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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
16/06/2019 - 10:31
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Lí recentemente uma matéria sobre o rigor nos uniformes de trabalho para as mulhares japonesas. A maioria das corporações exigem que as funcionárias trabalhem uniformizadas, e os homens obrigados a estarem diariamente de gravata e paletó em cores sóbrias, que dizer, azul marinho, marrom escuro ou cinza. Nada diferente disso.
Já as mulheres vestem os uniformes cedidos pelas empresas, que consiste basicamente em saia, camisa, paletó e um adorno no pescoço ou na lapela.
A coisa é tão homogênea que na hora de grande movimento nas estações de trens, quando uma massa de pessoas caminham ao mesmo tempo, tudo é tão igual que fica praticamente impossível distinguir quem é quem.
A matéria foi sobre uma campanha iniciada por uma jovem chamada Yumi Ishikawa, que pede a abolição da obrigatoriedade das mulheres usarem salto alto para trabalharem.
Começou com uma reclamação sobre o assunto nas redes sociais, e fez chegar a reinvindicação até o Ministro do Trabalho e Bem Estar Social do Japão.
O assunto chega num momento delicado onde os Japão tenta incentivar mais mulheres a trabalharem ou voltarem ao trabalho, construindo creches e dando um pouco mais de condições para aquelas que desejam seguir carreira.
O Japão é definitivamente um país para homens. Tudo foi feito para eles, das leis até os costumes culturais. Ainda hoje, em cerimônias, o homem deve andar um pouco a frente da mulher, numa posição que demonstra claramente a posição de cada um.
Em matéria de igualdade dos gêneros elaborada no Forum Econômico Mundial do ano passado, entre 149 países o Japão ocupa a posição 110, ficando atrás de países India e Gana.
Acredito que dentre os países industrializados, o Japão esteja em último lugar no quesito igualdade de gêneros. Mas a culpa não é só dos homens, das leis ou do sistema. Tem também o aspecto cultural, onde as tarefas entre homens e mulheres são bem divididas. Quer dizer, ao homem está designado o sustento do lar, e às mulheres o cuidado com a família e os afazeres domésticos. Além de toda essa nítida divisão, a grande maioria das jovens que trabalham, deixam o emprego quando casam e preferem abandonar suas carreiras para cuidar dos filhos. Uma situação difícil de resolver a médio prazo, pois mudar toda uma cultura leva tempo e requer muita paciência.
Apesar de todo esforço da jovem Ishikawa, tenho a impressão de que as coisas ainda levarão algum tempo para mudar, e precisarão da tão falada paciência oriental.

Uniformização das mulheres
19/05/2019 - 09:25
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Depois da definição de que as Olimpíadas serão realizadas no Japão, o país passou a incentivar a prática esportiva como nunca visto antes. O investimento está sendo maciço com a criação de ligas profissionais de vários esportes e no treinamento dos atletas que já carimbaram o lugar na delegação olímpica.
Apesar de todo esforço, o Japão ainda peca pela falta de uma "tradição esportiva" profissional e competitiva. O esporte por aqui é muito mais educativo do que competitivo, razão das escolas (colégios e universidades) serem o grande celeiro de futuros atletas, fornecendo mão de obra para as equipes profissionais de quase todas as modalidades.
O que não está acompanhando o progresso esportivo na mesma velocidade são os árbitros, seja de que esporte for. Os erros são grotescos em todos os níveis, dos campeonato estudantis até o profissional. Acredito que muitos nunca praticaram o esporte que apitam, pois pecam exageradamente na interpretação de lances como obstrução, vantagem, impedimento e outras ações que diferem um pouco do que dizem os livros de regras.
Na décima primeira rodada da J.League realizada neste sábado, aconteceu o que parecia impossível. No jogo entre o Mitsubishi Red Diamond e Hiratsuka Bellmare houve um erro gravíssimo, quando o árbitro não validou um gol do Bellmare. Depois do chute rasteiro a bola bateu na trave e foi para a rede. O atacante vibrou, o zagueiro ficou lamentando, enquanto o goleiro foi buscar a bola dentro do gol para recolocá-la no circulo central. O gol foi tão claro que nenhum jogador ou público teve dúvidas do ocorrido.
Acontece que o "dono do apito" mesmo vendo todas as reações dos atletas, não conseguiu interpretar que a bola havia entrado e mandou o jogo seguir. Nenhuma das equipes acreditou no que estava acontecendo, até que perceberam que a bola estava em jogo.
As reclamações foram muitas, mas o árbitro não voltou atrás e tão pouco reconheceu que havia errado.
Num país com mais tradição esportiva, um erro tão grave como esse seria punido com o afastamento temporário do árbitro, alegando a necessidade de uma reciclagem, mas aqui nada acontece, e os jogos e jogadores vão sendo prejudicados dia após dia.
Acho que não deve haver nada mais do que falta de experiência e competência, mas é sempre bom ficar de olho para ver até onde tudo isso pode chegar porque até o presidente do Comite Olímpico japonês foi afastado sob suspeita de corrupção.

