Uma jovem estudante da área de letras comentou que existe pouco material sobre a literatura paranaense.
Vasculhamos nas bibliotecas antigas e descobrimos o livro "A Literatura e a História do Paraná" de Adélia Woellner, publicado em 1999 pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.
Vejamos um excerto desse livro:
Como vê, o poeta, no seu sentir de todo instante, o caminhar da vida?
Será que o sentir do poeta é diferente do sentir dos outros, ou será que, apenas, sabe ele colorir, de forma diferente, acentuada, a sua emoção, manipulando as palavras, jogando com seu sentido?
Joga, o poeta, com as palavras, com o seu sentido, ou joga com o prazer e a dor, com as derrotas ou vitórias do cotidiano, joga com a vida, transformando, em lances inusitados, aquilo que, para tantos, não ultrapassa o limite de mais um simples e rotineiro acontecer, imune a diferenciadas sensações?
Utilizando, pois, a visão e o sentir do poeta, como uma linha mágica, pode-se tecer os diversos pontos da história para, ao final, se conseguir montar e observar, de uma nova maneira, esta tapeçaria multifacetada e policromática que tem o nome de Paraná.
Como ponto inicial, o enfoque é sobre a emancipação política do Estado do Paraná. Criada em 29 de agosto de 1853, a província do Paraná foi instalada pelo seu primeiro presidente, Zacarias de Goes e Vasconcelos, em 19 de dezembro do mesmo ano.
Francisco Pereira da Silva, autor de um poema heroico, composto por 12 cantos líricos, publicado no livro "Os Paraníadas", dedica o Canto VII exatamente à "Epopeia da Emancipação". Desse poema, são destacadas algumas estrofes. Diz o poeta:
"E vem crescendo a ideia libertária,
na ampla comarca de Paranaguá.
Começam logo sua catilinária
ao Príncipe, que não os atenderá.
Mas, um dia, por certo, ó extraordinária
paciência de um povo, ele a terá;
enquanto isso, o tempo inflexível corre;
morram os homens, o Ideal não morre.
...
Não arrefece o ardor dos Parnanguaras,
nem de Curitibanos decididos.
Vão plantando pacíficas searas,
não foram vencedores nem vencidos,
não tentaram empresas ignaras,
vivem modestamente recolhidos,
aguardando a ansiada ocasião
que lhes trará a EMANCIPAÇÃO!
...
A batalha mais rude, eis que se trava
no Senado da Câmara de então
e quanto mais o tempo ali passava,
mais aumentava a inócua discussão.
Que a paulistana gente a marcha entrava,
deseja conservar tal região,
e assim, anos a fio, eis prosseguia
essa tramitação inerme e fria! (18)
...
Já se passaram cento e quinze anos,
quão longe vai tal acontecimento!
Foi grande a luta, com sustos e enganos,
e o projeto de lei, sem andamento!
Defendem-no mineiros e baianos,
São Paulo sempre a opor-se, em detrimento
e quanto mais a oposição é aberta,
mais a defesa é vibrante e certa! (19)
...
Mas a boa causa, é claro, sempre vence
e a Lei foi, finalmente, decretada.
Torna-se livre a Grei Paranaense,
por Dom Pedro Segundo sancionada.
O sonho dos heróis a ela pertence,
nessa longa, impertérrita jornada
que vem de longe, dos bons tempos idos,
de colonizadores destemidos! (20)
Dezembro dezenove, finalmente.
Mil oitocentos cincoenta e três.
Curitiba está em festas! quanta gente!
perdeu sua rotineira timidez!
Vinte e nove de agosto, lei recente,
havia-a tornado livre, por sua vez;
por teu discurso lúcido e inflamado
em seu favor, mil graças, CRUZ MACHADO!" (21)
(...)
Adélia Woellner pertence à Academia Paranaense de Letras (Cadeira nº 15); à Academia Feminina de Letras do Paraná (Cadeira nº 18); ao Centro de Letras do Paraná; à Academia de Letras José de Alencar (Cadeira nº 8); ao Centro Paranaense Feminino de Cultura; à União Brasileira de Trovadores, Seção de Curitiba; além de a várias outras entidades lítero-culturais do Brasil. É membro de "The Internacional Academy of Letters of England" (Grafton Road, London, England), do Centro Cultural, Literário e Artístico da Gazeta de Felgueiras (Felgueiras, Portugal) e Patrona da Cadeira nº 37 da Academia de Estudos Literários e Linguísticos de Anápolis (Goiás).