16/02/20
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Marden Machado
Marden Machado
10/02/2020 - 02:35
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O espanhol Sergio Pablos trabalha com animação há mais de 30 anos e montou sua produtora, a SPA Studios, onde faz seus próprios trabalhos e outros que o contratam. Com passagem pela Disney, onde foi animador, Pablos realizou Klaus, primeira animação original da Netflix. A partir de uma história original sua, ele escreveu o roteiro junto com Jim Mahoney e Zach Lewis, e dividiu a direção com Carlos Martínez López. Ficamos sabendo aqui com "nasceu” a lenda do Papai Noel. Tudo começa quando o Jesper, um aluno problema da Academia Postal, é enviado para a distante Smeerensburg, uma ilha localizada acima do Círculo Ártico, com uma missão que deve ser cumprida no prazo de um ano. O local é dominado por uma briga secular entre suas famílias e Jesper acaba por conhecer a professora Alva e um misterioso carpinteiro de nome Klaus, que vive sozinho em uma casa cheia de brinquedos. Pablos utiliza a tradicional técnica de desenhos feitos a mão com uma iluminação especial gerada por computador. O resultado é impressionante e a frase "um verdadeiro ato altruísta sempre acende outro”, dita em algumas passagens, é um excepcional resumo da grande lição que Klaus nos oferece.

KLAUS (Klaus – Espanha/Inglaterra 2019). Direção: Sergio Pablos e Carlos Martínez López. Animação. Duração: 96 minutos. Distribuição: Netflix.
09/02/2020 - 06:52
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O casal de roteiristas e diretores Anna Boden e Ryan Fleck começou carreira no cinema independente e ganhou destaque com a indicação ao Oscar de melhor ator para Ryan Gosling no filme Half Nelson, em 2006. Hoje a dupla é conhecida pelo roteiro e direção de Capitã Marvel, de 2019. No entanto, eles escreveram e dirigiram outros trabalhos antes, como este Parceiros de Jogo, de 2015. A trama gira em torno de dois jogadores de poker, Gerry (Ben Mendelsohn) e Curtis (Ryan Reynolds). O primeiro não está numa fase muito boa. O segundo, além do carisma, demonstra ter muito talento para o jogo. Unidos, decidem participar de um campeonato em Nova Orleans. Levemente baseado na obra Jogando com a Sorte, que Robert Altman dirigiu em 1974, Parceiros de Jogo trata de vícios e de esperança. Afinal, todo jogador acredita que a próxima jogada será "a jogada’. A química entre Mendelsohn e Reynolds funciona muito bem, sem contar a bela trilha sonora. O roteiro, apesar de deixar algumas pontas soltas, é interessante e mantém nossa atenção até o fim nessa diversão leve e descompromissada.

PARCEIROS DE JOGO (Mississipi Grind – EUA 2015). Direção: Anna Boden e Ryan Fleck. Elenco: Ben Mendelsohn, Ryan Reynolds, Sienna Miller, Yvonne Landry, Jayson Warner Smith, Kerry Cahill, Jane McNeill e James Toback. Duração: 108 minutos. Distribuição: Flashstar.
08/02/2020 - 06:55
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A clássica peça Henrique V, de William Shakespeare, já foi encenada diversas vezes e teve duas grandes adaptações para o cinema: a de 1944, de Laurence Olivier, e a de 1989, de Kenneth Branagh. Em O Rei, dirigido pelo australiano David Michôd, em 2019, a abordagem mistura elementos da peça teatral e dos livros de História. O roteiro, escrito pelo próprio diretor, junto com o ator Joel Edgerton, nos apresenta o jovem Henrique V (Timothée Chalamet), que assume o trono após a morte do pai em meio a uma longa guerra da Inglaterra contra a França. Trata-se, na verdade, de um ritual de passagem e Chalamet tem o que se chama de "physique du rôle”, ou seja, o ator tem o corpo que se encaixa com perfeição ao papel. Há em O Rei algumas liberdades em relação ao material de base que utiliza. E Michôd não abre mão da violência, que é uma das características de sua pequena, porém, expressiva filmografia. O elenco de apoio funciona muito bem, mas, o destaque fica com Robert Pattinson no papel do Delfim francês, que rouba toda as cenas em que aparece.

O REI (The King – Inglaterra 2019). Direção: David Michôd. Elenco: Timothée Chalamet, Joel Edgerton, Ben Mendelsohn, Lily-Rose Depp, Tom Glynn-Carney, Sean Harris, Gábor Czap, Tom Fisher e Robert Pattinson. Duração: 140 minutos. Distribuição: Netflix.
07/02/2020 - 05:16
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O cineasta chinês Jia Zhangke vem construindo uma sólida carreira desde sua estreia em 1995. Ao longo desse tempo ele vem mesclando curtas e longas, seja de ficção ou documental, atuando, na maioria das vezes, como produtor, diretor e roteirista. É assim neste Amor Até as Cinzas. Como é recorrente em sua obra, Zhangke sempre insere as transformações de seu país no contexto das histórias que conta. Não é diferente aqui. Tudo começa em 2001 quando Qiao (Zhao Tao, esposa do diretor na vida real), uma jovem dançarina apaixonada pelo mafioso Bin (Liao Fan), é presa por disparar uma arma em uma briga de gangues. Ela queria proteger seu namorado, no entanto, é presa. A história avança pelos anos seguintes e, fiel à estética precisa do diretor, abre espaço para discutir questões de grande profundidade ao se concentrar na trajetória de Qiao. Estruturado em três atos bem distintos, Amor Até as Cinzas subverte expectativas e reserva boas surpresas na alternância de ritmo de sua narrativa. Assim, como uma dança.

AMOR ATÉ AS CINZAS (Jiang Hu Er Nü – China 2018). Direção: Jia Zhangke. Elenco: Zhao Tao, Liao Fan, Diao Yi’nan, Ding Jiali, Dong Zijian e Feng Xiaogang. Duração: 136 minutos. Distribuição: Imovision.
06/02/2020 - 00:46
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Se você assistiu ao premiado filme Coração Valente, dirigido e estrelado por Mel Gibson em 1995, vai lembrar da personagem de Robert the Bruce. Ele é o herói de Legítimo Rei e pode ser visto como uma continuação dos eventos mostrados no filme de Gibson. Aqui, Robert the Bruce, vivido por Chris Pine, é coroado Rei dos Escoceses e, ao invés de se acomodar na posição "presenteada” pela Inglaterra, decide seguir o legado de William Wallace e lutar pela independência de seu país do jugo britânico. Com direção de David Mackenzie e feito logo após o elogiado A Qualquer Custo, de 2016, o filme teve o roteiro escrito pelo próprio Mackenzie, junto com Bathsheba Doran e James MacInnes. Porém, diferente de seu trabalho anterior, carece de força e personalidade. Apesar das batalhas e do elenco talentoso, a personagem principal não responde à altura. Se destacam a jovem Florence Pugh, que vive Elizabeth Burgh, esposa de Robert, bem como o guerreiro James Douglas, papel de Aaron Taylor-Johnson. A obra foi reduzida em cerca de 20 minutos após sua primeira exibição em festivais. Talvez isso tenha sido bastante prejudicial para o resultado final.

LEGÍTIMO REI (Outlaw King – Inglaterra 2018). Direção: David Mackenzie. Elenco: Chris Pine, Florence Pugh, Aaron Taylor-Johnson, Stephen Dillane, Rebecca Robin, Billy Howle, Sam Spruell, Jonny Phillips e Ben Clifford. Duração: 121 minutos. Distribuição: Netflix.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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