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Isabel Furini
Isabel Furini
14/09/2019 - 13:51
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Na tarde de ontem uma senhora, a qual já é minha freguesa de roupas, que doo a ela e aos filhos, veio saber se eu tinha mais alguma peça, pois ela, às vezes consegue vender algumas para juntar um dinheirinho a mais.

A filha adolescente veio junto, uma menina muito bonita que se bem cuidada seria uma princesa. Ela me contou que no final de semana haveria uma festa no salão do colégio para uma confraternização da turma, porque os alunos iriam para outros colégios e outros ficariam sem estudar.

Percebi que ela estava querendo me dizer mais com a sua história, e por isso lhe perguntei:-

-E você está animada com a festa?

Ela ergueu seus lindo olhos cor de mel, e me respondeu:

- Eu gostaria muito de ir, mas nem sapatos eu tenho, pois a mãe só compra tênis, que serve para a escola e outros lugares, mas para uma festa não. As meninas estão se preparando há muito tempo, por isso, nem penso mais no assunto.

Olhei para a mãe dela, que estava de cabeça baixa, estava com vergonha do que a filha me contou. Acabei ficando sem graça e lhe disse que iria tentar ajudar, pedi a ela que passasse em minha casa no dia seguinte.

Fiz o impossível para conseguir algumas roupas e sapatos, como não tenho filhos adolescentes, procurei uma amiga que tem duas meninas da mesma idade dela. Minha amiga ouviu a história e se comoveu, assim como eu. Acabei trazendo muitas roupas para a garota.

Na hora marcada ela chegou em minha casa. Mostrei um lindo sapato, ela vibrou de alegria, aí fomos vendo as roupas. Tudo ficou maravilhoso, então pedi a ela, que no dia da festa viesse pronta para darmos um jeito no cabelo. Assim, no dia da festa ela veio com a mãe, estava mais linda do que eu havia suposto que ficaria. O cabelo um pouco amarrado para aparecer os brincos. Olhei a imagem dela refletida no espelho e minha mente viajou para uns anos antes, dizem que devemos controlar nossas emoções, mas nem sempre conseguimos, as lágrimas rolaram intensamente sobre o meu rosto, chorei e soluçando pedi desculpas e um tempo para me recompor. Ela me perguntou o porquê do meu choro tão sentido?

E, já mais calma e sem chorar contei a história, que naquele momento voltara em minha memória.

Eu fazia o curso de magistério e a formatura era organizada durante os anos em que fazíamos o curso, havia uma mensalidade para os gastos do dia da formatura, mas nestes gastos não entravam vestido, sapato, acessórios e arrumação de cabelo. A formatura era muito bem planejada, pois é um curso do qual saímos com diploma e já podemos lecionar, depois de quatro anos somos professoras, o curso superior vem após, mas muitas já estão trabalhando em escolas.

No dia marcado, haveria missa e, em seguida a colação de grau, quando o pai acompanhava a sua filha. E lembro como se fosse hoje, uma colega chorando na porta da igreja, quando ela chegou com o pai, estávamos nos organizando para entrar na igreja em fila, e cada uma acompanhada pelo pai ou pela mãe. Quando ela viu que todas estavam bem arrumadas, e todas calçando sapatos pretos, ela soluçava, as nossas professoras foram tentar ajudar, mas não houve jeito, e nem dava mais tempo para nada, ela e o pai estavam de chinelos de dedo. Estavam bem arrumados, mas não tinham sapatos, quem sabe se ela tivesse nos falado ou confiado em alguma colega, tudo estaria arranjado, mas infelizmente o final foi triste, ela não quis entrar. Recebeu o seu diploma em outro dia, na Escola.
Este fato abalou a todos que ali estavam, jamais esqueci deste dia.

Quem sabe se ela confiasse e aceitasse que outra pessoa arrumasse o sapato para ela, tudo ficaria bem. Sei que ela se formou e estava lecionando, mas nunca mais a vi. Ainda me dói na alma o que senti naquele dia da minha formatura. Éramos em duas grandes turmas e todas ficaram sabendo do ocorrido e tudo seria diferente se ela tivesse um par de sapatos, foi lamentável.


