11/12/19
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Marden Machado
Marden Machado
05/12/2019 - 00:02
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Muitos consideram o primeiro Os Incríveis, que Brad Bird escreveu e dirigiu em 2004, o filme que todas as versões de Quarteto Fantástico não conseguiram ser. Em um espectro mais amplo, não seria exagero algum afirmar que se trata de um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Incluindo aí tudo o que foi produzido pela Marvel, pela DC e pelos independentes. Então por que a Pixar levou 14 anos para lançar uma continuação? O próprio Brad Bird, outra vez à frente do roteiro e da direção, responde: "queria encontrar a história perfeita”. Os Incríveis 2 começa exatamente do ponto que o filme anterior terminou. E no contexto apresentado aqui, cabe ao Senhor Incrível ficar em casa cuidando das crianças e a ação recai sobre sua esposa, a Mulher-Elástica. É justamente dessa troca de papéis que surge a maior parte do humor da trama. Em especial, graças às manifestações dos poderes do caçula da família, o bebê Zezé. Os Incríveis 2 é uma continuação à altura do original. Claro que o impacto inicial da novidade não está mais presente. No entanto, é muito bom reencontrar a família Pêra e vibrar com a nova aventuras deles.

OS INCRÍVEIS 2 (Incredibles 2 – EUA 2018). Direção: Brad Bird. Animação. Duração: 118 minutos. Distribuição: Buena Vista.
04/12/2019 - 00:55
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O cineasta americano Steven Spielberg, dirigindo ou produzindo, foi o grande responsável pela reinvenção do cinema de aventura e fantasia entre os anos 1970 e 1990. Quando o escritor Ernest Cline escreveu seu livro, Jogador Nº 1, muitas das referências citadas eram de filmes com a marca Spielberg. Quando este assumiu a direção da adaptação cinematográfica da obra, para evitar ser acusado de vaidoso, suprimiu muitas das "auto referências”. Mesmo assim, há em Jogador Nº 1 uma enxurrada de citações da cultura pop e do cinema feitos principalmente nos anos 1980. O próprio Cline adaptou o roteiro, junto com Zak Penn, e nos leva ao futuro distópico do ano de 2044. Lá somos apresentados ao jovem Wade Watts (Tye Sheridan). Ele, assim como quase todo mundo, prefere viver no mundo virtual do jogo OASIS a encarar a dureza do mundo real. Com a morte de James Halliday (Mark Rylance), criador do jogo, surge a oportunidade de Wade conquistar uma fortuna. Halliday deixou um intricado quebra-cabeça. Quem conseguir "montá-lo” receberá sua fabulosa herança. Jogador Nº 1 é um filme eletrizante. Principalmente, se você estiver familiarizado com as inúmeras referências que ele traz. E como é legal ter Spielberg, aos 72 anos, dirigindo como quando estava na casa dos 30. Destaque especial para a homenagem ao filme O Iluminado, de Stanley Kubrick, bem como para a genial sacada do cubo de Zemeckis. Para ver e rever e rever e rever. Só assim para conseguirmos reconhecer tudo e todos que aparecem em cena.

JOGADOR Nº 1 (Ready Player One – EUA 2018). Direção: Steven Spielberg. Elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, Simon Pegg, T.J. Miller, Hannah John-Kamen e Mark Rylance. Duração: 140 minutos. Distribuição: Warner.
03/12/2019 - 02:26
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Dizer que o pequeno povoado de Bacurau, localizado no sertão nordestino é um retrato do Brasil é apenas uma das muitas leituras possíveis deste impactante filme escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Cannes de 2019, Bacurau gira em torno de uma comunidade que vive à margem de qualquer apoio do governo e que, mesmo assim, encontrou maneiras próprias de contornar questões básicas como segurança, educação, saúde e comunicação. E tudo isso é colocado à prova quando a região é invadida. A placa que indica a distância até lá deixa bem claro na frase "se for vá na paz” o que poderá acontecer com quem não a obedecer. A descrição do pássaro que dá nome ao lugar também é um alerta. Da mesma forma, se os visitantes aceitassem o convite de conhecer o museu local estariam cientes do histórico de resistência dali. Há em Bacurau uma feliz e harmônica mistura de gêneros incomum na cinematografia nacional: faroeste, suspense, terror, drama e ficção-científica, para citar alguns deles. Sucesso nos cinemas graças a uma forte campanha nas redes sociais e, principalmente, a um eficiente boca-a-boca, Bacurau bebe de muitas fontes e recicla essas influências todas em algo novo e original. E melhor, genuinamente brasileiro.

