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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
08/05/2016 - 05:43
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Esta semana tivemos duas datas comemorativas muito importantes, e que deveriam ser festejadas com muita alegria e amor.
O dia 5 de maio é o dia dos meninos, e aqui no Japão, reza a tradição, hastear carpas em forma de bandeiras é uma forma de comemorar a data. São carpas estilizadas, leves e bem coloridas que ficam balançando ao vento. Casas onde as familias possuem meninos, hasteam os peixinhos para celebrar.
As carpas são o símbolo da força, resistência e perseverança. Elas conseguem viver em águas poluídas, com pouco oxigênio, nadam contra a correnteza e resistem às altas ou baixas temperaturas. Parece que não desistem facilmente da vida.
Já neste dia 8 de maio está sendo comemorado o dia das mães. Aí a festa é maior porque o simbolismo que representa uma mãe é forte e indescritível. Parece que nessa data, aqueles que podem, oferecem um almoço mais reforçado para as mães. Normalmente com os pratos preferidos dela. É uma data onde os filhos se reúnem, o que deve ser uma grande alegria para quem viu os pimpolhos crescerem.
As duas datas são ótimas e devem ser comemoradas até tarde da noite.
Aqui no Japão, apesar das datas serem comemoradas, de maneira discreta, existe uma preocupação que atinge todo o país. É que o número de crianças vem diminuindo ano após ano, e se continuar desse jeito, dentro de algumas décadas, poderá haver um colapso social inimaginável.
Algumas cidades já não possuem nenhuma criança, e outras estão apenas esperando que os meninos cresçam para fecharem as escolas.
Como uma criança não nasce sem uma mãe, a preocupação tem tudo à ver.
O outro lado das coisas, é que o número de mães também está diminuindo porque várias mulheres em idade fértil decidiram não ter filhos. A opção é totalmente aceitável, mas está causando algum estrago por esses lados.
Tenho que reconhecer que ter filhos no Japão é difícil. A cultura não ajuda muito e as mulheres é que precisam arcar com quase tudo sozinhas. Aos homens cabe trazer os dividendos para o sustento da família. Participar das tarefas escolares, da vida familiar está fora de contexto. Aqui as coisas são bem definidas, e assim, uma mulher que tiver filhos é mãe em tempo integral, já o homem que se tornar pai, não precisa ser pai o dia inteiro. Razão de muitas mulheres optarem por não casarem, e a consequência é os filhos não virem.
Além da cultura e dos afazeres bem definidos, educar um filho por aqui é caríssimo, e não são poucos os que estão deixando a escola por não conseguirem bancar os custos. A sociedade valoriza muito os estudos e quem estuda, mas nem isso tem segurado os alunos nas escolas. Os cursos são todos particulares, e não existe subvenção governamental para nada. Quem quiser estudar matérias extracurriculares precisa por a mão no bolso. Música, idiomas, esportes, artes... tudo é bancado pelas famílias.
Particularmente, não vejo uma solução aceitável a curto prazo, porque as coisas demoram para acontecerem. Existem debates e reuniões com os politicos envolvidos na bancada da educação, mas até hoje, nada de prático foi resolvido.
O resultado é a baixa taxa de natalidade por anos seguidos e a falta de vontade de casar, constituir uma família e ter filhos.
Independente desses problemas todos, precisamos comemorar.
Aos meninos muita saúde, força e que encontrem seus caminhos e suas parceiras. Às mães, nosso muito obrigado, pelo certo e pelo errado, pelo carinhos e pelas broncas. Que elas estejam sempre por perto, de maneira física ou espiritual.
Que tenhamos todos a consciência de que tudo nessa vida é importante, e que o passado e o futuro existem.