Marli Terezinha Andrucho Boldori nasceu em União da Vitória, Paraná, graduou-se na FAFI/UNESPAR, União da Vitória, em Letras/Inglês e pós graduou-se em Produção de Textos pela FAFI/UNESPAR.
Acadêmica da ALVI, Academia de Letras do Vale do Iguaçu de União da Vitória.
Acadêmica da AVIPAF, Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia.
Colunista do Jornal Caiçara de União da Vitória.
Lançou os livros" Pensando a Vida" e
"A Magia do Amor".
Tem participação em 13 livros de Antologia.
13/09/2019 - 09:35
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A Literatura é considerada um espelho do mundo. Muitos autores defendem a ideia de que a Literatura não é só passatempo, pois ela é uma arma poderosa para a humanidade. O escritor pode expressar suas ideias, pensamentos, emoções, inquietações através de um personagem. A literatura é uma maneira de interpretar o mundo.

Ao ler o livro "Os Velhacos" (Editora Insight, 192 páginas), percebemos essa obra como uma maneira de olhar a sociedade, a política, as relações humanas, e valorizamos mais esse romance.

Miguel Araújo e João Marques, personagens do livro "Os Velhacos", ficaram na história da cidade como grandes homens e eram cultuados como heróis, mas quando seus descendentes realizam um estudo mais aprofundado percebem que foram simplesmente homens com seus sonhos, seus preconceitos e suas fraquezas. Os autores destacam a ambição desmedida: "O astuto Miguel Araújo tinha olhos treinados para vislumbrar qualquer oportunidade de ganhar dinheiro."

Trata-se de um bom romance, que nos permite entender melhor o mundo e compreender também os movimentos da alma humana. O livro de Helena Douthe e Franccis Yoshi Kawa cumpre essa função reveladora do romance, pois além de retratar o mundo político com suas falsas promessas, traições e sede de poder e enriquecimento, mostra como os personagens amam, sonham e sofrem. Nesse universo de "Os Velhacos", os personagens estão pintados com as cores da vida: amores, esperanças, decepções, coragem, medos, ciúmes e traições. A gama de sentimentos é muito ampla, porque Helena e Franccis criam personagens complexos.

Os patriarcas das famílias Marques e Araújo são vistos como heróis pela história oficial, mas essa imagem idealista é desintegrada quando documentos escondidos são revelados. As duas famílias amigas se tornam antagonistas. A trama começa no final do século XIX e termina nos anos 70, o tempo revela as ações e o carácter de cada personagem.

Destacamos a figura da protagonista Juliana Araújo, filha de Tereza. Lemos que "Tereza era dona de casa déspota e mãe tirana. Impunha uma rigorosa regra de conduta aos seus filhos, baseada na sua interpretação do que era certo ou errado. Juliana foi criada no regime de terror religioso, onde quase tudo era pecado. Reprimida pela mãe, Juliana era extremamente disciplinada e controlada até na sua manifestação de alegria."

Com o tempo Juliana vai conquistando sua liberdade, conseguindo superar as limitações religiosas e morais que a mãe lhe impôs, e mostra ao leitor que era uma mulher capaz de lutar, de se manter firme. Essa é uma característica positiva da obra, a mudança psicológica dos personagens.

No sétimo capítulo, percebemos os objetivos da protagonista: "Juliana organizou o primeiro comício, achava que precisava sair na frente, dar exemplo de ética, manter a disputa em alto nível". Juliana surpreende o leitor, quando no décimo terceiro capítulo, frustrada com as artimanhas da oposição, decide lançar dinamites na praça da cidade.

O livro foi escrito a quatro mãos, mas não incorre no erro de mostrar dicotomia. A história é verossímil. Os autores conseguiram criar um narrador que mantêm sua posição de observador do início ao final da obra.

O romance "Os Velhacos" é atual porque retrata os bastidores da política, os perigos, as desilusões, os rancores. Helena Douthe e Franccis Yoshi Kawa criaram um enredo que desperta a atenção dos leitores, pois a transformação psicológica dos personagens é produto da luta para manter a imagem, da luta pelo poder.

Os autores conseguiram imprimir um ritmo rápido, as descrições são curtas e marcantes. Os diálogos estão bem construídos. Os Velhacos é uma obra para ler e refletir.

