14/07/20
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Isabel Furini
Isabel Furini
13/07/2020 - 07:59
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O assunto da entrevista é a Cultura da Paz. Nosso amigo, Dhiogo J. Caetano enviou essa entrevista pelo e-mail.

Alexandre Sorriso é publicitário de formação, contador de histórias por paixão... Do filme ao vídeo, há 26 anos na estrada buscando e ouvindo experiências...

Alexandre Sorriso
Alexandre Sorriso


. Em sua opinião, o que é cultura?
Cultura é tudo o que nos traz algum tipo de informação ou conhecimento novo, que nos faz refletir e questionar, que nos emociona, que nos tira da inércia...

. Você se considera um difusor cultural? Qual é o seu papel neste vasto campo da transformação mental, intelectual e filosófica?
Na posição de contador de histórias talvez seja sim um difusor cultural com uma oportunidade privilegiada de conhecer pessoas com as mais diversas experiências e conhecimentos. Mas penso que qualquer pessoa, independentemente de suas raízes, profissão e credo, que passe à frente suas próprias experiências e conhecimento é, de alguma maneira, um difusor cultural.

. Como você descreve o processo de aculturação, ao longo da formação da sociedade brasileira?
O brasileiro é um administrador de experiências nato! Emoção pura, sangue quente... Aceita o diferente com incrível generosidade... A mistura de povos na nossa sociedade sempre será um diferencial difícil de ser igualado... Do caipira ao gringo, todos querem ser brasileiros... E todos são!

. Que problemática você destaca na prática da difusão cultural?
Penso que em toda sociedade há talentos que jamais serão descobertos... Seja no esporte, nas exatas, nas humanas, há fatores que dependem no meu ver de uma certa conspiração do Universo... O problema não é a dificuldade em difundir o que se conhece em algum pedaço de sociedade, mas minimizar essa quantidade de seres brilhantes que não conseguem ultrapassar a escuridão... A falta de oportunidade é muitas vezes o maior muro entre a luz e a falta dela.

. Comente sobre o espaço digital, destacando sua importância no cenário cultural.
Uma ferramenta mal usada como tantas outras, mas com incrível poder de multiplicação... A dúvida é como filtrar tanta boçalidade, banalidade e egoísmo e deixar respirar o que realmente importa. Somos uma sociedade carente ao extremo, mal formada educacionalmente, sem acesso a estruturas básicas de sobrevivência... Domar o universo digital seria o primeiro passo para uma evolução cultural realmente significante, mas cada vez mais acho essa bestificação em massa difícil de reverter... Poucos são os que conseguem ter o privilégio de ter acesso a somente o que os interessa e multiplicar positivamente suas experiências nesse mundo globalizado... Penso que continuaremos a conviver com a sorte e o azar nas nossas escolhas, independente se estamos mais ou menos conectados... Mudou a velocidade, a acessibilidade e até o tamanho do dispositivo, mas não a mente de quem está na frente da tela...

. Qual mensagem você deixa para todos os fazedores culturais?
Que continuemos fazendo e acreditando. E fazendo mais o que acreditamos... E acreditando mais no que fazemos...

Entrevista de Dhiogo J. Caetano
10/07/2020 - 07:51
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GENESE


O dia nasceu em mim
e ficou...
No silêncio a solitude
de um estado orgásmico
comungando o intermeio,
a entrecena onde sei
que nada sei e fico.
E além de nela pousar
o que preciso
além da permissão?
Da nulidade à completude
basta esse encantamento
para celebrar a semente

Vania Clares


DAS ESCOLHAS


A fome e a sede de doces palavras
denunciam o sonho e o meu desejo.
Quero voz para libertar as amarras,
minha ânsia delira no que versejo.

Como desassociar de mim o espaço
onde perfazem mil eus e seus rumores?
Arrasto as dores e nas almas me embaraço,
assumo como meus os seus temores

Céus! Concedam que em mim se recicle
todo o mal que os incrédulos germinam.
Seja eu poeta, aquele que ciente permite
se formar na essência o que ensejam!

