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Até logo
15/09/2009

Prezado leitor,

Por motivos pessoais, deixarei de atualizar o blog por algum tempo. Agradeço a todos os que tiveram paciência para ler o que publiquei até hoje por aqui e a Marco Feltrin, editor do Bonde, pela oportunidade.

Volto nos próximos meses. Até logo.

Wilhan
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Veja as fotos do paraíso
24/08/2009

Ah! Peguei você. Pensou que ia ver a Juliana Paes peladona aqui, né? Porém, a sua visita a este humilde blog não será em vão. As fotos logo abaixo não deixam de ser de um pedaço de paraíso: a ilha do Superagui, no extremo leste do Paraná.

Retratam uma parte da reportagem sobre os quatro pontos extremos do Estado que produzi para a FOLHA DE LONDRINA no ano passado. O autor dos retratos é o grande repórter fotográfico Diego Singh, que fez a gentileza de enviar o material para eu publicar por aqui.

Em série, vou publicar as outras três partes da reportagem: norte, sul e oeste. Os textos são longos demais para a Internet... Mas você vai fazer a caridade de ler, vai sim. Por favor...


NOS CONFINS DO PARANÁ

A FOLHA percorreu o Paraná de norte a sul e de leste a oeste para identificar os seus quatro pontos extremos e os últimos habitantes; uma homenagem - que necessitou de avião, barcos, hábeis motoristas e GPS - à grandeza do Estado e ao seu povo

Não foi moleza. Percorrer o Paraná todo em busca de seus últimos moradores foi uma missão cansativa. Depois de muitas consultas a mapas, perguntas daqui e dali, horas em barcos, um sobrevoo de ultraleve e a indispensável ajuda de um aparelho de GPS (sigla para Global Positioning System, em português Sistema de Posicionamento Global), descobrimos pessoas que muito bem representam os 10.284.503 paranaenses espalhados pelos 199 mil quilômetros quadrados do estado.
Porém, a missão foi gratificante. Em cada um dos quatro extremos, uma história peculiar. Um dos nossos personagens imaginava que nem estivesse em território paranaense e se emocionou ao descobrir que, na verdade, mora sim no estado onde foi criado.
Os municípios visitados foram Jardim Olinda (norte), General Carneiro (sul), Foz do Iguaçu (oeste) e a Ilha do Superagui, que pertence a Guaraqueçaba (leste). Em cada lugar desses, economia e agricultura ímpares. Até o sotaque muda de uma região para outra. Um retrato de pluralidade.
Nas palavras do professor de Geografia Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adilar Cigolini, pode-se dizer que há dois tipos de particularidades geográficas nesses pontos extremos: a primeira relacionada ao quadro físico-natural e a segunda ao tipo de ocupação e uso do espaço.
"Se observarmos a localização desses pontos, percebe-se que aquele do leste, pela sua própria localização geográfica, no litoral, tem características bastante diferenciadas dos outros três, todos situados no Terceiro Planalto Paranaense. Entretanto, o ponto localizado em Jardim Olinda se diferencia dos demais por estar precisamente localizado numa subdivisão do Terceiro Planalto, denominado de Planalto de Apucarana, que tem características de solo, vegetação e clima diferentes de Foz do Iguaçu ou o de General Carneiro. Há também a diferenciação que ocorre em virtude da colonização e da formação histórica de cada um desses lugares", explica o professor.

Os habitantes do "paraíso"

Os últimos moradores do extremo leste

Seis cachorros, uma casinha de madeira de apenas três cômodos construída há mais de cinquenta anos. O luxo é o pequeno painel, fornecido pelo governo federal, que transforma a luz do sol em energia elétrica; mas a energia é insuficiente para fazer funcionar geladeira, televisão ou chuveiro, só dá conta do radinho e das lâmpadas. Estamos na morada de Maria da Conceição Pires, 96 anos, e Turíbio Raimundo Pires, 61, mãe e filho. Eles são, sem exagero, os moradores de um pedaço de paraíso: estão na ponta mais ao leste do Paraná
Intitulada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade e considerada Parque Nacional de Proteção Ambiental; a Ilha do Superagui é ainda mais interessante e mais exuberante vista de perto.
Para chegar até Maria e Turíbio é preciso embarcar em Paranaguá com destino à ilha. A viagem pode demorar de 40 minutos a duas horas, depende da potência do barco. O desembarque acontece na Barra do Superagui, a colônia de pescadores mais habitada de toda a ilha, na porção sul, do lado oposto de onde estão os nossos personagens. Ocorre que esse pedaço de litoral do Paraná vai embicando para o lado de São Paulo, cada vez mais a nordeste.
Trata-se de um lugar cheio de curiosidades e de história. Para concluir a viagem, barco novamente. Há duas vias: pelos canais de água doce misturada com salgada ou por mar aberto. Quem conhece a região indica os canais, de águas mansas. É por eles que vamos, guiados por Herondino de Ramos, 66, nascido e criado por ali. São 48 km, devidamente medidos pelo GPS do repórter fotográfico Diego Singh, vencidos em quase três horas.
Para chegar ao extremo leste do Paraná é preciso passar por uma artimanha humana: o Canal do Varadouro. Com seis quilômetros de extensão, esse canal foi inaugurado em 1952 para permitir aos paulistas que desciam pelo canal da Cananéia um acesso ao porto paranaense. Desde então, Superagui passou a ser, de forma artificial, uma ilha. O Varadouro é como se fosse um finíssimo vaso sanguíneo que liga duas grandes artérias, uma do lado paranaense, outra do lado paulista.
Um pouco mais para frente, já quase chegando ao extremo leste do Paraná, uma parada obrigatória: a vila de São José de Ararapira, lugarejo fundado em 1776 pela coroa portuguesa e que já não tem mais habitantes. O povo foi embora atraído por melhores condições de vida da cidade de Ariri, do outro lado do canal, no estado de São Paulo, ou amedrontado pela erosão do barranco, que começou a engolir casas depois que a construção do Varadouro afetou o regime das marés. "Aqui tinha de tudo, de cartório a padaria. Mas ainda hoje os antigos moradores usam o cemitério e a igreja", ressalta Herondino, o nosso guia.

