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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
12/08/2019 - 09:57
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Bom dia!

Trago hoje uma grande novidade: passo a assinar uma coluna impressa na Folha de Londrina, todas as segundas-feiras, no caderno de Saúde, também intitulada Mundo Vivo. É uma grande conquista para mim como profissional e um canal a mais para debatermos nossa vida mental.

Na coluna de estreia trato do quanto mudamos ao longo da vida devido ao autoconhecimento. Você já parou para pensar nisto?

Te convido a interagir comigo também neste novo espaço, enviando opiniões, críticas, dúvidas, de forma que possamos aproveitar o melhor de cada plataforma e crescermos juntos.

Desde já, meu muito obrigado.
09/08/2019 - 14:35
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Foto: Pixabay

Tenho 43 anos e estou casado há 20 anos. Temos dois filhos, um deles já na faculdade e outra a caminho. Vivo bem, mas não me sinto feliz e sinto que estou definhando. Parece que o melhor tempo da minha vida já passou e que nada de bom me acontecerá. Minha esposa e eu fazemos sexo muito raramente e isso é algo que me deixa muito frustrado. Me masturbo todos os dias escondido no banheiro. Conheci uma mulher na internet que me fez sentir jovem novamente. Nunca a vi, só as fotos que me manda e nem sei se aquelas fotos são realmente dela. Mas gosto de conversar com ela online e falarmos sobre tudo, principalmente sobe sexo. Com ela posso viver muitas fantasias, coisa que não posso com minha esposa. Já tentei falar com ela que estava insatisfeito com nossa vida sexual mas ela disse que sexo ela não gosta mais. O problema é que minha esposa descobriu que mantenho este "relacionamento" virtual e não deixa mais eu dormir no quarto. Me sinto estranho e culpado dentro da minha própria casa. Ela contou para alguns parentes que agora olham torto para mim. Agora, além de insatisfeito, me sinto mal e sujo, como se eu tivesse realmente a traído. Mas será que a traí mesmo? Nunca saí com outra mulher, foram só conversas picantes que me fizeram me sentir vivo e homem novamente.

Todo mundo tem direito a uma vida sexual. A sexualidade é algo importante demais para ser negada ou suprimida. Caso alguém insista em enterrar a sexualidade correrá sérios riscos de adoecer e levar uma vida muito sem graça. Parece que você identifica algo assim em você quando diz que sente que está definhando.

Definha aquilo que não é usado. Por exemplo, se não andarmos e ficarmos na cama sempre, por dias seguidos, as pernas irão definhar, perder força e vitalidade. Com a sexualidade também é assim. O que definha na recusa da sexualidade não são os órgãos, mas a qualidade de vida. O que poderia ser uma vida cheia de encantos e curiosidades passa a ser uma vida estéril, sem cor e sabor.

Não sei o que se passou entre vocês para que a sexualidade fosse tão deixada de lado. Também não sei se isso tem como reverter. Entretanto, vejo que algo em você foi despertado nessa conversa online que te fez se sentir jovem novamente. Hoje você percebe que não tem como abdicar da sua sexualidade e que o preço disso é alto demais. Aos 43 anos você tem muita vida pela frente e não precisa se enterrar. Por que alguém deveria se sentir culpado por possuir desejo sexual? E por que a sexualidade deveria ser considerada algo sujo?

Se você vai conseguir viver sua sexualidade com sua esposa não há como dizer. Pode ser que sim, mas se não for possível com ela, se o casamento já se transformou num túmulo é necessário que você ouse sair dele para poder respirar ar puro e fresco novamente. Jamais devemos nos sentir culpados de querer viver mesmo que nosso parceiro ou parceira já tenha desistido. Você é livre para se permitir sentir vivo ou se amortecer. O caminho que vai pegar depende do preço que aceitará pagar.
05/08/2019 - 10:15
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Foto: Pixabay

"Eu ensino os meus suspiros a se estender em canções" (Theodore Roethke)

Todos nós suspiramos. Há tantos acontecimentos, e a maioria deles dolorosos, que não há como não suspirar. O problema é no que transformamos nossas manifestações de pesar. Sempre vale a pena avaliar se transformamos nossos suspiros em lindas canções ou em queixas lamurientas.

Quando é a última alternativa o que nos move, a de lidar com nossas dores com lamentações, a vida vai se tornando insuportável. Os suspiros vão virando gemidos e tudo o que vivemos, todas as nossas experiências de vida, são estragadas e contaminadas. Viver se torna não mais uma possibilidade, mas um terrível e pesado fardo.

Em contrapartida, se nossos suspiros se tornam músicas, canções das nossas histórias, vivemos melhor e com muito mais qualidade. A dor, nesses casos, é transformada em algo que nos enriquece, que nos capacita a nos encantar com as chances que também se apresentam lado a lado com as dores. Viver, então, se torna arte e passamos todos a ser artistas de nós mesmos. Compomos nossas músicas, esculpimos nossos caminhos, pintamos nossas experiências, dançamos conforme o momento e a necessidade e, por fim, escrevemos quem somos nos livros de nossas vidas.

