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Tchau aos populares?

Novo posicionamento da Renault no Brasil foca em modelos maiores

Eduardo Sodré/Folhapress
12 nov 2021 às 08:53
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Carros populares serão coisa do passado na Renault. O presidente global da montadora, Luca de Meo, anunciou nesta quinta (11) o novo posicionamento da marca no Brasil. As novidades farão parte de um ciclo de investimentos que deverá ter início em 2022.

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"Temos mudado muitas coisas, tomamos decisões muito duras, mas já vemos uma luz no fim do túnel, o pior ficou para trás. Nossas operações no Brasil estavam em uma condição muito complicada", disse o executivo nesta quinta (11), durante visita à fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR).

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"Como podemos voltar a crescer, vamos tentar posicionar a Renault em outro patamar de mercado. Não que iremos nos transformar em uma marca de nicho, mas teremos que focar em produtos de mais alto nível."


A nova estratégia significa a aposentadoria dos modelos Logan e Sandero, que devem ficar em linha "por mais um par de anos", de acordo com o presidente da montadora francesa. Esse caminho vem sendo percorrido por outras marcas no país, em uma troca de volume por rentabilidade.


A decisão da Renault inclui o lançamento de veículos "emissão zero". Luca de Meo confirmou a chegada do Kwid elétrico ao país em 2022 e prometeu que, possivelmente, esse será o carro mais em conta da categoria. Essa posição é ocupada hoje pelo JAC e-JS1, que custa R$ 150 mil.

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O presidente da montadora francesa afirmou que a nova estratégia vai integrar diferentes mercados por meio de produtos globais. "Não haverá países de primeira e de segunda divisão."


Espera-se, portanto, que modelos de porte médio retornem ao Brasil, como a linha Mégane. Haverá ainda um bom número de utilitários esportivos, que devem chegar em opções híbridas e elétricas.


Luca de Meo, contudo, não quis revelar quais valores serão investidos no país para o lançamento de novos carros. O executivo garantiu que haverá muito conteúdo local, o que vai obrigar altos aportes na fábrica paranaense, que hoje emprega cerca de 6.000 funcionários.


Com a crise causada pela escassez de peças, em especial semicondutores, a Renault viu a produtividade despencar. Os resultados ruins levaram à abertura de um programa de demissão voluntária, que foi concluído em outubro com aproximadamente 500 desligamentos.


A marca registrou 94,5 mil emplacamentos entre janeiro e outubro no Brasil, uma queda de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2020.


Embora tenham uma aliança global, os planos da Renault são independentes dos apresentados pela Nissan. A cooperação entre as marcas envolve troca de ações, mas é diferente de megafusões como a que reuniu PSA Peugeot Citroën e FCA Fiat Chrysler sob o guarda-chuva do grupo Stellantis.


A Renault vendeu 599 mil veículos mundo afora no terceiro trimestre. O número representa uma queda de 22,3% na comparação com o mesmo período de 2020 e é explicado pela crise dos semicondutores.

Luca de Meo calcula que a empresa deixará de produzir 500 mil carros neste ano devido aos problemas de fornecimento de componentes.


Outras marcas


Já o faturamento caiu 13,4%, e a montadora explica que o resultado teria sido pior caso a empresa não tivesse apostado em produtos de maior rentabilidade. É essa estratégia que chega agora ao Brasil.

Além da marca francesa, outras montadoras têm anunciado investimentos com foco em produtos mais rentáveis.


Na sexta (5), a Volkswagen apresentou um novo ciclo no país, feito com capital local. Serão aplicados R$ 7 bilhões entre 2022 e 2026 no desenvolvimento de uma nova família de carros compactos.


O primeiro será o inédito Polo Track, uma versão mais em conta do hatch que é produzido em Taubaté (interior de São Paulo). O lançamento está previsto para a linha 2023, já com o visual renovado. Com a chegada dessa opção, o Gol atual sairá de linha.


A General Motors passa por um ciclo de R$ 10 bilhões em investimentos, que inclui o desenvolvimento da nova picape Montana, que irá concorrer com a Fiat Toro.


O aporte havia sido anunciado em 2019, mas foi interrompido devido à pandemia e retomada no início de 2021. Pela previsão da montadora, esse ciclo deve se estender até 2024.


Na próxima semana, a BMW irá revelar um novo aporte na fábrica de Araquari (SC), onde monta a maior parte dos carros que vende no Brasil.


Os investimentos confirmam o que a Anfavea (associação das montadoras) tem dito: carros populares devem ser esquecidos, farão parte do passado da indústria nacional.


"O Brasil de dez anos atrás não é o país que veremos daqui a dez anos, pelo menos é o que eu espero", disse Luca De Meo.

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O jornalista viajou a convite da Renault do Brasil

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