30/03/20
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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
30/03/2020 - 02:55
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Quando tudo parecia sob controle, veio o anúncio de que em Tokyo o número de contágios pelo coronavírus aumentou drásticamente.
Estamos em plena primavera e as flores das cerejeira começam a brotar nos parques do país. Nessa época, uma imensa multidão comemora os "sakuras” saindo para passear e fazer um pic-nic embaixo dessas árvores, que dizem, trazem sorte.
Mas como estamos vivendo esse terror com o coronavírus, a população consciente ficou em casa para evitar aglomerações. Mas o problema é que nem todos entendem a gravidade do momento e teimam em sair correndo riscos desnecessários.
No final de semana a TV mostrou uma reportagem onde centenas de pessoas passeavam entre as cerejeiras ignorando o pedido das autoridades para evitarem aglomerações. Depois disso, alguns parques foram até fechados para obrigar o pessoal a ficar em casa.
Foram 369 casos de contaminação somente no final de semana (28 e 29 de março), o que causou muita apreensão nas autoridades médicas.
Campanhas começaram a pipocar novamente para alertar a população, como foi feito no início da pandemia. Até o momento são 1894 pessoas infectadas, com 56 mortes, incluindo as 10 pessoas que faleceram no navio cruzeiro vindo a China que ficou ancorado em Yokohama.
Por estado, Tokyo teve até o momento 362 contaminações, seguido de Osaka com 191, Sapporo com 171, Aichi com 164 e Hyogo com 126 pessoas infectadas.
Em Kyoto, onde moro, foram 40 pessoas contaminadas, sendo que as províncias de Tokushima, Kagawa, Kagoshima e Saga só tiveram uma pessoa infectada.
As aulas foram suspensas no início de março, o que deve ter protegido as crianças. Cerimônias de encerramento e de admissão dos estudantes foram canceladas, inclusive nas universidades. Não tivemos também os Jogos Estudantis, e isso causou muita tristeza em alguns alunos, já que muitos deles perderam a última chance de representar sua instituição, o que segundo a cultura daqui é muito importante.
Algumas indústrias estão trabalhando em horários reduzidos ou com mais folgas semanais, tudo porque faltam peças para a produção. O comércio funciona normalmente, assim como as instituições públicas, os bancos e o setor de serviços.
Teve um momento que alguns saíram correndo para estocar certos produtos, mas o que sumiu das prateleiras foram apenas as máscaras, o que agrava as condições de quem tem polinose, que este anos está mais fraco. Mesmo assim, a alergia aos pólens tem trazido problemas para os mais sensíveis como nariz entupido e olhos coçando.
As competições profissionais estão programadas para recomeçar no final de abril, mas nada é certeza. Tenho a impressão de que essa pandemia veio para ensinar algumas coisas e mudar nossos conceitos sobre a vida.

Governadora de Tokyo
22/03/2020 - 09:46
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Coronavírus continua avançando e matando, e o mundo é só pessimismo. Como disse Chico Xavier... "tudo passa”. Acredito muito nessas palavras e vou seguindo com esperança de dias melhores.
Dentro de tantas coisas ruins acontecendo, darei uma nota de otimismo sobre alguns dados que recebi quando fui renovar minha carteira de motorista.
Lógico que tudo isso é completamente diferente do que ocorre numa pandemia, mas são dados que nos permitem sonhar com coisas boas para o futuro.
As carteiras de habilitação são renovadas a cada 3 anos se você tiver uma ou mais infrações, assistirá uma aula educacional por duas horas, e necessariamente precisará comparecer ao Departamento de Trânsito Central. Se não tiver nenhuma infração a renovação será a cada 5 anos, poderá ser feita na delegacia da sua cidade, e não haverá aula educacional, fazendo você economizar duas horas do seu precioso dia.
O que ouvi no Departamento de Trânsito me deixou impressionado.
Kyoto, estado onde moro, tem pouco mais de dois milhões e meio de habitantes e vive cheio de turistas o ano inteiro. São pessoas circulando noite e dia com a cabeça fresca, típicas de quem está de férias, além de abrigar algumas grandes empresas como a Kyocera, Ishida, Nintendo, Shimazu, Wacoal, entre outras.
Como todo esse movimento, houve no ano passado "apenas” 52 mortes por acidente de trânsito. Do total, 18 pessoas acima dos 70 anos, idade que muitas vezes dificulta a ação de uma solução mental rápida ou de reflexos apurados.
A segunda faixa etária com mais mortes foram as pessoas entre 20 e 30 anos, o que não deve ser surpresa em nenhum país do mundo. Interessante também é que do total, 23 pessoas foram atropeladas ou estavam de bicicleta, o que mostra que 29 pessoas faleceram diretamente nos choques entre os veículos.
O número de acidentes diminui ano após ano desde 2015, o que é uma grande vitória da tecnologia, das punições e do aumento da consicência da população.
Se essa mesma consciência se fizer presente nesse momento da pandemia, tenho certeza de que menos mortes ocorrerão, e mais rápido poderemos sair desse caos que vivemos atualmente. Afinal, tudo passa.

Simulação de um acidente
08/03/2020 - 07:04
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Curei dos machucados e voltei a escrever. Foram meses de dores e imobilidade parcial do dos pés e mãos. Um tombo feio com três fraturas na perna esquerda, joelhos, cotovelos e dedos ralados.
Nesse tempo ausente, muita coisa aconteceu. Tentarei fazer um breve resumo do que lembro desse periódo.
A primeira que lembro é sobre o aumento no imposto sobre o consumo de 8% para 10%, o que causou uma retração imediata no consumo de tudo. Aqui no Japão, não interessa o que você compre, o imposto é recolhido junto com o produto. Se comeu um lanche, paga o imposto. Se comprou um carro, paga também, e assim por diante.
Outra coisa que ficou marcado foi o início de uma nova era. A troca do imperador é que determinou esse início, que foi chamado de Reiwa, que pode ser traduzido como a chamada para a boa sorte, paz e harmonia. Esse período continuará até que o imperador atual passe o trono para outro. O perído anterior chamado de Heisei durou 30 anos.
Marcou presença também várias notícias sobre a violência contra crianças e mulheres. Esse aumento pode vir a reboque de uma mudança na postura da imprensa e dos delatores. Até pouco tempo eram raros as notícias sobre esse tema, parecendo até que não existiam. De repente, uma enxurrada de matérias sobre a violência contra crianças, e muitos pais indo para a cadeia. Já nos caso das mulheres, o grande vilão continuam sendo os homens doentes que acham que algumas mulhere lhes pertencem, e que o seu amor por elas não for correspondido, a morte ou o sofrimento é a solução. Aqui também existem muitos doidos enrustidos de gravata e paletó, formados e com bons empregos.
Depois vieram assuntos ligados aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio. A principal delas foi a mudança de local da maratona, que é uma espécie de modalidade nobre. Apesar dos jogos serem em Tóquio, a maratona será em Sapporo, no extremo norte do país. A razão para a mudança é o calor que faz na época dos jogos, e para preservar a integridade física dos atletas. Tudo muito louvável mas que poderia ter sido resolvido antes, afinal todos sabiam que no verão é calor. O problema é que toda infraestrutura para a maratona já estava pronta, inclusive aqueles chuveirinhos para refrescar os atletas durante a competição. O trajeto também já estava pronto, testado e documentado. Teve também a fuga do presidente da Renaut-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, que conseguiu driblar a polícia japonesa, indo de Shinkansen até Osaka, e partindo de avião rumo ao Líbano, onde está até hoje. Tenho a impressão de que foi a maior derrota da polícia nesses anos todos que estou aqui.
Agora veio o vírus que paralisou parciamente o país. Neste momento os jogos da liga profissional de futebol estão paralisadas. O beisebol e o sumô estão sendo jogados com os portões fechados. A final do vôlei e do basquete profissional masculino e feminino foram sem público. Praças, parques e castelos estão vazios, sem turistas de nenhum país. As escolas estão sem aulas, e várias formaturas foram canceladas deixando os alunos com o gosto amargo de desamparo. As solenidades que recebem os novos alunos também foram cancelados, e agora resta torcer para que encontrem uma vacina para esse mal, e que as flores das cerejeiras esperem por tudo isso antes de caírem.

