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Marden Machado
Marden Machado
29/03/2020 - 00:03
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O cineasta norueguês André Ovredal chamou a atenção do mundo em 2010, quando escreveu e dirigiu O Caçador de Troll. Isso despertou o interesse dos fãs pelo seu trabalho seguinte. E ele optou por um que veio da Inglaterra, onde realizou este A Autópsia. Com roteiro de Ian Goldberg e Richard Naing, somos levados a uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos onde somos apresentados aos Tilden: Tommy (Brian Cox) e Austin (Emile Hirsch). Eles são pai e filho e trabalham como legistas para a polícia local. Certo dia, o xerife Burke (Michael McElhatton) leva o corpo de uma desconhecida para que seja definida a causa da morte. Porém, ao longo daquela noite, coisas estranhas acontecem e coloca a vida dos Tilden em perigo. Ovredal imprime um clima de suspense e tensão constantes em A Autópsia. Há mais sugestão do que sustos explícitos e isso faz toda a diferença na hora de criar o clima que a história pede.

A AUTÓPSIA (The Autopsy of Jane Doe – Inglaterra 2016). Direção: André Ovredal. Elenco: Brian Cox, Emile Hirsch, Ophelia Lovibond, Olwen Kelly, Michael McElhatton e Jane Perry. Duração: 86 minutos. Distribuição: Diamond Films/Amazon Prime.
28/03/2020 - 01:19
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Histórias de intolerância racial e violência contra minorias existem aos montes nos telejornais, na literatura e no cinema. O Ódio Que Você Semeia, de 2018, dirigido por George Tillman Jr., é mais uma delas. A diferença aqui é o roteiro de Audrey Wells, que se baseia no romance homônimo de Angie Thomas e tem na figura da jovem Starr Carter (Amandla Stenberg), o centro da história. Ela tem 16 anos e vive com a família em um bairro barra-pesada. A rotina dos Carter gira em torno do trabalho dos pais, Maverick (Russell Hornsby), que tem um negócio próprio, e Lisa (Regina Hall), que trabalha em um hospital. Claro, existe também a rotina dos filhos do casal. Em especial, Starr, que estuda em uma escola fora da região onde moram e de predominância branca. As coisas mudam a partir da morte de Khalil (Algee Smith), amigo de infância de Starr, causada pelo disparo de um policial branco. Tillman apresenta as personagens, lhes dá substância e deixa a narrativa fluir naturalmente. Além disso, a qualidade do elenco se faz notar, em especial, o de Stenberg no papel principal. O Ódio Que Você Semeia é um alerta e, na mesma medida, um alento e propõe uma reflexão acerca dos temas que são abordados.

O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA (The Hate U Give – EUA 2018). Direção: George Tillman Jr. Elenco: Amandla Stenberg, Regina Hall, Russell Hornsby, Anthony Mackie, Issa Rae, Common, Lamar Johnson, TJ Wright, K.J. Apa e Algee Smith. Duração: 127 minutos. Distribuição: Fox.
27/03/2020 - 00:36
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Segundo longa do roteirista e diretor canadense Robert Eggers, O Farol é uma excepcional resposta aos que acreditavam que o filme anterior do cineasta, A Bruxa, de 2015, havia sido "sorte de principiante”. Tanto este como o primeiro filme de Eggers foram coproduzidos pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da R/T Features, de São Paulo. Desta vez dividindo o roteiro com o irmão Max Eggers, temos em O Farol uma história que se passa no final do século XIX, em uma ilha da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. Lá funciona um farol sob a direção de Thomas Wake (Willem Dafoe). Ele recebe o jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson), contratado para ajudar nas tarefas diárias do lugar. A convivência dos dois não é das melhores e a solidão e os mistérios daquele pequeno e isolado local vão, aos poucos, alterando o estado mental de seus moradores. Filmado em belíssimo preto e branco com razão de aspecto de 1.19:1, o que confere um formato de tela bem quadrado, e, ao mesmo tempo, cria uma forte sensação de espaço apertado e claustrofóbico perfeito para o clima tenso que se estabelece. O diretor de fotografia Jarin Blaschke, que recebeu uma indicação ao Oscar da categoria por este trabalho, seguiu as orientações de Eggers, que se inspirou nos clássicos de terror do expressionismo alemão e demonstra, mais uma vez, total domínio da narrativa, além de um excelente diretor de atores. O duelo de interpretação travado por Dafoe e Pattinson prende nossa atenção da primeira à última cena, assim o fabuloso desenho de som e, claro, a impactante fotografia.

