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Como sobreviver ao mundo fashion

31 dez 1969 às 21:33
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A primeira vez que cobri um evento de moda da proporção da São Paulo Fashion Week foi em junho passado. Com alguma experiência na reportagem de Cultura e Geral, confesso que me senti como na minha primeira vez cobrindo uma sessão na Assembléia Legislativa: ''Será que isso é sério ?'', me perguntava. Com o passar das horas, assim como aquela minha primeira cobertura política, descobri que a seriedade é uma questão relativa. Há tanto empenho e objetividade nas mãos dos jornalistas especializados, que escrevem rápido durante o desfile coisas como ''bordados'', ''pregas'' e ''balonês'', e depois desenvolvem textos de laudas e laudas sobre as próximas tendências, como o texto daqueles que vão tentar resumir o próximo projeto municipal. Sério.

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Só para dar uma idéia da cobertura do evento, são cerca de 2,5 mil jornalistas cadastrados. Você é só mais um na multidão, então não adianta dar chilique e tentar explicar para assessoria problemas como perda de crachá, fundamental para entrar na Bienal do Ibirapuera, local que acontecem a maioria dos desfiles, ou os convites. Se o cabo do computador quebrou ou se você não tem um notebook e precisa disputar as máquinas da sala de imprensa com aquelas outras centenas de jornalistas em fase de fechamento, amigo, o problema é só seu. Resolva.

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Essa independência toda faz com que a gente se transforme. Um jornalista amigo comentou que está fazendo uma análise de como as pessoas se comportam na sala de desfiles. Isso vale para a imprensa, claro. Juro que não cheguei a protagonizar nenhuma cena de diva (espero!), mas vi vários casos. Na minha estréia na cobertura, fiquei espantada, por exemplo, ao ver um jornalista esbravejar que tinha recebido convite na fila B e o quanto isso era um desrespeito para o veículo dele (um blog, como eu descobriria mais tarde).


Fila B, A? Como assim? Até então eu nem sabia o quanto a sua posição na sala era proporcional a sua importância para assessoria, para grife e para os holofotes. Ou a sua sorte. Ou mais ainda: a sua cara de pau. Porque tem gente que simplesmente senta onde quer, não respeitando o mapeamento e ainda faz banca para provar que apenas ''esqueceu'' o convite ou ''vocênãosabecomquemestáfalando?''. Para esclarecer: é na Fila A que estão os melhores brindes das marcas. E é também nessa disposição que você tem mais chance de aparecer na TV. Ou apenas de aparecer.

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Superada essas crises de jornalista-pseudocelebridade-blogueiro-chiliquento (e eles são vários, acredite) ou daqueles que esquecem que estão ali para informar e não para se mesclar às celebridades - ou ser uma delas -, vem a questão logística. Os desfiles começam pela manhã e terminam perto da meia noite. Para escrever e mandar o material é preciso faltar um deles ou ser rápido o bastante para tentar resolver tudo no intervalo entre um e outro. Mas nesse meio tempo, é preciso conhecer os lounges dos patrocinadores, que também oferecem notícias de bandeja. São tendências, shows, palestras, bate-papos, na maioria das vezes superbacanas, mas você simplesmente não vai ter tempo de acompanhar se você ainda não se cadastrou para experiência de clonagem.


Mas como já me sinto quase veterana nesse mundo de fashionistas relâmpagos (afinal já foram dois eventos, vejam só), estou quase conseguindo avaliar essa montanha de estímulos e tentar separar o que há de relevante. E tem relevância nesse setor, sim, já avisando para os mais descrentes. Tem história, comportamento e, claro, moda. É só ter olhos atentos para observar esse curioso laboratório humano.

Katia Michelle
Colunista da Folha


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