Red Diamond e Bellmare
03/03/2019 - 08:13
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Ultimamente muito se tem falado sobre a entrada de trabalhadores estrangeiros nas indústrias japonesas. É que a partir de abril centenas de vietnamitas, chineses, filipinos, entre outros, começarão a chegar ao país.
Políticos e povo ainda não sabem como lidar com esse pessoal. Dentre as inúmeras consultas e discussões sobre o assunto, chegaram à conclusão de nada, ou seja, parece que os estrangeiros terão que se virar para se inserirem na cultura das indústrias e da sociedade japonesa. Os que são a favor dizem que esse pessoal irá suprir a falta de mão de obra e elevar a produção de muitas indústrias. Os dos contra dizem poderá haver problemas com tantos estrangeiros chegando sem que o país tenha estrutura para recebêl-los.
Tenho a impressão de que essa discussão irá longe, e pior, não chegando à lugar nenhum
Mas, se tem uma área que já deu os primeiros passos para a globalização aqui no país, essa área é o futebol. Desde a criação da J.League muitos foram os estrangeiros que vieram jogar no país, mas nada se compara a este ano. Somente nas dezoito equipes da primeira divisão, vieram atletas de 21 países. Os brasileiros dominam em quantidade com 42 jogadores, seguido da Coréia com 16 atletas.
Mais interessante do que a quantidade de futebolistas, é a diversidade de países de onde chegaram esse pessoal. Este ano vieram jogadores da Inglaterra, Bósnia, Tailândia, Sérvia, Polônia, Luxemburgo, Turquia, Uzbequistão, Espanha, Alemanha, Croácia, Colômbia, Estados Unidos, Moçambique, Holanda, Austrália, Nova Zelândia, Itália, Albania e Suécia, Brasil e Coréia. Nunca, nesses 25 anos da era profissional, houve tanta "miscigenação" dentro das equipes. Juntos vieram preparadores físicos, fisiologistas, assistentes técnicos e treinadores de goleiros, sem dizer que foram necessários intérpretes e infraestrutura para todo esse pessoal.
Interessante é que não houve discussão e nem consultas populares. O povo está gostando de ver e conviver com todo esse pessoal, o que resulta num futebol mais alegre e participativo. Nesses primeiros jogos a média de público aumentou, principalmente entre os jovens e crianças.
Lógicamente que a complexidade em aceitar ou não imigrantes para suprir a falta de mão de obra é centenas de vezes maior, mas observar o que ocorre no futebol pode ser um bom começo para entender que se o objetivo for comum, tudo poderá ficar mais fácil.