A magnífica vila de São José do Ararapyra

Dali a alguns metros está o ponto extremo leste do Paraná, uma área de mangue no encontro do rio Superagui com o canal da Cananéia. Do lado paulista está uma ponta estreita da Ilha do Cardoso, que avança como se fosse entrar no Paraná. Do outro lado dessa ilha, mar aberto. Um pouquinho mais de navegação e avistamos a casa que procurávamos.
Maria e Turíbio, que só comem carne de sol por falta de geladeira e só tomam banho gelado por falta de chuveiro não se consideram pobres. Estão satisfeitos com o dinheiro que recebem como aposentados. Não sabiam desta história de serem os últimos moradores, mas ficaram "muito honrados", nas palavras de Turíbio, que era pescador antes de se aposentar e passar a se dedicar apenas a cuidar da mãe, que a vida toda morou nas bandas do Superagui. Ele, ao contrário, andou por aí, passou por cidades grandes, mas não acostumou.
Dona Maria, muito lúcida, anda pensando em ceder aos apelos da filha que mora em Ariri. Sabe que está chegando aos 100 anos de idade e a saúde já não anda grande coisa. Ficar isolada não é bom negócio, porém Turíbio não quer deixar a casinha beira-rio. Ela, pelo jeito, também não. Quando o repórter pergunta o motivo, o filho apenas aponta para o rio Superagui e explica: "É por isso que não dá vontade de sair daqui".
Tal qual não bastassem tantas curiosidades desse extremo paranaense, o professor Adilar Cigolini nos presenteia com mais uma. "Entre a Ilha do Cardoso e a Ilha do Superagui há um processo geomorfológico interessante, onde a ação do mar tem retirado solo da Ilha do Superagui e depositado do outro lado, na ponta Sul da Ilha do Cardoso. Ocorre que, com isso, diminui, de forma menos intensa, a Ilha do Superagui na sua porção norte e aumenta, de forma mais intensa, a Ilha do Cardoso na sua porção sul. Desde a definição do limite naquela área, em 1921, a mudança nas feições do lugar são bastante expressivas."


O passeio de bike (alugada por preço módico) na ilha é sensacional
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Mães devolvem filhos ao Cense
18/08/2009

Publicada originalmente na Folha de Londrina de hoje, 18/08.

Por Wilhan Santin

A manhã de ontem ainda estava começando, às 8 horas, e o movimento era intenso em uma casa de um bairro na Zona Sul de Londrina. Três mães e seus três filhos adolescentes buscavam um meio de condução até o Fórum de Londrina. O objetivo das mulheres era apresentar os garotos à promotora de justiça dos adolescentes infratores, Sônia Regina de Melo Rosa. Elas sabiam que voltariam para casa sem os filhos, deixando-os algemados dentro de uma viatura policial. Mas avaliaram que era o melhor a fazer. Faltava o transporte. Tentaram uma carona com o Conselho Tutelar, mas receberam a resposta de que teriam que ir até o Fórum por conta própria. O transporte coletivo foi a saída.

Os três garotos em questão, dois de 17 e um de 13 anos, se evadiram há 10 dias do Centro de Socioeducação (Cense I) junto de um outro menor que ainda está foragido. À FOLHA, eles explicaram como foi a fuga. Diferente da primeira versão apresentada pela direção do Cense I, os menores disseram que não foram resgatados, mas se aproveitaram do descuido de um dos educadores para sair da unidade.

''Nós quatro estávamos no mesmo 'X'. Um educador deixou o cadeado aberto depois de levar o João (nome fictício) para fazer um exame de saúde. Percebemos o descuido e saímos do 'X'. Eram 10 horas. Depois de algum tempo os outros três resolveram voltar, mas eu fiquei escondido dentro de uma sala onde ficam guardadas as drogas que são apreendidas. Fiquei lá até anoitecer e usei cocaína. Quando era 22h30 voltei para o 'X'. Fiquei fora o dia todo e os educadores não sentiram a minha falta. Usei o cano de uma espingarda que estava na sala junto com as drogas para arrebentar o cadeado, que já havia sido fechado. Arrebentamos o cadeado e fomos até uma sala desocupada onde há um buraco na parede, que seria para um ar-condicionado. Arrebentamos a grade de ferro que fechava o buraco, subimos no telhado e depois pulamos o muro'', relatou Marcos (nome fictício).

A fuga dos quatro internos só foi notada às 7 horas do dia seguinte (8). No momento da evasão havia dois policiais militares, quatro educadores sociais e um enfermeiro na unidade.

Ainda segundo o adolescente, eles aproveitaram para pegar um bloco de um quilo de crack e uma quantidade indeterminada de cocaína e maconha. ''Após pular o muro do Cense, ficamos um tempo em um terreno baldio que tem por perto até que um conhecido passou de carro. Vendemos a pedra de crack barato, por R$ 2 mil. O resto da droga nós usamos, distribuímos e até jogamos um pouco fora. Com o dinheiro que conseguimos compramos tênis, roupas e pagamos para uma pessoa nos levar para um sítio fora de Londrina, onde ficamos escondidos no mato'', relatou.

O diretor do Cense I, Márcio Augusto Alencar Schimidt, confirmou que realmente aconteceu uma evasão e não um resgate. ''Abriremos um processo administrativo para averiguar a possível falha operacional'', argumentou. ''Trata-se de um fato isolado. Esses adolescentes estavam separados dos outros por sofrerem ameaças e acabaram se evadindo. Contudo, a nossa rotina permanece normal'', completou Schimidt. Atualmente, o Cense I trabalha no limite de sua capacidade, com 85 adolescentes.

O delegado William Douglas Soares, titular da Delegacia do Adolescente, que funciona junto ao Cense e que tem a responsabilidade sobre as drogas apreendidas que teriam sido furtadas pelos menores, confirmou que realmente há entorpecentes na sala que eles acessaram. ''Estamos fazendo um levantamento minucioso para concluirmos o que eles teriam subtraído''. No entanto, o delegado negou que haja armas nessa sala. ''Em nenhum lugar há armas de fogo por aqui. A espingarda à qual eles se referiram, na verdade, é apenas um pedaço de espingarda, sem poder de fogo'', explicou.


Algemas fechadas, lágrimas nos olhos


O instinto de proteção foi o que fez as três mães localizarem os adolescentes e os conduzirem de volta ao Cense I. Por conta própria, elas foram até o sítio localizado a quase 100 km de Londrina para buscar os garotos, todos usuários de drogas. ''Só depois de dois dias é que fiquei sabendo que meu filho fugiu, quando ele entrou em contato por telefone. Convenci-o a me contar onde ele e os colegas estavam e fui até lá. Atravessei lamaçal e matagal para achá-los. Na rua, acabariam morrendo'', comentou uma das mães.

Os três garotos cumprem medida socioeducativa por furto, mas dizem que já roubaram à mão armada. ''Já fiz todo tipo de assalto, usando armas de vários calibres'', ressaltou um deles. ''Já saí para roubar muito louco, drogado, para matar ou morrer'', completou outro. Questionados sobre planos para o futuro, nenhum deles quis arriscar um prognóstico. Apenas o mais novo disse que quer largar as drogas e voltar a estudar.

Um dos rapazes de 17 anos vive entre o Cense e clínicas de recuperação de dependentes de drogas desde os 12 anos. ''Muitos falam que a culpa é dos pais, mas já fizemos tudo o que podia ser feito. Porém, eles não encontram oportunidade. A sociedade não permite nem que eles trabalhem'', lamentou uma das mães. Entregar os filhos à promotora foi a forma de elas garantirem que seus filhos não sofreriam represálias pela fuga dentro do Cense. ''Não há motivo para essa preocupação. O Cense é o local apropriado, onde as medidas socioeducativas, no sentido pedagógico e educativo, são cumpridas'', garantiu a promotora.

