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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
14/03/2020 - 15:51
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Namoro há 2 anos e sempre pensei que ele seria o homem da minha vida e que acabaria me casando. Acontece que desde algum tempo venho sentindo atração pelo irmão do meu namorado. De repente ele ficou irresistível e quando tenho relação com meu namorado penso no irmão. Agora não sei mais o que fazer, não sei mais se meu namorado é o homem da minha vida. Tudo muito confuso. Pior é que essa história já aconteceu antes. Eu tive um namorado e depois me apaixonei pelo primo dele e no final não fiquei com ninguém. Será que invisto no irmão dele? Não sei o que fazer.

Talvez o problema que você enfrenta seja não saber bem o que quer e nesse não saber vai colocando qualquer coisa no lugar sem pensar verdadeiramente. Tal como uma criança que quer sempre o brinquedo que não possui. Só que em vez de brinquedos há pessoas envolvidas nessa história.

Você mesma consegue ter consciência que isso tudo é uma repetição. Esse enredo já foi atuado antes e assim mesmo você não aprendeu. Está presa a um drama que se não for repensado irá se repetir indefinidamente. Hoje você se encontra empacada na sua história e deve, o quanto antes, sair desse impasse para poder viver favoravelmente. O drama a que você está presa se encontra no seu inconsciente e este se faz necessário decifrar.

Freud, criador do conceito do inconsciente, foi um inovador ao revelar que muitas das nossas atitudes são definidas por uma parte de nossa mente sem nos darmos conta disso. Essa parte, o inconsciente, nos dirige e influencia a maneira como vivemos. Quem não decifra o próprio inconsciente fica ignorante de si mesmo e escravo da repetição. Tal como a esfinge da mitologia que pede por decifração senão devora o seu interlocutor, nosso inconsciente também pode nos devorar se nos mantivermos alheios a ele.

O risco que você corre é o de ser devorada pela repetição e ficar ignorante do que realmente quer e pode ter. Para mudar essa situação é preciso aprender a ouvir o inconsciente e entender em que armadilhas ele te coloca. Saber de si mesma permite não mais cair nas armadilhas de sua mente. Você passa da posição de escrava do inconsciente para a de pensante da própria vida.

Quem sabe este não seja o melhor momento para iniciar uma análise e aprender com suas experiências?
08/03/2020 - 15:53
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Meu pai é homossexual. Ele se descobriu gay quando tinha 50 anos e eu 22. Ele se separou da minha mãe e acabou assumindo um relacionamento com outro homem dez anos mais novo. Já se passaram alguns anos e eu até hoje não consigo aceitar que meu pai seja gay. Hoje sou casada e tenho um filho e não quero que meu filho se encontre com meu pai, não aceito a condição dele. Nada vai me fazer mudar de idéia. Só quero que ele volte a ser o que era, um pai, um homem casado com mulher, como os homens devem ser. Meu pai me deixa irritada e infeliz.

O que te deixa irritada e infeliz não é o modo como seu pai vive a vida, que é dele por sinal, mas por insistir no pensamento rígido que não admite mudança e aprendizagem, ou seja, que vai contra a realidade de que você não controla o mundo. Acreditar na onipotência e se deparar que ela é ilusão é o que te aborrece.

A história da "cura gay" e seus defensores serve para você aprender algo importante: Quem acha que pode mudar o comportamento do outro ou simplesmente estabelecer o que é certo e errado está preso na onipotência. Onipotência só leva ao preconceito e este só leva ao distanciamento entre as pessoas. Hoje você vive afastada do seu pai por preconceito e não porque ele te impede a aproximação.

Ele não se descobriu gay aos 50, ele apenas se permitiu viver a sua orientação sexual aos 50. Não é fácil mudar a rota da vida, mesmo quando necessário, é um ato que requer muita coragem e isso seu pai mostrou. Será que por essa atitude ele não mereceria alguma demonstração de afeto e respeito?

Não cabe a você decidir o que seu pai é ou não. Você só pode aceitá-lo. Devemos desejar que as pessoas que amamos sejam felizes e só podemos ser realmente felizes quando podemos ser nós mesmos. Você exige que seu pai seja outro, contrariado e reprimido, e ele deu mostras de que não aceita isso. Ainda bem que é assim. A vingança de impedir seu filho de conviver com o avô é prejudicial a todos e só ensina o ódio e o ressentimento. Enquanto não largar a onipotência a maior perdedora será você mesma.
01/03/2020 - 15:48
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Estou casada com um tirano. Ele me trata como uma empregada doméstica sem salário. Não tenho um único gesto de carinho e reconhecimento. Às vezes ele chega a me bater e quando tenho que pedir dinheiro para ele, ele fica furioso e grita comigo como se eu estivesse tirando tudo dele. Me chama de inútil e imprestável e diz que nem como prostituta eu daria certo. Tenho uma filha de 4 anos e não sei que educação estou dando para ela. Ele nos despreza. O que será que eu posso fazer? Me dê uma luz. Só não quero me separar porque não sei fazer nada na vida e não tenho para onde ir. Tenho muito medo de ficar jogada e não sei se aguento ficar sozinha.

Você coloca tão poucas possibilidades de ser ajudada que faz pensar se quer mesmo resolver essa situação. Como será que você espera ser ajudada? O que será que você imagina que seria uma luz para o seu caso? Se você espera que seu marido vá mudar está se enganando. Não temos como ser felizes quando desejamos o impossível. Pelo o que você conta seu marido te tortura, até te bate, te humilha e isso é caso de polícia. É contra a lei sofrer abusos e o agressor pode até ir para a cadeia. Mas a questão é se você conseguiria seguir esse caminho.

