15/11/19
32º/19ºLONDRINA
PUBLICIDADE
Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
08/11/2019 - 11:30
Imprimir Comunicar erro mais opções
Tenho 46 anos e sou muito bem de vida. Nunca casei e sempre tive mulheres a vontade e ao meu dispor. O que acontece é que sempre só saio com mulheres muito mais jovens do que eu e sempre foi assim na minha vida. Quando tinha 17 anos a menina com quem saía tinha 15, quando eu tinha 23 anos a menina tinha 18. Hoje saio com uma menina de 21 anos. Não consigo me relacionar com ninguém mais velha. Não quero parecer superficial e machista, mas até acho algumas mulheres mais velhas interessantes, mas é mais fácil ficar com as meninas mais novas. Estou te escrevendo porque não consigo pensar sobre o que isso seja, apesar de desconfiar da psicologia. Acho que cada um deve cuidar de si mesmo e que a psicologia é uma perda de tempo, afinal ela não tem como resolver o meu problema. Mas acho que preciso te perguntar o que você acha de mim.

Você considera a psicologia uma perda de tempo, mas precisa perguntar e pedir pelas palavras de um psicólogo. O que será que isso quer dizer? Provavelmente que você não desconsidera a psicologia tanto assim, mas que teme se relacionar com alguma pessoa fora do seu controle. Por isso prefere se relacionar com quem você tem algum tipo de domínio.

Relacionar-se com alguém mais jovem que você te dá mais controle sobre o relacionamento. Te dá mais poder e segurança. Aliás, não é bem mulheres mais jovens com quem você se relaciona, não é a idade que realmente é o ponto principal aqui, mas a ingenuidade. O que você procura nas meninas não é a tenra idade, mas o quanto elas são despreparadas nos relacionamentos e por isso mesmo facilmente manipuladas. Você sofre de paixão pelo controle.

Alguém que tenha mais experiência parece te assustar. Você foge de mulheres que estejam num nível de experiência mais elevado, apesar de achar algumas até interessantes, porque com estas você seria muito mais exigido num eventual relacionamento. E mais ainda, você também, com estas mulheres, não teria o controle absoluto. Não que você tenha o controle de fato com as mais jovens, mas é muito mais provável que você assim sinta e quando as mais ingênuas vão aprendendo as coisas é bem capaz do seu relacionamento terminar e você ir atrás de outra menina ingênua. Isso vira uma repetição sem fim e sem resultado algum.

Assim como você ousou se "abrir” com um psicólogo talvez possa aprender a se abrir mais em sua vida e procurar superar os medos que te impedem de viver um relacionamento mais verdadeiro. A grande verdade é que se relacionar não é mesmo fácil e é fonte de inúmeras angústias. O medo de que a gente vá sair machucado é grande e até mesmo real. Por outro lado, se imobilizar pelos medos nos faz perder experiências importantes na vida, que jamais deveríamos abrir mão. Está na hora de você decidir do que quer abrir mão: dos medos que sente ou de uma vida plena que pode viver?

Siga-me no Instagram @psicanalista.sylvioschreiner
01/11/2019 - 10:16
Imprimir Comunicar erro mais opções

Sou uma enfermeira particular e cuido de pessoas idosas e geralmente em estado terminal. Sou sozinha, nunca me casei e muitas vezes convivo mais com os idosos com quem trabalho do que com pessoas do meu círculo e idade. Sou religiosa e antigamente acreditava em deus e em sua misericórdia para conosco. Rezava com freqüência, mas ultimamente acho que perdi completamente a fé. Não acredito em mais nada e estou passando a acreditar que os ateus estão certos em afirmar que nada existe. Mas é muito ruim me sentir assim. A minha pergunta é: será que é possível acreditar em algo que possa me deixar feliz? Será que é possível preencher esse vazio que me oprime com alguma coisa, mas que não me faça cair no engano de que deus vai cuidar de mim?

Você tem um trabalho duro: cuidar de idosos em estado terminal. Convive com muitas dores, sofrimentos e sentimentos de dúvida em relação à vida. Provavelmente se encontra contaminada pelo desânimo e pela falta de esperança. Antes havia a ideia de deus para te trazer algum conforto, mas agora isso mudou e faz você se sentir perdida.

Para complicar ainda mais a situação você sofre de solidão. Há poucos vínculos saudáveis e alegres que possam te animar e trazer vitalidade para viver. As suas ligações com as pessoas que necessitam de cuidados são tênues e pesadas. Não favorecem a alegria que tanto te falta, mas te convidam ao estado de luto permanente. Quando o luto persiste além da conta a vida perde o seu melhor.

