24/01/20
32º/19ºLONDRINA
Marden Machado
Marden Machado
24/01/2020 - 01:20
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Um grande artista costuma recorrer às suas obsessões nas obras que cria. No caso de Federico Fellini, uma delas, como o título já deixa claro, se encontra bela e magistralmente retratada em Cidade das Mulheres, de 1980. Com roteiro dele próprio, escrito junto com Bernardino Zapponi e Brunello Rondi, o filme, de certa forma, expande a premissa apresentada pelo diretor no curta A Tentação do Dr. Antônio, que fez parte do projeto Boccaccio ’70, que reuniu Fellini, Vittorio De Sica, Mario Monicelli e Luchino Visconti. Tudo começa em uma viagem de trem onde Snàporaz, vivido por Marcello Mastroianni, alterego do diretor, é seduzido por uma linda mulher (Bernice Stegers). A partir daí embarcamos poeticamente para um espaço onírico tipicamente felliniano. Temos aqui um estudo que busca reavaliar o papel das mulheres na obra do cineasta, ao mesmo tempo em que reavalia também o papel dos homens. E mestre Fellini já inicia o filme com uma sutil brincadeira metalinguística ao revelar uma voz feminina que questiona: "Ainda Marcello? Por favor, maestro”.

CIDADE DAS MULHERES (La Città dele Donne – Itália 1980). Direção: Federico Fellini. Elenco: Marcello Mastroianni, Anna Prucnal, Bernice Stegers, Donatella Damiani, Ettore Manni, Gabriella Giorgelli e Dominique Labourier. Duração: 139 minutos. Distribuição: Versátil.
23/01/2020 - 01:18
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Fellini teve participação marcante no nascimento do neorrealismo italiano ao colaborar com os roteiros de Roma, Cidade Aberta e Paisà, ambos dirigidos por Roberto Rossellini. Quando começou a dirigir seus próprios filmes, Fellini criou um estilo bastante pessoal e único de contar suas histórias, distante da escola neorrealista. No entanto, em 1978 quando dirigiu Ensaio de Orquestra o cineasta retomou as lições daquele importante movimento que ajudou a criar. E foi além. O roteiro, escrito por ele junto com Brunello Rondi, conta a história, com adianta o título, do ensaio de uma orquestra. Mas, não se trata de um ensaio qualquer. O olhar apurado e genial de Fellini transforma aquele cenário em um microcosmo da realidade italiana da época. A mão firme e tirânica do condutor (Balduin Baas), bem como as intrigas entre os músicos, potencializados com a presença de uma equipe de TV que está no local para produzir um documentário. Esta obra enxuta de apenas 70 minutos vem carregada de forte teor político e reforça a habilidade de Fellini em lidar com outros temas fora de sua zona de conforto.

ENSAIO DE ORQUESTRA (Prova d’Orchestra – Itália 1978). Direção: Federico Fellini. Elenco: Balduin Baas, Clara Colosimo, Elizabeth Labi, Ronaldo Bonacchi, Ferdinando Villella e Franco Javarone. Duração: 70 minutos. Distribuição: Versátil.
22/01/2020 - 01:12
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Federico Fellini nasceu em Rimini, de onde saiu 19 anos, em 1939. Em 1972, quando dirigiu Roma de Fellini, ele queria apresentar a cidade que o adotou. Com roteiro escrito por ele junto com Bernardino Zapponi, o filme é um belo e pessoal passeio pela Cidade Eterna. Fellini nos conduz com seu olhar único em uma jornada inesquecível pela capital da Itália. Não espere encontrar lugares-comuns. A narrativa não se ampara em uma estrutura cronológica tradicional. Temos o cineasta, em diferentes idades, chegando à Roma e nos mostrando tudo com seus olhos. Há também um momento metalinguístico onde o próprio Fellini aparece fazendo um filme dentro do filme e interagindo com as pessoas. A rotina da cidade e seus habitantes, além de lugares icônicos e de um fabuloso desfile de moda eclesiástica, sem esquecer das típicas personagens do universo felliniano. Roma de Fellini é uma declaração de amor do diretor à cidade que o acolheu e que ele tão bem projetou para o mundo com sua obra popular e sofisticada, autêntica e autoral, universal e única. Coisa de gênio. Em tempo: a atriz Anna Magnani fez aqui sua última aparição em um filme.

