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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
17/05/2020 - 09:38
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Ainda é cedo para dizer que tudo voltará como antes, mas já se enxerga um caminho para seguir.
Shizo Abe, o Primeiro Ministro, em cadeia nacional, fez um pronunciamento sobre a liberação parcial de 39 estados, ficando apenas 8 províncias em "estado de emergência”, que são: Tóquio, Kanagawa, Saitama, Chiba, Hokaido, Kyoto, Hyogo, Osaka. Se esses estados alcançarem algumas metas estabelecidas pelo governo, poderão ser parcialmente liberadas.
No sábado, 17, foi a primeira vez que a cidade de Osaka não teve nenhum contaminado, o que leva a crer que no dia 21, data da próxima avaliação, a cidade poderá ter uma parte do comércio liberado para a população.
Apesar do afrouxamento do "estado de emergência, todos precisarão cumprir algumas regras estabelecidas pelo Conselho Consultivo, que são: evitar aglomerações, manter as distâncias sociais, evitar viagens para outras provîncias, uso de máscaras em locais de coletivos (supermercados, bancos, etc.), higiene pessoal, entre outras regras.
As lojas funcionarão em horários mais curtos, e sempre com o cuidado de evitar aglomerações, controlando a entrada dos clientes. Restaurantes devem espaçar as mesas e cadeiras, e desinfetar frequentemente o ambiente. As escolas devem voltar gradativamente, e os alunos ficarão distribuidos de maneira a evitar contato muito próximos. Darão prioridade para os alunos do primeiro e último ano do ensino fundamental, enquanto os colegiais e outras séries ainda aguardarão mais um período para voltarem às aulas. Bares e clubes noturnos, apesar de liberados, devem ser evitados. Quem puder continuar trabalhando em "home office”, deve continuar a fazê-lo, e ainda criar um revezamento para o uso do transporte coletivo, evitando assim, picos de passageiros.
Respeitando todos esses cuidados básicos, as ações individuais passarão em prol do coletivo, evitando um contágio desenfreado que possa sobrecarregar o sistema de saúde.
Neste período a quantidade de testes com resultados rápidos aumentará para até 30 mil por mês, o que provavelmente dará uma idéia melhor do panorama da pandemia.
Apesar de liberado, deu para notar que muitos comerciantes preferiram continuar com suas lojas fechadas, e a população, de uma maneira geral evitam sair para lugares que não sejam essencias. Caso esse rítimo continue, e a consciência do pessoal continue alta, tenho certeza que até o final de junho os campeonatos profissionais de esportes estarão liberadas.
Até o momento, o Japão teve 17,022 contaminados e 761 mortos, sendo que Tóquio lidera com 5,050 contaminados, seguido de Osaka com 1,770 pessoas contaminadas.
Apesar de certo otimismo, especialistas alertam para uma possível volta do vírus, como aconteceu na China, Coréia e em alguns países europeus.
Portanto, todo cuidado é pouco para conseguirmos sair dessa situação.

Dados informativos de Tóquio

06/05/2020 - 05:38
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O primeiro ministro Abe veio à público e avisou que o estado de emergência será prorrogado até o dia 31 de maio. Isso quer dizer que seguiremos com várias restrições até o final do mês, mas com uma luz ao final do período.
A quantidade de infectados está em declínio, o número de mortes segue dentro do previsto e alguns estados estão discutindo a abertura gradativa do comércio e de outras atividades.
Até o momento são 16.065 infectados e 579 óbitos, um número assustador se compararmos com os dados de dois meses atrás, mas controlado nos momentos atuais.
Atualmente existem dezoitos estados sem nenhuma morte, seis com "apenas” uma pessoa e quatro estados com 4 pessoas mortas.
A cidade com maior número de contaminados e mortos é Tóquio com 4.712 contaminados e 150 mortes, seguido de Osaka com 1.686 contaminados e 56 mortos. Não por coincidência, as duas maiores cidades do Japão.
Kyoto, onde moro, teve 338 contaminados e 13 mortes, um número considerado absurdo pela autoridades sanitárias.
Kyoto é considerado a capital dos estudantes, concentrando um número considerável de escolas e universidades, onde uma em cada dez pessoas é estudante. Levando isso em conta, impressiona que não houve nenhuma morte entre jovens no país inteiro. Nenhuma criança até o nível colegial foi contaminada em todo o país, o que mostra muita disciplina por parte da maioria dos estudantes, e a participação dos pais.
Em virtude de muitos estados terem poucos contaminados e mortes, o ministro Abe e sua equipe farão uma reavaliação da situação para essas cidades no dia 15, para ver se as restrições fiquem mais brandas e a vida siga um pouco mais dentro da normalidade.
Até o final do mês, o governo quer diminuir a circulação de pessoas em até 80% por um período mais longo do que o atual, onde esse índice foi atingido somente por alguns dias, sendo que na maioria ficou oscilando entre 72% a 78%.
Vamos ver se o plano dará certo, para pelo menos, as crianças poderem brincar mais livremente aliviando o trabalho dos pais, que dizem estarem cansados por não estarem mais conseguindo controlar a energia da meninada.
É sempre bom adiantar que toda orientação dada pelo governo e especialistas não foram imposições, mas a maioria da população entendeu e aceitou cooperar com a situação.
A cidade de Osaka foi a primeira a divulgar condições para o relaxamento do isolamento, que são: 1- número de contaminações abaixo de dez pessoas. 2 – contágio abaixo de 4.5%. 3 – taxa e uso dos leitos dos hospitais abaixo de 60%.
Se essas três metas forem alcançadas, a cidade abrirá gradativamente seu comércio, alguns parques e restaurantes. As escolas, mesmo com a meta atingida só deverão começar em junho.
Se tudo der certo, outros estados seguirão na mesma linha, e a vida pode começar a normalizar, mesmo que gradativamente.

