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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
09/04/2017 - 10:09
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Acho que este ano ainda não escrevi sobre o futebol japonês. Não é só a carga de trabalho que está atrapalhando, é também porque não há nada de muito interessante para mostrar.
Mas recentemente aconteceu uma coisa curiosa.
Kazuyoshi Miura começou sua carreira profissional no Brasil, passou pelas equipes do 15 de Jaú, Santos e Coritiba. No inicio da era profissional do futebol japonês, retornou ao arquipélago para jogar pelo Yomiuri Verdy, na época, o melhor da J.League.
Já chegou ídolo pela coragem de sair do país, se aventurar no futebol brasileiro e ainda marcar gols. Até hoje é muito considerado no meio futebolístico.
Atualmente ele joga no Yokohama Football Club, equipe da segunda divisão. Marcou um gol por esses dias que foi notícia em quase todo o mundo.
A razão da fama é porque ele marcou um gol aos 50 anos, sua idade hoje. Parece que bateu o recorde mundial que pertencia a um inglês.
A imprensa japonesa comemorou, os "especialistas" saíram dizendo sobre as qualidades técnicas do atacante e ressaltando que ele ainda vence alguns zagueiros bem mais jovens numa disputa de bola.
Eu já acho tudo isso uma vergonha para futebol profissional do Japão, porque mostra como algumas equipes estão mal preparadas e treinadas. Se isso não fosse verdade, não haveria gol de um veterano cinquentão como Kazu.
Nos centros mais avançados, onde o profissionalismo impera, onde vencer é muito importante, não existem atletas nessa faixa etária disputando partidas oficiais.
Esse gol, ao meu ver, só veio mostrar como o futebol ainda não "pegou" por aqui, devido a fragilidade técnica e tática das equipes.
Nenhum campeonato profissional sério tem atletas de 50 anos, ainda mais marcando gols.
A comemoração é válida porque Kazu vem mostrando que um "senhor" também pode correr, saltar e fazer gols, mas num jogo de compadres, de casados contra solteiros ou algo similar. Mostra também muita alegria na comemoração, e isso é muito importante num país que não sabe brincar, que leva tudo muito à sério.
O gol de Kazu merece ser noticiado mundo afora porque de certa maneira ele é um fenômeno, não só pela idade, mas pela vontade de continuar em campo, pela persistencia em treinar diariamente.
Espero também que os dirigentes tenham percebido o quão frágil anda o futebol, onde o maior ídolo do campeonato é um vetenaníssimo atleta. Onde estão os jovens que deveriam estar ocupando o lugar do King Kazu?

Gol de Kazu aos cinquenta anos
22/03/2017 - 09:46
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Pelo país, é notório que o número de turistas aumentou consideravelmente. São pessoas de diversos países: europeus, americanos, malasianos, indonesianos, nepaleses e vietinamitas, entre outros. Mas quem domina o ranking são os chineses, que movimentam grandes cifras no enorme mercado de produtos eletrônicos, e que em algumas cidades como Saga chegam a ser 90% dos visitantes estrangeiros. Por lá as lojas já possuem intérpretes e os avisos já são todos em chinês, porque ninguém quer perder a oportunidade de vender seus produtos.
Nos grandes centros, existem imobiliárias exclusivas para vender imóveis de alto padrão para os endinheirados de Pequim. Vários "shopping centers" estão com atendentes fluentes em mandarim, e com departamento de marketing voltados apenas para o país vizinho.
Tive a oportunidade de conviver por alguns meses com vários chineses, e fiquei impressionado com as idéias, vontade e disposição desse pessoal. Particularmente, tenho uma imagem bastante ruim da China, fruto dos noticiários escandalosos que vejo na TV e em órgãos da imprensa. Por isso, tinha também uma imagem não muito simpática do povo chinês.
Mas isso já é passado. Estando com eles diariamente, conhecendo melhor seus princípios, seus valores e principalmente o que querem da vida, mudei completamente meu conceito, ou melhor, meu pré-conceito com eles.
Hoje vejo um pessoal disposto, com lucidez e conhecedor da realidade que envolve o mundo e suas peculiaridades. São esclarecidos, responsáveis e com uma energia que há muito não percebia. Para mim, além de uma quebra de barreira, uma grande surpresa também.
Pensando alguns anos para frente, e do jeito que as coisas estão acontecendo, não duvido que os chineses venham a ter uma influencia enorme sobre o Japão, distribuindo sua população por várias partes do arquipélado. Pelo que ouço, parece que os chineses estão espalhados em todas as províncias japonesas, e muitos já começaram alguns negócios.
Algumas universidades já possuem classes exclusivas para atender aos chineses, enquanto as escolas de língua japonesa já não possuem vagas por vários meses.
Eles dominam os kanjis, e apesar de vários possuírem interpretações diferentes dos kanjis japoneses, a escrita é identica, e logo eles "descobrem" o que está escrito. Essa facilidade aliada a pouca diferença cultural, pode mudar o panorama econômico e até cultural do Japão.
Não será do dia para noite que tudo isso acontecerá, mas aos poucos, sem que ninguém perceba as mudanças estarão encaminhadas.
Apesar de ainda possuir graves problemas sociais principalmente no interior, mas a parte estudada e internacionalizada tende a dar uma salto bem grande para a melhora dessas mazelas.

