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Adriano Alves Fiore
Adriano Alves Fiore
16/07/2018 - 08:41
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Joana D’Arc: Só falando de coisas boas, 2ª parte: o exemplo que, ao que tudo indica, foi uma autêntica santa

O escritor, comediante e pensador norte-americano Samuel Longhorne Clemens (1835-1910), ou simplesmente Mark Twain, é considerado por boa porção da "crítica especializada" o maior romancista de seu país, de todos os tempos, com obras como: As Aventuras de Tom Sawyer e Aventuras de Huckleberry Finn.
Mas, para ele próprio, a sua maior contribuição para a humanidade é a adaptação que realiza da história de Joana D’Arc. Esta teria sido contada por Louis de Conte, nascido e vivido no século XV e que se diz contemporâneo e muito próximo da grande personagem francesa, atuando como seu amigo pessoal, pajem e secretário.

O livro (Joana D’arc, Rio de Janeiro: Record, 2001), de fato, é uma viagem fascinante, cavaleirosa e cavalheiresca digna de um Miguel de Cervantes (autor de Dom Quixote de La Mancha). Instrutiva, agradável (hilária em certos momentos) e provocadora no sentido reflexivo-comportamental. Transborda em demonstrações de: inveja, instabilidade mental, fraqueza de caráter, ódio, pura maldade e, sobretudo, ingratidão ao mesmo tempo em que, do outro lado, uma simples e vulnerável criatura Homo sapiens sapiens sozinha (Joana) – repleta de bondade – encara e supera todas essas adversidades tão "humanas demasiadamente humanas" (Obrigado, Nietzsche!!!) .
A tradutora Maria Alice Máximo principia assim o seu trabalho: "E a recompensa que teve foi ver o rei da França, a quem ela mesmo tinha coroado, assistir passiva e indiferente enquanto padres franceses levaram aquela nobre criança, a mais inocente, a mais adorável de quantas existiram, e a queimavam viva em uma fogueira". (p. 21).

Ingratidão. "O defeito que a gente menos reconhece em si" (J. Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, p. 545).

Alguns trechos assaz interessantes, em ordem cronológica.

"[...] pois a maior parte das coisas que sabemos neste mundo nos chega de segunda mão." (p. 38). Comentário de Louis de Comte acerca das informações não confiáveis que chegam às pessoas no século XV. Imaginemos agora, no século XXI, com tantas fake news oficiais (propagadas pelos noticiários, instituições científicas e de ensino etc.) e não oficiais (oriundas de serviços de inteligência por meio de contra-informação ou por civis irresponsáveis mesmo). É uma questão de extrema importância, mas, que por motivos de manipulação de massa e de controle de tecnologias comerciais-militares não se fala e não se discute, nem mesmo em universidades.
"Pobres criaturinhas! – disse ela. – De que será feito o coração de alguém que tenha pena de um filho de Deus e não tenha pena de um filho do Diabo, que necessita mil vezes mais?" (p. 45). Esta observação Refere-se a algo muito curioso, no fato de que se tem pena e/ou misericórdia de uns e não de outros quando a "palavra assim como as atitudes de Deus" deveriam ser aplicadas indistintamente. Isso nos faz lembrar Orígenes (teólogo cristão egípcio dos séculos II e III d.C.) que, em seu sistema filosófico-religioso de perdão e misericórdia, durante o Juízo Final, inclui até mesmo Satanás e seus seguidores mais implacáveis. A esse conceito dá-se o nome de Apocatástase.

A sua obra "Sobre os Princípios constitui a teologia cristã mais sistemática da Igreja primitiva, incluindo algumas doutrinas posteriormente declaradas heréticas [...] A mais famosa das suas ideias foi a de Apocatástase, a salvação universal de toda a criação de Deus, na qual o Mal é derrotado e o Diabo e seus ministros se arrependem dos seus pecados. Interpretou o Inferno como um Purgatório temporário, no qual as almas impuras são purificadas e preparadas para o Céu. O seu conceito de subordinação do Filho a Deus Pai foi condenado pela Igreja em 533. [...] Contra Celso de Orígenes é a primeira obra de fôlego da apologética cristã. Defende o Cristianismo contra o mundo pagão." (Dicionário de Filosofia de Cambridge, p. 688). Ainda conforme o dicionário, Orígenes separa a natureza humana em três partes: corpo, alma e espírito. "O primeiro era o sentido histórico, suficiente para pessoas simples; o segundo era o sentido moral; e o terceiro era o sentido místico, acessível somente às almas mais profundas." (p. 688).

