Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 11/06/2012, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos.
ABRAHAM SHAPIRO
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Havia um poderoso rei que teve um pesadelo no qual se via, desesperadamente, sem nenhum dente em sua boca. Chamou o maior dos sábios de sua corte à sua presença e questionou-o sobre o significado deste sonho perturbador. O sábio analisou, e respondeu:
- Majestade, vejo claramente através dos elementos que me descreveis que lamentavelmente toda a vossa família morrerá e só vós ficareis vivo.
A notícia frustrou o monarca a tal ponto que, num lampejo de ódio desequilibrado, ordenou que o sábio fosse imediatamente torturado e morto.
Insatisfeito com sua trágica sorte, o rei convocou outro sábio da corte. Quando este se apresentou, o governante narrou a ele seu pesadelo pediu-lhe que interpretasse seu sentido. O sábio, então, ouvindo-o com cuidado e sabendo do que havia sucedido antes dele, passou a tecer suas considerações:
- Com vossa permissão, majestade. Vejo claramente não tratar-se de um pesadelo, mas de um sonho bom e auspicioso. O que sonhastes esta noite é de bom augúrio para vós e para todo o todo o vosso reino. Vossa Majestade viverá por mais tempo do que todos os membros da sua família.
Ouvindo isto, o semblante do rei se transfigurou e se alegrou. Efusivo com a boa nova, recompensou este sábio com riquezas e honra, tendo-o, promovido à categoria de conselheiro real.
E então? Você entendeu a história?
Pela tradição em que fui criado, desde cedo aprendi que existem ao menos seiscentas mil diferentes maneiras de se interpretar qualquer situação.
Se nos abrirmos a esta sabedoria veremos que o vício bitolado de ver apenas duas – a maravilhosa e a desgraçada – tem origem nos nossos modelos mentais restritos ou na preguiça de buscar alternativas. E muita gente é assim. E por isso sofrem dissabores e amarguras intensas.
Não existirão outros pontos desde onde possamos ver novas soluções ou julgamentos? Por que somente uma ou no máximo duas saídas?
Um bom exercício para tornar-se prático nesta ciência é contar uma mesma história de muitos modos diferentes. Force o seu raciocínio a buscar outros caminhos nas descrições que fizer. Isto fará de você mais flexível e versátil. Terá o poder de lhe colocar frente a um mar de possibilidades novas.
Guarde para a sua reflexão: "A mente é como um paraquedas: só funciona se abrir".
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome- Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", editora nVersos, 2012. Contatos: [email protected] ou (43) 8814 1473