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Bastidores da notícia
29/06/2009

Bom dia, meu caríssimo leitor. Já que no post anterior publiquei a matéria feita no último fim de semana sobre como anda a prevenção à temerosa gripe suína nas fronteiras do Paraná com a Argentina (até rimou), hoje, que acordei de bom humor, conto um pouquinho dos bastidores da reportagem.

Em primeiro lugar, tive a alegria de conhecer as cataratas do Iguaçu. Pois é, ainda não tinho ido até elas. Sensacional! Mas que fique claro que não fomos até lá para passear, estávamos em busca de turistas que estivessem utilizando máscaras. É verdade, tem gente indo às cataratas utilizando máscaras para se proteger da gripe, principalmente os orientais. Não encontramos nenhum na tarde de sexta-feira, porém funcionários do parque nos informaram que uma comitiva de "japoneses mascarados" havia passado por lá de manhã. Bom, como ninguém é de ferro, o fotógrafo César Augusto, o motorista Jenes e eu posamos para uma fotinha. Tá meio respingada, mas valeu.

Também fomos às cidades argentinas, como você deve ter lido anteriormente. Pense num povo gente boa. Pensou? Os argentinos do interiorzão do país são assim. Bons camaradas. Não sei como são os argentinos de Buenos Aires e de outras cidades maiores, mas os da fronteira são legais. Um dos caras que entrevistei até queria me dar uma caixa de Budweiser (cerveja deliciosa que não é vendida por aqui) como presente. Por puro profissionalismo, não aceitei. Pode crer.

Porém, antes disso fizemos uma matéria na movimentadíssima Ponte da Amizade. Lugar maluco. Não era nosso objetivo, mas flagramos o pessoal da Receita Federal achando um montão de Play Station (não sei se era o 2 ou o 3) escondidos em um fundo falso de um táxi paraguaio. Acontece de tudo naquela ponte...

Bom, o dia está corrido e o dever me chama. As fotos abaixo são da nossa equipe nas cataratas, do argentino gente boa e do táxi muambeiro
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Algum turista

César Augusto

César Augusto
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O Paraná está escancarado para a gripe
28/06/2009

Vou logo avisando: não estou com nenhum sintoma de gripe. Espero que o fotógrafo César Augusto e o motorista Jenes Almeida também não. Na sexta-feira, estivemos na região sudoeste do Paraná, nas cidades que fazem fronteira com a Argentina, fazendo a matéria abaixo para a FOLHA. Chegamos a passar a aduana de Santo Antônio do Sudoeste e fomos entrevistar os hermanos, na argentina San Antônio.
Na paranaense Barracão, também atravessamos a rua e pisamos na cidade vizinha de San Bernardo de Irigoyen. É uma situação muito curiosa, são três cidades coladas: Barracão (PR), Dionísio Cerqueira (SC) e San Bernardo de Irigoyen (Argentina). Bom, o texto e as fotos dizem mais. Ah! coloque o cursor do mouse sobre a foto para ler a legenda.


Nas cidades fronteiriças da região sudoeste o fluxo de pessoas oriundas da Argentina e até do Chile é grande; presença dos órgãos sanitários é tímida

Wilhan Santin
Reportagem Local

Sudoeste do Paraná – As cidades da região sudoeste do Paraná que fazem fronteira com a Argentina são a síntese do quanto é difícil que as autoridades sanitárias consigam evitar que mais pessoas contaminadas com o vírus da gripe A (H1N1) continuem entrando no Estado. Mesmo com o país vizinho sendo o que apresenta o maior número de mortes da América do Sul - foram 26 casos fatais e mais de 1,5 mil pessoas contaminadas até ontem – nas aduanas de Santo Antônio do Sudoeste, Capanema e Dionísio Cerqueira (SC), que é literalmente "colada" à paranaense Barracão, o fluxo de pessoas oriundas da Argentina que entram no Brasil não diminuiu nos últimos dias. Até a manhã de ontem não havia sequer a presença de nenhum agente de saúde para orientar viajantes nas aduanas de Santo Antônio do Sudoeste e Capanema.