No próximo capítulo, continuo com a sequência, e comentários, de trechos assaz interessantes do livro.

Obrigado.
Adriano.
13/05/2018 - 10:06
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"[...] O amor sempre tornará as coisas ruins suportáveis. A falta de amor sempre tornará sem valor as coisas boas." (Richard Dübell em A Bíblia do Diabo, São Paulo: Planeta, 2011, p. 381).

"Finanças

Justiça condena igreja a devolver bens doados por fiel
Yahoo Finanças ter, 13 de mar 18:08 BRT"

Comecemos com Diógenes, o Cínico, o nosso ilustre filósofo-mendigo.

"Era seu costume, conta-se, assistir aos jogos ístmicos (que ocorriam nos arrabaldes de Corinto, Grécia atual), onde, como afirmou a alguém que lhe indagou por que ia ele aos jogos, via-se competindo lado a lado com atletas, mas em competições muito mais exigentes e perigosas que a deles. Pois que, enquanto eles combatiam e lutavam entre si, ele (Diógenes) pelejava contra pavorosos monstros, tais como, glutonaria, luxúria, ganância, embriaguez, soberba, ódio e outros inimigos simples que ameaça e escravizam a humanidade." (Luis E. Navia em Diógenes, o Cínico, São Paulo: Odysseus, 2009, pp. 98 e 99).

"A liberdade de consciência faz parte dos direitos do homem e das exigências do espírito. [...] A religião é um direito. A irreligião também. Logo devemos proteger ambas (inclusive, uma contra a outra, se necessário), impedindo ambas de se imporem pela força. É o que se chama laicidade, a mais preciosa herança das Luzes (Século das Luzes)." (André Comte-Sponville em O Espírito do Ateísmo, São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 125).

"[...] Segundo o meu parecer, não há sobre a terra contentamento igual ao que se sente quando se alcança a liberdade perdida." (Miguel de Cervantes em Dom Quixote, São Paulo: Abril, 198, p. 236).

E não há descontentamento maior que perceber que a sua liberdade (de expressão, pensamento etc.), na verdade, não existe. Descobrir que você não passa de um escravo (a) de uma estrutura econômica, financeira e cultural global – esta última é divulgada e injetada em nossas mentes pelo tal do "entretenimento".

Jamais percam o sentimento de inconformismo, rebeldia, contra tudo o que é opressivo e injusto!!! Perdendo isso, a vida – essa condição espetacular – que, de algum modo nos é presenteada, não passa de uma sequência de privações, angústias e temores.
Se aplicarmos um pouco a técnica de usar "o feitiço contra o feiticeiro", seria muito proveitoso e, também, instrutivo assistir aos filmes, na seguinte ordem: Fahrenheit 451 (1966), O V de Vingança (2005) e Snowden (2016).


"‘Amar’, dizia Alain, é ‘encontrar sua riqueza fora de si’." (André Comte-Sponville em Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, São Paulo: Martins Fontes, 1996)

E o amor, de verdade, só se manifesta e faz todo mundo feliz quando o egoísmo, a inveja, o ódio etc... veem-se suplantados.

Não há outra fórmula.
02/04/2018 - 15:26
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- Papai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal?

- É parecida. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição... Marta, vem cá!

- Sim?

- Explica pra esse garoto o que é ressurreição, pra eu poder ler o meu jornal.

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido! Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado... Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?

- Mais ou menos, mamãe. Jesus era um coelho?

- O que é isso, menino? Não me fale uma bobagem dessas... Coelho?! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! ... Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir a uma missa, pelo menos, aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!

- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?

- É, filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade! Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Minas Gerais?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que a ilha de Trindade fica perto do Espírito Santo?

- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus! É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- Eu sei lá!!! É uma tradição... É igual o Papai Noel, só que em vez de presente ele traz ovinhos.

- Coelho bota ovo?

- Chega!!! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais.

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era... era melhor, sim... ou então urubu!!!

- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia ele morreu?

- Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.

- Que dia, e que mês?

- Sabe que eu nunca pensei nisso. Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia!

- Um dia depois!

- Não... três dias depois!

