16/02/20
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Marden Machado
Marden Machado
26/01/2020 - 00:50
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Se existe uma obra-testamento na filmografia do diretor italiano Federico Fellini, ela se chama Entrevista, seu penúltimo trabalho, realizado em 1987. A partir de um roteiro seu, escrito junto com Gianfranco Angelucci, Fellini nos conduz por diferentes narrativas que giram em torno não apenas de seu processo criativo, mas, também, da revisita que faz à sua carreira como cineasta. A "entrevista” do título é dada pelo próprio diretor a uma emissora de TV japonesa. É esse o ponto de partida para que sejamos conduzidos pela magia do maestro. Ele nos leva para dentro da magnífica e imponente Cinecittà, lugar que o encantou já em sua primeira visita, ainda muito jovem. E o passeio continua ao nos mostrar toda a riqueza de suas inesquecíveis criações. Como se isso não bastasse, Fellini ainda tece suas críticas à televisão, "brinca” com elementos de metalinguagem e, por fim, nos brinda com as iluminadas presenças de Marcello Mastroianni e Anita Ekberg, o icônico casal de A Doce Vida.

ENTREVISTA (Intervista – Itália 1987). Direção: Federico Fellini. Elenco: Marcello Mastroanni, Antonella Ponziani, Lara Wendel, Antonio Cantafora, Christian Borromeo, Sergio Rubini e Anita Ekberg. Duração: 108 minutos. Distribuição: Koch Lorber Films.
25/01/2020 - 06:31
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Existem filmes que mesmo quando trata de seu tempo estão adiante dele. Este é o caso de Ginger e Fred, que Federico Fellini dirigiu em 1986. O roteiro escrito por ele próprio, junto com Tonino Guerra e Tullio Pinelli, nos apresenta Amelia (Giulietta Masina) e Pippo (Marcello Mastroianni). Eles são bailarinos e quando jovens dançavam interpretando os americanos Ginger Rogers e Fred Astaire. Agora, 30 anos após a separação, os dois se reencontram para um programa de fim de ano na televisão. Enquanto aguardam o momento da apresentação, as lembranças e os rumos que a vida de cada um tomou trazem à tona uma onda de emoções e Fellini, de maneira genial, desenvolve uma crítica ácida à maneira como a TV de seu país lida com uma série de questões. Antepenúltima obra do grande maestro italiano, Ginger e Fred nunca teve o reconhecimento merecido. Algo inconcebível. No entanto, permanece bastante atual. Além disso, temos aqui a reunião, pela primeira vez, de Giulietta Masina e Marcello Mastroianni, a dupla de atores mais emblemática de toda a filmografia de Fellini.

GINGER E FRED (Ginger e Fred – Itália 1986). Direção: Federico Fellini. Elenco: Giulietta Masina, Marcello Mastroianni, Franco Fabrizi, Friedrich Ledebur, Antoine Saint Jean, Friedrich Thun e Salvatore Billa. Duração: 125 minutos. Distribuição: Versátil.
24/01/2020 - 01:20
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Um grande artista costuma recorrer às suas obsessões nas obras que cria. No caso de Federico Fellini, uma delas, como o título já deixa claro, se encontra bela e magistralmente retratada em Cidade das Mulheres, de 1980. Com roteiro dele próprio, escrito junto com Bernardino Zapponi e Brunello Rondi, o filme, de certa forma, expande a premissa apresentada pelo diretor no curta A Tentação do Dr. Antônio, que fez parte do projeto Boccaccio ’70, que reuniu Fellini, Vittorio De Sica, Mario Monicelli e Luchino Visconti. Tudo começa em uma viagem de trem onde Snàporaz, vivido por Marcello Mastroianni, alterego do diretor, é seduzido por uma linda mulher (Bernice Stegers). A partir daí embarcamos poeticamente para um espaço onírico tipicamente felliniano. Temos aqui um estudo que busca reavaliar o papel das mulheres na obra do cineasta, ao mesmo tempo em que reavalia também o papel dos homens. E mestre Fellini já inicia o filme com uma sutil brincadeira metalinguística ao revelar uma voz feminina que questiona: "Ainda Marcello? Por favor, maestro”.

CIDADE DAS MULHERES (La Città dele Donne – Itália 1980). Direção: Federico Fellini. Elenco: Marcello Mastroianni, Anna Prucnal, Bernice Stegers, Donatella Damiani, Ettore Manni, Gabriella Giorgelli e Dominique Labourier. Duração: 139 minutos. Distribuição: Versátil.
23/01/2020 - 01:18
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Fellini teve participação marcante no nascimento do neorrealismo italiano ao colaborar com os roteiros de Roma, Cidade Aberta e Paisà, ambos dirigidos por Roberto Rossellini. Quando começou a dirigir seus próprios filmes, Fellini criou um estilo bastante pessoal e único de contar suas histórias, distante da escola neorrealista. No entanto, em 1978 quando dirigiu Ensaio de Orquestra o cineasta retomou as lições daquele importante movimento que ajudou a criar. E foi além. O roteiro, escrito por ele junto com Brunello Rondi, conta a história, com adianta o título, do ensaio de uma orquestra. Mas, não se trata de um ensaio qualquer. O olhar apurado e genial de Fellini transforma aquele cenário em um microcosmo da realidade italiana da época. A mão firme e tirânica do condutor (Balduin Baas), bem como as intrigas entre os músicos, potencializados com a presença de uma equipe de TV que está no local para produzir um documentário. Esta obra enxuta de apenas 70 minutos vem carregada de forte teor político e reforça a habilidade de Fellini em lidar com outros temas fora de sua zona de conforto.

ENSAIO DE ORQUESTRA (Prova d’Orchestra – Itália 1978). Direção: Federico Fellini. Elenco: Balduin Baas, Clara Colosimo, Elizabeth Labi, Ronaldo Bonacchi, Ferdinando Villella e Franco Javarone. Duração: 70 minutos. Distribuição: Versátil.
22/01/2020 - 01:12
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Federico Fellini nasceu em Rimini, de onde saiu 19 anos, em 1939. Em 1972, quando dirigiu Roma de Fellini, ele queria apresentar a cidade que o adotou. Com roteiro escrito por ele junto com Bernardino Zapponi, o filme é um belo e pessoal passeio pela Cidade Eterna. Fellini nos conduz com seu olhar único em uma jornada inesquecível pela capital da Itália. Não espere encontrar lugares-comuns. A narrativa não se ampara em uma estrutura cronológica tradicional. Temos o cineasta, em diferentes idades, chegando à Roma e nos mostrando tudo com seus olhos. Há também um momento metalinguístico onde o próprio Fellini aparece fazendo um filme dentro do filme e interagindo com as pessoas. A rotina da cidade e seus habitantes, além de lugares icônicos e de um fabuloso desfile de moda eclesiástica, sem esquecer das típicas personagens do universo felliniano. Roma de Fellini é uma declaração de amor do diretor à cidade que o acolheu e que ele tão bem projetou para o mundo com sua obra popular e sofisticada, autêntica e autoral, universal e única. Coisa de gênio. Em tempo: a atriz Anna Magnani fez aqui sua última aparição em um filme.

ROMA DE FELLINI (Roma - Itália 1972). Direção: Federico Fellini. Elenco: Britta Barnes, Peter Gonzales, Fiona Florence, Elisa Mainardi, Marne Maitland e Anna Magnani. Duração: 120 minutos. Distribuição: Versátil.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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