Assista um pouco da China
19/02/2017 - 09:27
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Este ano, com o inverno rigososo e frio por toda parte, o Festival de Neve de Sapporo teve muitos visitantes.
A festa dura apenas uma semana e é de uma beleza ímpar.
Pensar que todas aquelas esculturas são realizadas manualmente por voluntários apenas para manter a tradição e atrair turistas para a cidade.
Este ano a escultura central foi uma réplica do Arco do Triunfo de Paris, acompanhada dos personagens "Star Wars", castelos e pokemons.
Os efeitos luminosos para "dar vida" às esculturas é um espetáculo diferente porque as luzes coloridas são projetas no gelo, o que dá um efeito que não vemos com frequência.
Sem dizer que muitas das obras primas possuem mais de dez metros, dando uma idéia do trabalho que deve dar para os escultores.
Sapporo fica em Kokkaido, extremo norte do país, e nessa época a temperatura fica em torno de dez graus negativos. O frio é intenso, mas vale a pena participar da festa.
A praça de alimentação oferece pratos típicos com um ensopado de lagostas e saladas com camarões e ostras. O famoso lámen também aparece, só que com sabores difertentes do resto do país.
Este ano a festa foi a melhor dos úlitmos anos.

Festival de Neve de Sapporo




















Sapporo fica em Kokkaido, extremo norte do país, e nessa época a temperatura fica em torno de dez graus negativos. O frio é intenso, mas vale a pena participar da festa.
A praça de alimentação oferece pratos típicos com um ensopado de lagostas e saladas com camarões e ostras. O famoso lámen também aparece, só que com sabores difertentes do resto do país.
Este ano a festa foi a melhor dos úlitmos anos.
05/02/2017 - 10:47
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Janeiro já foi, e pude observar/sentir algumas mudanças por aqui.
Neste começo de ano sinto as pessoas mais interessadas no que acontece ao redor do mundo. O povo japonês, de uma maneira geral, é um pouco alienado em relação ao exterior. Não ligam muito se houve um ataque terrorista, um grave acidente aéreo ou quem foram os ganhadores do Oscar. Levam suas vidinhas sem muito se incomodarem com o "resto".
Agora, parece que estão mais antenados, e é nítido a preocupação dos pais em colocarem os filhos para aprenderem outro idioma, em enviá-los para outro país. Perceberam, tardiamente é verdade, que a internacionalização é um fato e começaram a investir nisso.
A grade de programação nas TVs também mudou. Antes, programas humorísticos e de variedades. Hoje, discussões sobre a economia mundial e matérias internacionais dominam e estão em alta.
Os currículos escolares também começam a mudar. Em algumas escolas, inclusive públicas, estão permitindo que os alunos escolham o que querem estudar. Não abrem mão das matérias básicas (matemática, gramática, etc), mas já aceitam que nem todos são iguais.
De um modo geral as pessoas também estão mais leves. Percebo mais solidariedade, menos hierarquia.
Logicamente que tudo isso é apenas uma percepção, e posso estar redondamente errado, ou quem sabe, quem mudou fui eu.
Todo começo de ano eu faço um esforço danado para "sentir" como poderá ser a vida daqui para frente. Observo tudo o que posso, faço um análise lá dentro e me preparo para o restante do ano.
Acho que as perspectivas são boas porque se o mundo não mudou tanto assim como penso, pelo menos eu mudei, e isso é um progresso e tanto. Mudar não é fácil em nenhum sentido.
Não penso em desastres, coisas ruins.
Ao meu redor, na esfera social que frequento, vejo qualidades nas situações. Quem sabe é aquela velha esperança de dias melhores.
Tenho otimismo em relação ao futuro, vendo o que ví, e perecebendo o que percebí.
Adoro sonhos.

