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11/04/2017 - 02:07
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Chegando do Paraná, pela BR-153, no trevo de Água Doce (SC), entramos para Caçador e, após 20 km, chegamos à Villaggio Grando, vinícola situada em uma belíssima fazenda, nada devendo às europeias, propriedade rural com uma estrutura vitivinícola bem interessante. Passando pela área produtiva e técnica, após toda explicação dos métodos utilizados, fomos para a área de degustação dos vinhos.
veja a continuação na próxima semana.
Como a primeira impressão é a que fica, aí começa o show: quatro espumantes (branca brut charmat, rose brut charmat, branca brut champenoise e moscatel); dois brancos (sauvignon blanc e chardonnay); um rosé muito elegante e três tintos bem interessantes. Fiquei impressionado com a organização e a degustação proposta! Em uma região de fazendas de soja e gado, se encontra uma bela propriedade vinícola, uma das mais belas em que já estive!
O clima naquela região é bem característico, conforme citou o enólogo, com invernos rigorosíssimos (constantemente a temperatura chega a -10°C.) e verões nem tão suaves, que chegam a 35°C). De lá, fomos a Caçador e ficamos em Videira. No outro dia conhecemos a Santa Augusta com uma recepção extremamente simpática do senhor Eugênio. De cara, participamos da regulagem da máquina engarrafando as espumantes brut charmat e tivemos a honra de experimentá-las diretamente da fonte, a 5°C. Deliciosa!
Como não poderia deixar de comentar, nesta vinícola de um empresário do setor de plásticos, pude observar um ambiente muito agradável e gentil. Na degustação, fomos aos brancos, as maravilhosas espumantes. Depois, o que mais me impressionou foi o moscato giallo, um varietal raro italiano que aporta no Brasil em pequena escala, bem raro aos nossos paladares, bela coloração, mas surpreendente na explosão aromática e bem interessante na boca. Vale uma menção especial. Logo após, um rosé de bela apresentação, grande frescor e aroma, e os tintos dos bem acessíveis, inicialmente, até o mais elaborado, um belíssimo trabalho!
18/03/2017 - 01:36
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vinhos de altitude
vinhos de altitude
Em uma viagem a Santa Catarina, recebi convites e sugestões para visitar algumas vinícolas na Serra e Vale do Rio do Peixe e tive ótimas surpresas. Não só em relação as belos lugares e suas paisagens, seu povo simpático e hospitaleiro, mas também aos vinhos provados. Santa Catarina produz vinhos há muito tempo, talvez não tão antigos como os da Serra Gaúcha, mas o fato é que os descendentes de europeus (alemães e italianos, entre outros) instalaram-se naquela região com seus usos e costumes. E o vinho veio como parte desta cultura.
Recentemente observamos uma nova etapa na vitivinicultura do estado, e isso se deve a um grupo de produtores na incessante busca da qualidade, de uma forma permanente e extremamente profissional. Eles investem em vinhedos de altitude (900 a 1400 metros acima do nível do mar), dentro dos melhores padrões de produção das vinhas europeias específicas para este fim.
O início se deu quando o órgão de pesquisa estadual concluiu a adaptação de vitis viníferas na região, em meados dos anos 90. Sendo assim, logo em 1999 deram início a um empreendimento vitivinícola comercial em São Joaquim, na serra catarinense. Daí em diante não parou mais. Hoje são mais de 30 empreendimentos no Estado, somando mais de 300 hectares de vinhas de altíssima qualidade. Este grupo criou uma associação que defende os interesses dos produtores e promove os vinhos daquela região. E ainda tem como objetivo qualificar, viabilizar e certificar produtos e produtores, atuando em três diferentes regiões do Estado: São Joaquim, Campos Novos e Caçador.
As cepas são das mais famosas (cabernet sauvignon e merlot), mas há também outras menos comuns, como cabernet franc, sangiovese, sauvignon blanc, chardonnay, tinta Roriz, touriga nacional, trincadeira, malbec etc. A vitivinicultura, em todo o mundo, remete aos locais próprios de produção, ou seja o "terroir", e acaba atraindo para a região onde estão instalados outros empreendimentos afins, e isso se torna extremamente salutar à economia local, ou seja, a promoção do Enoturismo.
O itinerário, por sugestão da enóloga Carolina Panceri, coproprietária da vinícola Panceri, em Tangará (SC): chegada pelo estado do Paraná, pela BR-153. No trevo de Água Doce (SC), entramos para Caçador e, após 20 km, chegamos à Villaggio Grando, vinícola situada em uma belíssima fazenda, nada devendo às europeias, propriedade rural com uma estrutura vitivinícola bem interessante. Passando pela área produtiva e técnica, após toda explicação dos métodos utilizados, fomos para a área de degustação dos vinhos.
veja a continuação na próxima semana.
