O ministro das Relações Exteriores brasileiro Antonio Patriota disse na noite desta quinta-feira (19) queo Itamaraty vai "cobrar esclarecimentos" à embaixada do Irã sobre as acusações de que um diplomata da representação tenha abusado de quatro meninas em um clube de Brasília.
Em coletiva de imprensa após o encontro entre a presidente Dilma Roussef e o presidente do Uruguai, José Mujica, Patriota respondeu perguntas sobre o incidente com o representante diplomático iraniano.
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Ele afirmou que o Itamaraty recebeu os familiares das supostas vítimas e disse que considera as alegações "muito preocupantes".
"Eu consideraria pessoalmente inaceitável se algum diplomata brasileiro se comportasse dessa maneira em algum país onde ele estivesse acreditado."
A partir da reação pela embaixada iraniana, segundo o ministro, o Itamaraty decidirá que medidas tomar.
'Mal entendido'
Na noite da última quarta-feira, a embaixada iraniana divulgou um comunicado dizendo que o caso não passou de um "mal entendido" gerado a partir "diferenças nos comportamentos culturais" entre os dois países.
A representação criticou ainda a cobertura da imprensa brasileira sobre o episódio.
Para a embaixada, o incidente revelou a maneira como "a mídia, geralmente tendenciosa, [se posiciona] sobre as coisas relativas a alguns países como o Irã", pelo qual se "demonstra nitidamente um comportamento intencional, propositado e imparcial".
O comunicado não cita o nome do diplomata, mas fontes ouvidas pela BBC Brasil confirmaram se tratar de Hekmatollah Ghorbani, de 51 anos.
Ghorbani, que é conselheiro da embaixada iraniana, o terceiro posto mais importante na hierarquia de uma representação diplomática, é suspeito de ter abusado de quatro meninas - de 9, 11, 14 e 15 anos - no último sábado no clube 'Vizinhança 1', em Brasília.
Como figura no registro de suas credenciais, entregues ao Ministério das Relações Exteriores quando iniciou suas atividades no Brasil, Ghorbani está no país desde fevereiro de 2010 e é casado.