BACURAU (Brasil 2019). Direção: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Elenco: Sônia Braga, Udo Kier, Barbara Colen, Thomas Aquino, Silvero Pereira, Thardelly Lima, Wilson Rabelo, Karine Teles, Antonio Saboia e Brian Townes. Duração: 130 minutos. Distribuição: Vitrine Filmes.
02/12/2019 - 00:52
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Se considerarmos o primeiro curta-metragem que Martin Scorsese realizou em 1959, quando tinha apenas 17 anos de idade, já se vão 60 anos de uma carreira repleta de grandes obras cinematográficas. E sua obra mais cara e recente, O Irlandês, só ganhou as telas graças ao suporte financeiro da Netflix, que bancou os 160 milhões de dólares da produção. Com base no livro de Charles Brandt, adaptado por Steven Zaillian, o filme acompanha a trajetória de Frank Sheeran (Robert De Niro), um veterano da Segunda Guerra Mundial, que trabalha como caminhoneiro e "pintor de casas” da máfia. De origem irlandesa, ele se torna amigo íntimo de Russell Bufalino (Joe Pesci) e Jimmy Hoffa (Al Pacino). A partir da década de 1950 e ao longo das décadas seguintes, O Irlandês traça um rico painel das relações entre o crime organizado, a política e a força sindical de um país. E vai muito além ao funcionar também como um tratado sobre a velhice e a solidão que ela pode trazer. Da mesma forma, temos um legado-resumo da filmografia de um mestre da narrativa em imagens. Sem glamourização alguma. Porém, em excelente companhia. Não por acaso, Scorsese se reúne outra vez com parceiros de longa data como De Niro e Pesci, e acrescenta Pacino ao grupo. Sem esquecer da participação de Harvey Keitel, no papel de Angelo Bruno, e, claro, de Thelma Schoonmaker, montadora do diretor há quase 40 anos e que me fez não sentir a duração de três horas e meia que o filme tem. Scorsese, diferente de outros cineastas, não se valeu do porto seguro que ele próprio criou. Seria fácil fazer um novo Os Bons Companheiros ou Cassino. Em O Irlandês o caminho seguido é outro. Inquietante, imprevisível e genial.

O IRLANDÊS (The Irishman – EUA 2019). Direção: Martin Scorsese. Elenco: Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci, Harvey Keitel, Bobby Cannavale, Ray Romano, Stephen Graham, Jesse Plemons e Anna Paquin. Duração: 209 minutos. Distribuição: Netflix.
01/12/2019 - 00:12
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Em meados de 2017 estava tudo pronto para o lançamento de Todo o Dinheiro do Mundo, dirigido por Ridley Scott e com roteiro de David Scarpa, escrito a partir do livro de John Pearson. Até que revelações de escândalos sexuais envolvendo Kevin Spacey, que estava à frente do elenco, fizeram com que os produtores e o diretor decidissem atrasar o lançamento e substituir o ator. Em seu lugar entrou Christopher Plummer, curiosamente, quem havia sido sondado inicialmente para o papel. A história trata de um fato ocorrido na Itália, em 1973, quando John Paul Getty III (Charlie Plummer), neto do magnata do petróleo John Paul Getty (Christopher Plummer) é sequestrado. A mãe do garoto, Gail Harris (Michelle Williams), faz de tudo para convencer o ex-sogro a pagar o resgate de seu filho. Este, porém, se recusa a fazê-lo para não abrir um precedente, já que tem muitos netos. Ele contrata Fletcher Chase (Mark Wahlberg), um ex-espião para resolver o caso. Ridley Scott é um mestre da narrativa e a decisão de trocar o Spacey por Plummer, que poderia ter sido desastrosa, se revela bastante positiva. Até por conta da idade do novo ator, que é bem próxima da idade do verdadeiro Getty. Spacey atuara sob pesada maquiagem. Em tempo: apesar de interpretarem avô e neto no filme e terem o mesmo sobrenome, Christopher Plummer e Charlie Plummer não possuem parentesco algum na vida real.

TODO O DINHEIRO DO MUNDO (All the Money in the World – EUA 2017). Direção: Ridley Scott. Elenco: Mark Wahlberg, Michelle Williams, Christopher Plummer, Romain Durin, Andrew Buchan, Timothy Hutton, Stacy Martin e Charlie Plummer. Duração: 133 minutos. Distribuição: Diamond Films.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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