Há algumas semanas venho trabalhando a inovação no campo da saúde, inclusive com projetos pioneiros a área da inovação social, na qual, infelizmente, são escassas as iniciativas. Hoje quero tratar de mais um capítulo importante para desenvolver a inovação em nosso estado: a criação da Vertical da Saúde do Sistema Paranaense de Inovação.
Antes é importante pontuar algumas questões técnicas relevantes. Por exemplo, o que é uma vertical? Dias atrás fui indagado sobre isso por um formando em medicina e parei pra pensar que essa dúvida certamente é de várias outras pessoas. Vertical é um grupo de entidades públicas, privadas, governamentais, da sociedade civil organizada, especialistas, gestores públicos, professores, estudantes que discutem assuntos relevantes, buscam soluções em conjunto, realizam a integração entre os atores do ecossistema de inovação, criam estratégias, e podem, inclusive, subsidiar políticas públicas. Estas ações fazem parte dos pilares dos ecossistemas de inovação segundo o Fórum Econômico Mundial e o Manual de Oslo, a “bíblia da inovação”.
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Aliás, um dos objetivos da Vertical é aproximar grupos de trabalho que atuam nos municípios para integrar, aproximar e atender as demandas locais. Já demonstrei aqui nesta coluna o quanto os pequenos e médios municípios padecem para desenvolver inovação. Seja por falta de corpo técnico, seja por falta de recursos, seja por falta de empresas e instituições de ensino que movimentem a engrenagem que transforma novas ideias em produtos, serviços e processos inovadores.
Por meio das entrevistas com os prefeitos do Norte do Paraná, assim como de lideranças de destaque -diretores e presidentes de grandes instituições, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores-, ficou evidente como a inovação já deu passos valiosos, a exemplo da criação de leis e normas municipais, estaduais e federais. Contudo, o embasamento legal é apenas o começo de uma longa caminhada que precisa de políticas públicas para obterem resultados concretos.
Em cidades de médio e pequeno porte a criação de governanças pode ser um caminho inicial de grande valia, notadamente para ajudar no direcionamento de estratégias que integrem os participantes, fortaleçam as redes de colaboração, fomentem uma cultura inovadora, principalmente nas instituições de ensino (não necessariamente de ensino superior) e desenvolvam o ecossistema como um todo trazendo ideias, pessoas, empresas que queiram somar esforços.
Londrina vem inspirando cidades de todo o Paraná e até de outros estados com seu trabalho de base iniciado há algum tempo. Muita gente pensa no agro, mas a governança da saúde, Salus, já tem 17 anos. Segundo o presidente da Salus, João Claudio Santilli, o propósito é “conectar ativos, articular interesses e transformar inovação em política pública estruturante para a saúde”. Um trabalho que já se mostrou bem-sucedido e que tem grandes desafios pela frente, como ajudar na criação dos Parques Tecnológicos.
Desejo sucesso aos membros da Vertical da Saúde nesta nova jornada. Viva a Inovação!
*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação (USP).
Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL, parecerista internacional e mentor de startups.
@professorlucasaraujo (Instagram) @professorlucas1 (Twitter)