Ao final, só restou às mães enxugarem as lágrimas ao verem as algemas sendo fechadas pelo policial que foi até o Fórum cumprir o mandado de busca e apreensão que pesava contra os adolescentes. (W.S.)
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Descanse em paz, João.
08/08/2009

Lembro-me bem, como se fosse ontem. Eu tinha dez anos e, aos domingos, ganhava uma Folha de Londrina de um vizinho querido, o seu Nelson. Acontece que meu pai e minha mãe são oriundos de famílias humildes e só depois de muita labuta conseguiram chegar a uma vida confortável. Por isso, assinatura de jornal lá em casa só começou quando eu já estava na faculdade. Então, sabendo do meu gosto pela leitura, o seu Nelson, por cima do muro, passava-me a Folha dominicalmente.

O caderno de esportes era o meu favorito naquele tempo, principalmente por causa do Londrina Esporte Clube. É verdade, eu já sofria desde novinho com o Tubarão. Mas eu também lia os outros cadernos. Na verdade, lia até o expediente. E lá estava: fundador JOÃO MILANEZ.

Eu nunca tinha visto o tal Milanez, mas ficava pensando: "nossa! Deve ser um homem muito importante. Fundador do jornal!" Eu mal podia imaginar que, 17 anos depois, seria o responsável por escrever, na Folha de Londrina, a notícia da morte de João Milanez. Eu já tinha feito outras matérias tristes antes, mas poucas mexeram tanto comigo. Para ser bem sincero, foi difícil me segurar ao entrevistar o João Rodrigo, filho do seu João. Eis as palavras dele: "Meu pai foi uma figura marcante. Um embaixador da cidade. Fundou um jornal que foi escola para muitos jornalistas. E além disso tudo foi um excelente pai. Nunca deixou que nada me faltasse. Mesmo com aquele jeitão de italiano bravo, na verdade sempre foi muito carinhoso. Também quero dizer que o meu pai sempre me dizia o seguinte: 'filho, se eu partir amanhã, tudo o que eu desejaria seria agradecer. Saí do cabo da enxada e conheci o mundo inteiro. Conversei com reis e presidentes. Sou muito grato".

A história de João Milanez impressiona por isso. Ele, que estudou só até a quarta série, fez coisas incríveis. Fundou jornal, televisão e rádios. Foi um baita jornalista. Tinha alma de repórter. Fez jornalismo como poucos. Gostava de ir aonde a notícia estava. Nada de entrevista por telefone. Se trabalhasse nos dias atuais seria capaz de mandar se lascar quem sugerisse uma matéria por e-mail.

Tive a feliz oportunidade de entrevistá-lo ainda em vida, há três meses, para produzir um material encomendado pela Revista Brasileiros. A revista acabou não utilizando a matéria, por isso eu a publiquei aqui no blog. O texto, modéstia à parte, acabou servindo de subsídio para alguns colegas que fizeram matérias hoje sobre a morte do seu João. No entanto, eu não gosto muito daquele texto, pois lá acabei explorando muito o lado irreverente do personagem que chamei de "Chatô Caipira". Acho que deveria tervalorizado mais o jornalista João Milanez.

Descanse em paz, seu João. O senhor fez história nesta terra vermelha. Seu "pasquim" tem um pouco de culpa por eu ser jornalista.

Força, João Rodrigo!!!
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Um padre diferente. Banzai!
06/08/2009

Mais um personagem interessante que achamos neste Paranazão! As fotos são do competente Celso Pacheco.
Matéria publicada originalmente na FOLHA DE LONDRINA de 02/08.

Banzai, padre Banki!



Há 10 anos, sacerdote de Paiçandu que foi o primeiro a celebrar uma missa no topo do Monte Fuji organizou o próprio funeral; mas felizmente ainda não precisou do túmulo

Wilhan Santin
Reportagem Local

Há exatos 10 anos, a FOLHA publicava uma matéria curiosa: um padre, com 72 anos naquela época, organizou o próprio funeral, deixando o caixão encomendado e o túmulo pronto - inclusive com epitáfio. Ele não queria dar trabalho a ninguém quando falecesse.
Hoje, aos 82 anos, padre Ângelo Banki, de Paiçandu (10 km a oeste de Maringá), continua vivo, muito bem humorado e, com exceção de um ou outro probleminha, como o diabetes e um traço de mal de Alzheimer, tem boa saúde. Tanto que acabou passando adiante o jazigo para um paroquiano pobre que morreu antes dele. Agora, tem uma vaguinha reservada no mausoléu da família Banki, no distrito de Água Boa, distante 11 km de Paiçandu; mas desta vez resolveu deixar o trabalho de finalização do túmulo para os parentes.
Porém, organizar o próprio funeral não é o único feito do padre que completou 50 anos de sacerdócio e 35 anos de dedicação à pequena cidade do Noroeste do Paraná em 2009. Ele conta, feliz da vida, que foi o primeiro sacerdote a rezar uma missa no topo do Monte Fuji, o mais alto do Japão, com 3,7 mil metros. De quebra, deixou por lá uma imagem de bronze da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.
"Isso foi em 1954. Sempre gostei de alpinismo e decidi que queria escalar o monte que é considerado sagrado para os japoneses. Chamei dois colegas padres, que me ajudaram a levar todos os paramentos para celebrar um missa, e subimos, a pé. Foi muito difícil, pois do meio do caminho para frente, quando vai chegando no alto, além de belos templos budistas, só há pedras, nada de vegetação. O ar fica rarefeito. Gastamos 24 horas para fazer toda a subida. Celebrar uma missa lá no alto foi muito emocionante. Gostei tanto que voltei outras duas vezes. É lindo. Quando o sol aparece, no amanhecer, todos que estão no topo gritam banzai!", descreve Banki.
O banzai – que em japonês significa viva – o padre "importou" para Paiçandu depois de sua temporada japonesa. Aqueles que frequentam uma das três missas semanais que ele celebra se divertem ao responder aos banzais que o sacerdote ecoa em seus sermões. "Celebro com muita alegria, pois o brasileiro é alegre por natureza", explica.
Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), Banki é o sétimo de 10 filhos de um casal que deixou Hiroshima para desembarcar no Brasil em 1914, apenas seis anos depois dos primeiros imigrantes nipônicos chegarem ao país. Logo, a família que chegou a enfrentar a fome, primeira realidade dos imigrantes orientais que sonhavam em ganhar dinheiro rápido e voltar para a terra natal, converteram-se ao catolicismo. E o menino Ângelo, aos 10 anos, não teve dúvidas quando o pai lhe perguntou se não queria ser padre. Rapidamente disse sim e pela primeira vez calçou um par de sapatos para ir estudar na capital.
Mais tarde, já adolescente foi estudar no Rio de Janeiro e ganhou uma bolsa de estudos dos padres Jesuítas para cursar Teologia no Japão, onde acabou concluindo os estudos e foi ordenado sacerdote.
Em 1974, convidado pelo arcebispo de Maringá, chegou ao Noroeste Paranaense, região para a qual seus pais já haviam migrado quando Banki estava no seminário. "Deixaram São Paulo e vieram plantar café na terra vermelha, como muitos e muitos japoneses fizeram", comenta.
Assim como os imigrantes, o padre criou raízes na região. Dinâmico, fundou escolas, levantou igrejas e foi também professor. Recorda que chegava a celebrar sete missas por dia e desanda a rir para recordar de uma de suas aventuras. "Eu andava muito pela zona rural, visitando as famílias. Um dia cheguei a um sítio e o dono de uma casa humilde me recebeu com muita alegria. Nenhum padre estivera por ali antes. Ofereceu uma carne saborosa. Quando terminei, perguntei de que tipo era. Gambá, foi a reposta. Voltei para casa passando mal".
Melhor do que essa, só a história da "nota de desfalecimento". "Fiz uma torre e instalei alto-falantes no alto da igreja para dar recados ao povo. O alcance do som era de quatro quilômetros. Certa vez, vieram me avisar que um homem tinha morrido. Imediatamente, liguei o microfone e exclamei a nota de falecimento. Pouco depois, vieram dizer que o homem não tinha morrido, apenas estava mal. Não tive dúvidas, fiz uma nota de desfalecimento".
Corintiano – seu maior defeito, ou virtude dependendo do ponto de vista – padre Banki acorda religiosamente às 4h30 para fazer caminhadas e não esconde que gostaria de demorar pelo menos mais uma década para utilizar o túmulo que tem à disposição.


