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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
29/06/2016 - 09:31
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São sete anos sem nenhum título, mas os jogadores do clube que mais venceu na era profissional do futebol japonês podem comemorar. Este ano foram campeões da primeira fase, e agora podem descansam algumas semanas para recuperar as energias.
O Kashima Antlers é a única equipe profissional entre os 18 da primeira divisão que só trabalhou com brasileiros desde a sua fundação, tanto no campo como na comissão técnica. Por lá já passaram atletas tupiniquins consagrados como Zico, Bebeto, Mozer, Alcindo, Bismarck, entre outros. Treinando a equipe foram: Paulo Autuori, Toninho Cerezzo, João Carlos, e Oswaldo de Oliveira.
Mas quem possui mais moral pelos lados de Ibaraki é Zico. Contratado quando o time ainda era amador, foi ele que construi toda estrutura da equipe, elaborando treinos e montando uma comissão técnica profissional, com médicos, massagistas, fisioterapeutas, roupeiro, etc. Até hoje, durante os jogos, algumas bandeiras com o rosto do Zico estampado tremulam nas arquibancadas.
Para quem não sabe, Kashima é o nome da cidade e Antlers foi o nome escolhido para a equipe. Por tradição ou imposição (não sei ao certo), todas as equipes do país têm o nome da cidade e o do time.
Assim o time da Mitsubishi fica Red Diamond Urawa, a Panasonic tem o Gamba Osaka, a Nissan fica Yokohama Marinos, a Mazda se transforma no Sanfrecce Hiroshima e assim por diante.
O Kashima venceu a primeira fase por apenas um ponto sobre o Kawasaki Frontale. Embalou no momento certo, não perdeu seus últimos jogos e conseguiu recuperar posições importantes até chegar ao título.
Em último lugar ficou o Avispa Fukuoka, que venceu apenas dois jogos este ano e é sério candidato para disputar a segunda divisão o ano que vem.
Ainda faltam a segunda fase inteira e algumas coisas irão mudar. Um delas é a melhora das equipes de baixo da tabela, que até o momento são compostos por Ventforet Kofu, Hiratsuka Bellmare, Niigata Albirex, além do Fukuoka.
Gamba Osaka e Hiroshima Sanfrecce devem subir de produção na segunda fase e lutar pelo título.

Melhores momentos entre Kashima e Fukuoka
12/06/2016 - 09:04
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O Kashima Antlers venceu muito bem o Red Diamond e passou a ocupar a segunda colocação atrás do Kawasaki Frontale, que possui um ponto a mais. Faltam duas rodadas e o titulo da primeira fase ainda está em aberto.
Caio, jogador do Kashima, foi o que sofreu discriminação. A mensagem postada por um torcedor do Diamond dizia: "morra homem negro", já que o atacante possui a pele morena.
Não é a primeira vez que os torcedores do time postam mensagens racistas. Patrick, centro avante do Panasonic Gamba, também foi ofendido e o Red tiveram que jogar uma partida com os portões fechados.
O Japão não é o único país onde existe racismo, mas deve ser o único entre os desenvolvidos que não possui uma lei contra esse tipo de atitude.
Mesmo que descubram o autor da discriminação, não há lei que possa puní-lo. Ele receberá um sermão e irá para casa beber uma cerveja e pensar no próximo ato xenófobo.
Algum representante da equipe aparecerá dizendo que tudo isso foi uma atitude isolada, e que não é o pensamento da equipe, e tudo ficará como sempre foi.
Corre no Parlamento um projeto de lei contra a discriminação, com ênfase em discursos agressivos e xenófobos. Esse projeto foi sendo alterado e chegou a ficar ridículo em algmas partes.
Uma delas é que a lei só vale para os que possuírem visto de permanência, ou seja, estejam em situação legal no país.
Se você não estiver legal ou se os seus documentos estiverm em análise no Departamento de Imigração, foi pode ser discriminado e nada acontecerá.
As lojas poderão colocar avisos não permitindo a entrada de estrangeiros, e isso também, será brando e poderá não ser considerado um ato discriminatório. Vai depender muito das explicações que o estabelecimento der.
Uma lei pela metade, que diz que é feio ser racista, mas não pune ninguém quem não consegue conviver com outras raças.
Interessante é que são os estrangeiros que dão "tempero" ao futebol japonês. Por aqui já passaram grandes atletas "gaijins", e muitos ajudaram suas respectivas equipes a ganharem campeonatos ou serem mais respeitados.
Por aqui já passaram: Zico, Muller, Careca, Edilson, Cesar Sampaio, Dunga, Valber, Ronaldão, Bismarck, Mozer, Bebeto, Alcindo, Edu Marangon, Edu Manga, Pereira, Bentinho, Betinho, entre outros. Um festival de estrangeiros para atrair público e elevar o nível técnico da competição.