Koinobori
01/05/2016 - 07:13
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Já faz algum tempo escândalos corporativos são notícias por aqui. Grandes empresas como a Toshiba, Toyo Tires, Mitsubishi, Sharp, entre outros, viveram ou vivem o vexame de terem que explicar falsificações contábeis ou alterações de dados importantes daquilo que produzem.
A mais recente foi a Mitsubishi Motors que adulterou dados relativos ao consumo dos seus carros de baixa cilindrada.
Conhecidos como "carros K", os veículos de baixa cilindradas são muitos vendidos por aqui. Os principais atrativos desses carros é a baixa manutenção, impostos baratos e a economia. São ideais para quem não necessita de um carro potente no cotidiano. A média por quilômetro rodado chega a mais ou menos em torno de 24 km/litro. Os carros são espaçosos, confortáveis e bem equipados tecnologicamente.
A Mitsubishi Motors produz o EK Wagon que foi considerado o carro do ano em 2005. O sucesso continua até os dias de hoje, pois foi remodelado ganhando ares "chiques" e com designe moderno. O grande problema é que a concorrência por veículos de baixa cilindrada é acirrada, e é sempre necessário mostrar algum diferencial para atrair clientes.
Daihatsu, Honda, Suzuki e Mazda são outras montadoras que competem com a Mitsubishi, e todas com carros similares na qualidade.
A empresa que tem como símbolo um diamante, alterou os dados para mostrar que o EK-Wagon era o mais econômico entre todos os seus concorrentes. Com um litro de gasolina poderia percorrer quase 30 quilômetros.
Esses dias, o presidente, acompanhado de dois assessores foram à TV pedir desculpas pela adulteração dos dados. Disse ainda que isso vinha acontecendo há vários anos, e que só foi descoberto agora.
Não sei se haverá quedas nas vendas ou arranhão na imagem da empresa. Interessante é que até o ano passado andava num carro da mesma marca e modelo.
Particularmente, não me senti enganado, porque nunca acreditei nos números apresentados, mas saber que o prejuízo poderia ser maior, me incomodou um pouco.
Aos poucos, a casa das grandes corporações vai caindo, vindo à tona noticiais pouco agradáveis ao consumidor. A imagem imaculada de ordem, organização, limpeza, qualidade e seriedade, vai oscilando, mostrando que os homens são iguais em qualquer parte do planeta.

Test drive com o EK Wagon
20/04/2016 - 09:11
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Mais um terremoto, e pronto... o tempo parou novamente.
Foi de madrugada, pouco antes das duas, quando a grande maioria ainda dormia.
Quem teve sorte e agilidade, teve tempo de sair correndo. No deslizamento da montanha, nada valeu porque a terra veio pesada. Nenhuma qualidade fisica seria suficiente para suportar tanto peso, tanta rapidez.
São mais de 47 mortes e um monte de desaparecidos. Cem mil pessoas alojadas provisóriamente em ginásios esportivos e outros espaços comunitários. Uma multidão de pessoas dividindo locais apertados, sem conseguirem descansar o suficiente, e agora, depois de uma semana, o cansaço e outros problemas fisicos e emocionais começam a vir à tona.
Uma mulher que por preferir "viver" dentro do próprio carro, teve uma trombose, e mesmo socorrida não suportou e veio a falecer. Quer dizer, se livrou de ser soterrada, mas morreu do mesmo jeito. Vida estranha essa.
Outra moradora teve a casa parcialmente destruída, voltou para buscar cobertores quando um novo abalo desintegrou a moradia.
A maioria das estradas está intransitável, pontes ruíram e um alojamento de universitários veio ao chão. Já encontraram dois jovens embaixo dos escombros, ambos na faixa dos vinte e poucos anos.
A prefeitura da cidade teve os dois últimos andarares completamente destruidos, mas o térreo não teve, sequer, um vidro quebrado. Teve uma familia que se livrou de ser engolido por uma enorme cratera que se abriu ao lado da casa onde moravam. Com o susto do barulho, saíram correndo sem nada nas mãos. No outro dia, ao voltarem para buscarem alguns pertences, a casa já não estava mais lá. Vida estranha essa.
Criticas também começam a chegar, pois falta de alimentos, água e produtos de higiene. A demora do governo agir por causa da burocracia, fez com que grandes empresa particulares passassem imediatamente a doar os produtos em falta com a ajuda de voluntários, quase todos alunos da universidade de Kumamoto.
Ate agora foram mais de 300 terremotos subsequentes, deixando a população insegura e sem ação.
As províncias de Oita e Kumamoto foram as mais atingidas. Empresas como Nissan, Toyota e Honda, que possuem fábricas na região, já suspenderam a produção. A economia da região parou, e será preciso recomeçar.
O governo diz que a tragédia terá um custo de aproximadamente 10 bilhões de dólares.
Vamos ver no que isso vai dar.