Kokoro
01/01/2017 - 10:42
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Tenho certeza de que 2016 foi melhor do que os outros anos. Pelo menos é assim que me esforço para pensar, senão as coisas ficam complicadas.
Pensar que o antes foi melhor do que aquilo que virá pode nos paralisar.
O Japão passou novamente por algumas provas de sobrevivência. O terremoto em Kumamoto foi forte, e os universitários que morreram soterrados ficam na memória.
Vários tremores aconteceram também em Iwate, Fukushima e Tottori. Abalos que nos deixam em alerta para o que poderá vir. Não temos defesas contra os contratempos da natureza, mas vamos tentando manter a calma.
Shinzo Abe, primeiro ministro, adiou o aumento do imposto sobre o consumo, pediu às empresas que aumentem os salários dos funcionários, tentando fazerem com que gastem mais. Não deu certo. O pessoal que ganhou aumento, passou a poupar ainda mais.
Solicitou que as empresas liberassem os trabalhadores sem horas extras, para que aumente o tempo de lazer. Não deu certo também. Aqui todos só querem trabalhar. Família, filhos e relacionamentos não fazem a cabeça dos japoneses.
O Kashima Antlers, foi campeão da J.League One. Participou do Mundial Interclubes de Futebol, e disputou de igual para igual o jogo final contra o Real Madrid. Foi diferente na maneira como encarou o jogo. Não teve receio de enfrentar uma das equipes mais fortes do mundo. Perdeu, é verdade, foi na prorrogação, mas mostrou acima de tudo uma coisa pouco vista por esses lados: espírito de competição. Venceu neste dia primeiro de janeiro, a Copa do Imperador. Provou que é a melhor equipe do momento.
Teve início também a liga profissional de basquete. No conceito, algo parecido com a NBA americana. Até as meninas que ficam dançando nos intervalos é semelhante. Para cá, vieram uns grandalhões americanos e muitos treinadores da terra do Tio Sam.
Nasceram menos crianças novamente, e o aumento dos idosos segue firme. O número de pessoas acima dos 65 anos já chegou a quase 30% da população que é de 127 milhões. Dessa maneira o previdência social entrará em colápso daqui uns quinze anos. Novas filiais de restaurantes, lojas de conveniências e outros setores de serviços não podem funcionar por falta de mão de obra. Para piorar, a população é contra a imigração de estrangeiros. Temem o aumento da violência e a quebra da homogeneidade da população. Já pensou um chinês casando com uma japonesa?
Por isso, o país investe pesado na criação de robôs que possam fazer o papel de enfermeiros e acompanhantes. Nesse aspecto, estão bem avançados.
Ao contrário, as relações humanas estão na descendente, é que ninguém quer saber um do outro. O número de solteiros aumenta a cada mês, pois eles dizem que namorar dá trabalho e muitos queram passar longe de um casamento. Não se sentem seguros nos seus empregos e dizem ganhar pouco para constituir uma família. Especialistas dizem que essa desculpa é apenas falta de maturidade dos jovens e um pouco de covardia.
Independente do que acontecerá, um dia virá após o outro, e não podemos fugir das responsabilidades. Em terras nipônicas, eu continuo brasileiro.

Paisagens
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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