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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
29/07/2019 - 06:06
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Foto: Pixabay

Quando pensamos em luxo logo imaginamos mansões, carros potentes, viagens de primeira classe, acúmulos de objetos caros e muitas outras exclusividades. Evidentemente certas regalias são ótimas e facilitam nossas vidas. Outras regalias, entretanto, servem apenas para alimentar nossa vaidade e nos dar a falsa ideia de que não somos seres humanos como qualquer outro, mas como se fôssemos especiais.

Por mais que alguém viva rodeado de luxos este alguém ainda assim será um humano. E como tal terá que lidar com frustrações, dores e inúmeros outros conflitos que a vida sempre fornece a qualquer um. Nenhum objeto externo, por mais luxuoso que seja, tem o poder de mudar a natureza humana e os problemas dela. No entanto, o maior luxo que existe, e o qual todos devemos almejar, é viver bem. Nada é mais luxuoso e valioso do que saber viver bem.

Por viver bem me refiro a lidar com a vida de maneira eficiente, sem tantos pesos e sofrimentos desnecessários. Várias pessoas pagam um preço alto demais por determinados luxos que, no fim, não trazem satisfação verdadeira e se esquecem de dar valor às coisas simples da vida, que são as que mais importam.

Muitos relacionamentos entre cônjuges, pais e filhos, amigos, ficam pobres debaixo de tantos luxos ou de tanta insistência por luxos. O mais vital - a presença franca e o ombro solidário - ficam de lado, deixando todos infelizes. As pessoas ainda não compreenderam o que é riqueza de fato e trocam valores internos por objetos comprados no mercado.

Já aquele que se permite valorizar o que realmente importa e se desapegar dos objetos externos vistos como boias salvadoras pode abrir espaço para experiências de vida que enriquecem e desenvolvem o que há de melhor dentro de si. Até porque luxo de verdade não está na dimensão do ter, mas na dimensão do ser. O mundo seria bem diferente se procurássemos este tipo de vida luxuosa.
26/07/2019 - 09:21
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Foto: Pixabay

Gostaria muito que você olhasse essa mensagem! Eu tive um sonho e sempre quis saber o que significa, se é só paranoia minha. Eu estava em uma floresta e nela tinha uma casa em cima de uma pequena serra, uma casinha simples e eu dançava com um rapaz. Nós dois dançávamos como se estivéssemos em um baile. Estava vestida com uma blusa branca, jaqueta vermelha de couro, mini saia jeans e um meião preto com uma bota marrom e ele usava uma roupa preta, camisa social e calça jeans e nós dois estávamos muito felizes e apaixonados nesse sonho. Desde então eu me apaixonei por esse homem que não sei quem é! Detalhe: a floresta tinha uma mistura de um lugar brasileiro com uma mistura americana. Vou te dizer como era o rapaz: tinha olhos azuis, alto, branco e cabelos pretos, era um pouquinho comprido. Eu sempre dizia aos meus amigos que eu me casaria com um americano de olhos azuis e loiro, mas depois que sonhei com esse homem de cabelos pretos me apaixonei e agora meu coração bate forte quando penso nele e fico imaginando nós dois. Isso é normal???

Você teve um sonho que mexeu bastante e te inspirou. Freud, criador da psicanálise, sempre se interessou pelos sonhos e escreveu seu famoso livro "A Interpretação dos Sonhos", no qual discorre sobre a natureza do material onírico (sonho) explicando vários elementos que antes eram tidos como sem importância e significado pela ciência. Os sonhos, nas palavras de Freud, são a via régia para o inconsciente, ou seja, são como uma estrada pavimentada que nos leva para o nosso mundo mental.

Uma das, entre tantas, funções dos sonhos é a realização de desejos. Em crianças, fica bastante perceptível esse processo quando os pequenos sonham que estão brincando, ganhando presentes ou comendo comidas gostosas. Aquilo que é um desejo, mostra-se através do sonhar, algo que dá a sensação de realidade. Alguns estudiosos da neurologia até mesmo afirmam que gatos e cachorros, por exemplo, sonham que estão se fartando com alimentos.

Para uma interpretação mais acurada só mesmo se você se colocar em análise e nela, junto com seu analista, empreender um processo de associações que levem ao sentido mais verdadeiro do sonho. Interpretar um sonho não é consultar um almanaque e forçar sentidos, mas é um trabalho que requer que você vá trazendo para os elementos do sonho as suas ideias e crenças, para que o material seja então "compreendido" de uma maneira que traga um sentido. É trabalho artesanal e demanda um processo analítico.