Em Barracão, além de grave, a situação é curiosa. Até os moradores mais antigos do município paranaense de 9 mil habitantes se confundem para saber onde estão ao andar pelas ruas da cidade, que se misturam com as ruas do município argentino de Bernardo de Irigoyen e da catarinense Dionísio Cerqueira. Basta atravessar uma rua para mudar de país ou de estado, sem qualquer controle sanitário ou policial.



Na aduana turística de Dionísio Cerqueira, somente alguns funcionários da Receita Federal utilizam máscaras. Em torno de 1,5 mil carros passam por ali diariamente. Muitos são dirigidos por turistas que percorrem a Rota Bi-Oceânica, estrada que corta toda a Argentina, passando pela região de Buenos Aires - onde está a imensa maioria dos casos confirmados da gripe A (H1N1) no país vizinho - e vai até o Chile, que também apresenta alto índice de contaminação pela doença, com sete mortes e mais de cinco mil casos confirmados até o fechamento desta edição.

Ao lado, na aduana de cargas, o clima é mais tenso. Um funcionário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se esforça para distribuir máscaras a todos os caminhoneiros. Todos os dias, em torno de 100 caminhões vindos da Argentina e do Chile passam pelo pátio aduaneiro para depois seguir viagem pelas estradas brasileiras. "Depois de liberados, eles vão para diversos estados do Brasil. Tirando aqueles que têm como destino Santa Catarina e Rio Grande do Sul, todos os outros, obrigatoriamente, passam pelo Paraná", informa o inspetor chefe da Receita Federal Arnaldo Borteze.

É o caso do caminhoneiro argentino Julio César Rivero. Ele está levando uma carga de cebolas da região de Buenos Aires para São Paulo. Apesar da máscara, diz não ter medo da gripe. "Homem não pode ter medo. Mesmo assim estou me prevenindo, com a máscara. O interessante é que passei por toda a Argentina e não vi ninguém as utilizando. Só aqui", comenta.

Em Santo Antônio do Sudoeste, apenas uma ponte sobre o tímido rio que leva o nome da cidade separa o município, que se intitula a "capital da fronteira", da cidade argentina de San Antônio. Os paranaenses atravessam a ponte em busca de farinha – afamada na região como muito melhor que a brasileira -, vinho, cerveja e gasolina, que custa apenas R$ 1,70 o litro nos postos de San Antônio. Os argentinos buscam no lado paranaense mantimentos, peças automotivas, remédios e serviços de profissionais de saúde, como dentistas.

Na aduana brasileira, os funcionários da Receita não utilizam máscaras. Não há postos da Polícia Federal e da Anvisa. Diariamente, 1,5 mil carros passam por ali. Na pequena San Antônio, os moradores ouvidos pela FOLHA dizem não estar preocupados com a gripe A. "É triste saber que nossa gente está morrendo. Sei que há casos confirmados em localidades a apenas 300 km daqui, mas não tenho medo", destaca a desempregada Elida Aguero.

César Augusto - A tímida aduana de Santo Antônio do Sudoeste

Do lado brasileiro, a preocupação é maior. Santo Antônio do Sudoeste está recebendo a fase regional dos Jogos Escolares do Paraná, que envolve mais de dois mil atletas de diversas cidades. Boatos na última semana de que haviam casos confirmados na cidade causou pânico na região. Por enquanto, a Secretaria Estadual de Saúde (SESA) confirma um caso de gripe A na Regional de Pato Branco, mas sem revelar a cidade.

"Existe uma preocupação por sermos município de fronteira. Estamos tomando as medidas necessárias, mesmo não tendo nenhum caso suspeito ou confirmado", diz a enfermeira chefe da secretaria de saúde de Santo Antônio do Sudoeste, Grasiela Nodari.