Caio - gols
29/05/2016 - 06:57
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Esporte no Japão é uma coisa conflituosa. Existem muitos aficcionados, atletas e pessoas envolvidas. As grandes corporações possuem equipes competitivas de várias modalidades, e são os atletas dessas empresas que compõe a seleção nacional.
É uma mistura de profissional responsável com amadorismo puro. Nas categorias de base não é necessário ter formação específica em esportes. Qualquer pessoa bem relacionada com os "donos" das equipes podem virar treinador, preparador físico ou algum outro membro da Comissão Técnica.
Isso significa que um treinador de basquete, em tese, pode não saber muito do esporte que está ensinando, ou um professor de natação não saber nadar.
No futebol é comum o treinador não ter tido nenhum contato com a bola, até o momento que consegue uma colocação. Outros são voluntários na inúmeras escolinhas espalhadas pelo país. Muitos desses voluntários só querem sentir o clima diferente de um ambiente esportivo, ou possuem tempo de sobra nos finais de semana.
Eu não estou insinuando que isso é assim. Estou afirmando que é como funciona e esporte aqui no país.
Por isso, quando surge um atleta que se destaca, é necessário uma comemoração.
Recentemente o Leicester foi campeão da Premier League. Uma coisa espetacular levando em conta o poderio técnico e econômicos dos concorrentes.
Na equipe campeã depois de mais de um século, está o atacante Shinji Okazaki, que ninguém nunca ouviu falar, e que poucos viram jogar.
É um daqueles atacantes chatos, que não para de correr, que não desiste das jogadas. Não tem muita qualidade técnica, mas compensa essa lacuna com uma disposição fora do comum.
Jogando para o time, é que conseguiu um lugar entre os titulares. Fez poucos gols, é verdade, mas todos na equipe sabem da importância desse centro avante "grudento", imprevisível.
A imprevisibilidade é tanta, que os adversários ficam atrapalhados na hora de marcá-lo, e às vezes, o atleta consegue um gol nos moldes de Pelé.
Shinji Okazaki está servindo de exemplo para os jovens que vislumbram vencer no esporte, seja de que modalidade for. Sua vontade de ganhar os jogos, a persistência e humildade em reconhcer suas limitações, fizeram desse atleta o primeiro japonês a vencer uma Premier League, e ser reconhecido mundialmente pela sua utilidade na equipe.
A falta de grandes ídolos esportivos é um grande problema por esses lados. Sem nenhuma referência, as crianças ficam sem o "espelho" e perdem a motivação.
Agora, mesmo aquele menino com poucos recursos técnicos, pode ter a esperança de se tornar um atleta profissional consagrado.
E voces sabem, ter esperanças é fundamental para seguir em frente.

Melhores momentos de Okazaki
22/05/2016 - 07:30
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São vinte anos consecutivos que o Japão lidera o ranking do país com a maior expectativa do mundo.
Não tenho a menor idéia de como, e dos motivos que levam a população a viver tanto. Uns dizem que é a alimentação, outros dizem que é genético, e muitos fazem um mesclado de várias coisas, como o hábito de manter os horários das refeições, o sistema de atendimento médico precoce e alguns aspectos emocionais típicos do pessoal daqui.
O que sei é que os "velhinhos" estão por todos os lados, e sempre muito dispostos. São eles que praticamente movem a economia, ajudando os fihos, participando ativamente no pagamento dos gastos escolares dos netos, viajando, fazendo compras, indos aos restaurantes, entre outras coisas.
Eles são ativos, regrados e muidto disciplinados. Acordam cedo, fazem os afazeres domésticos, limpam os jardins, consertam as cercas quebradas, trabalham como voluntários e praticam esportes.
A academia de ginástica que frequento, quase 70% são de aposentados que buscam saúde. A assiduidade impressiona, pois eles não faltam as aulas de musculação, ioga, aeróbica e outras modalidades existentes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média é 83.7 anos. Os homens tem a expectativa de vida de 80.5 anos, enquanto as mulheres sobem para 86.8 anos. Em seguida estão Espanha, Itália e Islândia.
É louvável ler que o pessoal está vivendo mais, e em muitos lugares melhor.
Mais esse aumento de expectativa também causa problemas. Um dos exemplos é que o sistema previdenciário atual já está saturado, e é certo que os jovens atuais não terão como receber a aposentadoria.quando chegarem a época. . Tempos atrás, havia 6 trabalhadores na ativa para 1 aposentado. Hoje, são apenas 1.4 trabalhadores para cada idoso. Outro aspecto é que, como as pessoas ficam mais tempo na ativa, o espaço para os jovens diminui, ainda mais num país onde a hierarqui é rígida, sem abertura para novas idéias e invenções.
Assim, os jovens acabam desistindo de ingressar nas empresas ,e a renovação não vêm. Sem dizer que existem muitos trabalhadores que já ultrapassaram a idade fixada para a aposentadoria mas continuam em seus cargos, menos por competência e mais por tempo de serviço. E o pior, é que muita vezes, eles é que dão às ordens. Ordens essas, na grande maioria das vezes, ultrapassadas para a época atual.
Os japoneses não possuem como hábito estudarem depois de formados. São pouquíssimos aqueles que fazem algum curso de reciclagem ou especialização. Sobem na hierarquia mais por tempo de trabalho, e por serem simpáticos com os seus superiores. Por isso, a geração antiga, apesar de terem dado imensas contribuições ao país, precisam se recolher para que a nova geração dê continuidade às inovações, pois é o que o Japão tanto necessita.
E toda a experiência acumulada ao longo da carreira, pode ser utilizada por empresas de consultorias, já que experiência é uma coisa que vêm com os anos, e isso, os idosos japoneses tem de sobra.
O respeito aos idosos é grande, e assim deve continuar, pois são eles que detém o conhecimento do passado, mas a nova geração precisa dar continuidade para que tudo o que foi construido até agora, seja ainda melhor. É esse o desafio.

