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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
01/07/2018 - 08:21
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Antes do início da Copa do Mundo, o Japão perdeu seus últimos quatro amistosos. Além da derrota, jogou mal, dando poucas esperanças aos torcedores.
Somente os comentaristas, que são pagos e controlados no falam, diziam que tudo estava sob controle (aqui a imprensa não é livre).
Fim da primeira fase, e o Japão está na oitavas de finais com chances iguais aos demais times. Sua classificação foi sofrída, venceu a Colombia, empatou com Senegal e perdeu para a Polônia. Veio numa decrescente, mas conseguiu a classificação aproveitando-se de um dos critérios de desempate, que favoreceu os nipônicos por terem levado menos cartões amarelos que Senegal. Os dois classificados da chave foram Colombia e Japão.
O time continua horrível, e só conseguiu chegar até aqui porque o treinador mudou vários jogadores até então considerados titulares. Mexeu num zagueiro, num dos volantes, nos dois pontas e no centro avante.
Agora encara a Bélgica, e nessas alturas do campeonato é bem capaz que vençam porque os japoneses fazem um tipo de jogo que os belgas não gostam. Pela pouca qualidade técnica dos jogadores, eles ficam na defensiva esperando o momento de contra atacarem. E só isso e tudo isso.
Contra a Polônia os japoneses receberam muitas vaias porque se negaram a jogar nos minutos finais. Mesmo inferior no placar não saíam para o jogo, dando apenas toques laterais, esperando o tempo passar. Jogaram utilizando o regulamento, e isso está dentro das regras. O que não está é o aspecto moral de não se incomodarem em perder numa competição tão importante como a Copa do Mundo.
Perderam, não sentiram vergonha e estão classificados. Sabem que a questão moral que envolveu o jogo contra os poloneses será esquecida assim que o próximo jogo começar (aqui também é assim).
Agora, sem nenhuma responsabilidade, sem nenhuma tática surpresa, jogando feio na retranca, podem vencer a partida ou pelo menos irem para os penaltes, onde a sorte também conta.
Até por hábito ou carma, os nipônicos estão acostumados a se superarem nos momentos extremos de sofrimentos, por isso, achar que a Bélgica com um dos melhores ataques da competição até o momento, poderá vencer com facilidade é um erro grosseiro.
Os meninos sabem do terremoto que aconteceu em Osaka, do sofrimento que a população está passando, e são dessas tragédias que o país absorve energia para superar obstáculos. Eu sempre fui muito crítico com a seleção japonesa, mas sei também a força que eles adquirem quando estão por baixo. A Bélgica que se cuide.

Japão x Polônia
10/06/2018 - 08:25
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Assisti ao jogo onde a seleção japonesa deu outro vexame. Não é somente pelo resultado, mas também pela forma como jogaram.
Nishino (treinador) definiu entre os 23 jogadores alguns veteranos de Copas passadas. Nada contra, o problema é que esse pessoal não evoluiu nos seus respectivos clubes, quando nem jogando com frequência estão.
Não é de hoje que falta qualidade ao elenco, mas agora as coisas estão realmente ruins.
Os problemas estão por todos os lugares, desde erros pessoais em passes, cruzamentos e posicionamento, até na parte tática onde os atletas não estão conseguindo assimilar o que o treinador deseja.
Jogaram com três zagueiros contra Gana, a equipe perdeu por 2x0. Jogaram com quatro zagueiros contra a Suíça, perderam de 2x0 também.
O volantes nem atacam e nem defendem, os armadores gostam de passes laterais, não criam, não constroem, e os atacantes mal posicionados, ficam muito tempo de costas para o gol.
Até o goleiro, veterano de três Copas está mal. Uma reposição errada resultou num lance patético, com Kawashima voltando desesperadamente para o gol e batendo contra a trave.
Pelo andar da carruagem, parece que o time não passa da primeira fase.
Problema maior é que faz anos que a Samurais Azuis não conseguem um padrão de jogo, um estilo próprio de conduzir uma partida. Mudam de comandante a cada ciclo, e trazem treinadores que nunca souberam nada sobre o futebol japonês. Não conhecem alguns detalhes culturais, que refletem nos esportes, e que poderiam ajudar na montagem de uma equipe. Chegam impondo um sistema de jogo onde é necessário velocidade e força física, lançamentos longos, infiltrações com a bola dominada.
O futebol japonês é feito de toques, movimentação constante, e muita paciência para furar um bloqueio. Fisicamente são fracos, e não possuem ainda qualidade técnica para dominar uma bola em alta velocidade e partir para o gol. Fundamentos básicos ainda são um problema para os futebolistas nipônicos.
Treinada por Zaccheroni (italiano) na Copa de 2014 no Brasil, foi eliminada logo na fase de grupos, perdendo os 3 jogos. Em seguida veio o bósnio Vahid Halilhodzic que faltando pouco mais de 2 meses para a Copa foi dispensado, em seu lugar chegou o japonês Nishino, que já ocupava um cargo na Federação Japonesa.
O grande problema é que os treinadores estrangeiros de países com mais tradição no futebol, chegam com uma mentalidade "mais avançada", e demoram para entender que o futebol por aqui ainda não atingiu o grau das grandes equipes.
Por falta desse conhecimento, exigem fundamentos onde os atletas japoneses são falhos, impõe táticas que eles ainda não compreendem e exigem variações no ritimo dos jogos que eles não conseguem. Pecam também no sentimento de buscar a vitória sempre, contentando-se, muitas vezes, com o esforço desprendido ou em apenas ter jogado uma partida imporante. O resultado ainda é secundário.
Particularmente, não acredito que a seleção japonesa fará um bom papel na Rússia, mas preciso reconhecer que os japoneses estão acostumados a "ganhar forças" quandos as coisas estão bem ruins. Parece que quando estão por baixo é que a garra, a vontade de vencer e o sentimento de superação ficam mais fortes. A história mostra que eu não estou errado.

