24/01/20
32º/19ºLONDRINA
Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
24/01/2020 - 09:32
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Pergunta de Leitor - O amor não é possessivo

Tenho 24 anos e namoro há dois anos. Minha namorada é uma mulher bonita, fantástica e inteligente, mas ela vem me dando ultimatos que me deixam muito para baixo. Tenho um amigo de infância que é muito meu parceiro, mas ela não gosta dele. Não há motivos para isso e já percebi o quanto esse amigo fica triste com essa situação. Ela quer que eu me afaste dele e deu, na semana passada, um ultimato: ou o amigo ou o namoro. Não sei por que tem que ser assim e não só isso que acontece, mas ela vem me dando muitas ordens e ultimatos, até sobre minha família e de como devo viver. Estou em dúvida sobre o que faço. O que pode me dizer?



É um engano que ocorre entre muitas pessoas sobre o que é de fato um namoro. Namorar implica em um conhecer o outro e ir percebendo se o que é despertado na relação é algo que faz bem, enriquece e deixa uma sensação de quero mais. Namoro não é um controlar o outro. Se o controle prevalece é porque está faltando amor.



Há muita gente que acha que quando namoramos temos que ficar em cima do outro toda hora, vigiando cada passo e decidindo pelo outro com quem pode ou não falar e o que deve ou não fazer. Sua namorada é possessiva e não se dá conta de que você é uma pessoa separada dela, que tem desejos próprios, amizades pessoais e família. Enfim, ela se relaciona com você como se você fosse objeto dela que ela pode colocar como quiser.

Até pode parecer, por um momento, que isso é amor tão grande e intenso que transforma alguém em possessivo e controlador, porém nada tem de amor porque este sempre preza pela liberdade do outro e entende que o outro é livre para ir e vir. Provavelmente a relação de vocês começou com amor, mas o amor pode ser corrompido e virar possessividade.

O que corrompe o amor é a insegurança de tomar consciência de que não somos donos do outro e que o outro pode ter vontade própria totalmente diferente da minha. Quando não aceitamos isso passamos a usar do controle como se pudéssemos mudar a realidade e isso vai tornando o relacionamento insustentável. O que era bom torna-se intolerável até um ponto que nada do amor sobra vivo e o que liga o casal é apenas amargura, ressentimento e controle. Será que isso é um namoro?
17/01/2020 - 00:20
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Pergunta de Leitora - Atração por homens casados

Quero perguntar uma de minhas maluquices. Eu tenho 20 anos e já me envolvi com três homens casados. O primeiro eu meio que tive uma paixão adolescente. O segundo foi uma atração e o terceiro há muito me sinto atraída por ele, mas fiz o máximo para que nada acontecesse. Até que um dia ele me mandou uma mensagem e contou que se sentia atraído por mim e eu acabei contando a ele o mesmo. Depois disso, quando contamos um ao outro nossa atração mútua, ele começou a me mandar mensagens e eu não consegui mais esquecê-lo, os meus desejos por ele só aumentaram e tive sonhos me relacionando com ele. Outro dia ele me chamou pra ir vê-lo andar de bicicleta e a gente acabou se beijando..
Eu não quero dar continuidade a isso. Minha consciência pesa, mas eu sempre me pergunto por que sempre atraio esse tipo de relacionamento e vou em frente.


Não escolhemos por quem nos sentimos atraídos. Simplesmente nos sentimos atraídos, mas quando você fala que já se envolveu com três homens casados não está falando de uma simples atração apenas, porém de algo que se repete. Não foi um, mas três homens casados, ou seja, há um roteiro bem estabelecido que você anda seguindo. Descobrir esse roteiro é que se faz importante para que você entenda mais de si mesma.



Hoje você vive sua vida afetiva de maneira bem conflituosa. Afinal, um homem casado traz problemas para você. Desde impossibilitar de fato uma relação aberta e franca que possa progredir, bem como brigas e desentendimentos que porventura possam surgir. A questão que você deve se fazer é por que você está se colocando numa posição tão complicada? Por que será que não se sente atraída por quem está disponível e por quem poderia te oferecer algo?

Essas respostas, que você está necessitando saber, só poderão ser encontradas se você se debruçar sobre sua história de vida e compreender o que está repetindo quando só se envolve com esse tipo de homem. Você sempre quer um homem casado, que dificilmente poderá ser seu namorado e que se outras pessoas descobrirem, provavelmente, haverá muita perturbação. Parece que você quer o que não pode ter. Quando procuramos o que não podemos ter o resultado é sempre a infelicidade.