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Conversa fiada
03/08/2009

Bom dia, amado e idolatrado leitor. Salve, salve!

Acordei de bem com a vida. Não é para menos. Olhe o sol brilhando no céu azul desta manhã de segunda depois de muita, muita, muita chuva no Norte do Paraná. Para completar, o Londrina Esporte Clube continua vivo na gloriosa quarta divisão (ou Série D, como prega a CBF) do Campeonato Brasileiro. Não é para estar feliz?

Bem, você já deve ter percebido que hoje a conversa é fiada, sem grandes novidades, mas já que chegou até aqui, leia o post até o final.

Buracos

A prefeitura andou tapando algumas das crateras que se formaram em nossas ruas depois da chuvarada. Porém, basta São Pedro abrir novamente as torneiras do céu para os buracos voltarem. Há certos pontos de Londrina em que só o recape asfáltico resolve. Vamos lá, Barbosa!

Por falar em Barbosa...

Comovente a entrevista do prefeito ao Jornal da Manhã na Rádio Paiquerê de hoje. Ele disse que trabalha das 6h às 23h e está sensibilizado com os secretários que não conseguem acompanhá-lo. Menos, prefeito, menos...

Enquanto isso...

E a guarda municipal. Vai ter ou não vai? É promessa de campanha. E eu, cagão que sou, continuo com medo de andar a pé à noite por alguns pontos da cidade. Ah! Quase metade das lâmpadas da Praça da Imigração Japonesa estão queimadas. E no escuro, alguns puxam um baseado. Viva Bob Marley!

Piadinha

Antes de partir, vale contar uma piada para descontrair (olha a rima).

Extraído do www.piada.com

Os três governadores da região sul recebem o presidente em Porto Alegre. No intervalo do discurso o presidente resolve ir até o banheiro dar uma mijada e os três vão juntos pra puxar o saco e ver se ele libera alguma verba. Quando o presidente tira o pênis pra fora e começa a mijar o governador do Paraná lança:
- Gigante pela própria natureza!!!
O presidente fica todo metido e libera uma gorda verba para o PAraná... Vendo a cena o governador de Santa Catarina também resolve se aproveitar...
- És belo, és forte, impávido colosso,
Mais uma vez o presidente fica todo cheio e libera também para Santa Catarina um bom dinheiro.
Chega a vez do gaúcho... sem nem saber o hino nacional direito, só se lembra de uma frase...
Nisso, abaixa as calças, fica de quatro e lança pro presidente:
- VERÁS QUE O FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA!!!!
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Por que Foz do Iguaçu?
28/07/2009

Reportagem publicada na Folha de Londrina do último domingo, 26/08. O texto foi escrito por mim. As fotos são de Sergio Ranalli. O nosso motorista na empreitada foi Wanley Xavier.

Reportagem da FOLHA mergulhou na realidade de jovens e adolescentes da cidade da fronteira para entender porque eles estão mais perto da morte do que os jovens e adolescentes de qualquer outra cidade do Brasil



Wilhan Santin
De Foz do Iguaçu

De apostila e caderno abertos sobre a carteira de um colégio estadual, Mateus (nome fictício), 17 anos, recebe a reportagem da FOLHA na noite fria de quinta-feira (24), em Foz do Iguaçu. Além dele, apenas oito alunos da turma do terceiro ano do ensino médio apareceram para assistir às aulas. Os professores resolveram suspender as atividades, era pouca gente. Com fama de "CDF" entre os colegas, o rapaz de fala articulada e maturidade de uma pessoa bem mais velha tem motivos para se aplicar nos estudos. Ex-operário do tráfico e contrabando, ele não hesita em dizer que escapou do fundo do poço.

Hoje integrante do Projeto Bolsa Estágio, da prefeitura de Foz, que dá aos adolescentes envolvidos em atos infracionais a chance de estagiar com remuneração e estudar, o rapaz agarrou a chance e fugiu da grande possibilidade de virar um número em estatísticas como a divulgada pelo governo federal, Unicef e pela organização não-governamental Observatório das Favelas na última semana: a cidade paranaense é a campeã de mortes violentas entre jovens no Brasil, com 9,7 mortes para cada grupo de mil adolescentes. Os números utilizados para o levantamento são de 2006.

Capaz de atrair mais de um milhão de turistas por ano para conhecer a beleza das cataratas do Iguaçu e a Usina Hidrelétrica de Itaipu, Foz não consegue transformar os frutos do turismo em riqueza plena por conta de uma outra atração bem menos glamurosa: suas fronteiras com Paraguai e Argentina, porta de entrada de muambas e drogas para o Brasil e rota de fuga para criminosos. Contrabandistas, traficantes e assaltantes fazem dos adolescentes seus funcionários prediletos.

"Eles colocam na cabeça dos meninos que ‘não vai dar nada’ para eles pelo fato de o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) preconizar no máximo três anos de internação para menores. Recentemente, houve um caso de latrocínio na cidade em que um maior levou dois adolescentes até a porta de uma casa para roubar uma camionete. A vítima reagiu e foi morta pelos meninos. Pouco tempo depois, prendemos esse mesmo homem levando outros adolescentes armados para fazer um assalto. Metade dos roubos que ocorrem na cidade são de autoria de adolescentes, que muitas vezes aceitam fazer esse ‘serviço’ em troca de R$ 500", explica Luiz Rogério Sodré, delegado do Grupo de Diligências Especiais (GDE) da 6 Subdivisão Policial.



A possibilidade de trabalhar para o crime e ganhar um salário que não ganhariam em empregos formais afasta os adolescentes das salas de aulas. O índice de evasão escolar de 5 a 8 série do ensino fundamental é de 8%. Dos que não desistem, 17,5% reprovam. No ensino médio, o índice de evasão é ainda pior: 16%. O de reprovação é de 12%. O índice máximo de evasão aceito pela Unesco é 5%.

