Furini
 
Isabel Furini, escritora e educadora. Recebeu prêmios em concursos de poesia e de contos. Publicou 15 livros, entre eles: Mensagens das Flores e Ele e outros contos. Também escreve para o público infanto-juvenil. É autora da coleção "Corujinha e os Filósofos" da Editora Bolsa Nacional do Livro de Curitiba.



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