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Uma entrevista e tanto

31 dez 1969 às 21:33
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Perguntas para o Vereador Julião Sobota, do PSC

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FOLHA DE LONDRINA: Você trabalhava como segurança de casas noturnas e entrou para a política. Como foi essa mudança?

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JULIÃO SOBOTA: Faz três anos, levei uns tiros. Eu trabalhava no Costelão (da Rua Chile), de madrugada chegaram uns malucos, torcedores do Coxa, dispararam quatro vezes. Um tiro pegou na minha perna. Aí, resolvi parar com aquela vida. Tenho que pensar nos meus filhos, cuidar das mães deles. O pessoal amigo é que me animou pra tentar a vaga de vereador.


F: Como você escolheu o partido?


J: Quando parei de fazer segurança, eu trabalhava para o Stephanes Junior, mas não direto no gabinete dele, na política. Mas quando o pessoal me convenceu, fui primeiro no PMDB. Quem me levou foi o Doático (Santos), um parceirão nosso (da Fanáticos, torcida organizada do Atlético Paranaense, da qual Julião é presidente). Me filiei, achei bacana. Depois, convidado pelo Ratinho Junior, que freqüenta nossos churrascos, fui conhecer o PSC. Ali me senti em casa. O pessoal é mais simples, humilde e amigo, do jeito que eu gosto. Saí do PMDB e me filiei ao PSC. Me sinto numa família.

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F: Você foi eleito com mais de 4 mil votos. Como montou sua equipe de gabinete?


R: Escolhi o pessoal que trabalhou comigo na campanha. Gente que sempre ficou do meu lado. Fiz uma campanha sem dinheiro, na raça mesmo. Só a assessora de imprensa é que contratei na Câmara, por indicação de outro vereador.


F: Você tem religião?


J: Sou católico praticante. Tudo que tenho nessa vida eu devo ao meu Deus.


F: Que projetos tem para a cidade?


R: Principalmente de ações sociais, coisa que a gente já faz na Fanáticos, e projetos para combater a violência nas ruas. Essa quebradeira que acontece depois dos jogos não é coisa de torcida organizada de nenhum time. Esses caras botam a camisa da torcida mas são é uns bandidos. Mas estou indo devagar, tenho que seguir o ritmo da política, da Câmara.


F: Como assim?


J: Na Câmara é tudo muito diferente, menina. Estou acostumado com a organização da torcida. Nas reuniões, quando eu tenho a palavra, todo mundo fica quieto. Escutam, prestam atenção. Depois, se alguém quer falar, pede a palavra. Aqui não. Você sobe na tribuna, começa a falar, está todo mundo tagarelando, conversando no celular, ninguém respeita.


F: O Clodovil falou a mesma coisa no plenário da Câmara federal. Perguntou onde estava a educação dos congressistas.


J: Obrigado por me comparar com uma pessoa tão importante. Deus o tenha. Mas é verdade. Quando fui falar pela primeira vez na tribuna, fiquei louco. Você ali tentando falar, raciocinar e o pessoal naquela falação. Foi por isso que votei errado sem querer (no dia da votação pela utilidade pública da parada de gays e lésbicas). Tava aquela bagunça. De um lado o pessoal das igrejas, de outro os gays, um escândalo. Uma zona.


F: Quer dizer que as reuniões da Fanáticos são mais organizadas do que a Câmara Municipal?


J: É isso aí, menina.


F: Explica melhor sobre essa votação errada.


J: Olha, fiquei tonto naquele dia de tanta bagunça. Fiquei sentado e sem querer votei a favor. Depois fui na tribuna me explicar. Não tenho nada contra a opção sexual das pessoas. Cada um com a sua, eu respeito, é que nem escolher time, se o cara é Coxa, eu respeito. Eu disse, a gente não tá aqui votando sobre a sexualidade das pessoas. O que eu não concordo é que eles saiam na rua se exibindo. Aqueles caras, uns gigantões malhados, de sunga cor-de-rosa, desfilando? Não dá. Não foi isso que meu pai me ensinou.


F: Você mudou o nome de Julião da Caveira, como foi eleito, para Julião Sobota. Por quê?


J: Isso foi idéia da assessora de imprensa. Eu concordei. Por mim pode me chamar de qualquer nome que tá bom: Julio, Gordo, Julião, Sobota, Julião da Caveira.


F: E o teu futuro, você planeja continuar na política?

J: Não tenho planos. Estou trabalhando. Do futuro, meu Deus é que sabe. Tenho fé. Pra mim, qualquer pé-de-galinha dá canja. O futuro é amanhã, é dormir e acordar pra trabalhar. Daqui a quatro anos, vamos ver o que acontece.


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