16/02/20
32º/19ºLONDRINA
Marden Machado
Marden Machado
21/01/2020 - 01:09
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Em 1969, o cineasta Federico Fellini já havia recebido sete indicações ao Oscar, seja como roteirista ou diretor. Além disso, três filmes seus haviam ganho o Oscar de melhor filme estrangeiro (A Estrada da Vida, Noites de Cabíria e 8 ½). Sem esquecer uma Palma de Ouro em Cannes por A Doce Vida. Ele podia fazer o que quisesse. E como nunca foi um artista acomodado fez Satyricon de Fellini. O nome do diretor no título do filme se justifica pelo fato de Gian Luigi Polidoro ter registrado o nome "Satyricon” antes. Baseado no livro de Petrônio, com roteiro escrito pelo próprio Fellini, junto com Bernardino Zapponi, nos apresenta a Roma antiga através dos olhos de Encolpio (Martin Potter), que disputa o amor de Gitone (Max Born), um jovem e bonito escravo, com seu amigo Ascilto (Hiram Keller). A frase do cartaz não poderia ser mais apropriada: "Roma. Antes de Cristo. Depois de Fellini”. Da mesma forma que o livro de Petrônio, encontrado faltando partes, esta obra felliniana segue o mesmo caminho com seus diálogos incompletos. A ousadia do mestre italiano se percebe na forma que encontrou para contar esta história em 25 episódios que nos levam por uma jornada de sexo e luxúria em ritmo de sonho. Exagerado e belo ao mesmo tempo, Satyricon de Fellini faz jus ao seu criador.

SATYRICON DE FELLINI (Fellini Satyricon – Itália 1969). Direção: Federico Fellini. Elenco: Martin Potter, Hiram Keller, Max Born, Salvo Randone, Mario Romagnoli, Magali Noël, Alain Cuny e Capucine. Duração: 129 minutos. Distribuição: Versátil.
20/01/2020 - 00:50
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O grande mestre italiano Federico Fellini já trabalhava como roteirista há oito anos quando teve sua primeira chance como diretor. Na verdade, uma chance pela metade, já que Mulheres e Luzes, de 1950, foi codirigido por ele, que dividiu o trabalho com Alberto Lattuada. No entanto, é possível perceber já nesta obra de estreia algumas das características que marcariam a carreira do cineasta ao longo dos 40 anos seguintes. A começar pela história, criada por Fellini e que teve o roteiro escrito por ele próprio, junto com Lattuada e Tullio Pinelli. Tudo tem início quando a jovem Liliana (Carla Del Poggio), aspirante a estrela de teatro, procura Checco (Peppino De Filippo) para se juntar à sua trupe de artistas. Ela o seduz, para desespero de Melina (Giulietta Masina), parceira de Checco. Além disso, a presença de Liliana acaba por provocar algumas alterações na rotina do grupo. Mulheres e Luzes é um filme cheio de vida e que, apesar de conter ainda alguns elementos do neorrealismo, já deixa claro o distanciamento que os futuros trabalhos de Fellini tomariam. Porém, o carinho dele pelas personagens e seu amor pelo teatro de revista, que tem muito do circo, da mesma forma que a presença de figuras caricaturais, já estão presentes aqui. Uma curiosidade: a brasileira Vanja Orico participa cantando "Meu Limão, Meu Limoeiro”.

MULHERES E LUZES (Luci del Varietà – Itália 1950). Direção: Federico Fellini e Alberto Lattuada. Elenco: Peppino De Filippo, Carla Del Poggio, Giulietta Masina, Folco Lulli, Carlo Romano, John Kitzmiller e Vanja Orico. Duração: 97 minutos. Distribuição: Versátil.
19/01/2020 - 07:04
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A roteirista, fotógrafa, atriz e diretora francesa Mati Diop nunca abandonou as raízes senegalesas de sua família e herdou do seu tio, Djibril Diop Mambéty, que é considerado um dos maiores cineastas africanos, a paixão pela sétima arte. Ela o homenageou no curta Mille Soleils (Mil Sóis), que se conecta com Touki Bouki: A Viagem da Hiena, obra mais festejada de Mambéty. Atlantique, de 2019, marca estreia de Diop em longas após uma série de curtas nos quais exercitou seu talento narrativo. Com roteiro dela própria, junto com Olivier Demangel, o filme nos apresenta a jovem Ada (Mame Sane). Ela é apaixonada por Souleiman (Ibrahima Traoré), que trabalha como pedreiro, apesar de estar com casamento marcado com Omar (Babacar Sylla), filho de uma rica família da região onde a ação acontece, nos arredores de Dakar. Atlantique nos conduz inicialmente por um romance proibido entre adolescentes e tem sua primeira grande virada ao revelar que Souleiman e outros amigos que trabalhavam com ele na construção de um prédio entraram em um barco com destino à Espanha. A partir daí, a história adquire surpreendentes toques sobrenaturais. Falado em "wolof”, língua mais comum no Senegal, Atlantique expande aqui a história contada por Mati Diop em seu primeiro trabalho, Atlânticos, um documentário de curta-metragem que ela havia realizado dez anos antes. Em tempo: esta foi a obra indicada para representar o Senegal na disputa do Oscar 2020 na categoria de melhor filme internacional e chegou a figurar entre os dez pré-selecionados pela Academia, no entanto, não ficou entre os cinco finalistas.