Globalização
20/01/2019 - 09:59
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No segundo domingo de janeiro (13) é comemorado o Dia da Maioridade. Os jovens japoneses que completam 20 anos passam a responder civilmente pelos seus atos. Eles podem casar sem autorização, fumar e consumir bebidas alcoólicas. Foram 1.25 milhões de jovens que passaram para a "vida adulta" e buscam seus lugares numa das sociedades mais competitivas do mundo.
As cerimônias são realizadas e organizadas pelas prefeituras, e o jovens comparecem em massa, mostrando todo o vigor e alegria típicas da idade.
Os homens comparecem básicamente de terno e gravata e as meninas vestem os tradicionais quimonos, acompanhados de penteados originais e belas plumas envolvendo o pescoço. A festa é realmente muito bonita.
Apesar de toda a alegria e esperança presente ao local, o governo japonês tem muito com o que se preocupar. Esse contingente de jovens representa menos de 1% da população que é de 125 milhões de pessoas. O número de nascimentos diminuiu pelo novo ano consecutivo, e dados oficiais mostram 948.396 mil crianças nascidas em 2018. O menor número desde 1979, quando a pesquisa teve início.
Em abril de 2022 a "lei da maioridade" irá mudar. Será reduzido para 18 anos, pois os governantes pretendem fazer campanhas especiais para a juventude, seja lá isso o que for. O consumo de bebidas alcoólicas e cigarros continuarão sendo legais somente a partir dos 20 anos.
No dia 17 (quinta-feira) teve uma cerimônia diferente. Foram lembrados os 24 anos do terremoto Hanshin-Awaji, na região de Kobe. O desastre aconteceu às 5:46min e magnetude 6.9. Esse evento acontece todos os anos como forma de alerta para os jovens sobre os possíveis terremotos que podem acontecer em qualquer parte do país.
Foram mais de 6.400 mortos, 250 mil casas destruidas e anos para restaurar a cidade. Os jovens que vivenciaram a tragédia e que participaram do Dia da Maioridade tinham apenas 4 anos anos quando tudo aconteceu. Muitos deles passaram anos de suas infâncias traumatizados com o acontecimento, sem dizer daqueles que tiveram que mudar de cidade para continuarem a vida.
Enfim um Feliz Ano Novo.

Seijin no hi


Terremoto em Kobe
01/01/2019 - 09:01
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Entro neste primeiro dia do ano atrás de recordações e reflexões. Volto no tempo e procuro lembrar dos amigos da infância, daqueles "malucos" que conviveram comigo e estão espalhados pela imensidão deste mundo. Das brincadeiras nas ruas após as aulas, os finais de samana com futebol em campinhos improvisados, da escola estadual com ensino de particular. Das professoras que nos botavam medo, das namoradas.
Ah! Quanta saudade de tudo o que se foi.
Já passaram várias décadas, mas não esqueço nem dos detalhes. Hoje, nesta entrada de ano, em minha sala, fico perguntado onde estarão meus amigos, amigas e amores? Penso que a vida é uma sequência de novidades, incertezas e mudanças, e precisamos estar preparados para viver tudo isso, da distância até a enorme saudade que brota dia após dia.
Em Kyoto, onde vivo atualmente, as coisas correm de maneira linear. Grandes problemas não existem, mas grandes alegrias também não. Por vezes, sinto falta de maiores emoções, daqueles que vivi com os amigos, e principalmente com os amores.
Neste frio de dois graus, na cinzenta segunda-feira do dia primeiro de janeiro de 2019, fico lembrando alguns detalhes e sozinho dou gargalhadas, algmas vezes fico sério. Por onde andarão os amores que tive na infância? O que estarão fazendo as meninas por quem um dia me apaixonei?
Formaram? Casaram? Onde moram? Tudo é incerto para mim depois desse tempo todo no Japão, que tão bem me recebeu, mas que não está em minha infância.
Penso e fico imaginando se tudo tivesse sido diferente? Como seria a vida se eu continuasse no Brasil? Resignado estaria? Revoltado estaria? Indiferente? Participativo?
Mesmo projetando algo que não mudará, faço esse exercício de sonhar com o passado, de me ver um pouco mais brasileiro, de me colocar na pele dos que ficaram.
O tempo não voltará, nada será como antes, e isso, muitas vezes mexe comigo. Arrependimento não é, mas o que será esse sentimento que entra ano, sai ano, sempre aparece em meu coração?
É pensando nisso tudo, que começo um Ano Novo, que como sempre é recheiado de esperanças. Os sonhos não terminam nunca, o sentimento de que tudo precisa ser melhorado continua forte, a certeza de que precisarei contribuir com o que tenho, que farei ainda melhor do que fiz até agora é a meta para hoje em diante.
Que eu tenha serenidde, saúde e bom senso para tocar os projetos em frente, sempre recordando e refletindo sobre tudo.
Feliz Ano Novo e saúde para todos que um dia cruzaram o meu caminho.


Como vai você?
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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