Só que nem tudo é tempo ruim. Parece que o sentimento de esperança enfraqueceu em você, mas não morreu. Tal como brasa que precisa de um sopro para acender, você precisa de algo para acreditar e poder se encantar e se animar. O que te falta acreditar é saber que a sua vida pode ser fonte de felicidade.

Ninguém vai e ninguém pode tomar conta da sua vida. Essa é uma tarefa que só cabe a você. Afinal, só você pode saber do seu caminho e qual a melhor maneira de trilhá-lo. A vida, certamente, tem muitos sofrimentos, mas pode ser encantadora e surpreendente. Precisa se permitir ver a vida de outro ponto de vista. Não há só uma única perspectiva, mas várias. Encontrar e desenvolver a sua é o melhor caminho que poderá pegar. Em outras palavras, você precisa aprender que a vida traz outras possibilidades que não apenas o luto. Procure ajuda de um analista que saiba te escutar para você aprender a se ouvir e construir internamente algo mais saudável a que se apegar.
25/10/2019 - 09:33
Imprimir Comunicar erro mais opções

Ilustração: Pixabay

Não entendo as pessoas. Elas querem a verdade, mas não a suportam. Eu sou uma pessoa direta, franca e falo mesmo o que me vem à cabeça. Não tenho medo de mostrar opinião e que sou geniosa. Só que isso me traz problemas, porque muita gente confunde meu jeito de ser com grosseria. Não suporto isso. Na minha família já tenho fama de má e grossa. Eu não sei ser diferente nem quero. Se eles quiserem me aceitem como sou, mas fico mal quando as pessoas evitam o contato comigo.

A questão não se trata de você não falar "verdades” ou fingir uma hipocrisia. No entanto, fico aqui pensando na maneira que você deve falar. No contato com o outro o conteúdo e a embalagem precisam ser bem feitas senão corre-se mesmo o risco de virar grosseria.

Há muitas maneiras de se dizer as coisas. Há maneiras que inspiram e fazem o outro escutar e refletir. Porém, há também formas de se dizer as mesmas coisas que só geram antipatia e raiva em quem escuta. Que forma será que você vem utilizando? Parece que já sabe a resposta, porque percebe que tem gente que te evita.

E por mais que diga que você é assim e que se quiserem que te aceitem, isso parece-me mais uma defesa, um dar de ombros, do que a verdade. Você se importa sim. Caso contrário não se sentiria mal, nem se preocuparia em escrever este e-mail para mim. Só não quer ver nem admitir que você tem responsabilidade quando os outros te evitam e viram as costas. Reflita sobre a parábola abaixo. Pode-lhe ser útil.

Uma antiga história árabe diz que, um dia, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que acordou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho. "Que desgraça, senhor! Cada dente caído representa a perda de um parente.” - respondeu o adivinho. O rei achou tal interpretação uma insolência. Chamou os guardas e ordenou que açoitassem o adivinho. Depois mandou buscar outro, que disse: "Senhor! Grande felicidade vos está reservada! O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes!” O sultão iluminou-se e mandou recompensar o adivinho.

A mesma coisa pode ser dita de várias formas. Às vezes, é preciso sabedoria para escolher a melhor.
18/10/2019 - 15:45
Imprimir Comunicar erro mais opções

Foto: Pixabay

Oi Sylvio! Li seu post que você respondeu a uma mulher que quer ter vários parceiros. É estranho ler aquilo mas também é tranqüilizador para as mulheres se sentirem normais. Eu tenho 27 anos e sou uma mulher bonita. Já namorei e sempre gostei de sexo. E eu gosto de me masturbar. Não sei porque todo mundo acha que mulher não se masturba ou não gosta disso. Mas eu gosto, mas ao mesmo tempo também me sinto culpada. Estudei com freiras e elas sempre impuseram a noção de pecado na masturbação. Mas se é pecado para homens e mulheres e os homens continuam a fazer isso até descaradamente, por que nós mulheres não podemos? Não é justo. Um dia com meu namorado eu comecei a me masturbar na frente dele para mostrar como era que eu gostava de ser tocada e ele tentou não ficar, mas ficou constrangido, como se isso fosse errado. O que você pode falar do sentimento de culpa nesse caso?