Japão x Suíça


Japão x Gana
27/05/2018 - 09:56
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Eis que o Japão tenta ressurgir nas mãos de Nishino, o novo treinador da seleção japonesa. O bósnio Valid Halihodzic foi dispensado faltando dois meses para a Copa, pois teve mais de três anos para dar um padrão de jogo ao time, e não conseguiu. Não conseguiu também mudar a mentalidade dos jogadores que preferem ficar trocando passes ao invés de buscar o gol.
Nishino, que trabalhava na Federação Japonesa como diretor técnico, montará uma equipe que valoriza a posse de bola e a movimentação dos jogadores. Nada de buscar o gol em contra ataques ou jogando de maneira vertical. Será um toque prá cá, outro prá lá, passes curtos de pé em pé.
O novo treinador fez questão de chamar vários veteranos que não estavam sendo convocados, para silenciar as críticas e dividir um pouco a responsabilidade, pois todos sabemos que treinador nenhum entra em campo para chutar ao gol. Assim, caberá aos veteranos coordenar o jogo e ditar o ritimo das partidas, e se nada der certo, o treinador dirá que convocou os melhores, e voltará para o seu cargo buscando um novo treinador para a próxima competição.
Entre os veteranos convocados estão nomes "famosos" como Okazaki, Honda, Kagawa, Nagatomo, Yoshida e Kawashima, todos com mais de 30 anos, e muitos deles na reserva de seus respectivos clubes.
O clima da seleção melhorou com a troca no comando, mas a equipe continua fraca ao ponto de poucos acreditarem que conseguirão passar da primeira fase. Eu também sou um deles, mas preciso reconhecer que equipes japonesas, de qualquer esporte, de alguma maneira, ficam fortalecidos quando estão em baixa, ficam mais fortes quando estão desacreditados, parecendo ressurgir do nada. Parece que precisam sofrer, sentir as dores do descaso e receberem críticas pesadas para alguma coisa acontecer e os resultados começarem a aparecer.
Por isso, um prognóstico neste momento é temerário, mas preciso deixar registrado que, talvez, seja a seleção mais fraca que ví desde 1998, quando participou da primeira Copa do Mundo, com três derrotas em três jogos.
No dia 31 de maio sairá a lista final, e aí gostaria de dar meu palpite sobre até onde os Samurais Blues poderão chegar. Enquanto isso, fico desesperado de ver como o nível técnico caiu, e tudo continua igual como antes.