E quando em mim o desalento acumula
o resto, a ira, a revolta, eu também lamento.
Ordeno, separo das palavras o que anula
o encantamento, e lanço ao dia renascimento!

Vania Clares


Vania Clares, paulistana, poetisa, escritora e contista, escreveu dezessete livros, treze publicados na amazon.com. Membro da ACL-Academia Contemporânea de Letras.
vaniaclares.blogspot.com
09/07/2020 - 14:40
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Poema de amor de Daniel Mauricio

Ontem
Eu queria o mundo.
Hoje
Só quero você.
O que dá quase na mesma coisa.

Daniel Mauricio

08/07/2020 - 08:59
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Quem me conhece mais intimamente vai pensar, como assim, indicando uma série, logo você que foge delas como o diabo foge da cruz! Mas, sei que há coisas interessantes, embora a palavra maratona me pareça mal utilizada neste sentido, mesmo em tempos de quarentena. Também fico muito receosa com as notificações que mostram o que eu devo assistir. Sinto-me vigiada e influenciada. E isto eu não quero! Mas, temos que ser flexíveis como um bambu e analisar com critério o que pensamos sobre algo. Por sugestão (e até insistência) da minha filha, Gabriele Velo, comecei assisti a belíssima série "Anne with an E” e fiquei completamente apaixonada. E confesso, já assisti as três temporadas. Nunca diga desta água eu não bebo!


SOBRE A SÉRIE


A série da Netflix "Anne with an E” é baseada no best-seller de um dos maiores clássicos da literatura canadense "Anne de Green Gables”, escrito por Lucy Maud Montgomery, lançado em 1908. É uma série de livros muito popular no Canadá que acompanhou a vida da personagem Anne dos 11 até por volta dos 40 anos e continuou com seus filhos. A história se passa por volta de 1890 e conta a história da falante, inteligente, esperta, imaginativa e sonhadora Anne. Ela vive em um orfanato onde passa por situações constrangedoras e de maus tratos até ser adotada (por engano) por um casal de irmãos idosos que precisa de um menino para ajudar na fazenda em que vivem.


TEMAS POLÊMICOS

Em tempos em que uma pedra vira um meteoro, a série "Anne with an E” trata de assuntos espinhosos com uma delicadeza e pureza tocantes. É difícil elencar todos os temas, alguns deles: adoção, bullying, adolescência, autoestima, morte, racismo, feminismo, liberdade de expressão, entre outros. Todos são abordados com sutileza sem levantar bandeiras e atinge-nos de forma profunda. Infelizmente, a série encerra-se em sua terceira temporada. O motivo alegado pela direção da Netflix é a baixa audiência. Anne é apaixonada pela vida e é irresistível não se apaixonar por ela. Há boatos que a Disney dará continuidade a série. Eu já estou com os dedos cruzados.


MUITOS MOTIVOS PARA ASSISTIR

A história e os personagens já são suficientes para você se encantar pela série "Anne with an E”, mas, ainda há a fotografia que é a cereja do bolo. A província de Príncipe Eduardo e a Fazenda Green Gables são locais onde acontecem originalmente a história sendo pontos turísticos no Canadá. Grande parte das filmagens foram feitas nestes locais que a todo momento nos transportam para terras verdejantes e praias com areias brancas e rochedos. Para encerrar, deixo uma frase (há inúmeras) que mostra um pouco do espírito revolucionário e sincero de Anne.

"Por que as pessoas precisam se ajoelhar para rezar? Se eu realmente quisesse orar, isso é o que faria. Eu iria para um grande campo, totalmente sozinha, ou uma floresta profunda e olharia para o céu, para cima, para aquele lindo céu azul sem fim, e apenas sentiria uma oração. "

Katia Velo

Série: Anne with an E
Série da Netflix filmada no Canadá
3 temporadas (2017-2019)