O FAROL (The Lighthouse – Canadá 2019). Direção: Robert Eggers. Elenco: Willem Dafoe, Robert Pattinson, Valeriia Karaman e Logan Hawkes. Duração: 109 minutos. Distribuição: Vitrine Filmes.
26/03/2020 - 05:48
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A roteirista e diretora francesa Céline Sciamma iniciou sua carreira em 2004 escrevendo roteiros para curtas-metragens. Três anos depois passou a dirigir também e já chamou atenção com Lírios d’Água, seu longa de estreia. Em 2011, com Tomboy, teve seu nome consolidado no cenário cinematográfico mundial e Retrato de Uma Jovem em Chamas, que ela escreveu e dirigiu em 2019, apenas comprova seu talento narrativo. A história se passa na França, no século XVIII. Tudo começa quando a pintora Marianne (Noémie Merlant), é contratada por uma condessa (Valeria Golino) para pintar um quadro de sua filha, Héloïse (Adèle Haenel). Na verdade, a mãe quer o retrato para formalizar o casamento da filha com um aristocrata italiano. Como Héloïse rejeitou uma tentativa anterior, a abordagem de Marianne é mais sutil. Ela se aproxima da modelo, a observa atentamente e trabalha às escondidas. No entanto, a convivência entre as duas revela algo maior e mais forte. Retrato de Uma Jovem em Chamas é um filme de forte apelo sensorial. Seja no uso do som (ou da ausência dele), bem como da paleta de cores. Obra essencialmente feminina, mas tão feminina que quando um homem/ator aparece em cena, ele parece completamente deslocado, Sciamma revela completo domínio da mise-en-scène e nos brinda com um filme carregado de originalidade, beleza e sensualidade.

RETRATO DE UMA JOVEM EM CHAMAS (Portrait de la Jeune Fille em Feu – França 2019). Direção: Céline Sciamma. Elenco: Noémie Merlant, Adèle Haenel, Luàna Bajrami, Valeria Golino e Armande Boulanger. Duração: 122 minutos. Distribuição: Supo Mungam Films.
25/03/2020 - 04:07
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Se o cineasta americano Orson Welles tivesse realizado apenas Cidadão Kane, ele já faria parte, e com todos os louvores, da História do Cinema. Felizmente, para nós, cinéfilos, ele fez muito mais. E teria feito mais ainda se não tivesse sido "escanteado” pela indústria hollywoodiana. No contexto mundial do final dos anos 1960, com o sucesso da Nouvelle Vague francesa, que influenciou a Nova Hollywood, composta por jovens diretores dos Estados Unidos, Welles acreditou que seria o momento de ele voltar para seu país e dirigir outra obra-prima. Tem início então, em 1970, a produção de O Outro Lado do Vento, escrito por ele ao lado da atriz croata Oja Kodar. A partir daí, seis anos de filmagens, mais de 100 horas de material captado, dificuldades diversas em levantar financiamento e, por fim, a paralisação completa do projeto. Até que, cerca de 40 anos depois, a Netflix banca a conclusão do filme. O Outro Lado do Vento é, mais que um filme, é um verdadeiro acontecimento. Welles cria aqui um filme dentro do filme ao contar a história do diretor Jake Hannaford (John Huston), que enfrenta problemas para terminar seu último trabalho após o abandono de seu protagonista, John Dale (Robert Random). Em forma de documentário, acompanhamos Hannaford, que convida amigos e inimigos para sua festa de aniversário, onde exibe seu filme inacabado aos presentes. A atriz do filme, que nunca fala, é vivida por Oja Kodar, e Welles "emula” Zabriskie Point, do italiano Michelangelo Antonioni. No fundo, ele "tira sarro” dos "filmes-cabeça” da época. O escritor, roteirista e diretor Peter Bogdanovich interpreta Brooks Otterlake, espécie de melhor amigo/confidente de Hannaford, que conduz parte da narrativa. Na vida real, a relação dele com Welles foi tão tumultuada quanto a mostrada no filme. E fica mais clara ainda, assim como outras questões, no documentário Serei Amado Quando Morrer, de Morgan Neville, também disponível na Netflix. Aliás, o ideal é assisti-lo logo após O Outro Lado do Vento. Depois desse tempo todo ter acesso à derradeira obra de um mestre genial como Orson Welles é, verdadeiramente, um privilégio.

O OUTRO LADO DO VENTO (The Other Side of the Wind – EUA 2018). Direção: Orson Welles. Elenco: John Huston, Peter Bogdanovich, Oja Kodar, Robert Random, Susan Strasberg, Norman Foster, Cameron Mitchell e Lilli Palmer. Duração: 122 minutos. Distribuição: Netflix.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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