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O brasileiro complacente também é bandido 01/09/2010
Vi hoje no Paraná TV, segunda edição, uma reportagem do Fernando Parracho. Não sei se ela foi transmitida para todo o Estado. De qualquer forma, você pode espiá-lo agora:
A notícia era sobre um grupo de pessoas que ficam nos terminais de ônibus urbanos em Colombo vendendo as passagens mais baratas. Ao invés de pagar R$ 2,20 de tarifa, a pessoa deixa R$ 2,00 e o "vendedor" passa o cartão no leitor, liberando a catraca para o usuário. Tudo isso num espaço público, administrado pela prefeitura. Como acredito em duendes, posso imaginar que até a realização da reportagem, certamente nenhuma autoridade sabia do problema.
O repórter entrevista um "cidadão", que afirma: os cartões são roubados e, por isso, são vendidos mais baratos. Em nenhum momento sente-se constrangido por colaborar com a infração. O tal grupo também consome maconha, como as câmeras flagram, na maior cara dura, sem nenhum pudor.
Se tem algo que me incomoda no comportamento coletivo, é esta insaciável vontade de tirar proveito de tudo. As pessoas querem ter o maior lucro do mundo, com o menor esforço possível. Ninguém se dá conta que, ao ser conivente, acaba colaborando mais e mais para que os crimes se perpetuem.
Talvez seja isso que explique a facilidade com que esquecemos e "perdoamos" os políticos corruptos, aqueles que nos roubam de maneira disfarçada, posando de bons moços e baluartes dos bons costumes, bem como da ética e do respeito à coisa pública. Imagino que é esta nossa propensão ao "se dar bem" que torna a nossa moral tão elástica a ponto de relevar das mínimas às grandes atrocidades.
No meu tempo de repórter, certa vez entrevistei um detetive que atua em Londrina. À época, em 2001, ele me disse que com apenas R$ 5,00, conseguia entrar em qualquer prédio da cidade e instalar câmeras, principalmente para flagrantes amorosos. Os porteiros deixavam-se "convencer" por essa mixaria.
E com exemplos assim, de pouco em pouco, forma-se uma rede de corruptos, não importa a proporção.
A reportagem de Fernando Parracho fala em prejuízo de R$ 3 milhões de reais por mês, por conta da tal "facilidade" em passar na catraca. O que as pessoas não percebem que este prejuízo acaba sendo pago por nós mesmos, porque certamente a empresa que faz o transporte coletivo deve encontrar uma maneira de embutir as perdas no preço da tarifa. E assim vamos nos enganando. Até quando? |
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Com clichês, "A Cura" é boa opção na TV 31/08/2010
Vai ao ar hoje à noite, o quarto de nove capítulos da série A Cura, escrita por João Emanoel Carneiro e Marcos Bernstein. A aposta é numa trama com protagonista dúbio. Dimas (Selton Mello) volta à pequena cidade no interior de Minas Gerais, depois de ter fugido acusado de assassinar o melhor amigo. Neste retorno, como médico, ele passa a demonstrar poderes incompreensíveis, capazes de curar, como diz o título. Com isso, desperta a adoração e fúria dos moradores. Apostando também na crença espírita, a série viaja pelo passado.
O que foi mostrado até agora é bem bom, não fosse o recurso fácil de colocar a fofoqueira da cidade para ficar explicando as relações entre os personagens. É quase como chamar a gente de imbecil. Mas é só.
O texto mantém mistério e oferece bons momentos para atores consagrados e novos rostos, garimpados da cena teatral mineira. Isso é sempre louvável, nessa massacrante máquina de repetição, que parece ter apenas Gagliassos, Dieckmans, Anthonys da vida. Selton Mello é sempre um presente. Justamente por quase raramente aparecer na telinha, quando o faz, coloca paixão e alma a trabalho do personagem, presenteando o público com peculiar interpretação. Nívea Maria e Ary Fontoura também são destaque.
Ao lado de A Vida Alheia, A Cura já cravou lugar nas boas atrações de 2010. Pena que o horário eleitoral coloque a série num horário excessivamente tarde. Nem tudo pode ser perfeito, né? |
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A arrogância que esconde a sordidez 30/08/2010
Na semana passada, uma notícia exibida pela RPC me chamou a atenção pela enésima vez. Veja o vídeo;
O ex- diretor geral da Assembleia Legislativa parece estar a caminho de um acampamento. Pega um copo de água, toma, joga o copo no chão e sai lépido e fagueiro como uma pessoa comum. Como alguém que nada deve à sociedade.
O ex-goleiro Bruno, acusado pela morte da amante, também exibe o mesmo comportamento quando está diante das câmeras. Embora por caminhos diferentes, Bruno e Abib têm algo em comum: ficaram ricos, muito ricos.