A falta de confiança em você mesma faz você temer ter que cuidar de si e da sua filha. Portanto, você só sairá dessa posição que você se encontra à medida que puder ter um auto olhar mais apreciativo por você mesma. Não tem saída fácil e sem preço para o que você vive hoje. Como é você e só você que vai pagar o preço precisa decidir até onde está disposta a ir, mas não se iluda que exista uma solução sem você mudar a posição que ocupa ou de que seu marido vai ter uma transformação milagrosa e passar a te tratar com dignidade. Como já se diz no ditado popular "Para se fazer uma omelete é preciso quebrar os ovos”, ou seja, caso queria mesmo uma mudança vai ter que quebrar algumas barreiras que hoje te seguram, senão nada ocorrerá.
21/02/2020 - 18:25
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Meu filho é pré-adolescente. Ele tem um celular e fica sempre conversando com os amigos e nas redes sociais. Fico com medo de ele encontrar virtualmente alguém que lhe faça mal. Me lembro do meu tempo quando não existia essas tecnologias e era tudo melhor e mais seguro. Hoje não sabemos como lidar com os filhos e jovens nesse mundo moderno. Ás vezes queria proibir meu filho de usar celular, mas também é algo seguro e eu o encontro em qualquer hora se ele tiver um celular. Tenho a impressão que o mundo, com a tecnologia, está mais perigoso. Como podemos viver com essa tecnologia?

A tecnologia moderna oferece riscos e acima de tudo medo, justamente porque se trata de algo novo e desconhecido. Tendemos a idealizar um tempo passado como melhor apenas porque ele é conhecido e já foram criados muitos pontos de referências. Nessa idealização desejamos voltar atrás, como se fosse possível e viável viver como antigamente e fechar os olhos frente à toda novidade de agora. Porém, o tempo jamais volta atrás.



Gostando ou não a tecnologia veio para ficar e isso não tem mais volta. As crianças serão diferentes das crianças do passado e isso faz com que os pais também tenham que mudar. Os pais também terão que ser diferentes e aprender a lidar com questões e indagações que antes não existiam. Ser pai e mãe não é algo fixo e que vem com um modelo padrão a ser seguido, mas requer constante transformações.

Perigo há de monte nas redes sociais, mas também existe perigo num mundo sem conexão rápida proporcionada pela internet. Perigos fazem parte da vida. Não há como estar num mundo sem perigos. O que importa, entretanto, é preparar os jovens para se deparar e se preservar dos perigos que existem. O problema não é o celular em si, mas o excesso de informações que existe e que o jovem ainda não aprendeu a dar conta. Os jovens precisam aprender a processar tudo o que lhes acontece e fazer um bom uso da tecnologia.

O uso da tecnologia pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal, mas é a forma que cada um se relaciona com ela que vai formar como se dará essa experiência. A única maneira é você sempre conversar com seu filho, sempre se colocar disponível para que ele possa contar com você. Se você cuida dele, sem excessos de medos e controle, ele também poderá aprender a cuidar de si mesmo de forma apropriada. Sua relação e a qualidade desta é que será o melhor recurso para ajudar seu filho e prepara-lo para o mundo. Não só os filhos, mas os pais também têm que aprender novos meios de se relacionar com um mundo em constante mudanças.
14/02/2020 - 00:28
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Pergunta da Leitora - A ideia de perfeição massacra


Sou uma mulher casada e mãe de duas crianças. Tenho uma vida muito boa e que não me dá o direito de reclamar. Me considero feliz a não ser por um ponto. Eu sempre fico muito ansiosa e preocupada se estou sendo uma mãe boa, uma mulher boa. Sempre quero ser perfeita em tudo. Sei que ninguém é perfeito e nem pode ser perfeito, mas eu sempre me pego pensando que queria ser perfeita. Não quero que meus filhos nada sofram e não quero que ninguém tenha algo a dizer sobre a maneira que eu os crio. Não quero que meu marido sequer pense que não sou a mulher perfeita para ele. Isso me consome muito e não sei o que fazer. Preciso de ajuda.

Nesta vida ou a gente tenta ser perfeito ou se permite ser a si próprio. Não dá para viver os dois ao mesmo tempo. Um exclui o outro. Portanto, temos que decidir o que queremos e/ou podemos ser. O problema é que se você insistir na perfeição cada vez mais ficará longe da pessoa que pode vir a ser.

Primeiro é necessário se indagar sobre a origem dessa obrigação que você se colocou de que tem que ser perfeita. Ao que será que você responde quando se impõe a perfeição, seja lá o que ela for? Você vai saber sobre isso se se debruçar sobre sua história de vida. Em algum ponto no decorrer de sua vida essa "obrigação” foi instituída e compreender sobre as razões que levaram a isso pode te fornecer informações importantes a serem elaboradas.

Será que há uma dificuldade em lidar com as críticas/agressividade dos outros? Será que você acredita que tem que agradar os outros? São muitas as possibilidades que pedem por atenção e consideração. Enquanto ficar presa ao que for que te mantem nessa posição não poderá ser você mesma. E é sempre um desperdício quando não nos permitimos ser nós mesmos.

São muitas as pessoas que gastam tempo e energia tentando ser um personagem que acreditam que têm que ser. Um personagem é algo muito superficial e que está a serviço das idealizações. Para viver a vida as idealizações precisam ser deixadas de lado. Assim, a mulher que você pode vir a ser verdadeiramente pode ser descoberta e desenvolvida. A mãe que você pode vir a ser tem como desabrochar e ir aprendendo com as experiências. Ao invés de perfeição sua atenção deveria estar na totalidade, em ser você mesma integralmente. Não perca tempo e procure ajuda para se descobrir.
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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