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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
17/07/2016 - 10:41
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Eu nunca entendi muito bem a vida dos brasileiros no Japão. Como eu, todos vieram com sonhos, mas poucos conseguiram alcançá-los. Interessante é que esses sonhos não eram tão inacessíveis, mesmo assim a grande maioria ficou para trás.
Trabalhando em fábricas como operários, não é muito difícil conseguir alguns bens materiais. A primeira "grande compra" é sempre um carro, seguido por componentes eletrônicos. Muitos possuem dois celulares e televisores de ultima geração.
Outra coisa que os conterrâneos gostam muito de fazer é um churrasquinho ou festinha para comemorar qualquer coisa. Tudo isso lembra o Brasil, não é mesmo?
O problema é que estamos no Japão e a realidade é diferente. Logicamente nada contra carros ou churrascos. Acredito que são valores que trazemos na vida.
O brasileiro não está subindo na pirâmide social japonesa. Continuam como operários, e parecem satisfeitos com isso. Não enxergam novos horizontes, não conseguem aproveitar as oportunidades que aparecem. Não ficam preprados para melhorar de vida.
A grande maioria está acomodada com o estilo atual, e quase ninguém se preocupa em estudar ou aprimorar seus conhecimentos.
Os filhos adolescentes abandonam a escola com muita facilidade para sujarem as mãos de graxa, as filhas ficam grávidas sem estarem preparadas para enfrentarem o mundo como mães. Sem estudo, ganhando por hora, caem no circulo vicioso de continuarem a serem operárias, gostarem de festinhas e comemorações e não ascenderem socialmente.
A pergunta que fica é: por que o brasileiro não melhora sua condição profissional no Japão? A resposta é simples. Porque não estudam e possuem pouco interesse em adquirir novos conhecimentos. Até pelos valores operários dos pais, muitos filhos não pensam em cursar uma universidade, e se contentam em terminar o ensino médio para trabalhar no chão das fábricas. Eles são "informados" através das atitudes dos pais de que estudar é secundário, não necessário.
Logico que estudar requer disciplina, ainda mais num país onde a educação é tão levado a sério. Existe também o agravante das escolas japonesas não estarem preparadas para receberem alunos estrangeiros, das enormes barreiras culturais e da falta quase total de apoio aos "gaijins" no que se refere aos estudos de uma maneira geral. Os cursos paralelos como linguas ou informática são caríssimos, e não garantem trabalhos bem remunerados. Então, o mais fácil, é seguir a vida nas fábricas, já que é onde mais falta mão de obra.
Mesmo sabendo de todas essas barreiras, não me entra na cabeça a razão dos brasileiros dekasseguis, darem pouco valor para os estudos.
Já estamos chegando ao final da segunda geração de brasileiros no Japão. Esses meninos o meninas estudaram aqui, poderiam concorrer praticamente de igual para igual num vestibular. Poderiam cursar matérias que pudessem colocá-los num patamar diferente dos seus pais, que não tiveram muitas escolhas profissionais, já que não dominavam a língua e não sabiam nem ler e nem escrever os kanjis que aparececiam pela vida.
Acho que está na hora desses valores mudarem. Da geração mais jovem subirem o degrau acima, de deixarem para trás apenas o trabalho braçal, que não requer criatividade e quase nenhuma inteligência.
Será que os valores tupiniquins estão errados? Será que festinhas e churrasquinhos valem mais do que dar duro em cima dos livors?
É uma questão que deveria ser debatida com seriedade dentro da comunidade brasileira, que já completou mais de duas décadas e poderia mostrar coisas muito melhores do capoeira, samba, coxinhas e pastéis.