E talvez, por conta do dinheiro que possuem, sintam-se superiores a nós todos, pobres mortais. Talvez também, por conta da tão propalada impunidade que assola todos os níveis de relações neste país, acreditam piamente que passarão incólumes e inimputáveis diante dos crimes de que são acusados. Por isso a soberba, por isso a arrogância. Será que um dia isso tudo vai acabar? |
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O mundo não vai acabar nunca 29/08/2010
Ontem tive o prazer de ver um filme nacional que não falava da pobreza do nordeste nem da miséria das favelas. Antes que o mundo acabe, de Ana Luiza Azevedo, conta as angústias e dificuldades de Daniel, um adolescente de 15 anos que mora na pacata São Pedro do Sul, cidade a pouco mais de 300 quilômetros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Mas o que se passou naquela cidade, talvez seja o mesmo conflito dos adolescentes que moram em Rolândia, Assaí, Cornélio Procópio. Daniel ouve a pretensa namorada pedir um tempo para dar uns beijos no melhor amigo, que se envolve numa enrascada e acaba suspenso do colégio, e ainda recebe uma carta do verdadeiro pai, que o abandonou com a mãe para fotografar o que achava importante, antes que o mundo acabasse.
A diretora consegue mostrar esse universo de maneira sensível, nada invasivo e conta com um elenco muito bem entrosado e entregue à película. É aquele tipo de filme que faz a gente desejar viver por muitos e muitos anos.
E esse viver é um eterno e agradável rememorar. Em 1985, por exemplo, assim como na história de Daniel, eu e o Juliano, amigo do jardim da infância, saímos de Rolândia para ver De Volta para o Futuro, que era exibido no Cine Vila Rica. No Cine Londrina, passava Conan, o Bárbaro, com Arnold Schwarzenegger. Qual não foi o nosso susto quando, começou a passar no Vila Rica, o filme do brutamontes e não a ficção científica. Tentamos sair da sala, por achar que estávamos no lugar errado, mas a funcionária nos explicou que se tratava apenas de um trailler e que, na sequência, começaria o filme que desejávamos ver. É que no cinema em Rolândia, nunca passava trailler. Para nós, foi uma grande descoberta.
Por lembranças como esta que gostei tanto de Antes que o Mundo Acabe. Porque houve um tempo em que as preocupações eram estudar pra prova, passar em frente da casa onde morava a garota mais bonita da escola, ficar irritado por ter que empurrar a bicicleta com o pneu furado.
Como a vida de adulto tem angústias bem mais profundas, é muito encantador reviver a emoção de achar que nada mais valeria a pena porque a paixão de toda a sua vida, agora está olhando diferente pro seu melhor amigo. O tempo passa, as paixões mudam. Só fica a vontade de continuar aproveitando mais e mais cada dia que a vida nos oferece.
PS: Com este post, o blog passará abrigar também outros escritos que não versem apenas sobre televisão. Espero que gostem. |
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"Araguaia" ampliará relação TV x internet 28/08/2010
A internet está mesmo modificando as relações. Quando se trata de estratégia de marketing, é uma ferramenta muito poderosa. Todas as empresas e grandes veículos de comunicação já perceberam isso. A Globo, por exemplo, criou em Viver a Vida, o blog da Luciana, em que a personagem trocava informações com o público sobre as dificuldades dos cadeirantes.
Agora em Ti Ti Ti, Jacques Leclair também interage com o público. Passione tem vídeos específicos gravados para a internet. Na próxima novela das seis, além do site do folhetim de Walter Negrão, Araguaia, entrará no ar o www.vozesdoaraguaia.com.br. O site terá imagens e depoimentos de moradores da região. O interessante é que uma equipe própria fará o trabalho. Os atores da trama também vão gravar falas para a página. Mistura de ficção com realidade, da TV com a internet. O futuro é já. |
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Gugu não corresponde ao investimento da Record 27/08/2010
No próximo domingo, a Record exibirá o 52º Programa do Gugu. Há pouco mais de um ano, Augusto Liberato trocou o SBT pela nova casa, com um salário especulado de três milhões de reais por mês. Talvez tenha sido a maior transação da televisão brasileira.
Hoje, a sensação é de que não valeu a pena tanto investimento. Durante várias semanas, nos últimos 12 meses, ele foi derrotado por Silvio Santos, cuja produção do programa deve ter um terço do investimento de Gugu. A audiência média tem ficado na casa dos dez pontos, em São Paulo. É muito, muito pouco.
Se antes disputava o horário nobre, para evitar mais e mais derrotas, a emissora do Bispo colocou-o mais cedo. E o Domingo Espetacular, sim, tem feito boa frente ao Fantástico, que já há tempos patina na audiência.