Terremoto em Kumamoto
10/04/2016 - 05:58
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Talvez o maior nadador japonês de todos os tempos, Kitajima não conseguiu a classificação para aquela que seria sua quinta Olimpíada. Nadou os 100m peito em 59s93, quando o exigido pela federação japonesa era de 59s63. Aos 33 anos, despede-se em alto estilo, sendo ovacionado pelo publico e companheiros de competição. Dono de quatro medalhas de ouro e recordista mundial, deixa como exemplo a tenacidade e disciplina de um atleta profissional.
Participou das Olimpíadas de Sidney, Atenas, Pequim e Londres. Ficou afastado da natação por dois anos quando dizia estar procurando um pouco mais de entusiasmo para continuar nadando. Foi quando resolveu tentar a seletiva para as Olimpíadas de Londres, tendo sucesso, e conseguindo a medalha de prata no revezamento 4x100 medley.
Na entrevista após a prova, disse que tentou de tudo para ir ao Rio de Janeiro, mas entende que o esporte de competição é assim mesmo. Não se sente frustrado, mas que precisará de alguns dias para absorver a derrota e seguir em frente.
Particularmente, acho que ele será convidado por alguma TV para ser comentarista, pois além de ótimo nadador é bem articulado, expondo seus pontos de vista com clareza.
Sou fã de natação desde os primórdios tempos de Mark Sptiz e Ricardo Prado, dois que ví nadar ao vivo, dois recordistas mundiais, por isso, sinto uma pontada no coração, de tristeza e alegria ao mesmo tempo, pois sei que um ótimo nadador se vai, mas um exemplo de cidadão estará livre dos treinos e competições para passar a sua história aos mais jovens, ajudando a formar homens além de uma carreira esportiva. O mundo precisa de gente assim.

Ouro de Kitajima em Pequim
03/04/2016 - 10:14
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O governo japonês quer aumentar o número de turistas estrangeiros, e vem fazendo um esforço enorme para "vender" o Japão.
Nada melhor do que essa época do ano para mostrar aos "gaijins" como é o início da primavera por aqui.
O céu tem ficado azul, a temperatura sobe e as flores das cerejeiras começam a aparecer, dando um aspecto especial para as cidades.
Mesmo um local antigo como Kyoto fica belíssimo com a chegada dos sakurás, pois as árvores até envergam de tantas pétalas. A cor lilás bem fraquinha, misturado com branco não deixa nenhuma cerejeira passar despercebida.
Os japoneses aproveitam a ocasião para fazerem um pici-nic embaixo das árvores, pois dizem que trás sorte. É o momento de beber para jogar fora a timidez, de cantar em voz alta e fazer algumas gracinhas.
Quem trabalha nos escritórios onde exista uma pracinha com cerejeiras, saem mais cedo, forram o chão com lonas e fazem o pic-nic para "bebemorar" a época.
Os turistas ficam encantados com as flores e o ambiente leve deste período, que dura apximadamente uma semana, e nada mais. Um pouco de vento ou uma chuva forte, já é o suficiente para as pétalas caírem e os calor mais intenso faz aparecerem as primeiras folhas. Tudo é delicado e passageiro. Igual a nossa vida.

Sakurás em Kyoto
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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