Já na aduana da cidade de Capanema, o clima é de tranqüilidade total. Apenas 100 carros, em média, passam por ali diariamente. Os poucos funcionários da Receita Federal não usam máscaras. Também não há postos da PF e da Anvisa. A fronteira está a 20 km da sede do município. Boa parte dos argentinos que buscam mantimentos do lado brasileiro, vindos da cidade de Andresito, acabam parando no mercado de Márcia Kuhn, construído ao lado da aduana, em meio a uma plantação, para vender aos fregueses "importados" no tempo em que o peso estava valorizado e os "hermanos" compravam sem nem perguntar quanto custava. Ela também não teme a gripe. "Além dos nossos fregueses de todos os dias, passam por aqui turistas de todos os cantos da Argentina. Porém, não estou preocupada".

César Augusto - O mercado de Kuhn. Construído no meio do nada só para vender aos argentinos

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Anvisa informou que está dando prioridade no trabalho de prevenção à gripe A nas aduanas onde há trânsito de linhas regulares de ônibus, o que não é o caso das cidades do sudoeste paranaense. (Colaborou Fernando Rocha Faro)
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Conversa fiada
22/06/2009

É, amigo - como diria o Galvão Bueno - na falta de coisa melhor para dizer, falaremos bobagens. Da série rapidinhas.

!BBB?

Ontem, perdi preciosos momentos assistindo ao "A Fazenda", da Record, que é cheio de semelhanças com o BBB, da Globo. O engraçado é que no BBB eles juntam um monte de anônimos que sonham em ficar famosos. No A Fazenda tem um monte de famosos de segunda, terceira e até quarta linha querendo ser famosos de primeira linha. E fazem cada coisa para aparecer...

É com NH

A primeira matéria de tragédia que fiz na vida foi em Congonhinhas. Um caminhão tombou e o auxiliar - e irmão - do motorista morreu no local. Inexperiente, a anta aqui escreveu Congoinhas - como todo mundo pronuncia. Ainda bem que a editora corrigiu. Agora, por conta da visita que o Lula faz hoje àquela cidade, tem um monte de colega de tudo quanto é jornal escrevendo o nome da cidade errado. Gente, é Congonhinhas, com NH!

Tartaruga

Tá certo que a conta bancária do cara é muito, muito, muito mais gorda do que a minha, mas o tal do Rubens Barrichelo anda me irritando. Todo mundo sabe que o cara é um baita fracassado, nunca ganha porcaria nenhuma, mas ele tá sempre prometendo alguma coisa. E também sempre tá dando alguma desculpa quando não consegue cumprir as promessas. Um dia a pista é muito larga, outro dia é muito estreita. Depois foi culpa do sol, na outra corrida foi culpa da chuva... Agora ele declarou que quer tirar pontos do Button porque está na briga pelo título. Ah! vai ver se eu estou na esquina
!
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Olha o passarinho!
20/06/2009

Dedo de prosa publicado orginalmente na FOLHA RURAL de 20/06/2008.

Compadre, esta semana foi de foto aqui na redação da FOLHA. Acontece que alguns jornalistas tiveram que posar para um retrato daqueles 3 por 4 por conta de umas credenciais que terão de ser feitas. Teve gente que se produziu, passou até perfume. Brincadeiras à parte, impressiona como tudo é prático hoje na fotografia, que agora é digital. Não precisa mais de filme e as fotos são enviadas para a revelação por e-mail. Coisa doida, né?

E olha que não faz muito tempo que posar para a foto era coisa quase solene. Vez em quando fuço nos álbuns de fotografia do meu pai. Filho do distrito do Malu, que pertence ao município de Terra Boa, região noroeste do Paraná, ele tem fotos de criança que comprovam o quanto era especial o momento de tirar um retrato.

Geralmente era programa para a família toda, e com roupa de gala. Meu pai conta que a família Santin saía do pequeno sítio onde plantavam café e ia até a cidade para a foto. Os meninos de calça pelo meio da canela e terninho. As meninas com o vestidinho usado na primeira comunhão. Meu avô de terno, minha avó de vestido. Todo mundo de cara séria e em posição de sentido. Até hoje, na era das fotografias pra lá de descontraídas, meu pai ainda faz posição de sentido para as fotos, o que lhe rende um sarrinho por parte dos filhos. É que ele continua achando que foto é coisa muito séria.