Quanto ao seu sonho, não há como dizer com detalhes o que significa, porque como dito acima requer todo um processo. Porém, ousaria dizer que você realiza um desejo nele, que é se apaixonar. Talvez interesse menos o rapaz do sonho e mais o fato de que você se encanta ao se perceber apaixonada. Possamos, talvez, dizer que você está apaixonada pela paixão. Realiza através do sonho uma paixão arrebatadora que faz o coração bater forte até mesmo quando já acordada. Apesar do sonho trazer a sensação da realização de um desejo, a verdadeira realização só acontece no mundo real. O sonho você já tem. Quem sabe, então, não venha a aprender a "dançar" no mundo externo e a viver o que puder ser vivido?
22/07/2019 - 09:03
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Foto: Pixabay

Ele era um jovem que morava no interior. Por ser filho de um domador de cavalos, tinha uma vida quase nômade e muito simples. Mas ele sonhava com uma vida diferente. Dormia nas cocheiras, trabalhava duro e, nos intervalos, à noite, ele procurava uma escola ou professores para iluminar a sua inteligência.
Em uma dessas escolas, certa vez, o professor pediu a cada aluno que escrevesse o seu sonho, o que desejavam para vida. O jovem, tomado por um entusiasmo, escreveu sete páginas. Desejava, no futuro, possuir uma fazenda e morar numa enorme casa. Desejava ter uma boa vida e ajudar outros a estudar.
Tão entusiasmado estava que não somente descreveu, mas detalhou com pormenores a casa em que sonhava morar, as cocheiras, os currais, o pomar de sua fazenda. Tudo com grandes detalhes. Quando entregou o seu trabalho, ficou esperando, ansioso, pelas palavras do professor.
Após três dias, o trabalho foi devolvido com uma nota baixa. O professor lhe disse que o seu sonho era absurdo. Imagine só, o filho de um simples trabalhador iletrado. O professor disse que ele precisava entregar outra redação, desta vez mais realista e coerente com ele.
O jovem, voltou para sua casa muito triste e contou ao pai sobre o ocorrido. Depois de ouvi-lo o pai lhe disse que o sonho era dele e que cabia a ele persistir no sonho ou troca-lo por outro. Pensando nisso, o jovem, no dia seguinte, retornou à escola e voltou a entregar a mesma redação dizendo que preferia ficar com uma nota baixa do que abrir mão do que sonhara.

Essa história foi contada para várias pessoas pelo dono de uma fazenda que morava numa belíssima casa e era apoiador de um famoso colégio que ajuda muitos jovens. Um dia, o antigo professor se apresentou, por ter identificado no proprietário da fazenda o antigo aluno e confessou: "Fico feliz que tenha escapado da minha inveja. Naquela época eu era um atormentado, tinha inveja de quem sonhava. Destruí vidas com meu rancor, roubei o sonho de muitos. Ainda bem que não consegui destruir o seu sonho, que faz bem a tantos. Sonhar, na verdade, é belo. Tudo o que existe no mundo um dia foi sonhado por alguém. Antes de algo virar alguma coisa primeiro precisou habitar os sonhos."
(Autor desconhecido)

A habilidade de sonhar é vital em nossas vidas. Quem não sonha não é capaz de realizar nada. Claro que não basta apenas sonhar, senão o sonho passa a ser mera ilusão, mas o sonho precisa ser realizado. Realizar requer todo um processo que demanda tempo, paciência, dedicação, persistência e tolerância às frustrações. Realizar os sonhos não se trata de mágica, mas de muita inteligência para ir fazendo o sonho passar pelos testes de realidade.

Sonho e ilusão não são a mesma coisa. Ilusão não tem como existir, é apenas um produto mental. Sonhar, entretanto, é o que nos motiva a concretizar algo, a criar algo. Primeiro sonhamos para depois ir atrás. O sonho é só o ponto de partida. Já a ilusão é só ficar preso no terreno das ideias sem jamais experimentá-las. Saber discriminar entre estes dois é fundamental para viver ou fingir que se vive.
20/07/2019 - 10:14
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É muito frequente haver confusão entre os conceitos de cumplicidade e amizade, como se fossem a mesma coisa. No entanto, não se tratam de sinônimos, mas de coisas completamente diferentes. Até mesmo nos dicionários estas duas palavras podem ter significados similares, porém, é sempre bom saber que pode haver entre as duas um abismo enorme. Então, o que são a amizade e a cumplicidade?

Cumplicidade é conivência, ou seja, aceitação e participação nos atos de outra pessoa, mesmo que estes mesmos atos sejam ilegais ou imorais. A cumplicidade visa sempre a um interesse e jamais é despretensiosa. Portanto, todo cúmplice é interesseiro e o que une ao outro só vive enquanto o objeto de interesse continuar a existir. Este último cessando a cumplicidade não perdura e a relação que unia os seus integrantes se desmancha facilmente. Vejamos as delações premiadas, tão em voga ultimamente nas searas politicas, e saberemos do que a cumplicidade se trata.