- Então, morreu na Quarta-feira!

- Não, morreu na Sexta-feira Santa... ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo, e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!

- Papai, porque amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?

- É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se Jesus morreu na sexta!

- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?

- Pooora!!!... (Ô... Desculpe filho.)

- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Ai, coitada!

- Coitada de quem?

- Da sua professora de catecismo!

(Luis Fernando Veríssimo)

Mesmo uma única mente inteligente, curiosa, indagadora e não conformista de uma criança pode abalar e colocar em dúvida toda uma estrutura religiosa, política ou ideológica. Bom, mas, o que importa, para mim, agora, é que o momento seja de alegria, harmonia e solidariedade.

Uma ótima Páscoa a todos (as)!!!
09/02/2018 - 16:27
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"Existem: mentiras, malditas mentiras e estatísticas", Benjamin Disraeli, ex-primeiro ministro britânico (1804-1881).


"Estamos em um nível inferior ao das ovelhas. Para estas há a necessidade de um pastor ou de um cão treinado para seguir e obedecer. Quanto a nós, vigiamo-nos, furiosamente, uns aos outros dentro da conduta generalizada da ‘normalidade’", David Icke, jornalista e pensador inglês.


Nunca há paz. Estamos sempre em guerra. Em luta constante uns com os outros seja por terra, dinheiro, "favor" sexual, posição social ou por outra – e qualquer – futilidade, patifaria e/ou ninharia... Até a contagem de um "placar" de "pelada" provoca discussões seguidas de impropérios e, à vezes, de vastas pancadarias. Afinal, alguém tem que vencer ou derrotar alguém. Brigamos e nos agredimos por nada. Simplesmente, por pura humana demasiadamente humana estupidez!!!

Podem alguns(as) parvos(as) de inteligência -- e de carteirinha – implicar rebusnando: "Estupidez não, ah, ah, é por ignorância, seu burro"!... Vale, pois, praticar um esforço extra de esclarecimento a aqueles(as) travados(as) de sempre. E, como vivemos em um verdadeiro reduto de imbecilidades (segundo Ginzburg: em um azylum ignorantiae) tamanho-família, voltemos à catequização.

"Ignorânica. S.f. Falta de saber; ausência de conhecimento."

"Estupidez. S.f. Falta de inteligência e de discernimento; grosseria; descortesia."

Obrigado, senhor dicionarista, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira!

Como se vê, a "tar" de estupidez é bem pior que a ignorância. Nela se apresenta a questão da violência, agressividade. Tem muita gente que não sabe ler e nem escrever. E daí?... Podem ser pessoas sábias, bondosas e muito capazes de entender as coisas do mundo e da natureza humana. Porém, hoje, o que mais vemos por aí são criaturas hominídeas "civilizadas e educadas, instruídas" exibindo-se em trajes sociais padronizados como "superiores" e veículos de transporte também de qualidade "superior" em eterna gabarolice a respeito de suas grandes (e compradas) especializações disso e daquilo. Especialistas de tudo, e aos montes, que de nada servem para ajudar o próximo, a sociedade e o planeta, já tão judiado.

"Há mais ídolos do que realidades no Mundo. Também não há de forma alguma ídolos mais ocos, e isto não impede que eles sejam aqueles em que mais se acredita", Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900).


De quem ou o que seria a culpa? Quem ou o que seria o propagador e mantenedor de toda essa cegueira coletiva e individual? Afinal, somos seres fáceis e totalmente suscetíveis... Se você não sabe ou não desconfia até agora?... Continue assim, apenas parasitando, assistindo a todos "incríveis" programas e jogos em televisão, rádio, celular etc. Só por "entretenimento". Mantenha-se constantemente reclamando da vida, isto é: dos impostos, da saúde pública e privada, da segurança, da corrupção, da impunidade, da falta de humanitarismo e blablablá.

Aquelas pessoas que tentam abrir um pouco os olhos de uma minoria (pois, da maioria alienada é impossível) que – teoricamente seria capaz de enxergar além do mínimo razoável – são "atacadas" de todas as formas possíveis. Quem procura ajudar o próximo a entender, de verdade, como funcionam as atividades sociais em todos os seus âmbitos (econômico, financeiro, comportamental, etc.) é continuamente repudiado e zombado; às vezes, é agredido fisicamente. Quando assim ocorre, dá-se de maneira violenta por meio de grupos ou multidões descerebrados. Já tive o inenarrável desprazer de assistir a algumas cenas desse nível ao vivo!!!