Muitas vezes quem fazia as fotos da turma, principalmente se fosse o caso de documento, era o lambe-lambe, profissional presente em quase todas as praças de igreja matriz. Em Londrina, alguns ainda resistem na Praça da Bandeira, ao lado da Catedral. Mas eles já foram dezenas. Eu mesmo posei para a primeira foto de documento da minha vida ali na praça, em um lambe-lambe, levado pelo meu pai, é claro.

Lembro que fiquei maravilhado com o processo de trabalho do fotógrafo. Ali mesmo, dentro daquela caixinha de madeira ele revelava as fotos, passando fixador e revelador. Depois jogava em um balde com água para enxaguar. Ficava me perguntando porque raios o homem tinha que lamber o papel fotográfico, o que rendeu a esses profissionais o curioso nome de lambe-lambe. Agora finalmente descobri, o editor de fotografia aqui da FOLHA, Sérgio Ranalli, explica que a lambida é para descobrir de que lado está a emulsão, que é a substância química gelatinosa que permite ao papel ''aprissionar'' a luz. Ah, bom! Finalmente. Agora, só me falta descobrir como é que um montão de fotos cabem dentro de um computador.

E você compadre, já posou com a família toda para algum retrato? Fala sério, era uma coisa simples, mas acabava proporcionando um bom e solene momento de união familiar. É ou não é?
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Pneu do Paraguai não pode
17/06/2009

No ano passado, junto do fotógrafo João Mario Goes e do motorista Wanley Xavier estive no Paraguai. Entre outras matérias, fizemos uma sobre as vendas de pneus no país vizinho. Em Salto del Guairá, cidade separada pelo rio Paraná da vizinha Guaíra (PR), as lojas de pneus eram muitas. Permitia-se a entrada em nosso Estado com pneus comprados no Paraguai instalados no carro ou até na mão, desde que fosse apresentado o documento de um automóvel brasileiro.

Agora, a farra acabou. Não pode mais entrar no Paraná (e nem no resto do Brasil) com pneus "importados". Abaixo, release enviado hoje pela Receita Federal em Foz do Iguaçu.


Em continuidade à Operação Escudo, servidores da Receita Federal do Brasil fizeram a retenção, na tarde de hoje, de uma carreta com placas de Criciúma (SC). O veículo estava com 14 pneus novos, já colocados para rodagem. A apreensão aconteceu em um posto de combustível em Foz do Iguaçu. O proprietário disse ter colocado os pneus em uma loja de Foz do Iguaçu, mas não tem comprovação de que pagou por tal trabalho.

A carreta foi encaminhada à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu.

A Receita Federal do Brasil salienta que desde o dia 04 de junho de 2009 está proibida a entrada no Brasil de partes e peças de veículos adquiridos no exterior como bagagem acompanhada, pois estão excluídos do regime aduaneiro de bagagem, portanto, são passíveis de retenção pela fiscalização aduaneira.

A proibição foi determinada no Decreto 6870/2009, sancionado pelo Presidente da República e publicado no Diário Oficial da União do dia 04 de junho de 2009, que dispõe sobre a vigência de Decisões do Conselho do Mercado Comum, Resolução do Grupo Mercado Comum e de Diretrizes da Comissão de Comércio do Mercosul.
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Vamos falar de muambas
16/06/2009

Recebo release da Receita Federal em Foz do Iguaçu com o balanço das apreensões do último mês. Publico na íntegra para que você tenha uma ideia do volume de tranqueiras que passam pela nossa fronteira. Se o volume apreendido é grande, imagine o que passa escondido...

As apreensões da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu no mês de maio totalizaram US$ 6.353.992,00 (seis milhões, trezentos e cinquenta e três mil, novecentos e noventa e dois dólares). Queda de 15% em relação ao registrado em maio de 2008.

Como em todos os meses, o valor mais significativo em apreensões no mês de maio foi de veículos (252 no total), perfazendo US$ 2.044.311,00 (dois milhões, quarenta e quatro mil, trezentos e onze dólares).
No mês de maio, destacam-se os valores apreendidos em cigarros, total de US$ 542.435,00 (quinhentos e quarenta e dois mil, quatrocentos e trinta e cinco dólares). Queda de 12% em relação a maio/2008. Entretanto, aumento de 9% em relação ao acumulado do ano.

Abaixo, quadro detalhado dos valores.

Maio/2009
RESULTADO DA FISCALIZAÇÃO
(Apreensões de Mercadorias)

Valores em US$

Total Evolução em relação 2008
Mês Ano Mês(%) Ano(%)
Bebidas 35.886,00 69.637,00 389% 26%
Brinquedos 166.300,00 620.604,00 -6% -20%
Cigarros 542.435,00 3.543.217,00 -12% 9%
Eletrônicos 792.911,00 3.933.848,00 -35% -15%
Informática523.302,00 2.093.962,00 -44% -38%
Mídia Ótica 36.478,00 169.111,00 -60% -51%
Mídia Virg 417.045,00 2.167.903,00 -20% 3%
Perfumes 91.039,00 387.003,00 - -
Relógios 175.867,00 602.730,00 - -
Vestuário 541.993,00 1.252.325,00 - -
Outras 986.425,00 3.416.279,00 -17% -35%
Veículos 2.044.311,00 9.088.168,00 -25% -22%
TOTAL 6.353.992,00 27.344.787,00 -15% -13%

Além das mercadorias e veículos, foram apreendidas drogas e munições (mês):

• 292,900 Kg de maconha
• 6,350 Kg de cocaína
• 6,000 Kg de crack em pedras
• 6,6 Kg de pasta base para cocaína
• 150 munições

O valor de apreensões registrado nos cinco primeiros meses do ano já chega a US$ 27.344.787,00 (vinte e sete milhões, trezentos e quarenta e quatro mil, setecentos e oitenta e sete dólares) em mercadorias e veículos. Comparado ao mesmo período do ano passado, o valor das apreensões registrou queda de 13%.

Assessoria de Comunicação da Receita Federal em Foz do Iguaçu
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A serpente de Tomazina
13/06/2009

Publicada originalmente na FOLHA RURAL de hoje, 13/06.


Ou­tro dia es­tá­va­mos eu e ­mais um com­pa­dre bom de pro­sa bar­ba­ri­da­de – em­bo­ra um ca­di­nho men­ti­ro­so – jo­gan­do con­ver­sa fo­ra. Pa­po vem, pa­po vai, o as­sun­to des­cam­bou pa­ra o la­do da pes­ca­ria, com o com­pa­dre con­tan­do proe­zas das maio­res. Só fal­tou ele di­zer que já pes­cou uma ba­leia no la­go Iga­pó de Lon­dri­na. ­Pois bem, en­tre as mui­tas his­tó­rias, ele con­tou que já pes­cou um dou­ra­do de 22 qui­los no Rio Ti­ba­gi. Im­pos­sí­vel não é. Daí co­me­ça­mos a la­men­tar pe­lo fa­to des­se rio, em bre­ve, abri­gar hi­dre­lé­tri­cas. Lo­go, es­tá­va­mos fa­lan­do da ri­que­za do Pa­ra­ná, Es­ta­do ser­vi­do de gran­des ­rios, ter­ra boa e gen­te tra­ba­lha­do­ra.

Po­rém, há uma ou­tra ri­que­za no nos­so Es­ta­do, a cul­tu­ral e fol­cló­ri­ca. Bas­ta co­lo­car­mos o pé na es­tra­da pa­ra es­cu­tar­mos coi­sas pra lá de in­te­res­san­tes. Re­cen­te­men­te, es­ti­ve na cen­te­ná­ria To­ma­zi­na, no Nor­te Pio­nei­ro, re­gião que foi por­ta de en­tra­da pa­ra a co­lo­ni­za­ção de to­do o ‘‘­Nortão’’ pa­ra­naen­se. ­Olha só, lá em To­ma­zi­na tem gen­te que evi­ta de to­das as ma­nei­ras co­me­ter qual­quer pe­ca­do por me­do de uma co­bra gi­gan­tes­ca que es­tá ador­me­ci­da em­bai­xo da ci­da­de.

O cau­so é ­mais ou me­nos as­sim: no fi­nal­zi­nho do sé­cu­lo 19, quan­do o mu­ni­cí­pio co­me­çou a ser co­lo­ni­za­do, ­duas mo­ças en­gra­vi­da­ram. Am­bas não ti­nham ma­ri­do e de­vi­do aos cos­tu­mes mo­rais ri­go­ro­sos da épo­ca, es­con­de­ram a gra­vi­dez. Quan­do as crian­ças nas­ce­ram, as ­duas ti­ve­ram a mes­ma ­idéia: aban­do­nar os be­bês no rio das Cin­zas, que mar­geia a ci­da­de.

Uma das mu­lhe­res jo­gou o fi­lho num pon­to de cor­re­dei­ras, um pou­co pra ci­ma de on­de es­tá a Pa­ró­quia Nos­sa Se­nho­ra Apa­re­ci­da. A ou­tra, pôs seu fi­lho em um pon­to de re­man­so das ­águas, que o pes­soal cha­ma de ‘‘­prainha’’, pra bai­xo um pou­co da igre­ja. Acon­te­ce que per­to da tal prai­nha tem um re­de­moi­nho. En­tão, o se­gun­do be­bê, em vez de des­cer o Cin­zas, su­biu, in­do se en­con­trar com o ou­tro be­bê que des­cia o rio.

Re­za a len­da que quan­do as crian­ças se en­con­tra­ram nas ­águas, jun­ta­ram-se trans­for­man­do em uma enor­me ser­pen­te. Lo­go em se­gui­da, a co­bro­na se en­fiou em­bai­xo da igre­ja e ador­me­ceu. Tem gen­te que mor­reu ju­ran­do que viu a ce­na da co­bra enor­me ca­van­do a ter­ra e se aco­mo­dan­do sob a pa­ró­quia. Ou­tros, ain­da vi­vos, di­zem que as ra­cha­du­ras nas pa­re­des da igre­ja se de­vem aos mo­vi­men­tos que a ser­pen­te às ve­zes faz.

Tu­do in­di­ca que os pa­dres da­que­le tem­po em vez de aca­bar com o mi­to, pre­fe­ri­ram sus­ten­tá-lo, di­zen­do ao po­vo que, se os to­ma­zi­nen­ses pe­cas­sem a co­bra acor­da­ria e en­go­li­ria a ci­da­de. As­sim, a len­da ga­nhou for­ça e re­sis­te até ho­je. Cu­rio­so, né?

Ah! An­tes de ter­mi­nar va­le di­zer que To­ma­zi­na me­re­ce uma vi­si­ta ca­so vo­cê ain­da não a co­nhe­ça. Lu­gar bo­ni­to, tran­qui­lo e cal­mo. E já fi­na­li­zan­do, di­ga uma coi­sa, com­pa­dre. E aí na sua que­rên­cia, tem al­gu­ma len­da que cau­sa ar­re­pio até ho­je na tur­ma? Se ti­ver, con­te pra gen­te.


Sergio Ranalli - Tomazina e a igreja sob a qual dorme a cobra
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A batalha
08/06/2009

Como prometi, segue a matéria sobre a geada. As fotos estão no post anterior.

O relógio aponta 5 horas da madrugada de quarta-feira (dia 3). O termômetro nas mãos do agricultor Valdemar Kawata, de Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio), registra 2ºC. O céu está estrelado. Vai começar uma batalha entre o homem e a natureza. Com a temperatura caindo a cada hora, Kawata sabe que três mil plantas de seu cafezal, que estão em uma área de baixada, correm perigo. No ano passado ele já sofreu uma triste derrota para a geada, sendo obrigado a cortar no tronco mil pés de café. Desta vez, espera sair pelo menos com um empate. Vai encarar o frio.

A FOLHA acompanhou o trabalho de Kawata na madrugada mais fria do ano no Paraná. No distrito de Entre Rios, que pertence ao município de Guarapuava (Campos Gerais), foi registrada a temperatura mais baixa do sul do Brasil. Por lá, a estação do Instituto Meteorológico Simepar detectou a mínima de -5,4ºC.

Em Sapopema, no sítio São Sebastião, o relógio agora marca 5h30 e a temperatura medida com o termômetro junto ao solo caiu ainda mais, está abaixo de zero: -0,5ºC. O semblante do cafeicultor descendente de japoneses é de total preocupação. O orvalho já está virando gelo nas folhas de seus cafezais. É hora do combate.

O aliado de Kawata contra a geada é um velho conhecido dos cafeicultores do Norte do Paraná para esse tipo de caso: o fogo. A meta é criar uma cortina de fumaça sobre o cafezal. A prática tem explicação científica. Segundo o meteorologista Cezar Gonçalves Duquia, do Simepar, acontece o seguinte: durante o dia, o sol aquece o bolsão de ar que fica junto ao solo, depositando ali energia. Quando o sol se põe, começa o processo inverso, com o solo emitindo energia para o espaço. Se houver nuvens no céu, parte dessa energia volta para o solo, mas com céu estrelado ela se perde. As nuvens de fumaça produzidas pelo fogo ajudam a armazenar energia, ou seja, calor.
No sítio São Sebastião foram feitas três grandes fogueiras, com a lenha dos pés de café arrancados no ano passado. O fogo custou a pegar na madeira gelada, encoberta por uma fina camada de gelo, mas logo o barulho das labaredas ardendo romperam o silêncio da madrugada. Uma cortina de fumaça se formou, mas não impediu a presença do gelo nas folhas das plantas. Contudo, desta vez a geada não vai obrigar o cafeicultor a derrubar nenhum pé de café, vai resultar apenas em algumas folhas queimadas.

''Faço isso por gostar do café, da minha lavoura. Além disso, é um capital da minha família que está aí investido. Quando a geada nos castiga, é muito triste, pois em uma noite perdemos todo o trabalho de um ano. Na nossa batalha contra a geada, a natureza acaba vencendo na maioria das vezes, mas não podemos desanimar'', destaca o agricultor que comprou os 22,5 hectares onde trabalha com o dinheiro de quatro anos de trabalho como operário no japão. Ele também industrializa a maior parte de sua produção, colocando no mercado o café Sol Nascente.

Lágrimas nos olhos e água nas plantas

Em Londrina, no patrimônio Selva (região sul da cidade), o olericultor Eliel dos Santos Silva também lançou mão não só do fogo, mas de outros instrumentos para não perder suas hortaliças para o frio. Em 10 hectares de terra ele cultiva 26 variedades de verduras e legumes, abastecendo o mercado de Londrina, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Habituado às geadas, ele só lamenta pelo fato de a temporada de frio de 2009 ter começado mais cedo. ''Nos anos anteriores estava geando em agosto e setembro'', comenta. No entanto, como não adianta lamentar, ele adiantou a colheita do que era possível, cobriu com sacos de estopa outra parte da roça e decidiu irrigar durante a madrugada o que fosse possível do restante.

Acostumado a passar as noites frias de termômetro nas mãos, Eliel já estava preocupado à 0h30, quando o aparelho marcava 4ºC. Às 3h40, a temperatura já havia caído para 0ºC e as bombas de irrigação tiveram que funcionar. ''Consegui salvar as abobrinhas e parte da horta de alface. Mas perdi muito

do couve e do próprio alface. Cheguei a ficar emocionado com a situação, pois vi que acabou dando resultado o trabalho meu e da minha família'', comemorou.

Também há explicação para a eficiência da irrigação. De acordo com o meteorologista Cezar Gonçalves Duquia, a água tem maior capacidade térmica do que o solo, assim, demorando mais tempo para perder energia, evitando que as folhas das hortaliças congelem.
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Entramos numa fria
07/06/2009

Os bastidores da notícia

Na madrugada do último dia 2, o fotógrafo Sérgio Ranalli, o motorista Wanley Xavier e eu saímos à busca de interessantes personagens: homens do campo que fossem à luta contra a geada. Encontramos. Foi uma experiência sensacional. E gelada, com os termômetros abaixo de zero.