Enquanto a cumplicidade necessita do lucro para subsistir, seja este qual for, a amizade funciona de outra forma. Há também o lucro na verdadeira amizade, mas este se volta aos valores subjetivos e morais. A amizade independe do interesse e o amigo não é interesseiro em suas ligações. O que une os amigos é a relação de confiança e respeito que só ocorre quando a atitude do cuidado e do desapego se faz presente. O amigo cuida do outro de maneira gratuita, sem esperar algo em troca. Infelizmente, a dimensão da amizade não é para todos.

Alcançar a verdadeira amizade é para bem poucos porque demanda uma ética pouco conhecida. Essa ética implica em se abrir mão, de maneira prazerosa, do narcisismo para estar com o outro. É triste, mas a cumplicidade que se baseia na perversão e interesse é mais conhecida do que a amizade. O amigo não justifica que gosta do outro por tal ou qual razão, mas compreende que a amizade, assim como o amor, tem seus mistérios, os quais não nos cabe querer entender, mas apenas acolher da forma mais preciosa que pudermos. O amigo aceita que o outro é simplesmente ele mesmo.
15/07/2019 - 09:33
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Há uma frase do escritor Oscar Wilde muito interessante para pensarmos como as transformações nos fazem ser pessoas diferentes ao longo da vida. A frase diz: Desculpe, mas não reconheci você, eu mudei muito! Geralmente, quando não reconhecemos alguém, pensamos que a outra pessoa mudou e por estar diferente fica irreconhecível. Porém, essa frase espirituosa nos mostra que, às vezes, nós é que mudamos e aquilo tudo que antes era tão reconhecido já não o é mais.

Coisas que antes pareciam nos divertir tanto e fazer tanto sentido no passado, uma hora não faz mais sentido algum. Desejos que antigamente pareciam ser tão importantes podem evaporar e dar espaço para outros. Estamos sempre em mutação e isso é bom, porque somente o que está vivo pode mudar e evoluir. O que está morto não muda nunca.

Assim como interesses e desejos mudam no decorrer da vida os relacionamentos também mudarão. Casamento e algumas amizades também sofrerão transformações. Muitas uniões terminam porque um ou os dois mudaram a tal ponto que aquela união não traz mais sentido. Sim, isso acontece. Nem todas as separações são ruins. Pode ser que as transformações tenham levado um a não mais reconhecer o outro.

Mudanças de carreira também são possíveis. Há pessoas que sempre se dedicaram e investiram numa dada carreira, até sendo bem sucedidos, mas chegou um momento em que as transformações internas os fizeram tomar outro rumo, surpreendendo eles mesmos ou as pessoas próximas. Enquanto estamos vivos e nos envolvendo com a vida nós aprendemos e são justamente estas aprendizagens que nos transformam.

Quanto mais vivemos mais iremos nos transformar, mais iremos evoluir.

O contrário, ou seja, não se permitir aprender com as experiências de vida, nos deixa estancados, sem nunca nos transformarmos e, por isso, presos às mesmas coisas. São pessoas que estão sempre a reclamar da vida e que possuem uma visão extremamente negativa sobre tudo e todos. Creem já saber tudo e tornam-se arrogantes e chatos. Em outras palavras, são pessoas que não mudam e se mudam é tão pouco que se torna imperceptível. Estão biologicamente vivos porque andam, comem e funcionam, mas não vivem verdadeiramente. Daqui alguns anos se você os encontrar eles estarão na mesma, com as mesmas ideias e pensamentos, sem nenhuma mudança. Sempre serão reconhecidos.

Essas pessoas que não mudam desperdiçam a própria vida. Ficarão sempre presas a tudo aquilo que é conhecido. Suas dores serão sempre as mesmas. Seus sofrimentos se repetirão sem fim. Suas queixas e reclamações serão sempre sobre os mesmos pontos. Triste, mas há muitas pessoas nesta posição. Carregando sempre os mesmos desejos, nunca crescem. Não são sujeitos da própria vida, mas ficam submetidos ao conhecido.

Uma criança, quando tudo vai relativamente bem em seu desenvolvimento, vai se transformando a olhos vistos. Tudo nela muda. Fica diferente aos olhos dos demais, mas, acima de tudo, o mundo fica totalmente diferente aos olhos dela. O bebê que vira a criança, que vira o adolescente, que vira o jovem, que se transforma no adulto, que chega à meia idade, etc. estará tão mudado que, em cada nova etapa de sua vida, terá um mundo novo para conhecer.

Cada novo olhar traz a semente de um mundo completamente novo e mudado.
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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