Cultura japonesa
10/07/2016 - 11:10
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Ultimamente tenho visto muitos noticiários relatando casos de crimes contra adolescentes. A maioria desses crimes são contra meninas do colégio.
O sistema escolar do Japão é dividido em primário com seis anos de duração, o ginásio com 3 anos e colégio com mais 3 anos, dando um total de 12 anos antes de tentar o vestibular para a faculdade. Acontece que os primeiros seis anos, quando a criança é somente uma criança, tudo é levado na "brincadeira" e a interação entre os meninos e meninas acontece normalmente. No ginásio, já começa existir uma separação entre os sexos. O clube dos bolinhas e e das luluzinhas fica mais evidente. Olhares e comentários começam a acontecer.
No colégio, os alunos já maiorzinhos, passam a ter muitas dificuldades de interagirem com o sexo oposto, e a separação entre os gêneros fica bem evidente.
O problema é que nessa idade esses jovens passam a viver um mundo à parte. Um mundo onde o adolescente quer agredir, só para mostrar que são diferentes, que não aceitam o sistema do jeito que é.
A separação brusca de interação entre meninos e meninas, que acontece já no ginásio, parece criar uma barreira que não permite uma convivência harmoniosa quando esses jovens vão crescendo.
Os meninos não sabem como se aproximar de uma menina, as meninas também não sabem como agir com os garotos. Aí fica aquele negócio que acontece entre os animais, onde o macho abre suas plumas para mostrar sua beleza, e as fêmeas começam a se interessar pelo mais forte. O problema desse relacionamento é que não existe amizade, emoção, cumplicidade. É só um atrativo visual ou físico.
Esse comportamento vai sendo levado para a fase adulta, e em algum momento, deve criar uma frustração. Talvez no momento em que se descobre a superficialidade disso tudo, uma coisa de não conhecer o outro por dentro, saber dos seus valores, sonhos e intensões. A descoberta da sensação de não ser importante, de estar em segundo plano, de não ser adimirado, é que deve levar aos desajustes que tenho visto com tanta frequência. O "recalque" que vai sendo criado pela pouca importância das relações deve mexer com o emocional, e aí para uma agressão é somente um passo.
O clube dos bolinhas e das luluzinhas continuam vento em popa, e a falta de harmonia num relacionamento que pode ser somente de amizade, entre um menino e uma menina não acontece de maneira natural.
Resumindo, a distância que separa um homem de uma mulher por aqui é grande, tem um pouco de cultural, educacional e teimosia.
Eu sempre coloco um vídeo para "ornamentar" o que escrevo, mas dessa vez não encontrei um que ficasse de acordo, por isso, postei um vídeo do clube das luluzinhas, que foi o que entrei, mas acho que dará um noção do que tento dizer.
No mais, gostaria que as coisas mudassem, que a convivência entre esses jovens fossem saudáveis, com afeto, admiração e simplicidade. Que trocassem olhares, sorrisos e conversas sobre a vida. Por enquanto ainda não deu, mas vai mudar.

Luluzinhas exibidas

29/06/2016 - 09:31
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São sete anos sem nenhum título, mas os jogadores do clube que mais venceu na era profissional do futebol japonês podem comemorar. Este ano foram campeões da primeira fase, e agora podem descansam algumas semanas para recuperar as energias.
O Kashima Antlers é a única equipe profissional entre os 18 da primeira divisão que só trabalhou com brasileiros desde a sua fundação, tanto no campo como na comissão técnica. Por lá já passaram atletas tupiniquins consagrados como Zico, Bebeto, Mozer, Alcindo, Bismarck, entre outros. Treinando a equipe foram: Paulo Autuori, Toninho Cerezzo, João Carlos, e Oswaldo de Oliveira.
Mas quem possui mais moral pelos lados de Ibaraki é Zico. Contratado quando o time ainda era amador, foi ele que construi toda estrutura da equipe, elaborando treinos e montando uma comissão técnica profissional, com médicos, massagistas, fisioterapeutas, roupeiro, etc. Até hoje, durante os jogos, algumas bandeiras com o rosto do Zico estampado tremulam nas arquibancadas.
Para quem não sabe, Kashima é o nome da cidade e Antlers foi o nome escolhido para a equipe. Por tradição ou imposição (não sei ao certo), todas as equipes do país têm o nome da cidade e o do time.
Assim o time da Mitsubishi fica Red Diamond Urawa, a Panasonic tem o Gamba Osaka, a Nissan fica Yokohama Marinos, a Mazda se transforma no Sanfrecce Hiroshima e assim por diante.
O Kashima venceu a primeira fase por apenas um ponto sobre o Kawasaki Frontale. Embalou no momento certo, não perdeu seus últimos jogos e conseguiu recuperar posições importantes até chegar ao título.
Em último lugar ficou o Avispa Fukuoka, que venceu apenas dois jogos este ano e é sério candidato para disputar a segunda divisão o ano que vem.
Ainda faltam a segunda fase inteira e algumas coisas irão mudar. Um delas é a melhora das equipes de baixo da tabela, que até o momento são compostos por Ventforet Kofu, Hiratsuka Bellmare, Niigata Albirex, além do Fukuoka.
Gamba Osaka e Hiroshima Sanfrecce devem subir de produção na segunda fase e lutar pelo título.