Um pequeno exemplo da incapacidade da grande (só em tamanho, obviamente) maioria dos humanos de perceber o que é bom ou ruim para ela transformou-se na condenação pública do jornalista, pensador e comentarista Paulo Francis no século passado aqui, no Brasil. Francis passou a sua vida tentando alertar o povo e os tais "intelectualoides" sobre a nefanda e nefasta corrupção de certos órgãos e "cidadãos" brasileiros. Atualmente, após anos de sua morte, tornou-se tudo claro e escancarado pela operação Lava Jato. "O que os olhos não veem o coração não sente", mas, apesar disto, é possível ficar ou estar em alerta, desconfiar das "verdades" divulgadas publicamente e não se conformar... Basta isso para começarmos a trabalhar por um mundo mais justo e mais vivível.
11/05/2017 - 13:19
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Cervantes – assim como outros homens chamados de gênios que são um pouco (às vezes, até bastante) mais inteligentes que nós – cansa de fornecer exemplos da ignorância, mas, sobretudo, da estupidez humana. Diógenes O Cínico passa a vida a demonstrar a imbecilidade Homo sapiens sapiens com a própria linguagem do seu corpo. Ele conversa com estátuas, pede para Alexandre Magno deixar de lhe fazer sombra enquanto "pega sol" estirado no chão da rua, dorme em tonel (Ó o Chaves aí!) ou nos pórticos dos templos, "assovia em meio à multidão de modo a expressar seu descontentamento com um orador parvo", "depena uma galinha para demonstrar a falta de sentido das ideias platônicas" , "enxovalha os pés na lama antes de adentrar casas opulentas", por aí segue o jeito Diógenes de ser.

Só para dar a conhecer alguns desses "teóricos da conspiração" e suas incríveis obras posso citar: Jonathan Swift (irlandês, 1667-1745) com o seu As Viagens de Gulliver; Simone de Beauvoir (francesa, 1908-1986) com o seu Todos os homens são mortais; Ambrose Bierce (americano, 1842-1913) com o seu O Dicionário do Diabo; Henry Louis Mencken (americano, 1880-1956), no Brasil, sai um livro intitulado O livro dos insultos; Patrick Süskind (alemão, ainda vivo) com o seu O perfume – história de um assassino; o imortal Homero com os seus A Ilíada e a Odisseia; François Rabelais (francês, 1494-1553) com o seu Gargântua; William Shakespeare (se é que ele existiu mesmo, caso não o tenham passado por outra pessoa, inglês, 1564-1616) com o seu Rei Lear; Marquês de Sade (francês, 1740-1814) com o seu Diálogo entre um padre e um moribundo; Ítalo Calvino (ítalo-cubano, 1923-1985) com os seus O Barão nas árvores, O visconde partido ao meio e O cavaleiro inexistente; Mikhail Bulgakov (russo, 1891-1940) com o seu O mestre e Margarita; Oscar Wilde (irlandês, 1854-1900) com os seus O retrato de Dorian Gray e De profundis; Victor-Marie Hugo (francês, 1802-1885) com o seu O corcunda de Notre Dame; H.G. Wells (inglês, 1866-1946) com o seu O homem invisível; Voltaire (francês, 1694-1778) com os seus O ateu e o sábio, Zadig ou o destino, Dicionário filosófico e Cândido ou o otimismo; Petrônio (romano, caso também tenha existido, c. 27-66 d.C.) com o seu Satiricon; João Guimarães Rosa (brasileiro, 1908-1967) com o seu Grande Sertão: Veredas; Mary Shelley (inglesa, 1797- 1851) com o seu Frankenstein ou o moderno Prometeu; Travis Walton (americano, ainda vivo) com o seu Fogo no céu; R.L. Stevenson (escocês, 1850-1894) com o seu O médico e o monstro... Ad infinitum!!!... Todos (as) homens e mulheres excepcionais, muito acima da média, como pensadores, filósofos e pessoas de bem que chegam à triste e idêntica conclusão: o Homo sapiens sapiens não passa de uma besta agressiva e estúpida!!! Não sou eu que estou dizendo isso, apesar de concordar total e irrestritamente.