ATLANTIQUE (Atlantique – Senegal/França 2019). Direção: Mati Diop. Elenco: Mame Sane, Amadou Mbow, Ibrahima Traoré, Nicole Sougou, Amina Kane e Babacar Sylla. Duração: 106 minutos. Distribuição: Netflix.
18/01/2020 - 01:21
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O Batman apareceu pela primeira vez na edição 27 da revista Detective Comics, em maio de 1939. Seu maior inimigo, o Coringa, surgiu menos de um ano depois, em abril de 1940, justamente no número da revista do Batman. Ou seja, desde sempre o "palhaço do crime” foi o grande oponente do "homem-morcego”. Criado por Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson, inspirado pelo ator Conrad Veidt no filme O Homem Que Ri, dirigido em 1928 por Paul Leni. Nos quadrinhos, é quase unanimidade, considerar A Piada Mortal, publicada em 1988 com texto de Alan Moore e desenhos de Brian Bolland, a melhor história de origem da personagem. No cinema ele já teve três versões: primeiro, em 1989, vivido por Jack Nicholson, em Batman, de Tim Burton; depois, em 2008, interpretado por Heath Ledger, em Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan; e a terceira ocorreu no ano de 2016, no desastroso Esquadrão Suicida, de David Ayer, na pele de Jared Leto. Em 2019 o nêmesis do paladino de Gothan City ganhou um filme de origem sob a direção de Todd Phillips, que também escreveu o roteiro, junto com Scott Silver. Coringa tem à frente do elenco o ator Joaquin Phoenix, em desempenho quase mediúnico. Mas, apesar do que o título sugere, a obra é centrada na figura de Arthur Fleck, o homem que viria a se tornar o Coringa. Ele trabalha como palhaço, vive com a mãe doente e toda semana visita uma assistente social por conta de problemas mentais. Arthur também é acometido de uma risada incontrolável sempre que fica nervoso. Certo dia ele comete um crime e, a partir daí, gradativamente, a loucura aumenta. Há em Coringa algumas liberdades narrativas em relação ao universo conhecido do Batman, seja nos quadrinhos ou no cinema. Em especial, na forma como Thomas Wayne (Brett Cullen) é apresentado. A abordagem de Phillips remete aos cinema americana da virada dos anos 1970 para 1980. E Martin Scorsese, em especial nos filmes Taxi Driver e O Rei da Comédia, são duas fortes influências. Não por acaso que Robert De Niro tem participação importante aqui. A exemplo de outros trabalhos recentes, Coringa se enquadra na categoria de "crítica social” e desenvolve sua narrativa justamente na diferença de classes e na ausência do Estado. Arthur Fleck pode ser considerado uma vítima ou "produto” desse vácuo, no entanto, o filme não usa isso como argumento para endossar as ações que ele empreende. Em outras palavras, explica, mas, não justifica. A aposta da Warner de investir em um filme de vilão se revelou bem-sucedida. A produção de pouco mais de 50 milhões de dólares faturou, apenas nos cinemas, mais de um bilhão de dólares. E ainda recebeu 11 indicações ao Oscar 2020, entre elas a de melhor filme, ator, roteiro adaptado e diretor.

CORINGA (Joker – EUA 2019). Direção: Todd Phillips. Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Glenn Fleshler, Leigh Gill e Josh Pais. Duração: 122 minutos. Distribuição: Warner.
17/01/2020 - 05:36
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É comum ouvirmos dizer que "a vida imita a arte” ou mesmo que "a arte imita a vida”. No caso do filme Dois Papas, produção anglo-italiano da Netflix dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles, estamos diante de uma nova abordagem. O roteiro do inglês Anthony McCarten se apropria de farto material noticiado pela imprensa a respeito da eleição do papa Bento 16, de sua renúncia posterior e da ascensão do papa Francisco, aliado à imaginação do roteirista a respeito de supostas conversas que JosephRatzinger e Jorge Bergoglio teriam tido. Os dois são, respectivamente, Bento e Francisco, os papas do título. Em uma história como esta, calcada fortemente em diálogos, é imprescindível que os atores à frente do elenco sejam geniais. E não poderia ter havido escolha melhor que os galeses Anthony Hopkins e Jonathan Pryce para viveram os dois. E Meirelles, ciente do talento de ambos, deu o espaço necessário para que eles brilhassem em cena. Duas pessoas completamente diferentes e que, através do diálogo (algo que tem faltado bastante em muitas mesas do mundo nos dias atuais), se conectam através de uma causa maior, no caso, o bem da Igreja Católica. O que fica de Dois Papas é uma bela e urgente lição de tolerância. Em tempo, o filme recebeu três importantes indicações ao Oscar 2020: melhor ator para Jonathan Pryce; melhor ator coadjuvante para Anthony Hopkins e melhor roteiro adaptado para Anthony McCarten.

DOIS PAPAS (The Two Popes – Inglaterra/Itália 2019). Direção: Fernando Meirelles. Elenco: Jonathan Pryce, Anthony Hopkins, Juan Minujin, Luis Gnecco, Cristina Banegas, Renato Scarpa e Sidney Cole. Duração: 126 minutos. Distribuição: Netflix.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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