Idosos e emoções
19/05/2016 - 09:54
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Foi assim que aconteceu.
Cansado da rotina na academia de ginástica, fui correr por entre algumas árvores num local próximo de casa.
Já era final de tarde, temperatura amena, céu azul e pouco vento. Eu correndo despreocupadamente, quando me aproximo de uma amoreira. Na copa da árvore os passarinhos faziam a festa, pois pela sonoridade tinha certeza de que a frutinha era doce.
Fiquei alguns poucos segundo observando os passáros, quando noto que as amoras eram muito parecidas com algumas que haviam no quintal de minha casa, quando eu ainda era apenas um menino. Fiquei meio na dúvida, porque já fazia algum tempo que não via a fruta.
Peguei uma e comi. Pequei mais outra e comi também. Em seguida, mais uma. Aí, tive certeza de que as amoras eram idênticas ao da minha casa.
As frutinhas roxas, quase preta, no meio das folhas verdes eram destaques, pela coloração e singela beleza. Pequeninas, mas vistosas.
Foi quando, de repente, me deu uma sensação diferente, como se alguma coisa me fizesse retornar ao tempo, e em uma fração de segundos lá estava eu no Brasil, no quintal de casa ajudando a colher os frutinhos que seriam transformados numa espécie de panqueca açucarada. Lembro com detalhes até hoje, de como eram preparados essas panquecas, mais parecida com um bolinho de frutas. O sabor impossível de esquecer. A sujeira em volta da bôca e nas mãos, e aquelas manchas na camisa que não saíam de jeito nenhum.
E saber que uma árvore "igual a minha" estava aqui perto, desse lado do mundo, sem que eu nunca a tivesse visto.
O tempinho que fiquei vivendo o passado foi fantástico. Lembrei de muitas coisas, e entre elas a rua onde morava, que nem asfaltada era. O bambuzal, uma imensa descida, essa já asfaltada, onde os carrinhos de rolimã eram frequentes. Quantos não foram as raladas que tomávamos nas mãos e joelhos. Proteção não havia nenhum, muito menos medo ou outras preocupações.
Um ótimo filme me passou pela cabeça, uma saudade imensa da infância onde o importante era brincar, correr, esconder ou marcar gols em traves feitas de tijolos. Computador não nos fazia falta e não precisávamos de celulares para nada. Não nos comunicávamos por e-mail, era tudo feito olhando para os olhos do outro, acompanhado ao vivo suas reações. O sorriso, o choro, as broncas, a brigas, tudo era de verdade, não tendo como se esconder atrás de palavras sem rostos.
Aprendíamos a nos comunicar de maneira "limpa", demonstrando os sentimentos e as verdades.
Acredito que as amoras ainda durarão por mais ou menos duas semanas, e farei questão de voltar a correr pelo mesmo trajeto, só para parar em frente a árvore e ver se "retorno" novamente. Pode ser que eu não vá para o quintal de minha casa, mas quem sabe encontro meus velhos amigos ou algumas pessoas que foram importantes na minha trajetória. Sem dúvida, encontrei uma bela árvore da vida e pela vida.

Saudades do tempo
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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