Com Mateus foi assim. Ele chegou a parar de estudar quando viu pai e mãe desempregados, aos 14 anos. Em busca de dinheiro, foi para a Ponte da Amizade trabalhar como "laranja" – quem passa pela aduana levando mercadorias acima da quota de 300 dólares. O negócio era interessante. Fazia pelo menos cinco travessias por dia e ganhava em torno de R$ 20 por cada uma.
Quando a Receita Federal começou a apertar o cerco na aduana, o menino recebeu um convite para outro emprego. Virou gerente de um dos muitos portos clandestinos das favelas que ficam na beira do Rio Paraná. Fazia o turno da madrugada e ganhava R$ 800 por mês. "Era a única coisa que eu podia fazer para levar dinheiro para casa. Era um trabalho muito sacrificado. O forte do porto era o contrabando: eletrônicos, pneus, cigarros; mas também chegavam drogas e armas. Eu era o responsável pelo fluxo de mercadorias, para que nada sumisse. De vez em quando a polícia aparecia. Aí o único jeito era correr para o mato feito louco e se esconder. Eu não quis mais", revela.

Apoiado pelos pais, foi buscar trabalho em outra região do país, porém não suportou a saudade da família e voltou para Foz. "Nessa época, o dono do porto foi preso e eu sabia que tinham bandidos atrás de mim. Então passava o dia inteiro escondido dentro de casa, sem poder sair. Foi quando vi na televisão uma reportagem sobre o Aliança Jovem – projeto filantrópico que encaminha adolescentes para estágio. Fui atrás e mudei de vida", destaca o rapaz que hoje recebe como estagiário da prefeitura R$ 560 por mês e se prepara para prestar o vestibular para Direito. "Vou ser juiz. Coloquei isso como meta de vida e vou conseguir".


O engano e a tristeza

Boa parte dos adolescentes que se envolvem com o crime, cedo ou tarde, experimentam drogas. Alguns deixam de trabalhar para os criminosos e, viciados, acabam se tornando apenas usuários. Morrem por não pagarem dívidas com traficantes. Outros morrem em disputas com gangues rivais ou por vingança por já terem matado alguém. Por último, há os que morrem por engano.

Foi assim, sem nem saber o por quê, que João (nome fictício), 17 anos, morreu alvejado por 17 tiros de pistola 9 milímetros na última segunda-feira (20). Evangélico, apaixonado por música gospel e com o sonho de ser engenheiro, seu maior "crime" era ser parecido fisicamente com um vizinho envolvido com o tráfico de drogas. "Até eu já tinha confundido meu filho com o vizinho", conta Loreci dos Santos Lima, que ainda chora a morte do filho.

De acordo com o delegado de homicídios de Foz, Marcos Araguari de Abreu, dois homens em uma moto chegaram à Vila C, um bairro razoavelmente bem estruturado da cidade, construído para abrigar trabalhadores de Itaipu, procurando o vizinho de João. Pela semelhança física, confundiram os rapazes e mataram o filho de dona Loreci.

"Já apreendemos a motocicleta utilizada no crime e identificamos o piloto e o assassino. Eles estão foragidos", comenta o delegado, um paulistano de 31 anos que trocou, há quatro meses, o trabalho em uma delegacia da Zona Leste da maior cidade do Brasil por Foz atraído pelo melhor piso salarial de um delegado no Paraná – em torno de R$ 10 mil contra R$ 5,1 mil em São Paulo – e pelo desafio de atuar na área de fronteira. "Encontrei aqui uma polícia bem entrosada e gente com muita vontade de trabalhar. Estamos fortalecendo muito o trabalho da delegacia de homicídios e vamos intensifica-lo cada vez mais, principalmente indo para a rua", enfatiza Abreu, que dispõe de sete investigadores e um escrivão para ajudá-lo a solucionar os homicídios que já passam de 100 em 2009.

Enquanto isso, a mãe que viu seu filho morrer de forma covarde não consegue sequer ajeitar o quarto do garoto. "Até a última xícara de café que ele tomou ainda está aqui. É difícil aceitar isso. Quantos inocentes ainda vão morrer em Foz? Vou lutar para que os assassinos sejam presos, pois não quero que outros meninos morram. É lamentável que Foz, a cidade onde criei meus filhos, esteja assim. Não temos segurança aqui", lamenta Loreci.


"Não tenho sonhos"

Franzino, o menino que aguarda para prestar esclarecimentos ao delegado do adolescente de Foz, Richard Lolli, não parece ter os dezesseis anos que constam em sua ficha. Não é a primeira vez que é apreendido. Já esteve internado no Centro de Sócio-Educação (Cense) duas vezes, por porte de arma e roubo.
Desta vez, foi levado à delegacia por agredir, junto do irmão, de 17 anos, uma tia, e por cultivar um pé de maconha em casa. O mais velho conta que pensa em estudar e diz que não quer se envolver com o crime. Porém, o garoto de 16 anos prefere dizer que é do crime e no crime continua ficar. Questionado sobre quais seriam seus sonhos para o futuro, apenas responde que não tem sonhos e fica em silêncio, sem dizer mais nada.

"Os adolescentes estão envolvidos em atos infracionais como vítimas ou como autores. Todos os meses, fazemos mais de 100 procedimentos de atos infracionais. Muitos são usuários de drogas e furtam ou roubam para sustentar o vício. Outros trabalham para o tráfico. Em torno de 40% dos adolescentes que apreendemos portam armas. Já encontramos um garoto com um fuzil 762 e um outro com uma metralhadora. Sabemos que é uma situação complexa e estamos empenhados, mas também sabemos que se trata de um grave caso de desigualdade social e que toda a sociedade deve se empenhar para resolver, não só a polícia", destaca o delegado Lolli.

Um PM para cada mil habitantes

Enquanto o governo estadual intensifica as ações específicas de combate ao tráfico e contrabando na região de fronteira do Paraná com o Paraguai com forças especiais, como a Alfa, lançada neste mês, o policiamento urbano de Foz do Iguaçu carece de mais homens.

De acordo com o capitão Adelar Davies, do 14 Batalhão de Polícia Militar (PM), o efetivo para Foz é de aproximadamente 320 homens, para o trabalho burocrático e de rua. A cada plantão, apenas 10 viaturas circulam pela cidade.
Questionado se o efetivo não seria insuficiente, o capitão discorda. "O que diminui a criminalidade não é a quantidade de policiais na rua, mas a intensidade de abordagens", minimizou.


Em busca de um novo capítulo na história


Em 1974, quando os primeiros trabalhadores contratados para ajudar a construir a Usina Hidrelétrica de Itaipu começaram chegar a Foz do Iguaçu, a cidade tinha duas ruas asfaltadas e aproximadamente 20 mil habitantes. Nove mil moradias foram construídas do lado brasileiro e paraguaio para abrigar os funcionários. Apenas 10 anos depois, já haviam mais de 100 mil pessoas morando em Foz.

O crescimento desenfreado originou a formação de pequenas favelas, a maioria à beira do Rio Paraná, que servem ao tráfico e contrabando como ponto de desembarque e registram elevados índices de homicídios. Em alguns bairros construídos para abrigar operários da usina os índices de violência também assustam e contrastam com a organização urbana e a qualidade das casas.
Contudo, a administração municipal dá mostras de esforço para iniciar um novo capítulo na história da cidade, tentando afastar jovens e adolescentes do crime que se fortaleceu na fronteira.