Você mesma começa sua pergunta para mim dizendo que era mais uma das suas maluquices. O que será que você quis dizer com a palavra "maluquice”? Ousaria dizer que você reconhece, em algum grau, que o que vem vivendo está mais numa dimensão de uma inconsequência, uma temeridade e insensatez do que de uma coisa consistente e verdadeira. Parece que você sabe que há algo aí, ainda não compreendido, que te coloca em risco e que pode te custar caro. Quem sabe já não esteja na hora de você se colocar em análise para se entender melhor e procurar caminhos que te realizem verdadeiramente?
10/01/2020 - 00:04
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Pergunta de leitora - Há vida para viver



Na ceia de Ano Novo, me deparei com uma crise de ansiedade ou pânico, não sei dizer. Eu preparei um texto para a minha mãe em comemoração aos 80 anos dela para falar durante a ceia. No momento, eram por volta 80 pessoas, eu estava tranquila, até fui bem na homenagem, voz meia tremida, mas saiu. Depois sentei à mesa e comecei a me sentir mal: suei muito (a pressão arterial deve ter baixado), uma dor muito forte na boca do estômago, acompanhada de uma diarreia e até a sandália me incomodava, tive que tirar.



Me senti sufocada e até com medo em alguns momentos. No meu trabalho, em certas tarefas às vezes tenho essas sensações de medo, insegurança e ansiedade. Me lembro que quando mais jovem trabalhava no Banestado e um colega me disse: "Você é muito assustada" e eu não dei importância ao fato. Eu acredito que existe algo que me deixa assim, assustada com coisas, sem muita importância.

Quando me sinto ansiosa eu procuro ler ou assistir a um filme para me acalmar. Estou com 60 anos, sofri muito de labirintite, e em consequência, tenho deficiência auditiva, mas não me impede de eu levar uma vida normal. Tenho uma dieta saudável, pratico musculação e esteira, mas, sinto que preciso de algo para meditação, tipo ioga. Meu irmão disse que devo procurar uma ajuda psicológica, meu marido já diz que eu devo saber administrar, pois ele não acredita em psicologia e psiquiatria. Sei que passei neste final de ano, por mais uma crise sem saber ao certo o quê. É uma sensação horrível, um mal-estar inexplicável. Dr Sylvio, preciso de uma orientação do que pode estar acontecendo comigo. O que devo fazer?


Você sabe do seu mal-estar, do quão desconfortável é a angústia que sente, mas não sabe o que origina isso. Geralmente, quando ficamos angustiados, queremos nos livrar da sensação incômoda o mais rápido possível, porém não se trata de se livrar de algum sentimento ou emoção, mas de poder compreender o que se passa internamente. Em outras palavras, o que lhe falta é dar um significado para o que você sente.

Me chama atenção o fato de que você prepara um discurso para a sua mãe, o faz na frente de tanta gente, e assim que o termina se sente mal. Seu colega de trabalho já dizia que "você era assustada”. No trabalho você, também, sente insegurança e medo. Será que tudo isso diz que você não confia em si própria? Não acredita na sua capacidade? Além disso, pode ser que você se cobre demais, até de maneira cruel, daí a sensação de sufocamento. Talvez, haja uma mistura de falta de autoestima com excesso de auto cobrança na maneira que vem vivendo todos esses anos, o que leva à uma sensação muito difícil de suportar.

Seu irmão diz que você deve procurar ajuda psicológica, já seu marido desautoriza esse pedido de ajuda, pois acredita que você tem que lidar com tudo isso sozinha já que ele não acredita em nada. Mas o que você quer? Você falou deles, da vontade e da crença deles, mas falta falar de você, do seu desejo e de ir atrás das suas necessidades. Ninguém vai viver a sua vida, pagar o preço dela, então só você mesma poderá decidir. A sua deficiência auditiva não é o problema, tanto que você mesma reconhece que leva uma vida normal quanto a isso, mas a falta de audição sobre si própria é que vem te prejudicando. Quando alguém não consegue ouvir a si próprio, fica mesmo atordoado.

Ao me escrever esse e-mail você está procurando algum tipo de ajuda. Você já sabe que não dá mais para continuar vivendo nessas condições e que se faz necessário transformar como você se vê e se coloca na sua vida. Que tal agora dar o próximo passo e de fato fazer uma análise? Aprender a se ouvir, aprender a dar um significado a tudo o que se passa internamente? Tudo o que você sente não é inexplicável, é apenas a falta de compreensão sobre si mesma. Com 60 anos há vida pela frente. Está na hora de descobrir sobre si. Descobrir-se sempre traz medo, mas alguns medos valem apena serem enfrentados.
03/01/2020 - 09:27
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Existe o outubro rosa que alerta as mulheres sobre os perigos do câncer de mama bem como as incentiva a cuidar-se de maneira apropriada. Há o novembro azul que se atenta sobre o câncer de próstata, convocando os homens a serem mais conscientes com a própria saúde. São movimentos que visam chamar atenção sobre questões de saúde que podem e devem ser tratados para melhorar nossa qualidade de vida. Agora estamos no janeiro branco que coloca em cena a questão da saúde mental que, geralmente, é tão esquecida e relegada a segundo plano.



Quando alguém quebra um braço ou perna todos reconhecem que se faz necessário cuidados adequados. Se alguém desenvolve tumor ninguém duvida que tratamentos apropriados e específicos são de extrema importância. Mas quando alguém aparece com algum distúrbio psicológico como depressão, ansiedade excessiva, compulsões, etc., não recebe um olhar compreensivo. Pelo contrário, é até capaz da pessoa que padece psicologicamente ser tratada como "sensível demais”, "fresca”, "com tempo livre de sobra” e por aí vai. O que se passa na dimensão da mente não é valorizado o tanto o quanto deveria.