Melhores momentos entre Kashima e Fukuoka
12/06/2016 - 09:04
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O Kashima Antlers venceu muito bem o Red Diamond e passou a ocupar a segunda colocação atrás do Kawasaki Frontale, que possui um ponto a mais. Faltam duas rodadas e o titulo da primeira fase ainda está em aberto.
Caio, jogador do Kashima, foi o que sofreu discriminação. A mensagem postada por um torcedor do Diamond dizia: "morra homem negro", já que o atacante possui a pele morena.
Não é a primeira vez que os torcedores do time postam mensagens racistas. Patrick, centro avante do Panasonic Gamba, também foi ofendido e o Red tiveram que jogar uma partida com os portões fechados.
O Japão não é o único país onde existe racismo, mas deve ser o único entre os desenvolvidos que não possui uma lei contra esse tipo de atitude.
Mesmo que descubram o autor da discriminação, não há lei que possa puní-lo. Ele receberá um sermão e irá para casa beber uma cerveja e pensar no próximo ato xenófobo.
Algum representante da equipe aparecerá dizendo que tudo isso foi uma atitude isolada, e que não é o pensamento da equipe, e tudo ficará como sempre foi.
Corre no Parlamento um projeto de lei contra a discriminação, com ênfase em discursos agressivos e xenófobos. Esse projeto foi sendo alterado e chegou a ficar ridículo em algmas partes.
Uma delas é que a lei só vale para os que possuírem visto de permanência, ou seja, estejam em situação legal no país.
Se você não estiver legal ou se os seus documentos estiverm em análise no Departamento de Imigração, foi pode ser discriminado e nada acontecerá.
As lojas poderão colocar avisos não permitindo a entrada de estrangeiros, e isso também, será brando e poderá não ser considerado um ato discriminatório. Vai depender muito das explicações que o estabelecimento der.
Uma lei pela metade, que diz que é feio ser racista, mas não pune ninguém quem não consegue conviver com outras raças.
Interessante é que são os estrangeiros que dão "tempero" ao futebol japonês. Por aqui já passaram grandes atletas "gaijins", e muitos ajudaram suas respectivas equipes a ganharem campeonatos ou serem mais respeitados.
Por aqui já passaram: Zico, Muller, Careca, Edilson, Cesar Sampaio, Dunga, Valber, Ronaldão, Bismarck, Mozer, Bebeto, Alcindo, Edu Marangon, Edu Manga, Pereira, Bentinho, Betinho, entre outros. Um festival de estrangeiros para atrair público e elevar o nível técnico da competição.

Caio - gols
29/05/2016 - 06:57
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Esporte no Japão é uma coisa conflituosa. Existem muitos aficcionados, atletas e pessoas envolvidas. As grandes corporações possuem equipes competitivas de várias modalidades, e são os atletas dessas empresas que compõe a seleção nacional.
É uma mistura de profissional responsável com amadorismo puro. Nas categorias de base não é necessário ter formação específica em esportes. Qualquer pessoa bem relacionada com os "donos" das equipes podem virar treinador, preparador físico ou algum outro membro da Comissão Técnica.
Isso significa que um treinador de basquete, em tese, pode não saber muito do esporte que está ensinando, ou um professor de natação não saber nadar.
No futebol é comum o treinador não ter tido nenhum contato com a bola, até o momento que consegue uma colocação. Outros são voluntários na inúmeras escolinhas espalhadas pelo país. Muitos desses voluntários só querem sentir o clima diferente de um ambiente esportivo, ou possuem tempo de sobra nos finais de semana.
Eu não estou insinuando que isso é assim. Estou afirmando que é como funciona e esporte aqui no país.
Por isso, quando surge um atleta que se destaca, é necessário uma comemoração.
Recentemente o Leicester foi campeão da Premier League. Uma coisa espetacular levando em conta o poderio técnico e econômicos dos concorrentes.
Na equipe campeã depois de mais de um século, está o atacante Shinji Okazaki, que ninguém nunca ouviu falar, e que poucos viram jogar.
É um daqueles atacantes chatos, que não para de correr, que não desiste das jogadas. Não tem muita qualidade técnica, mas compensa essa lacuna com uma disposição fora do comum.
Jogando para o time, é que conseguiu um lugar entre os titulares. Fez poucos gols, é verdade, mas todos na equipe sabem da importância desse centro avante "grudento", imprevisível.
A imprevisibilidade é tanta, que os adversários ficam atrapalhados na hora de marcá-lo, e às vezes, o atleta consegue um gol nos moldes de Pelé.
Shinji Okazaki está servindo de exemplo para os jovens que vislumbram vencer no esporte, seja de que modalidade for. Sua vontade de ganhar os jogos, a persistência e humildade em reconhcer suas limitações, fizeram desse atleta o primeiro japonês a vencer uma Premier League, e ser reconhecido mundialmente pela sua utilidade na equipe.
A falta de grandes ídolos esportivos é um grande problema por esses lados. Sem nenhuma referência, as crianças ficam sem o "espelho" e perdem a motivação.
Agora, mesmo aquele menino com poucos recursos técnicos, pode ter a esperança de se tornar um atleta profissional consagrado.
E voces sabem, ter esperanças é fundamental para seguir em frente.

Melhores momentos de Okazaki
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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