No início de 2009, foi criada a Secretaria da Juventude, Trabalho, Emprego e Antidrogas. "Sabemos que pela nossa situação geográfica os jovens são atraídos primeiro pelo contrabando, depois vão para o tráfico e terminam mortos ou na cadeia. Temos consciência de que é uma guerra difícil, mas vamos lutar", destaca o responsável pela secretaria, Sidnei Prestes Junior.

As armas da secretaria são programas voltados à educação, desenvolvidos em parceria com os governos federal e estadual, como o Pró-Jovem, que oferece uma bolsa de R$ 100 para jovens com mais de 18 anos concluírem o ensino fundamental. Para o ensino médio, é oferecido um estágio que paga R$ 350. Quem vai para a universidade também faz estágio e recebe R$ 450. "Os criminosos pagam mais, por isso temos que fazer um trabalho especial para mostrar a eles que o melhor caminho é seguirem conosco", enfatiza Prestes Junior.




Foz do Iguaçu em números

População: 311.336 habitantes
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,788
Posição no ranking estadual de IDH: 42
Desempregados ou empregados
no comércio informal: 30 mil
Estudantes da rede estadual de ensino: 35 mil
Índice de evasão escolar de 5 a 8 série
do ensino fundamental: 8,7%
Índice de evasão escolar do ensino médio: 16%
Visitantes das cataratas do Iguaçu em 2008: 1,1 milhão de pessoas

Fontes: IBGE, Ipardes e Prefeitura de Foz do Iguaçu

Violência em Foz

Mortes violentas entre 01/01/2008 e 15/07/2009
Total: 322
Vítimas de arma de fogo: 281
Vítimas de arma branca: 19
Vítimas de agressão física: 14

Jovens na linha de tiro

Vítimas com até 18 anos: 67 (20%)
Vítimas com idade entre 19 e 24 anos: 81 (25%)
Vítimas que não concluíram o ensino fundamental: 227 (70%)
Homens: 305 (95%)
Mulheres: 17 (5%)

Mortes violentas em 2006: 303
Vítimas até 18 anos: 59 (19%)

Mortes violentas em 2007: 294
Vítimas até 18 anos: 77 (26%)

Mortes violentas em 2008: 220
Vítimas até 18 anos: 48 (21%)

Mortes violentas em 2009 (primeiro semestre): 95
Vítimas até 18 anos: 19 (20%)

138 meninos cumprem medida sócio-educativa no Centro de Sócio Educação (Cense) de Foz do Iguaçu.

Fontes: Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), Cense e Instituto Médico Legal (IML) de Foz do Iguaçu
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Uma singela homenagem
10/07/2009

A História do Chatô Caipira

Tem de tudo no currículo de João Milanez, um homem da roça e de pouco estudo que fundou jornal, rádio e televisão no Paraná. Ele fez fama, integrou comitivas presidenciais, visitou mais de centena de países e foi acusado, veementemente, por Dercy Gonçalves de tê-la estuprado quando ela já beirava os setenta anos de idade. Ele já passou das oito décadas de vida, mas parece um rapazote quando é convidado a narrar seus causos e sua história de muito trabalho.

Sérgio Ranalli

Por Wilhan Santin Fotos Sergio Ranalli

Em uma das últimas visitas do governador do Paraná, Roberto Requião, a Londrina, dezenas de repórteres se acotovelavam para entrevistar o político conhecido pelo seu mal-humor no trato com os jornalistas. Era missão difícil chegar perto do homem. De repente, um senhor com 85 anos de idade, passos lentos, mas voz firme ecoando "viva, viva, viva", um de seus bordões, passa pelo meio de todo mundo, como faca quente passa pela manteiga. "Está aqui um grande governador", disse quando chegou ao seu interlocutor. "Ora, é João Milanez, o amante da Dercy Gonçalves", respondeu Requião, num raro momento de sorriso no rosto.
A cena de João Milanez cumprimentando uma autoridade política já é tradição no Paraná, mais particularmente em Londrina, cidade na qual ele fundou um diário há mais de 60 anos, a Folha de Londrina. Antes, era no aeroporto que ele cumprimentava os engravatados que desciam na "Capital Mundial do Café". Hoje, prefere as reuniões ou solenidades públicas.
Trata-se de um homem da roça, nascido na pequenina Meleiro, extremo sul de Santa Catarina, que conheceu mais de 150 países e integrou comitivas presidenciais. Nos arquivos do jornal que ele fundou não faltam fotos em que apareça ao lado de gente de fama: Juscelino Kubistchek, Vera Fischer, Delfim Netto, Chacrinha, Ernesto Geisel, Alfredo Stroessner... Da sua boca, saem histórias engraçadas, irreverentes, fatos que o acompanharam durante toda a sua vida. Fala com tanta desenvoltura das centenas de mulheres que teve, da zona do meretrício que funcionou em Londrina – a qual ele não frequentava, só visitava - e de outras peripécias que cometeu durante a vida. Se o repórter bobeia, acaba se esquecendo de questioná-lo sobre a carreira de empresário e jornalista que construiu, tornando-se, à melhor moda interiorana, uma espécie de Assis Chateaubriand do sertão, ou um "chatô caipira".
Na certidão de nascimento, consta que Milanez nasceu em 15/12/1925, mas na verdade o sexto filho de onze irmãos viera à luz dois anos antes, em 15/12/1923, quando a localidade de Rio Morto não passava de um lugarejo do então distrito, atualmente município, de Meleiro. O mesmo cartorário que o deixou dois anos mais novo também transformou o italianíssimo sobrenome Milanese em um quase espanhol Milanez. No sítio da família, cercado de um povo "tutti buona gente" aprendeu a mexer com a lavoura. Não passou da quarta série porque no tempo e no lugar em que viveu a infância e a adolescência ter o diploma do primário era quase como ser um doutor. Trabalhou também em serraria, onde foi marceneiro.
Aos 22 anos, colocou a trouxa nas costas e foi tentar a vida na efervescente São Paulo. "Tomei um susto. Era tudo grande demais, agitação, progresso. Queria trabalhar na construção civil, mas nem deu tempo de arrumar emprego", rememora o jornalista. Com poucos dias em Sampa, conheceu um amigo que lhe convidou para ir tentar a vida, vendendo títulos de capitalização, na terra vermelha, outro lugar efervescente, que nascera como uma picada aberta por ingleses na mata fechada apenas 18 anos antes. Era Londrina, embrenhada no Norte do Paraná.
Ele topou. De cara, bolou uma jogada de marketing. Aprendeu a falar saiken, o correspondente, em japonês, para título de capitalização. Dessa forma, fez clientela entre a turma de olhos puxados, que chegava ao Paraná para comprar terra própria depois de fazer um dinheirinho no Estado de São Paulo. "Eu falava saiken, os japoneses falavam no, no, no. Eu insistia e eles acabavam comprando". O tino comercial do "italiano" chamou a atenção de um tal Correia Neto, que se intitulava jornalista e estava começando um jornal semanal. "Ele me chamou para ser sócio. Eu vendia, ele escrevia".
Era a primeira vez que um jornal era levado a sério, sem estar a serviço de nenhum figurão, por ali. Com os pés atolados no barro, Milanez saiu vendendo assinaturas. Visitou de Paranavaí a Jacarezinho, num raio de 250 quilômetros, levando o seu "pasquim" a cada uma das cidadezinhas que a Companhia de Terras Norte do Paraná fundava a cada 15 ou 20 quilômetros. "Rapidinho consegui cinco mil assinantes. Entreguei todo o dinheiro para o sócio pagar credores em São Paulo. Porém, ele gastou tudo com farra. Daí, brigamos. Disse que queria desfazer a sociedade. Ele respondeu que eu tinha que comprar a parte dele. A única coisa que eu tinha era uma caneta Parker, foi com ela que o paguei".
Pão-duro assumido, o filho de Meleiro começou a tocar o jornal sozinho. Vendia, fotografava, participava de qualquer coisa que acontecesse em Londrina naquele fim de década de 1940, quando a cidade tinha perto de 20 mil habitantes e o café crescia chamado de ouro verde na terra fértil. Anotava tudo o que escutava, favorecido pelo fato de muitas coisas acontecerem na região naquele tempo. Depois, pagava para um advogado transformar suas anotações e relatos em textos. Foi o primeiro repórter do jornal, mas nunca assinou uma matéria.
O negócio prosperou como a cidade, que em menos de 80 anos de existência chegou aos 505 mil habitantes. "A Folha de Londrina apenas acompanhou o crescimento da cidade e da região", diz, com modéstia, Milanez. Mas se o crescimento populacional norte paranaense colaborou, o trabalho dele também foi importante. Fruto de suas primeiras andanças, a bordo de Jeep Willis nas estradas de terra, são os assinantes que hoje estão em 302 municípios do estado, recebendo uma tiragem que chega a 50 mil exemplares.