ROMA DE FELLINI (Roma - Itália 1972). Direção: Federico Fellini. Elenco: Britta Barnes, Peter Gonzales, Fiona Florence, Elisa Mainardi, Marne Maitland e Anna Magnani. Duração: 120 minutos. Distribuição: Versátil.
21/01/2020 - 01:09
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Em 1969, o cineasta Federico Fellini já havia recebido sete indicações ao Oscar, seja como roteirista ou diretor. Além disso, três filmes seus haviam ganho o Oscar de melhor filme estrangeiro (A Estrada da Vida, Noites de Cabíria e 8 ½). Sem esquecer uma Palma de Ouro em Cannes por A Doce Vida. Ele podia fazer o que quisesse. E como nunca foi um artista acomodado fez Satyricon de Fellini. O nome do diretor no título do filme se justifica pelo fato de Gian Luigi Polidoro ter registrado o nome "Satyricon” antes. Baseado no livro de Petrônio, com roteiro escrito pelo próprio Fellini, junto com Bernardino Zapponi, nos apresenta a Roma antiga através dos olhos de Encolpio (Martin Potter), que disputa o amor de Gitone (Max Born), um jovem e bonito escravo, com seu amigo Ascilto (Hiram Keller). A frase do cartaz não poderia ser mais apropriada: "Roma. Antes de Cristo. Depois de Fellini”. Da mesma forma que o livro de Petrônio, encontrado faltando partes, esta obra felliniana segue o mesmo caminho com seus diálogos incompletos. A ousadia do mestre italiano se percebe na forma que encontrou para contar esta história em 25 episódios que nos levam por uma jornada de sexo e luxúria em ritmo de sonho. Exagerado e belo ao mesmo tempo, Satyricon de Fellini faz jus ao seu criador.

SATYRICON DE FELLINI (Fellini Satyricon – Itália 1969). Direção: Federico Fellini. Elenco: Martin Potter, Hiram Keller, Max Born, Salvo Randone, Mario Romagnoli, Magali Noël, Alain Cuny e Capucine. Duração: 129 minutos. Distribuição: Versátil.
20/01/2020 - 00:50
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O grande mestre italiano Federico Fellini já trabalhava como roteirista há oito anos quando teve sua primeira chance como diretor. Na verdade, uma chance pela metade, já que Mulheres e Luzes, de 1950, foi codirigido por ele, que dividiu o trabalho com Alberto Lattuada. No entanto, é possível perceber já nesta obra de estreia algumas das características que marcariam a carreira do cineasta ao longo dos 40 anos seguintes. A começar pela história, criada por Fellini e que teve o roteiro escrito por ele próprio, junto com Lattuada e Tullio Pinelli. Tudo tem início quando a jovem Liliana (Carla Del Poggio), aspirante a estrela de teatro, procura Checco (Peppino De Filippo) para se juntar à sua trupe de artistas. Ela o seduz, para desespero de Melina (Giulietta Masina), parceira de Checco. Além disso, a presença de Liliana acaba por provocar algumas alterações na rotina do grupo. Mulheres e Luzes é um filme cheio de vida e que, apesar de conter ainda alguns elementos do neorrealismo, já deixa claro o distanciamento que os futuros trabalhos de Fellini tomariam. Porém, o carinho dele pelas personagens e seu amor pelo teatro de revista, que tem muito do circo, da mesma forma que a presença de figuras caricaturais, já estão presentes aqui. Uma curiosidade: a brasileira Vanja Orico participa cantando "Meu Limão, Meu Limoeiro”.

MULHERES E LUZES (Luci del Varietà – Itália 1950). Direção: Federico Fellini e Alberto Lattuada. Elenco: Peppino De Filippo, Carla Del Poggio, Giulietta Masina, Folco Lulli, Carlo Romano, John Kitzmiller e Vanja Orico. Duração: 97 minutos. Distribuição: Versátil.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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