Nunca fui fã do Gugu. Acho o programa decadente, sofrível e não tenho a mínima paciência com aquele "chove e não molha" em cima da desgraça alheia. Vergonhoso, pra dizer o mínimo. E depois do episódio dos falsos integrantes do PCC, sempre torci pra que o público desligasse a TV e fosse passear no parque. Não chegou a tanto, mas o telespectador parece dar sinais de mais e mais cansaço. Uma hora acaba, tenho fé. |
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Reprise de "Os Mutantes" bate recorde de audiência 27/08/2010
Sempre há surpresas quando o assunto é televisão. A improvável e inverossímil novela que Tiago Santiago escreveu para a Record em três sagas, conseguiu ontem, na reprise, cravar oito pontos de média em São Paulo. Além de excelente para o horário, a marca deixou a emissora do Bispo em segundo lugar no Ibope. Se por um lado, o folhetim inovou no quesito efeitos especiais em escala industrial, por outro, tem diálogos de fazer qualquer professora de jardim de infância corar. De vergonha alheia. |
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"A Vida Alheia" termina como melhor série do ano 25/08/2010
Vai ao ar amanhã, o último episódio da primeira temporada de A Vida Alheia. A jornada será encerrada com um assassinato e a criação de uma revista concorrente, cujo nome já antecipa o nível editorial: Na Sarjeta. Está tudo arranjado para uma continuação. Só resta saber se o elenco se manterá e se Miguel Falabella conseguirá conciliar a série com a novela das sete que sucederá o folhetim de Walcyr Carrasco, no segundo semestre de 2011.
Na minha modesta opinião, A Vida Alheia foi a melhor atração exibida até agora. O texto afiadíssimo e as situações que copiam a realidade são um prato cheio para mostrar as misérias e incongruências do desconforto que essa tal invasão de privacidade provoca. A impiedosa editora vivida por Cláudia Gimenez, que finalmente se livrou daqueles cacoetes óbvios de outros personagens, provará do próprio veneno ao ver-se encurralada pela tal imprensa de celebridades. Cinismo, oportunismo, mau caratismo e muitos outros ismos afora, caem como luva nestes tempos em que todos querem um lugar ao sol a qualquer custo. Sinceramente torço para sejamos brindados com uma nova leva de episódios no ano que vem. |
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Mateus Solano estará em nova novela das 19h 24/08/2010
Durou pouco o descanso do grande astro de Viver a Vida. Depois de uma grande disputa entre vários autores, Mateus Solano aceitou o convite de Walcyr Carrasco e protagonizará a próxima novela das sete, ao lado de Adriana Esteves, Marcos Pasquim e Flávia Alessandra, com quem fará par.
O folhetim falará de dinossauros, entre outros temas. Queridinho da Globo por conta das audiências que conquista, o autor deu um chega pra lá na atriz Rita Guedes, que plantou notícias na imprensa de que estaria na trama. O novelista não só desmentiu como avisou que a bela loira provavelmente nunca mais atuará numa obra dele. |
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Horário eleitoral derruba audiência na TV 23/08/2010
Por mais que os comitês eleitorais invistam verdadeiras fortunas nos programas de televisão, o público parece querer cada vez mais distância deste verdadeiro enfado. Em uma semana, o Ibope caiu 22%. Na semana anterior, todas as audiências somadas marcavam 45 pontos. Agora, este número é de 35%, no horário em que eles tentam nos convencer que foram os criadores de todas as coisas boas do universo.
Nos programas dos candidatos à presidência, ao governo estadual e ao senado, até que dá pra engolir um pouco. Mas quando entram em cena os partidos nanicos e os candidatos a deputados, que vergonha alheia. Tudo bem que nem todos têm grana pra grandes produções. Mas colocar o candidato numa parede chapada com fundo vermelho ou preto, até aluno em primeira aula de vídeo sabe que não funciona. Só de mudar a direção da luz e a forma como a pessoa se posiciona diante da câmera, muda muita coisa. E pra melhor. Mas parece que isso é preocupação de blogueiro ranzinza, né? |
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| Edenilson Almeida |
Apaixonado por televisão, Edenilson de Almeida fez jornalismo na Universidade Estadual de Londrina já pensando em trabalhar no veículo. Passou pela TV Cidade (SBT), TV Coroados e TV Paranaense (Globo), TV MIX e TV Sinal, em Curitiba. É mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e, como professor universitário, lecionou disciplinas relacionadas à televisão. Neste espaço, une o útil ao agradável: assiste e escreve sobre o principal veículo de comunicação de massa brasileiro.

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