Inclusive, tal conclusão está sendo provada cientificamente, isto é, empiricamente, em laboratórios, entre tubos de ensaio e maquinaria de biogenética de última geração.
Até as décadas de 1960 e de 1970 (do século passado, obviamente), acredita-se que a Chita (aquela ou aquele, sei lá, macaquinho meigo e engraçadinho do seriado Tarzã, que vive se escondendo nos braços do herói selvático em busca de proteção) pertence ao "bonzinho" gênero de símios conhecidos como chimpanzés comuns, pois há ainda os bonobos (que de bobos também não têm nada). Pois sim que se vê tanta doçura! Esses hominídeos são de uma têmpera excessivamente violenta e destrutiva. A maioria deles é pra lá de bipolar e só age com afeição e paciência quando há interesse próprio envolvido.

Tal comportamento parece familiar?... Lembra alguma outra espécie de bicho terrestre?!... Está se provando que o nosso complexo de DNA se assemelha ou é igual a 98 ou 99 por cento ao dos "graciosos" chimpanzés e bonobos. "[...] Tanto a domesticação da besta humana quanto a criação de um determinado gênero de homem foi chamada ‘melhoramento’: Somente estes termos zoológicos expressam realidades." (NIETZSCHE, Crepúsculo dos Deuses, p. 58).

Sobre o que trata a Bestumanização, este termo agora e aqui criado? Ora, não dá para adivinhar?... Simples, dedica-se às questões mais profundas da natureza dos homens, das mulheres e/ou de quaisquer outros gêneros humanos existentes. Portanto e também, lida com o grande motivo do Bem e do Mal. Afinal de contas, tais "poderes" antagônicos veem-se amplamente incrustados em todos nós; sem exceção. São forças características e imanentes da nossa espécie Homo sapiens assim como de alguns animais "selvagens" – Pois, somos civilizados, não é?! – com destaque meritório para os já mencionados chimpanzés.
Quais são os principais programas televisivos de dantes e de hoje? Os classificados de "entretenimento" e que, segundo dizem ou nos fazem acreditar, são os mais assistidos ou populares.

São os programas de crime ou "policiais", casos de relacionamentos familiares e/ou entre vizinhos que se detestam, enfim: de "entretenimento rotineiro" ou, melhor ainda, de desgraceira generalizada. E quanto aos programas de "esportes"?... São os de luta ou MMS isso ou aquilo, ou então, os de futebol, basquete etc., nos quais torcidas e jogadores são anunciados como verdadeiros guerreiros (heróis) em campos de batalha... Sempre mais "entretenimento" barato!!! E, falando em animosidade, violência e espírito humano, não podemos deixar de lado o assunto guerra.

Guerra. S.f. Subproduto da Ciência da Paz. Um período de amizade internacional é a situação política mais ameaçadora. O estudioso de história que não está preparado para o inesperado pode vangloriar-se com razão de ser refratário ao saber. A máxima: "Se queres a paz, prepara-te para a guerra" tem um significado mais profundo do que sua interpretação habitual... Significa que o solo da paz está semeado com as sementes da guerra. – Ambrose Gwinett Bierce (1842-1914), pensador, escritor e jornalista de guerra norte-americano. (BIERCE, 1999, p. 108).

Eclode-se guerra devido aos assuntos mais idiotas e irrelevantes possíveis e há para todos os gostos e desgostos. Se houvesse um mote ideal para a espécie humana, este seria: A guerra é nossa vida para destruir, matar e aniquilar qualquer coisa que respire ou não!!! (infelizmente, não sei como fica isto em latim). E, não adianta dissimular, essa é a nossa autêntica natureza.
A estupidez humana atinge tal ponto que os seres humanos exterminam-se uns aos outros por causa de coisas insignificantes, de nenhuma importância. Existe um exemplo pertinente a essa questão, muito conhecido, na Literatura Universal. Trata-se de uma sanguinolenta guerra deflagrada entre duas nações devido ao desacordo em relação a melhor forma para se quebrar um ovo. Isto se verifica no capítulo I (Viagem a Lilipute) de Viagens de Gulliver do escritor e doutor em Teologia irlandês Jonathan Swift (1667-1745). Ei-lo narrado pelo próprio personagem Gulliver.