Katia Velo
06/07/2020 - 06:52
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- Filó, oi Filó, aqui na cerca. Vamos ao culto hoje? Vai ter coral. Sabe que...
- Espera Jandira, deixa eu fechar aqui que o João Bocudo está espiando a gente, já volto.
Um barulho de veneziana se fechando, xingamentos ininteligíveis e a vizinha volta à janela.
- Fechei. Tem dias que aquele chato está demais. Ele fica com aqueles "zóião” olhando tudo o que a gente faz.
- Eu tenho uma raiva dele! Esses dias ele me parou na rua e perguntou por que eu ficava me abanando e, veja só, por que eu não comprava um ar condicionado para ficar em casa. Eu disse que era pobre e gorda. É um bocó.
- Sabe o que ele me perguntou? Por que eu não comprava uma máquina de lavar roupa, para deixar de lavar tudo no tanque. O homem é louco? Sou lavadeira. Não temos dinheiro nem para cortar o cabelo dos piás...
- Eu acho que ele tem problemas na cabeça. Esses dias pegou o Wellington pelo braço e mandou que ele fosse colocar um tênis. Disse que menino não podia jogar bola descalço. O piá entrou em casa correndo e com medo do monstro. Tênis.... Pois sim. Se eu tivesse dinheiro para comprar tênis para os guris, eu compraria casaco para eles usarem no inverno.
- Olha ali o idiota, está agachado na cerca, escutando a nossa conversa. Está vendo aí?
- Eu vou jogar uma coisa nele. Espera só para ver.
Um pão seco passa voando pela janela da vizinha e cai bem perto do Seu João, que realmente estava escondido entre alguns entulhos na frente das casas.
Seu João, o João Bocudo como o pessoal da pequena vila o chama, mora em uma casa grande de madeira, com um enorme terreno. A única casa com mais de 4 peças na vizinhança pobre. Sempre foi fechado; não tinha parentes; não conversava com ninguém, apenas observava. A casa amarela desbotada e com as janelas caindo precisava de uma reforma urgente, antes de desabar, mas ele não se importava. Vivia a maior parte do tempo perambulando pelas estreitas ruas, olhando e bisbilhotando a casa e a vida dos vizinhos.
Várias vezes foi pego dentro de alguma casa simples, olhando os objetos. Era enxotado e por diversas vezes levou safanões das donas de casa.
O apelido pegou. Todos os chamavam de João Bocudo porque ele tinha mania de ficar perguntando coisas para as pessoas. A última dele foi com o Varleisson, ele queria saber porque o menino era tão feio com aquele cabelo comprido e que ele e os irmãos deveriam ir a um barbeiro. O filho da lavadeira, nem sabia o que responder, pois como uma mulher que só tem o tanque como instrumento de trabalho pode ainda ter dinheiro para levar os 5 meninos no barbeiro?
Apesar da intromissão e chatice do Sr. João, as pessoas da vila não tomavam providências maiores que jogar um pão velho na direção dele. Afinal, todos pensavam:
- Coitado, sozinho, naquela casa podre, deve ser igual a todo mundo aqui: pobre e miserável.
Como ninguém sabia da vida dele, deixavam que fosse vivendo como queria. Apenas a moça da casinha azul conversava com ele. Ela e o marido construíram uma casa de dois cômodos em um pedaço de terreno emprestado. Viviam bem na moradia arrumada e cheia de flores. Só não tinham filhos como os demais casais do local.
Alaíde era simpática com todos e dava aula de dança para as crianças da vila na rua mesmo, pois não tinha local. As crianças e jovens adoravam a meiga professora e com a música bem alta de um aparelho de som ligado a muitos fios, dançavam depois das 5 da tarde até o anoitecer. Mesmo nos dias de chuva, lá estavam as crianças esperando pela professora que ficava entristecida em não poder dar aula na rua.
Alaíde conversava com o Sr. João. Sentavam os dois no banco de madeira construído por um pai de aluno na frente da casa dela. Ela fazia pão com margarina na frigideira e limonada e os dois ficavam muito tempo rindo, falando da vida, do passado dele, do futuro dela ou simplesmente sentados, olhando as estrelas, as pessoas.
Ninguém entendia aquele relacionamento: o homem estranho com a professora certinha.
Um dia, a professora voltava do trabalho e viu um ajuntamento de gente na frente da casa do Sr. João. Foi até lá e contaram que o "João Bocudo morreu, agora vai ficar com a boca cheia de formigas para aprender a não se meter na vida dos outros”.
Alaíde ficou triste. Ela gostava dele e foi no enterro. Só ela de toda a vila.
Ao sair do cemitério, um senhor de terno veio ao seu encontro e pediu que ela comparecesse no cartório do bairro, no dia seguinte às 10 horas, com o marido.
Ela não sabia o que era, mas os dois faltaram ao trabalho e no horário estavam lá. O mesmo senhor de terno os levou a uma grande sala e começou a ler o testamento do Sr. João Ivack.
- Era vontade do Sr. João que a Sra. Alaíde aqui presente fosse declarada sua herdeira, pois não tinha filhos, irmãos ou parentes próximos.
- Eu herdeira do João? Por que?
- Credo Alaíde, se este João é o João Bocudo, então você vai herdar o "zoião” e as perguntas dele. - Falou o marido brincando.
- O Sr. João deixa a propriedade da Vila Palmito para a Sra. Alaíde. Já foi contratada uma construtora para reformar a casa e construir um ginásio ao lado, para aulas de dança, todo montado.
O casal estava perplexo!
- O Sr. João deixa uma conta no banco com esta quantia para a Sra. – E o homem mostra um número cheio de zeros, depositada.
- O Sr. João deixa para a Sra. Lavadeira da vila, já comprados e que serão entregues hoje à tarde, uma máquina de lavar, uma máquina de secar, um ferro industrial e um estoque de produtos para lavar roupa. Também uma conta no barbeiro da vila para que os meninos cortem o cabelo por 2 anos.
- Deixa para a Sra. Jandira, um ar-condicionado, mais uma conta na loja de roupas para comprar tênis, agasalhos e muita roupa para os meninos. Claro, e uma conta aberta no banco onde o valor da conta de luz será debitado todo mês por 2 anos.
E assim foi, para cada morador, ele deixou um presente, aquilo que a pessoa estava precisando. Deixou também a reforma das casas e o calçamento das ruas.