Chacrinha, Flávio Cavalcanti e a fama

Com o dinheiro entrando no caixa, uma redação começou a ser formada. O jornal passou a ser diário e ganhou forma. A tipografia terceirizada foi dispensada. Milanez fez questão de montar a própria gráfica. E mais, financiou um conjunto de casas para seus gráficos morarem. Modernizar passou a ser obsessão. Na primeira oportunidade, comprou uma rotativa. Depois, na década de 1970, fez funcionar no Paraná a primeira máquina offset do Estado. Por conta disso, teve problemas. Os caminhões com as bobinas de papel atolavam antes de chegarem a Londrina. Para por o jornal na rua era preciso fazer o papel terminar de chegar de jipe.
Como já não precisava ir às ruas fazer a função de repórter pôde passar a desempenhar o seu melhor papel: relações públicas. Sempre com uma "Folha" debaixo do braço, não perdia uma oportunidade de divulgar o seu jornal. "Ele não tinha vergonha. Onde quer que estivesse, não importava para quem, entregava um exemplar", conta o jornalista e historiador Widson Schwartz, que trabalhou 16 anos, com o "patrão", apelido carinhoso que os jornalistas deram a Milanez.
Dessa forma, construiu bons relacionamentos com todo mundo. Encampou diversos movimentos a favor do estado e da cidade. Enquanto isso, deixava a mulher, Marlene, sua grande companheira, cuidando de boa parte da administração. Ela também uma excelente relações públicas. "O patrão gostava de acompanhar a equipe de reportagem na rua. Enquanto o jornalista fazia seu trabalho, ele ficava de ouvidos em pé, sempre pegava algo no ar. Dali a pouco, aparecia com alguém pelo braço para o repórter entrevistar. Apesar de buscar bons relacionamentos com todos, não barrava matérias de denúncia. Quando via que algo assim ia ser publicado, inventava uma viagem para não escutar reclamações de políticos. O prestígio dele chegou a tal nível que o Garcia Neto, governador do Mato Grosso, mandou um avião vir buscá-lo para recepcionar o presidente Geisel em Campo Grande", rememora Schwartz.
"Nunca fui contestador, talvez por isso tenha conseguido tanto prestígio", teoriza Milanez. De fato, ele nunca foi de cultivar rusgas, prefere ganhar na conversa. Com Requião brigou publicamente em 1991, quando o político foi governador pela primeira vez e deixou de pagar credores do Estado, entre eles a Folha de Londrina. Mas nem por isso deixa de chamá-lo de "grande governador".
Na década de 1970 virou figurinha carimbada nas televisões. Foi jurado de Flávio Cavalcanti, passou a freqüentar o Cassino do Chacrinha e recebeu o troféu "Velho Guerreiro". Julgou dezenas de mulheres nos mais diversos concursos de misses. Começaram a surgir os convites para integrar comitivas empresariais e políticas em viagens estrangeiras. "Conheci de tudo que há no mundo. Porém, onde mais me diverti foi nos Estados Unidos. Eu só sabia uma palavra em inglês: good. Respondia good para tudo que diziam", diverte-se.
Com seu jeito desbocado e expansivo, quebrava protocolos, metia-se no meio de reuniões que eram só para gente de altos cargos da República. Quando via que a entrada seria difícil, apresentava-se aos seguranças e porteiros como governador do Amazonas. E entrava. "Imagina, naquele tempo ninguém conseguia contato telefônico com Manaus para checar se eu era mesmo o governador. Então, era mais fácil me deixar entrar". Assim, fez amigos influentes, entre eles Delfim Netto, que foi ministro da Fazenda de 1969 a 1974, o chamado período do milagre econômico brasileiro.
Com o próprio Assis Chateaubriand conversou pessoalmente algumas vezes. "Só falávamos sobre Jornalismo. Ele sempre queria falar sobre Jornalismo. É claro que não tem comparação entre o império que ele construiu e o que eu construí. Chateaubriand teve uma grande importância para a nação. Fico muito orgulhoso quando me comparam com ele", ressalta.
Em 1979, Milanez resolveu seguir os passos de Chatô e quis ter a sua própria televisão. Tomou um empréstimo de um milhão de dólares. Queria, como no jornal, ter a melhor tecnologia. Fundou a TV Tarobá, de Cascavel, afiliada da Rede Bandeirantes. "O João Saad – dono da Bandeirantes – elogiou muito a TV", orgulha-se. No entanto, o cruzeiro desvalorizou-se rapidamente e as dívidas contraídas para instalar a Tarobá se multiplicaram. A única saída foi vender, em 1982.
No mesmo ano, já separado de dona Marlene "por incompatibilidade de gênios", resolveu deixar a administração do jornal na mão de sobrinhos "importados" de Meleiro e ser "embaixador de seus negócios em Curitiba". "Da mesma forma que ele era ‘rato de evento’ em Londrina, passou a ser ‘rato de evento’ na capital", conta o único filho, João Rodrigo, o "menino" de 30 anos que Milanez não cansa de dizer que é de ouro. Afastado da administração, viu problemas financeiros atrapalharem o jornal. Voltou para Londrina quando a situação estava difícil, no início da década de 1990. A salvação foi arrumar um sócio: José Eduardo de Andrade Vieira, que foi senador, ministro e dono do Bamerindus.
Vivendo da aposentadoria e das divisas que cabem ao sócio minoritário, atualmente Milanez vive a se queixar da falta da correria em que vivia até há pouco tempo. Uma queda há um ano lhe rendeu fraturas em um dos ombros e a necessidade de cuidado constante de auxiliares de enfermagem. Mas o aperto de mão continua firme. A gentileza também. O repórter é chamado de doutor o tempo todo. Para a mente, joga bridge, um jogo de cartas que requer raciocínio. Para a alma, frequenta reuniões e solta o seu viva, viva, viva.