07/03/2017 - 23:23
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Qualidade aos 5 sentidos

cinq sens du vin
cinq sens du vin
Em recente estudo notei que muitos autores abordam, diferentemente, um mesmo assunto. A grande questão hoje é a qualidade dos vinhos.
Sem a necessidade do foco aos grandes vinhos, caros, quase inacessíveis, mas ao contrário, bons vinhos estão cada dia mais acessíveis. Vejamos a sabedoria determinada pelo mercado: o melhor vinho é aquele de que o consumidor gosta e pode adquirir, dentro de um padrão, torna se uma grande realidade!
Com o aumento do consumo e consequente incremento da produção, pesquisa, desenvolvimento e competitividade, o mercado está ofertando cada vez mais excelentes produtos, com um custo bem melhor. Isso se compararmos à situação de 20 anos atrás.
Este fenômeno se deve muito à indústria vitivinícola do Novo Mundo, países como: Argentina, Chile, África do Sul, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia que estão revolucionando o mercado com tecnologia, dos vinhedos às vinícolas, possibilitando colocar no mercado excelentes vinhos a ótimos preços. Tal fato está mexendo diretamente com os mercados do Velho Mundo. Na Europa, obviamente, existem os grandes vinhos de regiões muito famosas com altos preços, considerados verdadeiras "joias", mas o setor produtivo em geral está redirecionando a produção, diminuindo o volume e partindo para a produção de vinhos de qualidade a preços mais acessíveis.
Desta forma, uma boa sugestão é fazer o consumo correto dos produtos. Aproveitar ao máximo de tudo aquilo que o vinho tem a oferecer, observando todo o potencial que o produto possa oferecer ao consumidor na consciência de fazê-lo aos "cinco sentidos".
Os cinco sentidos: expressão utilizada por enólogos e profissionais que explica como deve ser consumido o vinho. 1) Visão, que direciona às cores e suas nuances; 2) Olfato, que diz respeito aos padrões aromáticos; 3) Paladar, relacionando aos mais complexos sabores; 4) Tato, que se relaciona à temperatura no momento do consumo; 5) Audição, que se relaciona aos toques do líquido na taça, quando este se move, e ao próprio brinde.
Assim, temos condições de analisar, considerar a qualidade intrínseca, ou seja, a qualidade do produto a que se referem os enólogos e profissionais. Tal fato não está somente relacionado no momento do consumo, mas também algum tempo depois. Se o vinho for realmente de qualidade, o consumidor não terá surpresas desagradáveis horas depois, ou mesmo no dia seguinte. Terá somente boas ou ótimas lembranças daquele momento.
Por isso, é muito oportuno pensar e, antes de fazer a escolha, decidir qual vinho comprar, levar em consideração o fato de que nossa saúde é o nosso maior patrimônio!
28/02/2017 - 21:59
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Após o descobrimento, a população se formando com influência Portuguesa, o uso e costume acenavam para o consumo de vinhos, herdado da tradição milenar europeia.
A demanda de vinhos, já na época, era uma realidade, mas com grande escassez. Não havia vinhos para atender a todos. Experiências de plantio de vinhas a beira mar não deram certo, mas em São Paulo (por volta de 1650) houve êxito, ao mesmo tempo, os Jesuitas missionários se estabaleceram no sul, e promoveram a cultura do vinho, referentes aos costumes religiosos; contribuíram para o inicio produtivo.
Região das Missões-Rio Grande do Sul
Região das Missões-Rio Grande do Sul
Assim, a família real sentiu-se ameaçada pela recente e promissora produção Brasileira, decidiu então, proibir a produção no Brasil, e importar vinhos europeus. Após 1800, chega ao país a família real fugindo de Napoleão e vieram junto seus colaboradores. O que ampliou a construção do Brasil em suas estruturas. Mas, não havia vinhos de qualidade em volume suficiente, a baixo custo.
Ao mesmo tempo se consolidava a produção açucareira no mercado interno (a produção de cana de açúcar já era considerável no nordeste), e a oferta de vinhos de qualidade de origem europeia era escassa. Então o império sugere a adição de açúcar aos vinhos importados, baratos e de baixa qualidade, para o mercado do então "Brasil colônia".
Logo, o brasileiro (de modo geral) adquiriu o costume de consumir vinhos de péssima qualidade, e o que é pior: "adoçados". O mercado cresceu e se desenvolveu, em grande parte, nesta filosofia. Tanto é que até o meados do século XX, o vinho mais consumido no país era o vinho do Porto (licoroso).