- Era por isso que ele ficava bisbilhotando a nossa vida. Ele queria deixar o seu dinheiro para nós. Acho que agora temos que mudar o nome do João Bocudo para "João Abençoado”. - Falou o marido de Alaíde, pois até ele não gostava do velho João fazendo perguntas. – E você que era a única que gostava do velho traste, ele soube reconhecer e recompensar.
As pessoas da Vila Palmito mudaram. Agora todos se preocupam com os vizinhos e dão atenção aos mais velhos. Serviu a lição.
Bem, tem algum João Bocudo que queira perguntar alguma coisa para mim?

Neyd Montingelli

Neyd Montingelli nasceu em Curitiba é casada e tem 4 filhas. Formação em Psicologia, Nutrição e Laticínios. Tem 28 livros solo e participa em 130 antologias. Foi premiada em concursos de contos e poesias. Membro da ALB e ALUBRA/SP, Centro de Letras do Paraná, Núcleo de Letras e Artes de Buenos Aires e Lisboa, Embaixada da Poesia e ALMAS/Ba, AVIPAF, ALB Campos dos Goytacazes. Pelo seu desempenho na Literatura, recebeu troféu Cecília Meireles, Cora Coralina, Federico Garcia Lorca e outros; Medalha Monteiro Lobato; Medalha Melhores Poetas e Troféu Melhor Cronista, Melhor Contista, Menção Honrosa Concurso Paulo Leminski, entre outros. O livro Histórias para todas as crianças foi premiado na Suíça como livro infanto-juvenil 2018
Isabel Furini
 
Isabel Furini, escritora e educadora. Recebeu prêmios em concursos de poesia e de contos. Publicou 15 livros, entre eles: Mensagens das Flores e Ele e outros contos. Também escreve para o público infanto-juvenil. É autora da coleção "Corujinha e os Filósofos" da Editora Bolsa Nacional do Livro de Curitiba.



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