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Isabel Furini
Isabel Furini
03/02/2020 - 11:52
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Breve fala sobre a vida

Gosto de pensar a vida humana como flores que nascem de um mesmo pé. Cada uma é uma manifestação divina em sua identidade e particularidade, mas todas estão na mesma raiz. Em sua beleza e nas incorreções, tudo o que se apresenta é um ser integral ligado ao todo. Cada detalhe de corpo ou personalidade completam o ser que se faz presente no mundo.

A Flor de Íris, por exemplo, tem uma presença indescritível. Suas cores e desenhos se apresentam escancaradamente belas. Já pela manhã apontam, abrem, nos entregam o que tem de melhor e morrem. O ciclo é tão rápido. Olhar uma Íris acabada de abrir é o mesmo que olhar o olho de Deus. Estar ali diante dela no mesmo momento de seu florescimento é algo a se admirar e festejar com todo júbilo e reverência.

Assim devíamos fazer com toda a vida que aqui está. Reverenciar cada ser.

O ciclo de vida humana não é muito diferente, apesar de durar muito mais, também tem seu momento de florescimento. Assim como a Íris, que muitas vezes crescem e estão prontas para abrir mas não florescem, somos nós. Temos uma força imensa, uma beleza nata, mas não desabrochamos. A diferença é que para a Íris não abrir não teve a vontade dela mesma. Apenas isso não aconteceu naquele dia. Mas para os humanos que somos não abrirmo-nos ao mundo para que se revele nosso melhor, muitas vezes – para não dizer sempre – há um impedimento vindo de dentro de nós mesmos. Os padrões, critérios e valores que adotamos e que acabam por nos limitar, nos cobrir de medo e nos retrair para a vida. Se apenas deixássemos ser, assumíssemos aquilo que somos sem medo ou comparação. Sem nos entregar à dualidade externa criada e imposta por nós, quem sabe assim poderíamos ver todos em seu florescer para a vida. Não estou falando aqui de coragem, de resiliência, força, abnegação ou autoafirmação. Estou falando em ser o que viemos para ser, livres.

"Toda substância acabará, o céu e a terra acabarão, tudo acabará como eu acabarei, mas acabar e começar não são diferentes…” – Tao



Flavia Quintanilha é poeta, nascida em Maringá-PR.Possui graduação em Filosofia pela Universidade Estadual de Londrina. É mestra em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista e doutoranda em Filosofia pela Universidade de Coimbra. Membro colaborador do Instituto de Estudos Filosóficos da Universidade de Coimbra, pesquisa na área de Filosofia Prática e Ética com ênfase na Racionalidade Hermenêutica, Identidade Narrativa e Metapoesia. Em 2015 publicou o livro Aporias da Justiça: entre Habermas e Rawls, pela Novas Edições Acadêmicas e em 2018 o livro de poesia A mulher que contou a minha história, pela Kotter Editorial - selo Sendas
01/02/2020 - 20:32
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E AGORA, DRUMMOND?

Cala contigo
a terra
apenas aquela
que te encha a boca
do silêncio eterno.

Despeja numa nuvem calma
a leveza da tua alma
e o brilho da tua rima clara
na primeira estrela torta
que te convier.

Descansa tua retina fatigada
na rede da tua poesia agora calada
esticada, lá em cima
em algum lugar.

Lá nas alturas,
aceita, Carlos, teu Deus canhoto
explicando com a mão direita
as coisas deste mundo torto
e das suas criaturas.

Cala contigo, meu amigo
A tua vontade pouca
De aceitar esta vida besta e louca
Que não conseguiste mudar.

Sossega enfim teu verso inquieto
que inundou a todo instante
teu coração gigante
querendo a vida inteira
as dores do mundo carregar.

Segue teu rumo tranquilo
pois neste vasto mundo

cheio de "Josés" e "Raimundos"
nas pedras dos caminhos
contigo aprendemos a tropeçar.

Esquece agora as pedras do caminho
pisa agora teus olhos sozinhos
na trilha dos teus versos sem espinhos
para um eterno e novo despertar!

A madrugada vem a galope, no alazão
da noite.
No céu ente as nuvens , o rastro que fica são estrelas.

Do livro REENCANTO Il Antologia Poética
(páginas 56/57) Editora Massoni - Maringá ,PR.

Foto de Antonio Roberto de paula
Foto de Antonio Roberto de paula - Jaime Vieira poeta, professor e palestrante.
Jaime Vieira poeta, professor e palestrante.
31/01/2020 - 09:29
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SEGREDOS DO AMOR

Os segredos do amor
estão guardados
em uma caixa de rapé

difícil é discernir
quando abrir a mente e o coração
e quando bradar, grunhir
e se afastar
para evitar a aflição.

