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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
16/10/2016 - 10:44
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O Japão é um dos poucos países, senão o único, que possui uma palavra específica para definir morte por excesso de trabalho. A palavra é "karoshi".
E é exatamente por causa do "karoshi" que uma das maiores empresas de publicidade do mundo está sendo processada.
A Dentsu é o sonho de todo profissional ligado à área de publicidade, uma espécie de Google ou Microsoft para os aficcionados em tecnologia.
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem Estar reconheceu que uma funcionária da Dentsu, de apenas 24 anos, se suicidou pelo excesso de trabalho. Ela ainda não havia completado nem dois anos de trabalho.
Para quem vive longe da realidade social japonesa, acredito que seja difícil entender como isso acontece sem que ninguém faça nada.
Acontece que por aqui existe o "sempai" e "koohai", que significa o veterano e o recém contratado. Com a hierarquia rígida, os mais jovens, não conseguem dizer não aos veteranos e aí começam os abusos.
Essa hierarquia é ainda pior entre chefes e subordinados, chegando até às agressões físicas, pois retaliações morais são uma constante.
As empresas trabalham para diminuir essas agressões, mas de maneira "leve", para que a cultura da companhia não seja alterada. Outro fato que coopera para a continuidade desses fatos é que muitos chefes são ultrapassados, pois no país não existe o hábito de estudar ou mesmo fazer uma reciclagem, depois de formado.
A Dentsu já passou pela experiência de ter um funcionário se suicidando por excesso de trabalho, portanto é reincidente no fato.
E pensar que a imagem que temos das empresas de publicidade é de um ambiente alegre, aberto e com profissionais capacitadíssimos, já que normalmente envolve grandes somas.
Processos envolvendo mortes por excesso de trabalho aparecem aos montes, e deverá continuar por algum tempo, já que a estrutura corporativa ainda é bem vertical, e normalmente os chefes pessoas despreparadas para lidar com pessoas.

Karoshi
09/10/2016 - 09:52
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Pela vigésima quinta vez um japonês ganha o Prêmio Nobel. Desta vez foi o cientista Oshinori Oshumi do Instituto de Tecnologia de Tóquio, que decidiu estudar a autofagocitose celular.
Esse senhor biologista de 71 anos nascido em Fukuoka recebeu pela primeira vez o prêmio de forma individual, já que os outros japoneses ganhadores do Nobel o fizeram juntamente com outros cientistas.
Estudo levado à sério, apoio governamental e uma grande dose de perseverança e inteligência são ingredientes essenciais para conseguir descobertas magníficas.
Em algumas áreas de pesquisas, o apoio governamental é ainda mais necessária, pois não é em qualquer lugar que encontraremos equipamentos para se desenvolver uma idéia. Estar em locais com outras "boas cabeças" também deve ajudar porque a troca de informações e o clima de "ser curioso" criado por ambientes assim faz com que não desistamos de buscar novidades e conhecimento.
Sei o que esse apoio significa porque tenho muitos amigos e parentes que saíram do Brasil para seguir com as pesquisas. Conheço gente também que desistiu de fazer o doutorado devido aos problemas de infraestrutua e ao pouco reconhecimento por parte dos chefes, que na verdade deveriam apoiá-los para que mais pesquisas viessem à tona.
Lí recentemente que argentinos, peruanos, chinelos e mexicanos já receberam um Prêmio Nobel, enquanto que os brasileiros dormem sobre o esplendor do carnaval, do samba e da cerveja.
Não está na hora de mudar o foco e investir pesado na educação?
Não está na hora dos pais exigirem melhor nível educacional do governo e das escolas particulares?
Tenho certeza de que nada disso será no curto prazo, mas sei também que o tempo vai passando e o carnaval ganhando mais importância do que saber ler, escrever e interpretar corretamente.
Mudar os valores enraizados na cultura, mudar o pensamento de que tudo dará certo sem muito esforço, de que Deus é brasileiro.
Será que não estamos caminhando em círculos?

Anúncio do Prêmio Nobel de medicina
02/10/2016 - 10:26
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Por enquanto é única certeza da J.League/16. O Avispa Fukuoka que subiu para a primeira divisão este ano, disputará a segunda divisão o ano que vem.
Faltando três rodadas para o término do campeonato, o time do treinador Ihara não tem mais chances matemáticas, e de nada adiantará vencer todos os jogos restantes.
A incompetência foi grande. No primeiro turno obteve apenas duas vitóras em17 jogos. E agora no segundo turno, também foram duas vitórias. Até o momento marcou 26 gols e sofreu 56. Isso quer dizer que além de possuir o pior ataque, possui também a pior defesa.
Ainda falta definir quem serão as outras duas equipes que irão para a segundona. E aí vou dar o meu palpite. Será o Bellmare e o Nagoya Grampus.
Na verdade, apenas o Bellmare é certo de que cairá, já o Grampus é apenas a minha vontade. Entre os 18 times está em décimo quinto, mas com apenas um ponto a mais que o Ventforet Kofu.
Patrocidada pela Toyota Motors, é um dos times mais ricos da liga, e também um dos mais incompetentes. Se for rebaixado pode servir de exemplo do que não se deve fazer no futebol. Aí poderá servir de lição para os outros clubes.
A verdade é que tudo está nivelado por baixo, e mesmo a equipe que for campeã, precisa tomar cuidado para não dormir sobre os falsos louros.
A equipe de Fukuoka é uma bagunça. Nem parece que tem toda a estrutura de uma equipe profissional. Seus jogadores, principalmente os da defesa, mal conseguem se posicionar corretamente durante os jogos. E a equipe vive de dar chutões para a frente achando que pode contar com o erro do adversário em todas as partidas.
É mais do que justo o seu rebaixamento. O próximo post será sobre a queda do Hiratsuka Bellmare, que está em penúltimo lugar, tem chances matemática para sobreviver, mas não terá competência para vencer seus próximos 3 jogos.