O corpo é fonte de prazeres e uma pessoa se tocar é se dar auto-prazer. A sexualidade pode ser algo bom e faz parte da natureza. Segundo a visão da igreja isso é um pecado, pois para a igreja o prazer sexual não é visto com bons olhos. Como se fosse possível vencer a natureza e negá-la. Quando a igreja, ou qualquer outra instituição, ou qualquer pessoa, combate a natureza tentando transformá-la em algo errado e sujo, cria-se a culpa.

A culpa, então, nasce quando desejamos algo que é tido como pecaminoso e feio de se viver. Alia-se a isso todas as ameaças que são impostas como forma de punição por alguém desejar seguir a própria natureza. Sexo desperta curiosidade e traz grande prazer e todos somos seres sexuados. É natural que queiramos experimentar.

Houve épocas em que a masturbação era até considerada, por médicos, fonte de muitas enfermidades, o que servia ainda mais para aumentar a culpa das pessoas. Hoje se sabe que a masturbação é uma forma saudável da pessoa aprender e viver sua sexualidade. Ela não causa doença nenhuma e é um direito de quem quiser praticá-la, incluindo as mulheres.

As mulheres na História ocuparam uma posição submissa e para quem fica nessa posição muitos prazeres são negados. Por serem consideradas apenas como objetos elas não tinham direito de se manifestar e revelar seus desejos, principalmente o sexual. Não é à toa que em muitas culturas ainda se pratica a extirpação do clitóris em muitas mulheres, como forma de tirar delas o prazer e o desejo. Quem deseja se expressa e começa a questionar as coisas. Para quem quer que as mulheres não questionem nada é melhor do que acabar com seu desejo, assim elas passam a ser controladas.

Felizmente, o mundo hoje está melhor, em muitos lugares, para as mulheres, que podem descobrir como fazer uso de sua sexualidade e viver uma vida mais plena.
11/10/2019 - 03:32
Imprimir Comunicar erro mais opções

Foto: Pixabay

Hoje sou uma senhora de 48 anos e me sinto desgastada. Sempre procurei por um propósito na vida e nunca o encontrei. Nunca senti amor de deixar as pernas bambas, nunca senti que tivesse talento para algo. Só fui vivendo e me deixando levar pelas circunstancias da vida. Sou muito questionadora e sempre leio livros espirituais, no entanto só tenho perguntas e nenhuma resposta. Será que toda vida tem sentido? Como fazer para encontrá-lo? Fico em dúvida sobre essas questões, mas já desisti de qualquer revelação. O que diria para uma senhora como eu?

O que quer dizer ser uma senhora? Que significado você coloca ao se apresentar desta forma? Arrisco um palpite. Creio que ao se autorreferir como uma senhora você queria dizer que se acha velha e que se encontra sem esperanças na vida, como se só uma moça muito jovem pudesse sentir esperanças. Erra nos dois casos, pois 48 não torna ninguém velha e a esperança é de quem a permite tê-la, não apenas para os muitos jovens.

Você está cheia de questões e fico me perguntando se não é disso que você gosta. Você parece valorizar muito as questões, no entanto, não valoriza pensar sobre elas, como se só o fato de questionar fosse trazer as respostas que você procura. Fica presa num círculo, aonde vai atrás das perguntas, mas jamais vai ao encontro de respostas.

É estéril, ou seja, sem resultado algum a sua pergunta "Será que toda a vida tem sentido?”. A pergunta que você poderia fazer é "qual o sentido que você dá à sua vida?" Fazer perguntas muito gerais é uma maneira de não ter que se comprometer consigo e o que lhe parece mais lhe faltar é justamente comprometimento com sua vida. Com a falta de compromisso só resta mesmo deixar as circunstâncias da vida te levarem.

O que lhe acontece é medo de viver e de se deparar com suas próprias experiências de vida. As respostas que você tanto busca não vão ser encontradas em livros, mas apenas através das experiências. Você dizer nunca ter amado me dá a ideia de que tem medo de se entregar e que prefere se refugiar na teoria e deixar de lado a prática. Só que ninguém vive na teoria e para sair dela é necessário coragem. A vida não pode ser encarada como um exercício intelectual, pois ela é acima de tudo uma experiência. Que tal rever como você se vê?

Siga-me no Instagram @psicanalista.sylvioschreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



ARQUIVO
Mês
Ano
AVISO: Opiniões e informações contidas nos blogs hospedados nesta plataforma são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem os valores do Portal Bonde.
PUBLICIDADE