A posse do novo imperador
16/06/2019 - 10:31
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Lí recentemente uma matéria sobre o rigor nos uniformes de trabalho para as mulhares japonesas. A maioria das corporações exigem que as funcionárias trabalhem uniformizadas, e os homens obrigados a estarem diariamente de gravata e paletó em cores sóbrias, que dizer, azul marinho, marrom escuro ou cinza. Nada diferente disso.
Já as mulheres vestem os uniformes cedidos pelas empresas, que consiste basicamente em saia, camisa, paletó e um adorno no pescoço ou na lapela.
A coisa é tão homogênea que na hora de grande movimento nas estações de trens, quando uma massa de pessoas caminham ao mesmo tempo, tudo é tão igual que fica praticamente impossível distinguir quem é quem.
A matéria foi sobre uma campanha iniciada por uma jovem chamada Yumi Ishikawa, que pede a abolição da obrigatoriedade das mulheres usarem salto alto para trabalharem.
Começou com uma reclamação sobre o assunto nas redes sociais, e fez chegar a reinvindicação até o Ministro do Trabalho e Bem Estar Social do Japão.
O assunto chega num momento delicado onde os Japão tenta incentivar mais mulheres a trabalharem ou voltarem ao trabalho, construindo creches e dando um pouco mais de condições para aquelas que desejam seguir carreira.
O Japão é definitivamente um país para homens. Tudo foi feito para eles, das leis até os costumes culturais. Ainda hoje, em cerimônias, o homem deve andar um pouco a frente da mulher, numa posição que demonstra claramente a posição de cada um.
Em matéria de igualdade dos gêneros elaborada no Forum Econômico Mundial do ano passado, entre 149 países o Japão ocupa a posição 110, ficando atrás de países India e Gana.
Acredito que dentre os países industrializados, o Japão esteja em último lugar no quesito igualdade de gêneros. Mas a culpa não é só dos homens, das leis ou do sistema. Tem também o aspecto cultural, onde as tarefas entre homens e mulheres são bem divididas. Quer dizer, ao homem está designado o sustento do lar, e às mulheres o cuidado com a família e os afazeres domésticos. Além de toda essa nítida divisão, a grande maioria das jovens que trabalham, deixam o emprego quando casam e preferem abandonar suas carreiras para cuidar dos filhos. Uma situação difícil de resolver a médio prazo, pois mudar toda uma cultura leva tempo e requer muita paciência.
Apesar de todo esforço da jovem Ishikawa, tenho a impressão de que as coisas ainda levarão algum tempo para mudar, e precisarão da tão falada paciência oriental.

Uniformização das mulheres
19/05/2019 - 09:25
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Depois da definição de que as Olimpíadas serão realizadas no Japão, o país passou a incentivar a prática esportiva como nunca visto antes. O investimento está sendo maciço com a criação de ligas profissionais de vários esportes e no treinamento dos atletas que já carimbaram o lugar na delegação olímpica.
Apesar de todo esforço, o Japão ainda peca pela falta de uma "tradição esportiva" profissional e competitiva. O esporte por aqui é muito mais educativo do que competitivo, razão das escolas (colégios e universidades) serem o grande celeiro de futuros atletas, fornecendo mão de obra para as equipes profissionais de quase todas as modalidades.
O que não está acompanhando o progresso esportivo na mesma velocidade são os árbitros, seja de que esporte for. Os erros são grotescos em todos os níveis, dos campeonato estudantis até o profissional. Acredito que muitos nunca praticaram o esporte que apitam, pois pecam exageradamente na interpretação de lances como obstrução, vantagem, impedimento e outras ações que diferem um pouco do que dizem os livros de regras.
Na décima primeira rodada da J.League realizada neste sábado, aconteceu o que parecia impossível. No jogo entre o Mitsubishi Red Diamond e Hiratsuka Bellmare houve um erro gravíssimo, quando o árbitro não validou um gol do Bellmare. Depois do chute rasteiro a bola bateu na trave e foi para a rede. O atacante vibrou, o zagueiro ficou lamentando, enquanto o goleiro foi buscar a bola dentro do gol para recolocá-la no circulo central. O gol foi tão claro que nenhum jogador ou público teve dúvidas do ocorrido.
Acontece que o "dono do apito" mesmo vendo todas as reações dos atletas, não conseguiu interpretar que a bola havia entrado e mandou o jogo seguir. Nenhuma das equipes acreditou no que estava acontecendo, até que perceberam que a bola estava em jogo.
As reclamações foram muitas, mas o árbitro não voltou atrás e tão pouco reconheceu que havia errado.
Num país com mais tradição esportiva, um erro tão grave como esse seria punido com o afastamento temporário do árbitro, alegando a necessidade de uma reciclagem, mas aqui nada acontece, e os jogos e jogadores vão sendo prejudicados dia após dia.
Acho que não deve haver nada mais do que falta de experiência e competência, mas é sempre bom ficar de olho para ver até onde tudo isso pode chegar porque até o presidente do Comite Olímpico japonês foi afastado sob suspeita de corrupção.

Red Diamond e Bellmare
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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