Isabel Furini
É poetisa, escritora e educadora. Seus textos foram premiados no Brasil, Espanha e Portugal.
Contato: [email protected]

10/09/2019 - 17:12
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História de pescador

Tio Carlito e o Zé foram pescar no rio Coxim. Zé, voz mansa e arrastada, não deixa de contar os causos com os jacarés da região. Afinal, estavam no Pantanal, terra do Caiman yacaré, um bicho que vive quase 100 anos, 3 metros de comprimento, pesa até 300kg e adora ficar na água.
Viu a cara de medo do tio e aproveitou para aumentar os causos de jacarés que correram atrás de gente, que comeram os peixes de pescadores. No final do dia, com muitos peixes, montaram as barracas no camping.
À noite se ouve cantoria e gritaria. O Zé dormia. O tio ficou com medo e chama pelo sobrinho que o acalma e diz para ele ir na pousada, pois era festa da lua e todos estavam na prainha.
- Tio, coloque a bota alta, pois pode pisar em algum jacaré filhote por aí! (Riso abafado).
- Tem jacaré solto por aqui?
- Claro que não tio. Pode ir, mas coloque a bota.
Tremendo, procurou pelas botas e nada de encontrar. Abriu a barraca e esticou a mão, achou um pé e colocou. Tateou no escuro e saiu enfiando de qualquer jeito a outra bota. Estava difícil e ele foi pulando pelo caminho de pedras, puxando o cano da bota que estava muito estreito.
Quando chegou na prainha iluminada pela lua, as pessoas pararam de cantar e olhavam com espanto para o tio que estava sem os óculos e ainda tentava enfiar o pé mais fundo na garganta de um jacaré-anão.

Neyd Montingelli

Neyd Montingelli
Neyd Montingelli


Neyd Montingelli nasceu em Curitiba é casada e tem 4 filhas. Formação em Psicologia, Nutrição e Laticínios. Tem 23 livros solo e participa em 90 antologias. Foi premiada em concursos de contos e poesias. Membro da ALB e ALUBRA/SP, Centro de Letras do Paraná, Núcleo de Letras e Artes de Buenos Aires e Lisboa, Embaixada da Poesia e ALMAS/Ba. Recebeu troféu Cecília Meireles, Cora Coralina, Federico Garcia Lorca; Medalha Monteiro Lobato; Medalha Melhores Poetas e Troféu Melhor Cronista, Melhor Contista, entre outros. O livro Cavalos e contos recebeu o prêmio de Melhor Livro de Contos de 2015/16 em Ouro Preto. Recebeu o prêmio Literarte 2017, pelo conjunto da obra.
10/09/2019 - 17:02
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AROMA DE SAUDADE

Ah... o silêncio em fios tece mais um fim de tarde, um aroma de saudade envolve-me e invade-me. Olho a porta entreaberta e gostaria que assim, ela permanecesse, e essa sensação de liberdade frágil, mas ao mesmo tempo, intensa lembra-me os beijos que trocamos escutando os barulhinhos da chuva no telhado...

O tempo não para, e a saudade em aromas preenche cada segundo do meu dia; o perfume da xícara de café, que juntos tomamos, e ainda as gotinhas d’água deslizando dos teus cabelos molhados.

Há tanto amor e tão pouco tempo para viver cada nuance do cintilar do nosso olhar, pois tudo em nós é despedida... Mosaico de imagens, delineado com carinho em nossos destinos.

Enquanto escrevo lembrei-me da semente de dente -de- leão, que solitária, confiante flutuava e "voou" pelo espaço da janela entreaberta, ao encontro do céu azul e, quem sabe, pousar, devagarzinho, na doce nuvem branca com formato de flor...

Vanice Zimerman

Fotografia e Arte de Isabel Furini
Fotografia e Arte de Isabel Furini
10/09/2019 - 16:47
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Outra vez

Mais uma noite suave se aproxima
Porque sei que ao seu lado estarei
Aquele nosso abraço em minutos de sonhos sentirei
E quando chegar o amanhecer
Para o gostinho da saudade direi
Gratidão por estarmos juntos em espirito outra vez!

Helena Douthe




Desapego

Desprender-se do passado nem sempre é fácil
Vão-se embora memórias, meses, anos de história
Mas com a mente mais leve, o presente torna-se ágil
E o que era pesado ganha asas e desaparece.

Helena Douthe


E quando


E quando nada mais te anima e tudo te desespera
Relaxa, respira, espera
Confia no bem
E quando se integra a vontade de desistir, sem espaço para sorrir
Confia que vem
E quando fica embaçado, doloroso, abafado
Atenção abra o coração
Existe ajuda do além
Mal sabes o poder que o universo tem.

Helena Douthe
Isabel Furini
 
Isabel Furini, escritora e educadora. Recebeu prêmios em concursos de poesia e de contos. Publicou 15 livros, entre eles: Mensagens das Flores e Ele e outros contos. Também escreve para o público infanto-juvenil. É autora da coleção "Corujinha e os Filósofos" da Editora Bolsa Nacional do Livro de Curitiba.



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