Ministro Abe adia a quarentena
21/04/2020 - 11:07
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Recentemente estive conversando com algumas pessoas no Brasil e eles me falaram sobre uso de máscaras durante a pandemia do Covid-19. Alguns não sabia nem da existência desse apetrecho, e outros nunca haviam usados, mas que agora todos sabiam da necesidade de se protegerem.
Disseram também que o uso de máscaras no Brasil ficou praticamente obrigatório, e que o pessoal "olha torto” para quem não estiver com a bôca e o nariz coberto por aquele pedaço de pano ou papel.
Aqui no Japão o uso de máscara é frequente em qualquer época do ano. Basta você estar com uma gripe ou resfriado que já utilizada a danada. Isso pode ser em crianças ou adultos, e em qualquer situação como no trabalho, na escola, nos meios de transportes e em locais com grande aglomeração.
A importância desse tipo de comportamento é ensinado na escola, portanto, as crianças se tornam adultos sabendo da necessidade e utilidades dessas máscaras.
O que senti de diferente na conversa foi, vamos dizer, uma diferença conceitual da utilização desse apetrecho.
Enquanto o brasileiro quer se proteger dos espirros e tosses dos possíveis contaminados, os japoneses usam as máscaras para não transmitirem a doença. Quer dizer, enquanto uns usam para não contamirem o próximo, outros utilizam como forma de não serem infectados. Essa diferença de conceito, tão simples, deve mudar muita coisa no cotidiano porque a consciência que o individuo carrega não é similar.
"Eu utilizo por respeito ao próximo, você para não ser infectado. Eu utilizo para não transmitir, você utiliza para se proteger. Eu utilizo para não prejudicar um grupo, você nem se lembra que existe um grupo”. Essa foi a rápida conversa que tive com os meus amigos brasileiros com conceitos diferentes.
Acredito que em quase todos os países ocidentais o uso de máscaras está sendo utilizado para não serem contaminados, enquanto no oriente (Japão, China, Coréia, Taiwan, Singapura, Hong Kong, etc) essa máscara serve, pelo menos conceitualmente, para não prejudicar o próximo.
E é por causa dessas sutilezas, que devem estar em vários lugares na cultura de uma nação, é que as coisas podem funcionar ou não.
Num primeiro momento, o primeiro ministro Abe designou sete cidades em estado de emergência, o que significa que os governadores passam a ter mais poderes protegidos por lei. Depois de alguns dias, designou o país inteiro, e solicitou que o comércio e várias instituições fiquem fechadas até dia 6 de maio. Foram prontamente atendidos sem a necessidade de nenhum "guerra” política. No dia seguinte, até multinacionais como o Mac’donalds e Starbuks fecharam as portas. Praticamente todos os restaurantes, karaokês, salões de jogos eletrônicos, entre tantos outros empreendimentos fecharam. Muitos restaurantes passaram a atender pedidos somente "take out”.
Isso tudo deu certo por causa daquela sutil diferença conceitual sobre as coisas que falei nos parágrados anteriores, onde não há necessidade de conflitos e nem de ordens rígidas.
A consciência do que é necessário fazer para não prejudicar o próximo, e consequentemente para o bem do país, está praticamente enraizada no povo japonês, que desde tenra idade já recebe orientações, até indiretamente, sobre o assunto.
As infecções e o números de óbtos estão aumentando conforme era esperado, os hospitais trabalham no limite, mas não teve nenhuma criança, adolescente, médico ou enfermeiro contaminado.
Acredito que o conceito nipônico da utilização da máscara comparado com o conceito da utilização dessa mesma máscara em alguns países ocidentais, reflete o comportamento da população em relação ao respeito ao próximo, à colaboração para o bem da comunidade.

