Uma quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas em cruzeiros marítimos foi denunciada hoje pelo Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo. O bando usava o Brasil como rota para o envio de cocaína para a Europa e África do Sul e tinha núcleos em São Paulo, no Espírito Santo e no norte do País.
A quadrilha, composta por 29 pessoas, era formada em sua maioria por cidadãos da ex-República da Iugoslávia e foi investigada na operação Niva, da Polícia Federal, que resultou na apreensão de 620kg de cocaína e cerca de R$ 2 milhões decorrentes das transações do grupo. Os carregamentos de cocaína eram adquiridos em países da América do Sul, principalmente na Bolívia, e transportados em navios de carga e turismo. Dos 29 denunciados, seis agiam no núcleo que operava no Espírito Santo e cinco, em Estados do norte do país.
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A investigação começou a partir de informações encaminhadas pela agência inglesa Serious Organized Crime Agency (SOCA), que informou sobre a investigação realizada na Sérvia, que tinha por objetivo reunir elementos para desarticular e identificar os membros da organização criminosa.
Segundo o MPF, a droga era transportada por tripulantes dos navios, escondida em suas vestimentas ou mochilas e, também, por meio do método conhecido como "pescaria", em que a cocaína é levada em lanchas até bem próximo ao navio ancorado, para então ser "pescada" para o interior por algum tripulante aliciado pela quadrilha. Os traficantes mantinham a empresa Kum Turismo, localizada no bairro dos Jardins, em São Paulo, como fachada para mascarar a origem do dinheiro.
Outro método usado pelos criminosos que atuavam no Espírito Santo era o de ocultar drogas em blocos de granito ou mármore para enviar à Europa. Mas uma fiscalização da Polícia Federal descobriu o esquema e foram encontrados no interior das rochas 179 pacotes de cocaína, totalizando 158,7kg da droga. O núcleo do norte agia principalmente no Estado do Amazonas. Com esse grupo foram apreendidos 181kg da droga.
Os integrantes do grupo, a maioria sérvios, eram procurados mundialmente pelo envolvimento em crimes relativos ao tráfico de entorpecentes e têm seus nomes na lista de procurados da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal.