 |
| DIVERSÃO E CULTURA - MÚSICA |
|
|
|
|
|
03/05/2002 -- 17h28 Natu Blues comprovou que o blues continua forte apesar da idade
Natu Blues trouxe a Curitiba expoentes do estilo, que provou continuar forte apesar de antigo |
|
|
|
|
 |
 |
Somente duas cidades do Sul (Curitiba e Porto Alegre) foram agraciadas com o Festival Natu Blues, que contou com uma escalação privilegiada, não só para quem já é apreciador de blues, como também para os novatos que quisessem se iniciar neste estilo. Para os "calouros", foi uma iniciação classe A, com encontros históricos de artistas clássicos de Chicago e do Mississipi. Em Curitiba, o local escolhido para viver estes momentos mágicos foi o Moinho São Roque, que é espaçoso, mas a princípio não seria adequado, pois lá o público assiste aos shows em pé, enquanto os fãs de blues costumam assistir a shows em bares, sentados. Mas a organização pensou em tudo e encheu a pista de mesas e cadeiras, transformando o Moinho em um gigantesco bar ao estilo blues. O uísque que dava nome ao evento estava sempre presente.
Nasi e os Irmãos do Blues deram início à edição curitibana do Natu Blues com um repertório de velhas conhecidas, para garantir a aceitação do público. Muitos destes clássicos ganharam releituras em português. Quem conhecia Nasi apenas por sua banda de rock, o Ira!, percebeu que o vocalista tinha outra personalidade em companhia de sua banda de blues.
Uma das atrações mais esperadas de todo o evento dava as caras logo na primeira noite. Magic Slim, que se apresentava em terras brasileiras pela quarta vez, estava cheio de pique e energia sobre o palco - mesmo precisando se sentar em alguns minutos do show. Ele é enorme tanto no porte físico quanto no carisma. Seu aspecto é o de um autêntico blueseiro à moda antiga: negro, gordo e alto, sempre empunhando uma guitarra. Com 64 anos, trazia no rosto as marcas de um homem vivido que já passou por altos e baixos na vida. Em resumo: uma figura. Acompanhado de sua inseparável banda, The Teardrops, executou muitas músicas próprias, compostas em parceria com o baixista do grupo, seu irmão Danny O'Conner, além de alguns clássicos imortais do blues. No bis, Nasi & os Irmãos do Blues voltaram ao palco para uma grande jam session.
O segundo dia de festival iniciou-se com a performance do exímio gaitista Corey Bell, acompanhado por um quinteto de músicos brasileiros, a Natu Nobilis Blues Band. Foram tocadas apenas músicas conhecidas do público geral, uma vez que tornava-se difícil para Bell ensaiar com a banda no pouco tempo que ficou no Brasil. Também havia um gaitista na NNBB. Era covardia um músico jovem como ele tocar o mesmo instrumento de um veterano com décadas de técnica, lado a lado. Apesar da diferença gritante, o brasileiro deve ter se sentido muito orgulhoso só por dividir o palco com Bell.
Uma avalanche de guitarras veio na seqüência. Chegava a hora da parceria entre o brasileiro André Christovan e o norte-americano Hubert Sumlin. Com forças unidas, tocaram diversas músicas de Howlin Wolf, com quem Sumlim tocou por muitos anos. As jam sessions continuaram a acontecer. Magic Slim, que havia adiado sua viagem de volta para os Estados Unidos para prestigiar o festival, subiu com sua banda The Teardrops para se unir a quem já estava no palco. Nada menos do que quatro guitarras eram tocadas simultaneamente, produzindo a performance mais barulhenta do evento.
A terceira e última noite atraiu um público mais numeroso. Afinal, de todas as atrações internacionais do Natu Blues, Coco Montoya era a mais conhecida. Antes do popular guitarrista fazer o Moinho vibrar, dois espetáculos de classe tomaram o palco. Os curitibanos do Mister Jack não tiveram dificuldades em ganhar o público, uma vez que muitas das pessoas presentes já os conheciam. O som estava alto e as guitarras, barulhentas.
Após esta apresentação "nervosa", um clima mais calmo e intimista toma conta da casa graças à cantora Big Time Sarah, que teve como escola as igrejas de Chicago, onde cantava música gospel. Sarah mostrava uma presença de palco tão marcante quanto a de Magic Slim - aliás, ela é tão grande (literalemente) quanto ele. Por estar acompanhada de músicos brasileiros (a banda carioca Blue Jeans), reservou apenas clássicos para o set: ‘‘Summertime’’, ‘‘Ain’t No Sunshine’’, ‘‘Hotchie Cotchie Woman’’, entre outras.
Muito debochada, ela "testava" o potencial musical da banda e não perdoava deslizes. Não se acanhava em soltar um "Oh, shit!" diante da atuação do tecladista. Em certo momento, quatro rapazes subiram ao palco para reverenciá-la de joelhos, como se fosse uma deusa. Ela lançava um olhar sedutor sobre eles, ao mesmo tempo em que dizia suas enormes medidas. Em certo momento, eles apalparam seus seios. Muito receptiva, ela alertava "don't shake, just touch" (não balance, apenas toque). De longe, foram os momentos mais engraçados do festival. Magic Slim, mais uma vez, não poderia perder outra oportunidade de participar de uma jam session ao final do show.
Coco Montoya foi o único artista a apresentar unicamente canções próprias. Toca guitarra de uma maneira bastante sofisticada, elaborando solos admiráveis. A emoção com que toca seu instrumento é manifestada em cada expressão de seu rosto, que transbordava sentimento. Em diversos momentos nem parecia um artista de blues, mas de rock. Como de costume, o show (e também o festival) se encerra com uma grande jam, reunindo Coco Montoya, André Christovan, Big Time Sarah e (sempre ele) Magic Slim. Encerramento em clima de celebração para um festival que mostrou que o blues ainda está forte e vai continuar rendendo bons frutos por muito tempo. |
 |
| Rodrigo Juste Duarte |
 |
|
|
|
|
 |
|
|
 |
| Comente esta notícia
|
|
 |
| Comentários dos internautas |
|
|
|
Após discussão, condutora joga carro contra motocicleta
Caros amigos,
Vejo aqui cada comentário, sobre incidênte, mas que não vem ao caso.
Pura maldade.......mas com certeza será Fácil achar um corsa com ... + Veja mais deste comentário CARLOS
"Londrina é modelo a ser seguido", diz revista Veja
 Colocado originalmente por RafaelLeu na Veja, azar o seu! Êitia Rafael!Sabia que tem uma comunidade no Ork... + Veja mais deste comentário Roberto |
 |
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
|
 |
|
|
 |
 |
|
|
|