24/02/20
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Marden Machado
Marden Machado
14/01/2020 - 06:03
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O cineasta dinamarquês Lars von Trier é um dos idealizadores do movimento Dogma 95, ao lado do conterrâneo Thomas Vinterberg. No entanto, há muito que ele abandonou completamente o estatuto que ele próprio criou. A Casa Que Jack Construiu, que escreveu e dirigiu em 2018, é apenas mais uma prova exemplar desse distanciamento. Acompanhamos aqui o arquiteto Jack (Matt Dillon) por um período de 12 anos. Tudo começa quando ele mata uma mulher e descobre ter prazer nisso. A partir daí novos crimes são cometidos e a técnica se aperfeiçoa. Até pelo fato de ele contar com o descaso de todos em relação às vítimas. Von Trier é um diretor misógino na maioria de suas obras. Não é diferente em A Casa Que Jack Construiu. Porém, o filme mantém nosso interesse, em primeiro lugar, pelo absurdo da história que está sendo contada e seus desdobramentos. Além disso, Matt Dillon brilha no papel de Jack e tem a companhia luxuosa do grande ator alemão Bruno Ganz, que vive Virgílio, a quem o assassino compartilha seus feitos. Violento e graficamente impactante, von Trier mantém seu estilo polêmico e, como de costume, divide opiniões.

A CASA QUE JACK CONSTRUIU (The House That Jack Built – Dinamarca 2018). Direção: Lars von Trier. Elenco: Matt Dillon, Bruno Ganz, Uma Thurman, Siobhan Fallon Hogan, Sofie Grabol e Jeremy Davies. Duração: 152 minutos. Distribuição: Califórnia Filmes.
13/01/2020 - 00:29
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No início dos anos 1970 surgiu nos Estados Unidos um movimento chamado de "blaxploitation”, composto por obras escritas, produzidas, dirigidas e estreladas por artistas negros. Eram, em sua maioria, filmes policiais e de ação que eram exibidos quase que exclusivamente para as comunidades negras e obtiveram grande sucesso. Um dos nomes mais destacados nesse período foi Rudy Ray Moore, mais conhecido pelo codinome de Dolemite. Ele se fez notar em muitas frentes, como cantor, comediante, produtor e ator. Sua trajetória está retratada com bastante humor (e não poderia ser diferente), no divertidíssimo Meu Nome é Dolemite. Com direção de Craig Brewer, a partir de um roteiro da dupla Scott Alexander e Larry Karaszewki, o filme tem à frente do elenco Eddie Murphy em inspirada atuação, assim como todos em cena, com destaque especial para a participação de Wesley Snipes, no papel de D’Urville Martin, diretor do primeiro dos quatro filmes protagonizados por Dolemite.

MEU NOME É DOLEMITE (Dolemite Is My Name – EUA 2019). Direção: Craig Brewer. Elenco: Eddie Murphy, Keegan-Michael Key, Mike Epps, Craig Robinson, Tituss Burgess, Da’Vine Joy Randolph, Kodi Smit-McPhee, Snoop Dogg e Wesley Snipes. Duração: 118 minutos. Distribuição: Netflix.
12/01/2020 - 06:59
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Aproximadamente um ano depois do lançamento da animação PéPequeno, uma outra produção tem um yeti no centro da trama. Porém, a abordagem feita em Abominável é bem diferente e segue o modelo de outros filmes que já abordaram esta fantástica criatura. Com roteiro original de Jill Culton, que dirigiu a obra junto com Todd Wilderman, a ação tem início em Shanghai, na China, quando a jovem Yi encontra um yeti, que ela batiza com o nome de Everest, escondido no telhado de seu prédio. Com a ajuda de amigos, ela decide levá-lo até a montanha onde vivem outros como ele. Mas, para isso, precisarão se livrar da perseguição de um grupo que quer recapturar a criatura. Abominável, apesar da boa premissa e do carisma da personagem principal, carece de um pouco de criatividade. Isso não impede a diversão, é verdade. Mas, havia aqui potencial para muito mais.

ABOMINÁVEL (Abominable – China/EUA 2019). Direção: Jill Culton e Todd Wilderman. Animação: 97 minutos. Distribuição: Universal.
11/01/2020 - 04:59
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Existem muitas lendas e histórias envolvendo abomináveis homens das neves. Algumas são sérias e fazem uso de bases científicas. Outras são puramente de ficção-científica e até misturado com doses de terror. E há também os desenhos animados. Este é o caso PéPequeno, produção dirigida por Karey Kirkpatrick e Jason Reisig, a partir de um roteiro do próprio Kirkpatrick, escrito junto com Clare Sera e tendo por base o livro de Sergio Pablos. O mais interessante aqui é como a história é contada. Temos um grupo de yetis, criaturas conhecidas pelo nome de "abomináveis monstros das neves”. Eles vivem em paz e harmonia seguindo a tradição e as "certezas” contidas nas pedras. Ao contrário do que pensamos, para os yetis, nós, seres humanos, não passamos de uma "lenda urbana”. Não é bem assim. Pelo menos para Migo, que acredita o que o povo de pé pequeno realmente existe. E cabe a ele provar quem está com a razão. Uma das boas coisas que as animações proporcionam é tratar de questões sérias de maneira lúdica. É isso que vemos aqui. Em tempos de pessoas tão certas e convictas de suas verdades (que nunca são absolutas), é preciso um pouco de tolerância e bom senso para escutar o outro e procurar estabelecer um diálogo. A evolução e o crescimento vêm sempre do diferente e nunca do igual.

PÉPEQUENO (Smallfoot – EUA 2018). Direção: Karey Kirkpatrick e Jason Reisig. Animação. Duração: 96 minutos. Distribuição: Warner.
10/01/2020 - 00:51
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Nascida no Quênia e criada na Inglaterra, a cineasta Gurinder Chadha montou sua própria produtora em 1990 e começou a trabalhar com audiovisual. Primeiro com documentários de curta-metragem para a televisão, depois com curtas de ficção até a estreia em longas no ano 2000. Quando dirigiu Driblando o Destino, em 2002, chamou a atenção da indústria e, desde então, vem mantendo uma filmografia das mais interessantes. A Música da Minha Vida, de 2019, se inspira na vida do jornalista Sarfraz Manzoor, que escreveu um livro sobre sua paixão pelas canções do músico americano Bruce Springsteen. O roteiro, do próprio Manzoor, escrito junto com Chadha e seu marido Paul Mayeda Berges, se passa no ano de 1987, em Luton, localizada a pouco mais de 50 km de Londres. Javed (Viveik Kalra), alterego de Manzoor, é um adolescente filho de paquistaneses. Mesmo tendo nascido em solo britânico, ele sente diariamente o preconceito por conta de sua origem e ainda tem que lidar com a rigidez de seu pai (Kulvinder Ghir). Tudo muda quando seu amigo Roops (Aaron Phagura) lhe presentear com fitas K7 de Springsteen. A partir daí, ancorado nas letras do "chefe” e contando com o apoio da professora Clay (Hayley Atwell), Javed descobre um sentido para sua existência. A Música da Minha Vida deixa claro, mais uma vez, que a arte é a melhor forma de transformar e elevar as pessoas.

A CANÇÃO DA MINHA VIDA (Blinded by the Light – Inglaterra 2019). Direção: Gurinder Chadha. Elenco: Viveik Kalra, Dean-Charles Chapman, Nell Williams, Kulvinder Ghir, Nikita Mehta, David Hayman, Aaron Phagura e Hayley Atwell. Duração: 118 minutos. Distribuição: Warner.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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