No entanto, para o suspiro se tornar matéria-prima para a arte precisamos de uma mente que seja capaz de tolerar e pensar sobre a dor. Sem o desenvolvimento de uma mente, que vem com o autoconhecimento, não há como sermos artistas. Por isso mesmo a frase da Antiga Grécia "Conhece-te a ti mesmo" continua moderna e mais necessária do que nunca. Só quem aprende a se conhecer internamente pode ensinar a si próprio como transformar suspiros em canções.
02/08/2019 - 08:07
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Foto: Pixabay

Tenho 24 anos e namoro há dois anos. Minha namorada é uma mulher bonita, fantástica e inteligente, mas ela vem me dando ultimatos que me deixam muito para baixo. Tenho um amigo de infância que é muito meu parceiro, mas ela não gosta dele. Não há motivos para isso e já percebi o quanto esse amigo fica triste com essa situação. Ela quer que eu me afaste dele e deu, na semana passada, um ultimato: ou o amigo ou o namoro. Não sei por que tem que ser assim e não é só isso que acontece, mas ela vem me dando muitas ordens e ultimatos, até sobre minha família e como devo viver. Estou em dúvida sobre o que faço. O que pode me dizer?

É um engano que ocorre entre muitas pessoas sobre o que é de fato um namoro. Namorar implica em um conhecer o outro e ir percebendo se o que é despertado na relação é algo que faz bem, enriquece e deixa uma sensação de quero mais. Namoro não é um controlar o outro. Se o controle prevalece é porque está faltando amor.

Há muita gente que acha que quando namoramos temos que ficar em cima do outro toda hora, vigiando cada passo e decidindo pelo outro com quem pode ou não falar e o que deve ou não fazer. Sua namorada é possessiva e não se dá conta de que você é uma pessoa separada dela, que tem desejos próprios, amizades pessoais e família. Enfim, ela se relaciona com você como se você fosse objeto dela que ela pode colocar como quiser.

Até pode parecer, por um momento, que isso é um amor tão grande e intenso que transforma alguém em possessivo e controlador, porém nada tem de amor porque este sempre preza pela liberdade do outro e entende que o outro é livre para ir e vir. Provavelmente a relação de vocês começou com amor, mas o amor pode ser corrompido e virar possessividade.

O que corrompe o amor é a insegurança de tomar consciência de que não somos donos do outro e que o outro pode ter vontade própria totalmente diferente da minha. Quando não aceitamos isso passamos a usar do controle como se pudéssemos mudar a realidade e isso vai tornando o relacionamento insustentável. O que era bom torna-se intolerável até um ponto que nada do amor sobra vivo e o que liga o casal é apenas amargura, ressentimento e controle.

Será que isso é um namoro?
29/07/2019 - 06:06
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Foto: Pixabay

Quando pensamos em luxo logo imaginamos mansões, carros potentes, viagens de primeira classe, acúmulos de objetos caros e muitas outras exclusividades. Evidentemente certas regalias são ótimas e facilitam nossas vidas. Outras regalias, entretanto, servem apenas para alimentar nossa vaidade e nos dar a falsa ideia de que não somos seres humanos como qualquer outro, mas como se fôssemos especiais.

Por mais que alguém viva rodeado de luxos este alguém ainda assim será um humano. E como tal terá que lidar com frustrações, dores e inúmeros outros conflitos que a vida sempre fornece a qualquer um. Nenhum objeto externo, por mais luxuoso que seja, tem o poder de mudar a natureza humana e os problemas dela. No entanto, o maior luxo que existe, e o qual todos devemos almejar, é viver bem. Nada é mais luxuoso e valioso do que saber viver bem.

Por viver bem me refiro a lidar com a vida de maneira eficiente, sem tantos pesos e sofrimentos desnecessários. Várias pessoas pagam um preço alto demais por determinados luxos que, no fim, não trazem satisfação verdadeira e se esquecem de dar valor às coisas simples da vida, que são as que mais importam.

Muitos relacionamentos entre cônjuges, pais e filhos, amigos, ficam pobres debaixo de tantos luxos ou de tanta insistência por luxos. O mais vital - a presença franca e o ombro solidário - ficam de lado, deixando todos infelizes. As pessoas ainda não compreenderam o que é riqueza de fato e trocam valores internos por objetos comprados no mercado.

Já aquele que se permite valorizar o que realmente importa e se desapegar dos objetos externos vistos como boias salvadoras pode abrir espaço para experiências de vida que enriquecem e desenvolvem o que há de melhor dentro de si. Até porque luxo de verdade não está na dimensão do ter, mas na dimensão do ser. O mundo seria bem diferente se procurássemos este tipo de vida luxuosa.
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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