[...] Dois grandes impérios de Lilipute e de Blefuscu. Duas grandes potências que andam empenhadas, há mais de 36 luas, numa guerra encarniçadíssima, cujo móvel foi o seguinte: reconhece-se universalmente que a maneira primitiva de quebrar os ovos para comê-los consistia em quebrá-los pela ponta mais grossa, mas ao avô de Sua Majestade (de Lilipute), quando menino, numa ocasião em que se dispunha a comer um ovo e quebrá-lo consoante o hábito antigo, sucedeu-lhe cortar um dedo; pelo que o imperador, seu pai, saiu com um edito em que ordenava a todos os seus súditos que, sob grandes penalidades, quebrarem os seus ovos pela ponta mais fina. Ressentiu-se por tanta maneira o povo dessa lei, que, referem as nossas histórias, seis rebeliões estalaram por causa disso, nas quais um imperador perdeu a vida e outro, a coroa [...] Calcula-se que onze mil pessoas, em diversas ocasiões, preferiram morrer a se sujeitarem a quebrar os seus ovos pela ponta mais fina. (SWIFT, 1979, p. 41 e 42).

Temos encontros belicosos longos e encarniçados de todas as idades: Dos Nove Anos, Dos Trinta Anos, Dos Cem Anos etc.; de nomes diversos: Guerras Greco-Pérsicas, Guerras Púnicas, Guerra das Duas Rosas, Guerra Civil (espanhola, americana, romana, francesa, italiana, mexicana, guatemalteca, cubana, inglesa, russa etc.), Guerra do Peloponeso, Guerra do Golfo, Guerra do Vietnã, Guerra Franco-Prussiana, Guerras Napoleônicas, Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Guerra Hispano-Americana, Guerra da Coreia, Guerra Anglo-Espanhola, Guerra Anglo-Escocesa, Guerra do Afeganistão, Guerra Sino-Soviética, Guerra Fino-Soviética, Guerra Anglo-Afegã, Guerras de Independência (americana, mexicana, grega, irlandesa, líbia, argelina, indiana, polonesa, brasileira, uruguaia, ucraniana, sul-africana etc.), Guerra Sino-Japonesa... Ad infinitum. E quanto às "briguinhas" de outras categorias então: as batalhas, as revoluções, os levantes, as guerrilhas... A lista ultrapassa o infinito.
Temos legiões, tropas e grupos elitizados de todos os nomes e para toda e qualquer função. Noticiários, reality shows de todos os tipos – laicos ou não –, programas de auditório, simplesmente, sacramentam ao vivo, e em cores, toda a sucessão de desgraças da qual fazemos parte. É um festival televisivo, "jornalístico" e radiofônico diário de lorotas, farsas, informações inúteis, desinformações capciosas e propagandas hipócritas de filantropia ou de amor ao próximo.

Qual o livro mais consumido, e lido, no mundo? E quais são os outros grandes best-sellers mundiais?... Tratam de quê?... Pois é. Não é à toa que a atividade de mercenário é tida como a segunda profissão mais antiga do mundo (BRUYÉRE-OSTELLS, 2012, p. 7).
Tudo isso dito e todos os exemplos factuais encontram-se escancarados a nossa frente. Só não enxerga quem, infelizmente, não é provido de uma capacidade mental e/ou intelectual razoável ou quem prefere que as coisas caminhem e fiquem do jeito que estão ou que piorem ainda mais. É o tal: "Tá ruim (uma merda), mas tá bom!"
A Bestumanização não é uma realidade; é ficção científica, uma "teoria da conspiração"... Ah, é?!... Basta que se tenha um mínimo de conhecimento histórico e o menor grau de percepção das coisas e das pessoas para concluir o que somos de verdade. E como eu já disse no artigo anterior: que se reinvente outro modelo de ser humano porque esse que está aí deu errado, e muito.

Há solução? Sim, podemos nos curar.
E existe esperança ainda?... Paro aqui, pois como diz o sábio, e resignado, ditado popular: "Fazer o quê?".
Adriano Alves Fiore
 
Possui graduação em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e em Comunicação Social e Jornalismo pela Faculdade Pitágoras, Campus Metropolitana de Londrina. Como aluno especial na UEL, tem participado dos cursos de: Estudos da Linguagem (2004 e 2006), Ciências Sociais (2006) e História Social (2010). É mestre em Comunicação Visual pela UEL (2011) e doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2015).



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