Fábrica de máscaras
12/04/2020 - 06:43
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Conversando com amigos no Brasil, recebi uma reprimenda dizendo que o Japão estava brincando com o Coronavírus porque não teve uma "quarentena integral” como está acontecendo em alguns países europeus e no Brasil.
Por aqui tudo continuou praticamente igual. Eu disse praticamente.
As escolas estão fechadas desde o dia primeiro de março. Quando digo escola, temos o pré primário até a universidade. Todos os jogos esportivos estudantis e profissionais foram cancelados. Não teve nem esse negócio de jogar com os portões fechados. Nas escolas e universidades não teve solenidades de formaturas, nem cerimônias para recepção dos novos alunos.
Houve recomendações do governo para que o comercio fechasse mais cedo, e foram prontamente atendidos. Pediram também para que não visitassem parques em plena época dos sakurás, o que para os japoneses é estranho, pois é exatamente nesta época que muitas pessoas fazem pic-nics embaixo das árvores, pois diz a tradição que isso trás sorte.
Enfim, teve uma série de recomendações e todos foram cumpridos ao pé da letra. Mais recentemente, com o aumento das contaminações em grandes cidades, o primeiro ministro colocou 8 províncias (Tóquio, Osaka, Kanagawa, Chiba, Hyogo, Aichi, Saitama e Fukuoka) em estado de emergência. Foram solicitados que restaurantes, lojas, game center, lojas de conveniências, entre outras coisas, que fossem fechadas por no mínimo duas semanas. No dia seguinte não teve nenhum comércio funcionando. As multinacionais Mac’ donalds e Starbucks estão na lista de empresas que resolveram cooperar para tentar diminuir a contaminção.
Enfim, várias coisas mudaram, mas nada tão radical como proibir as pessoas de circularem. Tudo foi solicitado, mas nada foi imposto.
Em alguns lugares os grandes supermercados abaixaram as portas e deixaram o pequeno comerciante trabalhando porque entenderam que eles teriam mais dificuldades financeiras se parassem de venderem. Mesmo assim, as ruas estão praticamente desertas, e as aglomerações não existem mais.
Por isso, não entendi a reprimenda que levei dos amigos brasileiros. O que sei, é que eles disseram que na TV as coisas foram mostradas de maneira diferente.
Até o ontem (11/4) são 6920 pessoas contaminadas e 144 mortes, a maioria de pessoas idosas com problemas de saúde com diabetes, pressão alta ou enfisema pulmonar. Nenhuma criança ou jovem em idade escolar até o colégio foi contaminado ou morreu. Por enquanto apenas um homem na faixa dos 50 anos faleceu por estar fragilizado por outra doença. Enquanto que no meu Brasil e dos meus amigos, as mortes já chegam a 1.124 mortes e 20.727 contaminados segundo as últimas notícias. Pensando bem, a bronca quem tinha que dar era eu.

Cidade vazia
30/03/2020 - 02:55
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Quando tudo parecia sob controle, veio o anúncio de que em Tokyo o número de contágios pelo coronavírus aumentou drásticamente.
Estamos em plena primavera e as flores das cerejeira começam a brotar nos parques do país. Nessa época, uma imensa multidão comemora os "sakuras” saindo para passear e fazer um pic-nic embaixo dessas árvores, que dizem, trazem sorte.
Mas como estamos vivendo esse terror com o coronavírus, a população consciente ficou em casa para evitar aglomerações. Mas o problema é que nem todos entendem a gravidade do momento e teimam em sair correndo riscos desnecessários.
No final de semana a TV mostrou uma reportagem onde centenas de pessoas passeavam entre as cerejeiras ignorando o pedido das autoridades para evitarem aglomerações. Depois disso, alguns parques foram até fechados para obrigar o pessoal a ficar em casa.
Foram 369 casos de contaminação somente no final de semana (28 e 29 de março), o que causou muita apreensão nas autoridades médicas.
Campanhas começaram a pipocar novamente para alertar a população, como foi feito no início da pandemia. Até o momento são 1894 pessoas infectadas, com 56 mortes, incluindo as 10 pessoas que faleceram no navio cruzeiro vindo a China que ficou ancorado em Yokohama.
Por estado, Tokyo teve até o momento 362 contaminações, seguido de Osaka com 191, Sapporo com 171, Aichi com 164 e Hyogo com 126 pessoas infectadas.
Em Kyoto, onde moro, foram 40 pessoas contaminadas, sendo que as províncias de Tokushima, Kagawa, Kagoshima e Saga só tiveram uma pessoa infectada.
As aulas foram suspensas no início de março, o que deve ter protegido as crianças. Cerimônias de encerramento e de admissão dos estudantes foram canceladas, inclusive nas universidades. Não tivemos também os Jogos Estudantis, e isso causou muita tristeza em alguns alunos, já que muitos deles perderam a última chance de representar sua instituição, o que segundo a cultura daqui é muito importante.
Algumas indústrias estão trabalhando em horários reduzidos ou com mais folgas semanais, tudo porque faltam peças para a produção. O comércio funciona normalmente, assim como as instituições públicas, os bancos e o setor de serviços.
Teve um momento que alguns saíram correndo para estocar certos produtos, mas o que sumiu das prateleiras foram apenas as máscaras, o que agrava as condições de quem tem polinose, que este anos está mais fraco. Mesmo assim, a alergia aos pólens tem trazido problemas para os mais sensíveis como nariz entupido e olhos coçando.
As competições profissionais estão programadas para recomeçar no final de abril, mas nada é certeza. Tenho a impressão de que essa pandemia veio para ensinar algumas coisas e mudar nossos conceitos sobre a vida.

Governadora de Tokyo
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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