O estupro de Dercy Gonçalves

Entre todas as histórias de João Milanez, a mais famosa é a que envolve Dercy Gonçalves. O jornalista sempre cultivou a fama de mulherengo. Gosta de dizer que centenas de mulheres passaram pela sua cama. Gaba-se de ter sido um exímio galanteador. Com a vedete não foi diferente, sorri a cada vez que conta que transou com Dercy quando ela esteve em Londrina para fazer um show no início da década de 1970. Até aí tudo bem. O problema é que Dercy morreu acusando-o de estupro. Na última entrevista que deu a Amaury Junior, cinco dias antes de sua morte, em julho de 2008, ela contou mais uma vez a história que já havia contado muitas outras vezes na imprensa. "O João Milanez, da Folha de Londrina, me estuprou!".
"Eu não estuprei. Ela quis! Tratei-a como uma grande dama quando ela esteve aqui. Levei-a no jornal e mandei fazer uma boa matéria. Depois do show, convidei e ela topou ir ao motel. Mas não tem problema que ela tenha dito tantas vezes que foi estupro. É bom porque faz propaganda minha", diz o empresário, sem esconder o orgulho.
Quem se recorda bem dessa passagem é o escritor Domingos Pellegrini, que um dia foi repórter da Folha de Londrina, começando como foca. "Servir sempre foi o sentido do Jornalismo para Milanez, fosse para atender gente pé-de-chinelo ou participar de grandes campanhas comunitárias. Mas desconfio que usou o repórter, quando já não era mais foca, para cometer o famoso ‘estupro da Dercy Gonçalves’. Levou Dercy à redação, chamou o repórter, dizendo que ela merecia uma entrevista feita por um escritor. Ela realmente gostou de não ouvir perguntas bobas sobre coisas bestas, e saiu feliz. Aí Milanez a levou ao motel, ‘enganada’, para ser ‘estuprada’, conforme contaria alegremente e ele alegremente confirmaria vida afora. Desconfio que quem foi enganado fui eu...", conta Pellegrini.


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Tome muamba
08/07/2009

Na íntegra, release da Receita Federal em Foz.

BALANÇO DE APREENSÕES EM JUNHO REGISTRA AUMENTO DE 8%

As diversas operações realizadas de forma simultânea em Foz do Iguaçu e região e na cidade de Guaíra, fizeram as apreensões da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu aumentarem no mês de junho. No mês, foram apreendidos US$ 6.882.095,00 (seis milhões, oitocentos e oitenta e dois mil, noventa e cinco dólares) em mercadorias e veículos. Este valor representa aumento de 8% em relação ao registrado em junho de 2008.

No mês de junho em Guaíra, foi registrado o primeiro "Milhão" em apreensões de mercadorias. A Receita Federal do Brasil, através de Operações realizadas no local, vem deslocando reforços da 9ª Região Fiscal (Paraná e Santa Catarina) para a cidade. Em média, são 7 reforços dos dois estados e mais dois servidores da DRF/Foz. No porto, por exemplo, os servidores conseguem fiscalizar 100% os veículos que passam pela balsa. São em média 6 viagens diárias, em cada uma delas atravessam 20 carros, o que faz com que os servidores consigam fiscalizar toda a demanda. Atualmente, no Porto Sete Quedas, são 23 servidores atuando diretamente com a fiscalização, fora o efetivo que trabalha internamente na Inspetoria de Guaíra. Além disso, a atuação conjunta entre Receita Federal do Brasil, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, fez o valor de apreensões, no mês de junho, em Guaíra, chegar a US$ 1.239.776,00 (Um milhão, duzentos e trinta e nove mil, setecentos e setenta e seis dólares), aumento de 60% em relação ao registrado em junho de 2008 e de 37% considerando o acumulado de 2009.


Considerando os valores totais da DRF/Foz do Iguaçu, o valor mais significativo em apreensões no mês de junho foi de veículos (234 no total), perfazendo US$ 2.383.241,00 (dois milhões, trezentos e oitenta e três mil, duzentos e quarenta e um dólares). Destacam-se também as apreensões de eletrônicos, cujo valor ultrapassou a casa de US$ 1 milhão, totalizando US$ 1.027.293,00 (Um milhão, vinte e sete mil, duzentos e noventa e três dólares). Os valores apreendidos em informática também foram altos, com aumento de 3% em relação a junho de 2008.

Outro destaque são os cigarros. O valor registrado em junho chegou a US$ 832.683,00 (oitocentos e trinta e dois mil, seiscentos e oitenta e três dólares), aumento de 91% em relação a junho de 2008 e de 19% em relação ao acumulado do ano.
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Bastidores da notícia
29/06/2009

Bom dia, meu caríssimo leitor. Já que no post anterior publiquei a matéria feita no último fim de semana sobre como anda a prevenção à temerosa gripe suína nas fronteiras do Paraná com a Argentina (até rimou), hoje, que acordei de bom humor, conto um pouquinho dos bastidores da reportagem.

Em primeiro lugar, tive a alegria de conhecer as cataratas do Iguaçu. Pois é, ainda não tinho ido até elas. Sensacional! Mas que fique claro que não fomos até lá para passear, estávamos em busca de turistas que estivessem utilizando máscaras. É verdade, tem gente indo às cataratas utilizando máscaras para se proteger da gripe, principalmente os orientais. Não encontramos nenhum na tarde de sexta-feira, porém funcionários do parque nos informaram que uma comitiva de "japoneses mascarados" havia passado por lá de manhã. Bom, como ninguém é de ferro, o fotógrafo César Augusto, o motorista Jenes e eu posamos para uma fotinha. Tá meio respingada, mas valeu.

Também fomos às cidades argentinas, como você deve ter lido anteriormente. Pense num povo gente boa. Pensou? Os argentinos do interiorzão do país são assim. Bons camaradas. Não sei como são os argentinos de Buenos Aires e de outras cidades maiores, mas os da fronteira são legais. Um dos caras que entrevistei até queria me dar uma caixa de Budweiser (cerveja deliciosa que não é vendida por aqui) como presente. Por puro profissionalismo, não aceitei. Pode crer.

Porém, antes disso fizemos uma matéria na movimentadíssima Ponte da Amizade. Lugar maluco. Não era nosso objetivo, mas flagramos o pessoal da Receita Federal achando um montão de Play Station (não sei se era o 2 ou o 3) escondidos em um fundo falso de um táxi paraguaio. Acontece de tudo naquela ponte...

Bom, o dia está corrido e o dever me chama. As fotos abaixo são da nossa equipe nas cataratas, do argentino gente boa e do táxi muambeiro
.

Algum turista

César Augusto

César Augusto
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