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Poema de Nic Cardeal

19 nov 2021 às 13:21
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Nic Cardela participa da Antologia "Melhores poemas 2021".
Nic Cardeal, é catarinense radicada em Curitiba/PR, graduada em Direito, é autora de ‘Sede de céu – poemas’ (Penalux, 2019), e aguarda a publicação de seu novo livro, ‘Costurando ventanias – uns contos e outras crônicas’, no prelo. Publicou textos em 43 antologias e coletâneas. Faz parte do movimento Mulherio das Letras. Seus escritos estão compilados no Facebook: “Escrevo porque sou rascunho”. Possui textos publicados em diversas revistas e blogs eletrônicos.

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DO FIO À FONTE


Ando inundada de águas,

dessas que escorrem pelos dedos e a gente nunca consegue segurar por inteiro,

daquelas que caem dos olhos, ou se guardam por lá inquietas, aguardando tempestades maiores para o súbito pranto,

das que nos guardaram a todos, um a um, no ventre do outro mundo, salvando-nos de apuros, apertos, receios, tentativas vãs de subornos súbitos de escapar deste mundo,

das outras, as que descem nervosas, carregando todo o estranhamento do céu paralisado no desejo de chão,

das águas recém-nascidas da correnteza, no grande espanto da vida a espiar o riacho que persegue o rio em cada inundação,

daquelas águas que já foram um fio e hoje se enrolam em novelos a caminho do mar,

das que mal se movem, em profundos azuis, guardando secretos vestígios de um tempo cansado de nãos,

das revoltas, alvoroçadas, estranguladas na solidão imensa da garganta estreita que sufocou um grito tão tardio,

dessas águas feitas de prantos, de medos guardados em cantos escuros, de pânicos esgarçados em delírios urgentes,

daquela que me aguarda, serena, suportando o peso do barco na planura quieta do horizonte, até o dia do meu desaguar da vida em outra Fonte.

(Porque nós todos somos um fio da Fonte!)

Nic Cardeal

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