As fotos contam mais. Os personagens são o plantador de verduras Eliel Silva, do patrimônio Selva, em Londrina; e o cafeicultor Waldemar Kawata, de Sapopema. Grandes caras. Grandes brasileiros. Eles que inspiraram o "Dedo de Prosa" do último post. Não estou conseguindo resgatar do arquivo a matéria que saiu na FOLHA. Publicá-la-ei por aqui amanhã.




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As formigas molhadeiras
06/06/2009

Segue mais um dedo de prosa. Este publicado originalmente na FOLHA RURAL de hoje, 06/06. Amanhã, publico a foto e os bastidores da notícia que inspiraram a prosa. Não perca!

As for­mi­gas ­molhadeiras

Pois é, compadre, ''geou na baixadinha''. O frio chegou para valer no nosso ''Paranazão'' nesta semana. E, como sempre acontece nos momentos em que o clima não nos ajuda, lá vamos nós tentar salvar a lavoura. Isso me lembra a história de um saudoso amigo, o João ''Italiano''. Plantador de hortaliças, ele parecia ser amigo de cada um dos seus milhares de pés de alface, couve, almeirão. Não era exagero. Aos 60 anos de idade, ele criara, junto de dona Isabel, os cinco filhos e as três filhas com o que ganhara plantando hortaliças.

Geada não era novidade para o italiano. Já havia enfrentado várias. Muitas vezes viu suas plantas amanhecerem congeladas. Mas daquela vez era diferente. Uma sucessão de acontecimentos o empurraram para as dívidas.

Primeiro foi a tentativa do filho mais velho de abrir um mercadinho na cidade. O rapaz deu passos maiores do que a perna, comprando uma imensidão de mercadoria para vender à pequena freguesia. As contas com os fornecedores venceram e o filho ainda tinha o estoque cheio. O italiano não podia deixar o nome da família sujar, por isso assumiu as contas, gastando toda a poupança.

Logo depois, veio a doença da esposa. Era problema do coração. O médico foi taxativo: cirurgia urgente. No desespero, hipotecou o valente ''fenemê'' para a mulher poder operar. Foi tudo bem, mas os remédios que ela agora tomava custavam caro.

Por isso, quando recebeu a notícia de que a próxima madrugada era de geada, João deixou uma lágrima escapar dos olhos. Não podia tomar prejuízo. Não daquela vez. Passou o dia cobrindo com sacos de estopa tudo o que pôde, mas faltaram sacos e a noite caiu depressa, estrelada, fria e de lua minguante.

A única saída seria irrigar o que estava descoberto - a maior parte da plantação. Porém, quando o italiano foi testar o sistema, ouviu um estrondo na bomba que captava água da sua represinha. A máquina estourou.

Era oito da noite e a madrugada aproximava. Ele ouviu o filho mais novo balbuciar ''o velho ficou louco'' quando entrou em casa dizendo que ia molhar as plantas manualmente. Quem quisesse que ajudasse.

Quando viram que a coisa era séria, os dois filhos solteiros foram chamar os manos e manas casados que moravam na cidade. João ficou feliz quando viu o fenemê trazendo os cinco filhos, as três noras, as três filhas, os três genros, os sete netos mais velhos e mais meia dúzia de voluntários.

Quando o orvalho começou a virar gelo nas folhas das hortaliças, os baldes e regadores começaram a mergulhar na represa e a subirem cheios de água nas mãos daquele povo que fazia carreira feito formiga. Foi quase um milagre, mas nenhuma planta queimou. E a canjica com amendoim feita por dona Isabel, a única que não podia puxar baldes, esquentou aquele povo feliz.
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Wilhan Santin
Wilhan Santin é jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) e especialista em Comunicação Empresarial pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). É repórter da FOLHA DE LONDRINA e colaborador da Brasileiros, revista mensal de reportagens. No blog, escreve sobre coisas simples de cada dia de trabalho. Revela os bastidores de matérias publicadas na FOLHA, dá pitacos nos acontecimentos de Londrina e, sem pretensão nenhuma de ser cronista, escreve crônicas.



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