Isabel Furini

18/01/2020 - 22:43
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Em 29 de janeiro, a partir das 18horas, no Desafinado Café, rua Martín Afonso, 857, bairro Mercês, Curitiba, a escritora Celina Bezerra estará autografando os livros infanto-juvenis " Sabrina, a menina albina", e "Bruna".

"Sabrinha, a menina albina", é uma obra sensível dedicado às pessoas com albinismo. É um livro de inclusão e respeito à diversidade.
Nesta oportunidade, o bate papo com a autora permitirá que os leitores recebam mais informações sobre a construção desse livro e os objetivos.

15/01/2020 - 07:15
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À tardinha de um dia muito quente, estavam sentados sob uma frondosa árvore duas crianças judias, que ouviam atentamente o que sua avó lhes contava.

Judite e Tobias, ela com sete anos e ele com cinco, ficavam horas junto a avó, a qual perdera seu marido, e passou a morar com o filho, a nora e os netos. Os pais seguiam a religião do Judaísmo, a qual era imposta também aos filhos, mas a avó professava o cristianismo e, portanto, seguia os ensinamentos de Jesus.

Assim, sempre que podia, evangelizava os netos por meio de lindas histórias de amor, de caridade e perdão.

Os pais desconfiavam de que ela estava incutindo ideias sobre Jesus, aos pequenos, mas nunca puderam confirmar, pois as crianças quando questionadas, lhes respondiam que a avó apenas lhes contava muitas histórias lindas. E assim, seguiam-se os dias.

Certa vez, a história contada pela avó foi sobre o anjo guardião, ou ainda aquele que fora nomeado por Deus para nos proteger. Na verdade, há muitas denominações para ele: espírito de luz, ou ainda, amigo espiritual. Entretanto, sendo este ou aquele nome, ele é o nosso anjo da guarda.

Assim, por meio de belas histórias, foi passado às crianças a existência de um ser que cuida de cada um de nós.

Com o tempo, o hábito de agradecer ao anjo tornou-se uma atitude linda entre os dois pequenos, aprenderam que a gratidão e o perdão eram armas poderosas, e desta forma, foram crescendo e conhecendo o Mestre Jesus.

Em certa ocasião, o menino Tobias precisou submeter-se a uma pequena cirurgia, ele não estava com medo, mas mesmo assim, pediu ao anjo da guarda que o protegesse. Pediu a Jesus que guiasse as mãos dos médicos, para que tudo saísse bem.

Os pais, mesmo sabendo que o risco era pequeno, não arredaram pé do lado do filho. Os dias de internação pós cirurgia correram bem e, aos poucos, o menino ficava melhor. A avó o visitava sempre e, certo dia, ao ficar sozinha com o neto, aproveitou para saber se ele não havia esquecido os ensinamentos, que ela lhe havia passado. Ele mais que depressa contou à avó que pedira a Jesus para que o abençoasse. Ao ouvir as palavras do neto, ela deu um largo sorriso e continuaram falando sobre a doutrina do Mestre.

De repente, os pais entraram e da antessala conseguiram ouvir a palavra Jesus. Eles, muito curiosos e apreensivos, indagaram a avó sobre o assunto. Não houve jeito de esconder do que se tratava a conversa, e por este motivo ela ficou proibida de falar com os netos. Aquela era sem dúvida, uma situação triste para todos. Porém aquela proibição veio tarde, pois mesmo sem uma religião definida, os dois pequenos já possuíam uma religiosidade avançadíssima, e nada mais podia abalar a sua fé.

Aquela situação seguiu daquela forma por muito tempo, as crianças iam à sinagoga com os pais, mas à noite se reuniam no quarto da avó para novas lições sobre Jesus Cristo.

Os anos passaram rápidos e logo Judite e Tobias se tornaram adolescentes. Naquela época já sabiam qual religião seguir, pois já se sentiam cristãos. A partir de então, os pais vivenciaram muitas surpresas com seus filhos, que deixaram de ser crianças, mas não deixaram de ser cristãos.

Eles perceberam por meio dos filhos que a religião que cada um professa deve ser de sua livre escolha, e que seus filhos estavam no caminho do bem. Por esta razão, permitiram que seguissem os ensinamentos de Jesus, porém mantinham-se afastados.

Certo dia, ao se encontrarem, após o culto de cada um, o pai rendeu-se e falou:

- Filhos, vamos para casa fazer juntos a ceia de Natal, que a avó de vocês preparou para festejarmos o nascimento do Menino Jesus.

Judite e Tobias perceberam a mudança de seus pais e sorriram.

Marli Terezinha Boldori
Isabel Furini
 
Isabel Furini, escritora e educadora. Recebeu prêmios em concursos de poesia e de contos. Publicou 15 livros, entre eles: Mensagens das Flores e Ele e outros contos. Também escreve para o público infanto-juvenil. É autora da coleção "Corujinha e os Filósofos" da Editora Bolsa Nacional do Livro de Curitiba.



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