Poema de Maria da Gloria Colucci
PALAVRAS AO VENTO
Sem sentido, sem coração,
Sem propósito, sem razão.
Palavras rudes, inveja cruel,
Disfarçam o medo, amargo fel.
Porque me feriu, se estou ferida?
Porque me agrediu, se sofro tanto?
Palavras ao vento, pura maldade:
- Dores espalham, perversa saudade.
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Comentário de Sonia Cardoso
Um grito de angústia sem que haja uma resposta cabível, a dor que reverbera pelo tempo presente e passado próximo, as palavras mesmo que poéticas me remetem a angústia de Silvia Plath ou da deusa Demeter.
Em sua dúvida pelos motivos tanto da agressão como do sofrimento que ela causa, o grito que tenta explicar motivos que sabe infundados para si é para o agressor. Dilacerante sofrimento.
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Comentário de Isabel Furini
Maria da Gloria convida o leitor a refletir sobre o poder das palavras. As palavras podem machucar a alma humana. A autora do poema nos conduz pelo caminho da reflexão. Compara as palavras ao amargo fel. As palavras podem espalhar dores... ferir a sensibilidade humana. Fica oculto o convite para ser cuidadoso com as palavras que se pronunciam.