O primeiro jogo do Avispa na divisão principal
25/09/2016 - 10:12
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Terminou agora à pouco a partida de tênis entre Naomi Osaka e a Caroline Wozniacki, com vitória de 2x0 para a ex-número um do mundo.
Foi o jogo final do Toray Pan Pacific Open, realizado em Tóquio, e com bom público durante toda a competição.
Naomi Osaka é uma menina de 18 anos, com bom potencial para ser uma das estrelas do tênis mundial. É uma jogadora de força, com saque potente e boa qualidade em seus fundamentos. Logicamente ainda precisa de alguns cuidados, principalmente no aspecto emocional, sua deficiência mais evidente no momento.
A mídia trata Naomi como uma estrêla em ascenção, como uma japonesa da "gema" que pode ajudar a elevar o interesse do tênis pelas meninas, ávidas por encontrarem alguém para se espelharem.
Só que existe um pequeno probleminha nessa combinação de interesses. Naomi Osaka é uma bonita morena, cabelos cacheados, alta e forte, sem nenhuma semelhança com as japonesas tradicionais. Ela quase não fala japonês, já que mora e treina nos Estados Unidos. Sua única ligação com o Japão é que sua certidão de nascimento está registrado em algum cartório do país, o que lhe dá a nacionalidade nipônica. Fora isso, ela não tem absolutamente nada de oriental.
Esse "fenômeno" já acontece em várias áreas, já que a última Miss Japão é uma linda morena, e a atual também. No futebol e no atletismo, existem atletas que nem no mome são japoneses, mas possuem o passaporte da terra do Sol Nascente.
Eles não são naturalizados, são registrados aqui desde o nascimento, já possuem um dos pais japoneses. E a população, o que acha disso?
Acham que enquanto eles forem destaques, são japoneses, se caírem no ostracismo são estrangeiros. Simpes, não é mesmo?

Conheça Naomi Osaka
13/09/2016 - 07:51
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Para mim, as coisas estão tão corridas que somente agora é que pude assistir alguns jogos das Olimpíadas do Rio. Sabendo de que teria dois meses de muito trabalho, deixei tudo devidamente gravado para ir assistindo aos poucos.
Eu sei que o que escreverei neste momento pode ser um assunto fora de ponto, mas acredito ser muito verdadeiro, e portanto, vou "falar" o que senti nesse período de Olimpíadas.
As impressões eram as piores possíveis, com obras inacabadas, água da piscina esverdeada, apartamentos sem condições de uso.
Tudo foi arrumado rapidamente e de acordo com o manual de boas maneiras de um anfitrião preocupado. E assim, o Brasil mostrou que consegue, mas não significa que devemos passar um borracha no problemas que existiram
Gambiarra também não foi um bom termo para mostrar que o Brasil pode. Praticamente "intraduzível" para outros idiomas, passou a informação de improviso e falta de normas, logo seguido de ações corretivas.
Mas no final de tudo, o que ouvi foram somente elogios. A imprensa japonesa, como de costume, evitando mostrar o lado ruim das coisas e bombardeando os telespectadores com imagens e informações positivas. O colorido das instalações esportivas, a beleza do Maracanã e o contraste do azul das paredes da piscina com a cor da água, tudo isso foi muito comentado por aqui.
A beleza estava também na gentileza dos voluntários, sempre bem vestidos e atenciosos. Aliás, o figurino dos fiscais e do pessoal que assessoram as entregas das medalhas foram muito elogiados.
Me disseram que tudo foi humano, pois uma Olimpíada é composto por homens e mulheres que lutam contra sí mesmo para melhorar marcas, correr mais rápido, saltar mais longe.
Até me parabenizaram pelo ouro no futebol, e os comentários são de que o Brasil voltou a ser uma potência futebolística. Coisa de povão, não é mesmo?
O vôlei brasileiro parecia ter sido adotado pelos japoneses, de tanta torcida e elogios que receberam, assim como o ouro da judoca.
Apesar de ser sido contra a realização dos jogos, pois continuo achando que o país possui prioridades mais urgentes, não posso negar que a imagem brasileira subiu alguns degraus no conceito dos nipônicos, e muitos já falam de que os envolvidos na realização da Olimpíadas de Tóquio precisarão ter muita imaginação e criatividade para superar a mensagem passada pelo Brasil.
E convenhamos, isso não será nada fácil.
Agora estou atendo aos jogos Paraolímpicos, e sinto que os comentários tem sido bastante positivos, principalmente no apoio que os atletas recebem dos torcedores. Parece que tudo que está ligado ao Brasil, está ligado também ao calor humano, tão em falta por esses lados.
Agora é aguardar até 2020 para ver no que dá.

2020 no Japão
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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