Essa desvalorização para com o sofrimento mental se deve ao fato de que não é algo que se confirma em algum exame de sangue, ultrassom ou raio x. É algo que reside no subjetivo e não no concreto. No entanto, mesmo sendo subjetivo tem consequências sérias e variadas, inclusive concretamente levando à doenças físicas ou até a acidentes e/ou tragédias. É um mal silencioso que, com frequência, é desconsiderado como algo menor e sem importância, mas que destrói a vida de muita gente. Tanto de quem sofre quanto quem está próximo de quem sofre. O janeiro branco é um alerta para chamar atenção para a nossa saúde mental.

Como vocês podem ver não é muito conhecido. Talvez até a grande maioria de vocês que estão lendo esse texto nem fazia ideia de que existia o janeiro branco. Pudera! Ele não é divulgado com tanta pompa justamente porque ainda existe preconceito para com os distúrbios da mente. "É coisa de gente louca e sem nada melhor para fazer". Mas na verdade o sofrimento psicológico está em todas as camadas sociais, econômicas, gêneros e idades. Há inúmeros distúrbios e padecimentos que minam a vida, deixando-a empobrecida e intolerável. Que corrói os relacionamentos, destruindo-os. Que diminui as chances de crescimento, empacando os sujeitos em posições desconfortáveis. A coisa é séria e enquanto o olhar que temos para com nossa saúde mental não mudar pessoas e sociedades vão continuar sofrendo de muitos males desnecessários.

Quando não cuidamos do nosso mundo interno adoecemos. É incrível o número de pessoas que cuidam de seus corpos, de suas dietas, de suas carreiras, de seu patrimônio e isso tudo é importante e vital, mas que se esquecem de cuidar da própria mente. Acabam tendo, externamente, uma vida confortável e cheia de recursos, mas vivem muito mal, cheio de impasses e sofrimentos. Não sabem ou não conseguem aproveitar os recursos que possuem e ficam em situações lamentáveis. Quem não se cuida e nem aprende a se responsabilizar pelas escolhas que faz ao longo da vida acaba por entrar em relações toxicas e abusivas, coloca-se em riscos desnecessários e leva uma vida cheia de insatisfações. Ao não prestarmos atenção à nossa mente vamos escolher mal, porque escolhemos de fato, mesmo que sem saber, correndo o risco de escolher aquilo que faz mal e adoece. Quem aprende a cuidar da própria saúde mental tem mais chances de escolher aquilo que lhe vai fazer bem e não vai entrar em qualquer barca furada.

Sem desenvolver uma mente não há a menor chance de haver vida. Pelo menos não uma vida digna.
26/12/2019 - 23:56
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Estou com sérios problemas. Sempre fui um adolescente normal: namorei, noivei e hoje sou casado. Amo minha mulher, mas não consigo mais transar com ela. Só consigo me excitar com pornografia. Assisto duas ou três vezes por dia e me masturbo. Com tudo isso não tenho mais pique para fazer nada com ela. Quero fazer na (vida) real, mas tem um bloqueio que me impede e me faz ficar só na pornografia. Ouvi dizer que existe vício em pornografia, queria saber se é o meu caso e o que tenho que fazer a respeito. Tenho 34 anos e não tenho problema de saúde algum. Há amigos meus que também veem pornografia, mas conseguem se relacionar com suas esposas normalmente.


Há amigos que veem pornografia, mas seguem normalmente com a vida e não ficam dependentes dos vídeos para se excitar. Porém, você percebe que não é assim para você e se dá conta que está perdendo algo importante com sua esposa. Em outras palavras, você tem consciência que algo não vai como você gostaria e parece que vem causando certo grau de sofrimento.

Addicted to Porn: Chasing the Cardboard
Addicted to Porn: Chasing the Cardboard


A questão é menos a pornografia em si e mais o que você vem fazendo com ela. Que uso será que você dando para o ato de assistir pornografia? Nem sempre foi assim, mas por alguma razão hoje esse ato se transformou em algo repetitivo e aprisionador. Tanto que você se sente preso e dependente como se não pudesse existir vida fora desses estímulos. Hoje você se repete, ou seja, sofre uma compulsão.

Uma compulsão não nasce à toa, do nada. Ela tem um significado, só que este não é manifesto, mas precisa ser investigado. Essa investigação é sobre si próprio, sobre o que se passa na sua mente e que sentidos você está dando para os objetos da sua vida. A sexualidade, que é geradora de vida e prazer, virou para você promotora de sofrimento. O que será, que sem você saber, transformou algo bom em algo tão empobrecido?

O saber que você necessita pode ser desenvolvido se você se colocar em análise. Quando aprender a se ouvir poderá compreender o que você está de fato repetindo e mudar isso. Quem não sabe de si próprio está fadado a se repetir no sofrimento. Apenas quando deixamos de ser ignorantes de nós mesmos é que podemos trilhar outros caminhos que nos permitam viver de maneira mais favorável e proveitosa. Não perca tempo e procure se ajudar.
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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