23/02/20
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Lucio Flávio
Lucio Flávio
29/11/2019 - 15:07
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Em termos de organização e planejamento, o futebol brasileiro se supera a cada dia. A rodada do meio de semana do Campeonato Brasileiro foi responsável por mais uma bizarra dança das cadeiras de treinadores.

O Ceará, que na quarta-feira foi goleado pelo Flamengo, demitiu o técnico Adilson Batista, que na quinta-feira foi anunciado como novo treinador do Cruzeiro, que horas antes havia demitido Abel Braga.

Abelão, que já havia sido técnico do Flamengo no início do campeonato, foi demitido depois de ver o seu time perder em pleno Mineirão para o CSA. O clube alagoano foi surpreendido com o pedido de demissão do seu treinador. Para onde vai Argel Fucks? Ora, ora. Para o Ceará. Fucks, que inclusive já renovado seu contrato com o CSA para 2020.

Argel Fucks, que com a vitória do seu ex-time, ajudou o seu próximo clube, que continua fora da zona do rebaixamento, um ponto a frente do Cruzeiro. Entendeu a bagunça que é o futebol brasileiro? Pois é, uma bagunça institucionalizada.

Francisco Cedrim/RCortez/CSA
Francisco Cedrim/RCortez/CSA - Técnico Argel Fucks trocou o CSA pelo Ceará faltando apenas três rodadas para o fim do Brasileiro
Técnico Argel Fucks trocou o CSA pelo Ceará faltando apenas três rodadas para o fim do Brasileiro


E este tipo de situação não é privilégio da série A. Recentemente, algo parecido aconteceu na série B. Em poucos dias, Itamar Schülle foi demitido do Cuiabá e assumiu o Vila Nova, que por sua vez havia demitido Marcelo Cabo.

O ex-treinador do time goiano, então, foi anunciado pelo CRB, que havia demitido Marcelo Chamusca. Para dar continuidade ao círculo dos mesmos, advinha para onde foi Chamusca, somente um dia após deixar Maceió? Bingo! Para o Cuiabá, obviamente.

E tudo isso sob o olhar passivo da CBF. Quando a CBF irá criar uma legislação que proíba que os treinadores trabalhem em mais de um clube na mesma divisão, como acontece na Europa? Sinceramente, acho que nunca. Porque não há interesse de quem está no meio do futebol, inclusive dos clubes.
27/11/2019 - 13:50
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Se o ano dentro de campo termina com o rebaixamento para a série C confirmado, o Londrina não pode reclamar dos negócios fora das quatro linhas. A temporada foi produtiva quanto a negociação de jogadores. O clube conseguiu vender várias revelações ao longo de 2019, o que significou recursos importantes para o caixa do clube.

Alvo de muita reclamação por parte da torcida, que viu no desmanche do time uma das causas para a péssima campanha na série B, o Londrina comercializou sete jogadores ao longo do ano em um montante de R$ 8.795.000,00.

Alguns foram vendidos integralmente e outros o LEC ainda mantém percentuais econômicos. Os dados das negociações foram passados pelo próprio gestor Sérgio Malucelli, em entrevista coletiva na terça-feira (26).

Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube
Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube - Anderson Oliveira rendeu ao Londrina a maior negociação em 2019
Anderson Oliveira rendeu ao Londrina a maior negociação em 2019


O atacante Marcelinho foi vendido para Portugal por 25 mil euros - usando a cotação de hoje (27/11) - R$ 4,68 - ou R$ 117 mil. O jogador tinha contrato com o LEC só até o fim deste ano e já havia comunicado o clube que não iria renovar. Ou seja, poderia sair de graça ao final da temporada. O Alviceleste ainda ficou com 30% dos direitos econômicos do atleta.

Negociados 100% com o Portimonense de Portugal, Luquinha e Felipe Vieira renderam R$ 2,5 milhões aos cofres do Tubarão. O valor total foi dividido em cinco pagamentos. No caso do lateral, o Londrina repassou 30% do montante ao procurador do atleta, que é o seu sogro.

Anderson Oliveira, vendido ao mesmo clube português, foi a melhor negociação do clube na temporada. O atacante foi negociado por 500 mil euros - R$ 2,34 milhões. O pagamento foi parcelado em três vezes. O Sinop (MT), clube de origem do atleta, ficou com 15% do valor e outros 15% foram repassados ao procurador do atacante.

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O volante Romulo, que inicialmente foi por empréstimo ao Portimonense, foi negociado posteriormente em definitivo por 350 mil euros - R$ 1,63 milhão. O Londrina recebeu 200 mil euros à vista e os outros 150 mil serão pagos em maio.

Além destes, o Londrina vendeu 50% dos direitos econômicos do lateral Matheuzinho ao Flamengo por R$ 1,2 milhão, dividido em três pagamentos, e também comercializou 50% de Lucas Ramon com o Bragantino por R$ 1 milhão.



"Eu tenho sido muito cobrado pelas vendas dos jogadores, questionado para onde foi o dinheiro. As pessoas se iludem muito e não conhecem a realidade. O Londrina é um dos únicos clubes da série B que está com tudo em dia e não deve nada para ninguém. Se você não vender, você não consegue cobrir as contas do ano. Se juntarmos todas as negociações, o dinheiro da série B, da Copa do Brasil não dá para pagar as nossas despesas, que são de R$ 14 milhões por ano", desabafou o gestor.
25/11/2019 - 14:58
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A manchete acima não tem nada a ver com o trabalho do técnico Claudio Tencati. O treinador foi excepcional a frente do clube e está na história como um dos maiores do LEC.

Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube
Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube


A questão é que o clube não soube se preparar para o momento do fim da relação e sofre com as consequências desta falta de planejamento até hoje. Explico no vídeo as dificuldades do Londrina em busca de um treinador que consiga fazer um trabalho a médio/longo prazo.

24/11/2019 - 15:36
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Depois de quatro temporadas na série B o Londrina volta para a série C em 2020. Um rebaixamento doído por tudo que o clube construiu nos últimos nove anos, pela recuperação técnica e administrativa e até pela estrutura que o clube tem hoje uma queda era algo improvável e impensado.

Porém, na prática, o LEC cumpriu a risca a cartilha completa de qualquer rebaixamento. O planejamento foi mal pensado e executado, inúmeras trocas de treinadores, saída de jogadores importantes e contratações de atletas mal preparados e em fim de carreira.

Desde o começo do ano as coisas não saíram como planejadas. A ida de alguns jogadores para o Novorizontino não surtiu efeito já que o clube não teve ou não quis gastar para trazer os principais destaques do time paulista para a série B.

O retorno de Roberto Fonseca não foi a melhor alternativa, até porque o treinador logo viu que não teria um time forte como o prometido e abandonou o barco após apenas um jogo. Apesar disso, o LEC ainda teve a sorte de conseguir um bom substituto, da casa e barato.

Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube
Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube


Alemão fez um ótimo trabalho no Paranaense e na Copa do Brasil, inclusive revelando vários jogadores, que renderam muito dinheiro ao clube. O problema foi que, apesar do bom desempenho, o treinador não teve o respaldo necessário da diretoria quando a campanha começou a oscilar durante a série B.

O treinador bateu de frente com alguns "experientes" do grupo que se sentiram desprestigiados e enciumados pelo desempenho e badalação em cima dos meninos. O clube deu voz aos jogadores e Alemão foi fritado. O problema é que estes mesmos jogadores não deram conta do recado em campo e alguns, como Dagoberto, preferiram deixar o clube quando viram que o elenco era fraco.

O divisor de águas do Londrina foi a parada da Copa América. O LEC tinha ótima campanha, sempre no G4, e um o time entrosado, porém carente de melhor qualidade técnica. Em vez de buscar quatro ou cinco reforços na concepção da palavra para qualificar o elenco, o Tubarão fez totalmente diferente.

O clube acreditou que aquele elenco era suficiente e não trouxe ninguém. Além disso, negociou jogadores, que se não eram excepcionais, eram titulares. A conta é grande: Romulo, Felipe Vieira, Luquinha, Marcelinho, Anderson Oliveira, Safira. Quando Alemão saiu algumas rodadas depois, o fundo do poço era questão de tempo.

As chegadas de Claudio Tencati e depois de Mazola Júnior se mostraram outros erros da diretoria, assim como a contratação de jogadores parados, veteranos, fora de forma, de empresários amigos e sem nenhuma identificação com o clube. O time passou a acumular derrotas e vexames e a direção se perdeu totalmente, como ficou provado no episódio dos "porcarias" após a derrota para o Operário.

A opção por colocar Silvinho Canuto na fogueira no comando técnico a quatro rodadas do fim pareceu muito mais em um último ato de desespero do que algo pensado. Claro que não poderia dar certo. Um treinador que dá os primeiros passos na carreira a frente de um elenco fraco técnico e fisicamente, totalmente abalado psicologicamente e sem nenhum respaldo da torcida. O resultado não poderia ser diferente.

O Londrina paga um preço alto por seus inúmeros erros ao longo do ano e o rebaixamento é merecido. Nada pode salvar um clube que perde 21 jogos em 37 e que consegue ficar atrás de um rival, que sofreu o ano inteiro com a falta de dinheiro, greve de jogadores e até um WO.

A queda é dolorida, mas não é o fim do mundo. O Londrina já viveu outros momentos muito mais difíceis do que esse. Tem condições, estrutura e recursos para voltar forte deste rebaixamento e brigar por um retorno a série B já em 2021.
21/11/2019 - 21:12
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Com a goleada em Sorocaba por 4 a 1 o Londrina sofreu a sua 21ª derrota na série B, em 37 jogos. O LEC mais uma vez foi um amontoado em campo, com erros gritantes de todos em todos os setores, com exceção de Anderson Leite, o único lúcido no gramado.

Divulgação/São Bento
Divulgação/São Bento


O Tubarão tem a pior defesa da competição, com 53 gols sofridos, e o pior saldo (-18). Conseguiu perder duas vezes para o São Bento, com um placar agregado de 8 a 3 para o time paulista. E ainda conseguiu a proeza de tomar seis gols do centroavante Zé Roberto.

Um time com atuações como a desta quinta-feira (21) no interior paulista e com estes números e proezas não merece mesmo ficar na série B. Se bobear, pode até terminar na lanterna da competição.

Matematicamente ainda há chances, até porque não acredito que o Figueirense somará pontos contra o CRB nesta sexta-feira, em Maceió, mas o futebol do Londrina não dá esperança nenhuma. Infelizmente a série C é uma realidade, que veio se desenhando há tempos e agora é questão de horas para se concretizar.

Se falta futebol, o mental deste elenco é ainda mais fraco. O time não tem força técnica nenhuma e os erros tem se avolumado a cada partida. Infelizmente o torcedor alviceleste terá uma final de ano amargo.
Lucio Flávio
 
Formado em Comunicação Social/Jornalismo. Repórter da Rádio Paiquerê AM desde 1997 e da Folha de Londrina desde 2012. Participa de coberturas esportivas nacionais e internacionais



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