O sonho não pode acabar
01/05/2018 - 07:32
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Lí um comentário de uma brasileira que mora na Alemanha onde ela escreve algumas coisas que ainda não conseguiu se acostumar no país dos 7x0 em cima do Brasil. Importante ressaltar que ela está há apenas um ano na Alemanha. Ela comenta que os restaurantes não possuem lugares para não fumantes, que a língua é dificílima, que isso e aquilo.
Achei a matéria interessante porque eu, nesse tempo todo que aqui estou, nunca havia pensando no que ainda não me acostumei.
Mas foram necessários apenas alguns minutos para que eu fizesse mentalmente uma enorme lista de coisas e situações que não entendo. São muitas, mas citarei apenas algumas. Vamos lá.
- Em toda e qualquer piscina que você for sempre haverá um intervalo de 10 minutos, que será quando o relógio bater, por exemplo, 13:50min. Neste momento todos saem da piscina, e esperam o intervalo passar. Você pode ter entrado na piscina às 13:45min, terá que sair do mesmo jeito.
- São pouquíssimos os japoneses que jogam lixo (papéis de bala ou chicletes, por exemplo) no chão. Mas eles não se intimidam de jogar bitucas de cigarro em qualquer lugar, principalmente das janelas dos carros em movimento.
- Escovar os dentes ainda não está entre os hábitos cotidianos dos nipônicos. Eles preferem mascar gomas de diversos sabores para camuflar algum cheiro desagradável, mas já vou avisando que não conseguem. Mas se você entrar numa drogaria, haverá uma quantidade enorme de pastas, escovas e fios dentais, de todas as marcas nacionais e multinacionais. Eu nunca contei, mas posso garantir que só de pastas de dente deve haver mais de 20 tipos diferentes.
- O país com o maior número de idosos e centenários do mundo convive com a diminuição anual da densidade demográfica. Morrem mais pessoas do que nascem. E com tudo isso, o país é um dos líderes mundias em suicídios.
Tem mais, muito mais, mas prefiro não ficar pensando muito para não ficar desgostoso com esse país que me acolheu.
Logicamente que tudo por aqui é mais positivo do que negativo, e acho que não havia parado para pensar nas coisas que não entendo porque preferí levar meus olhos para as coisas boas, como por exemplo, a segurança pública, a praticidade no comércio, o investimento na educação, na imensa tecnologia que envolve o país, e por aí afora. Mas confesso que fazer uma reflexão "negativa" me deu um certo alívio, porque pude rever uma porção de situações, e quem sabe encontrar alguma explicação para tudo isso.

Coisas estranhas
17/02/2018 - 23:44
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Os chineses comemoram a passagem para o ano novo em fevereiro, e como eu não consegui escrever uma só palavra neste blog desde o começo do ano, e portanto, não tive como desejar nada para ninguém, aproveitei o calendário chinês para desejar tudo bom para o pessoal de todo planeta.
Enquanto "ibernava" por esses tempos, aconteceram muitas coisas no Japão, e algumas relatarei nas linhas abaixo.
Um dos casos mais assustadores foi a descoberta de vários cadáveres de mulheres num apartamento. O assassino é um jovem que atraía as mulheres com o intuito de roubar, e depois as matavam cortando seus corpos em pedaços.
Acidentes de carros dirigidos por idosos com mais de 70 anos, e resultando em mortes tivemos aos montes. O pior é que ninguém sabe como corrigir esse problema, afinal não existem leis que proíbam um idoso de dirigir carros ou caminhões.
Talvez a coisa mais grave que aconteceu por aqui, foi a relativa desmoralização do esporte mais tradicional do Japão. O sumô e seus lutadores gordinhos caíram no conceito de grande parte da população.
Houve uma briga entre dois sumotores num bar, razão para começarem a aparecer notícias não muito dígnas do esporte milenar. Árbitros afastados por envolvimento com mulheres, lutadores envolvidos em apostas clandestinas, "builling" em atletas jovens praticados pelos veteranos consagrados, e até uma morte por agressão física.
A falta de mão de obra também está acarretando problemas. Empresas estão fechando as portas ou deixando de crescer por não conseguirem produzir o que o mercado deseja. As indústrias e o setor de serviços não conseguem suprir a demanda por não terem quem as produzam ou quem as executem. O resultado é a estagnação e os prejuízos.
O governo ainda não definiu regras para aceitarem imigrandes, enquanto isso o setor produtivo do país está engessado.
Os dekasseguis brasileiros passaram a ser mais valorizados, tiveram aumentos nos salários, mas ainda não conseguiram entender e nem se adequar à cultura japonesa no que diz respeito às normas não escritas do mercado de trabalho. Não é incomum que os conterrâneos abandonem a empresa sem aviso prévio, e por motivo fútil.
Muitas das empreiteiras que intermediam as colocações não possuem organização suficiente, e operam como amadores deslumbrados sem olhos para o futuro. Nesses casos, a idéia é de que o dono enriquece e os trabalhadores devem ser utilizados como descartáveis. As reclamções trabalhistas contra as empreiteiras aumentaram consideravelmente despertando os inspetores do governo.

Entendendo o sumô
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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