Na época, os imigrantes europeus se estabeleciam no país (muitos em São Paulo, Minas Gerais, e grande parte na região sul). Iniciaram atividades industriais e produção agrícola . Entre elas a uva, para consumo in natura, e fabricação de vinhos, inicialmente para consumo próprio, e depois para o comercio.
Produtores no sul do Brasil
Produtores no sul do Brasil
Século XX: Houve um crescimento na produção e na qualidade destes vinhos para atender a população originária dos imigrantes, mas foi nos anos 60 e 70, quando alguns grupos internacionais se instalaram no país para produzir diferentes bebidas, e necessitavam do vinho base para esta indústria. Vieram também profissionais de alto padrão técnico (engenheiros agrônomos, enólogos, e etc.) para promover o desenvolvimento da cultura e produção de vinhos na região sul (principalmente na serra gaúcha) de lá pra cá, iniciou-se no país uma verdadeira revolução. Estes grupos estimularam o plantio de diferentes varietais europeus.
Nos anos 80 e 90, estimulados pelo crescimento do mercado e, com o objetivo de produzir vinhos de melhor qualidade para o mercado, surgem novas áreas de produção em diferentes regiões do Brasil.
23/02/2017 - 14:45
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Vinhos do Brasil
Vinhos do Brasil
O Brasil tem uma história peculiar e muito interessante na vitivinicultura. Os vinhos foram trazidos pelos portugueses inicialmente, houveram até experiências produtivas, mas somente após a chegada dos imigrantes (italianos, alemães,etc.) na região sul, que se percebeu um grande crescimento da produção de uvas e vinhos.
Revolução: À aproximadamente 20 anos haviam poucos vinhos de qualidade sendo produzidos no país. O mercado era muito tímido, com crescimento discreto. Mas a situação se inverteu.Hoje o Brasil tem um dos mercados consumidores com maior potencial. Terceiro maior produtor da América do Sul em volume, e um dos mercados em maior crescimento.
Pequenas áreas de vinhedo é dedicada a produção de vinhos de qualidade, a maior parte é para vinhos populares, sucos e consumo de uvas in natura (uvas de mesa). Isto, graças a investimentos de grupos empresariais, externos e também do mercado interno (empresários locais).
Varietais europeus clássicos constituem a maior parte da produção brasileira de vinhos de qualidade, a maioria na Região Sul. Forte presença na Serra Gaúcha; Campanha e Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul,) e Planalto e Serra Catarinense (SC). Algumas áreas despontam, e se revelam como grandes surpresas, nos vinhos de qualidade jamais vistos no País, com produção de vinhos tintos, rosés, brancos e espumantes
Na região da Campanha Gaúcha, (Santana do Livramento, Bagé, Candiota e outros municípios), na fronteira com o Uruguai, a produção de vinhos de qualidade cresce significativamente. Devido ao seu clima (invernos rigorosos e verões quentes e secos ), a Serra Gaúcha vem se mostrando excelente para a produção de vinhos espumantes, hoje em plena expansão produtiva e qualitativa, gerando produtos para exportação .
Uma nova região, ao norte, no Vale do Rio São Francisco (Bahia e Pernambuco), entre os paralelos 8° e 9°, tem produzido tintos bem interessantes, contrariando a lógica natural, de vinhos de qualidade em regiões de clima frio, mas demonstrando um inédito "terroir" em seus vinhos,alguns com grandes predicados.
Atualmente observamos a produção de vinhos razoáveis,mas de bom potencial provenientes de novos empreendimentos vitivinicolas em diferentes regiões do país: interior do Rio Grande do Sul; Curitiba (região metropolitana) e interior do Paraná; interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, e alguns projetos em outros estados.
Castas brancas: Chardonnay, Sauvignon blanc, Semillon, Gewürztraminer e Riesling Itálico,etc. Castas Tintas: Cabernet Sauvignon, Morlot, Sirah, Cabernet Franc, Malbec, Pinot Noir,etc.
Vinícius Vezozzo
 
Vinicius Vezozzo é economista pela Universidade Estadual de Londrina, pós-graduado em Administração de Marketing e Propaganda. Especialista em vinhos pela Ecole du Vin de Bordeaux C.I.V.B. (Conseil Interprofissionel du Vin de Bordeaux) / Maison du Vin de Bordeaux. É consultor em formulação de cartas de vinhos / harmonização / restaurantes e eventos. Estudou nos Estados Unidos, onde teve seu primeiro contato com as uvas e vinhos no Willamette Valley, no Oregon.



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