Bala na área

Caos olímpico

06 abr 2010 às 14:17

Tanta coisa boa acontecendo no esporte, como o certamente fantástico jogo de volta entre Barcelona e Arsenal pela Liga dos Campeões, daqui a pouco, mas não dá para ignorar o que acontece no Rio de Janeiro.

Beira o inacreditável imaginar que a cidade que passou a noite embaixo d´água tenha a miníma condição de abrigar os Jogos Olímpicos de 2016.


Basta ver a perplexidade e a impotência do arrogante governador, que há quase um mês iniciou uma campanha, que beira a chantagem, para exigir maiores recursos advindos dos royalties do pré-sal - inexistentes na época da candidatura aos Jogos.


Mergulhado, literalmente, no caos urbano, o Rio de Janeiro, que já acumulou vários fracassos - e alguns acertos - na organização do Pan 2007, não deveria sequer ter sido considerado como postulante real às Olimpíadas, e muito menos ter sido escolhido como sede.


Mas esta situação não é exclusiva da Cidade Maravilhosa. É só lembrar do que aconteceu em São Paulo entre janeiro e março para ver que também na maior metrópole nacional não há condições para organizar, com qualidade e competência minimamente parecidas com às do primeiro mundo, um evento deste porte. Algo que as falhas no projeto para a Copa do Mundo evidenciam.


E nem é preciso ir longe, basta dar uma volta pela Curitiba tão festejada e propagandeada como modelo de gestão - uma falácia que vem desde os anos 90 - para ver que o Brasil ainda está muito longe de possuir uma infraestrutura miníma para eventos grandiosos assim.


Além da corrupção, dos adiamentos e atrasos em licitações, projetos e execução de obras, da ocupação desordenada das cidades, pesam contra o país a falta de civilidade, a má-educação e a mania de querer levar vantagem em tudo.


Sem contar a falta de cultura esportiva, ou mais apropriadamente, a monocultura futebolística nacional, que não atrapalhará tanto a Copa, mas certamente manchará os Jogos Olímpicos.

Como já ocorreu nos Jogos Pan-Americanos, em que, capitaneado pelo ídolo do basquete Oscar, o público presente às competições de ginástica artística torciam por erros e quedas dos atletas de outras nacionalidades e vibravam quando a torcida funcionava. Fato vergonhoso que rendeu críticas pesadas das delegações que vieram ao Brasil para competir e aqui tiveram uma recepção digna de uma republiqueta de bananas.


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