Pesquisar

Canais

Serviços

Publicidade
No Maranhão

Família passa 40 dias em laje de casa submersa

BBC Brasil
01 jun 2009 às 11:12
Família preferiu permanecer na laje da casa para evitar furtos - BBC Brasil
siga o Bonde no Google News!
Publicidade
Publicidade

Durante 40 dias, a família da comerciante Albertina Rodrigues de Lima, de 42 anos, teve de viver ao relento, na laje de sua casa na cidade de Trizidela do Vale, uma das mais atingidas pelas enchentes no Maranhão.

Expulsos de dentro do imóvel pelas águas, que chegaram até o teto, Albertina, o marido, a filha de sete anos, o filho de dez, um cachorro, um gato, quatro galinhas e um galo passaram dias e noites ao relento.

Cadastre-se em nossa newsletter

Publicidade
Publicidade


O único espaço para se abrigar da chuva e do sol era uma pequena lona amarela, que também servia para proteger alguns móveis, roupas e utensílios salvos da enchente.

Leia mais:

Imagem de destaque
Balanço parcial

Sobe para 136 o número de mortos em tragédia no Rio Grande do Sul

Os irmãos Gregório (esq.), Élio (centro) e Custódia em um fim de ano em Criciúma (SC)
Ele pediu ajuda pelo Instagram

Após três dias sem notícia, moradora de Londrina consegue contato com irmão em abrigo no RS

Imagem de destaque
Provas mantidas no resto do Brasil

Concurso da Caixa Econômica é adiado no Rio Grande do Sul

Imagem de destaque
Risco de inundação

Guaíba pode receber volume de água equivalente ao de Itaipu em maio


"De dia, o sol queimava a 40 graus. De noite, chovia sem parar", diz Albertina, que somente na semana passada pôde voltar para dentro de casa e ainda tenta limpar a sujeira e a lama deixadas pelas águas.

Publicidade


Ao lado do marido, Genésio Alves de Souza, de 58 anos, Albertina administra o bar Faça Farra, que funciona em um dos cinco cômodos de sua casa e onde vende cerveja, refrigerantes, carne de sol e espetinhos.


Ela conta que a família tomou a decisão de morar na laje, em vez de ir para a casa de parentes ou para um abrigo, por medo de furtos.

Publicidade


"Ficamos lá, noite e dia, para não roubarem nossas coisas", diz Albertina.


São comuns em Trizidela do Vale e em outras cidades do Vale do Mearim atingidas pelas enchentes relatos de furtos de telhas, móveis, roupas e até portas das casas abandonadas.

Publicidade


"Muitas pessoas foram roubadas aqui. De nós, não levaram nada", diz a comerciante.


A nado

Publicidade


Albertina também quis evitar ter de viver nos abrigos improvisados e superlotados que alojam quem teve de fugir de casa por causa das chuvas.


"A última casa desta rua que alagou foi a minha. Aí não tinha mais lugar nos abrigos daqui, queriam nos levar para um abrigo muito longe, fora da cidade", diz.

Publicidade


Durante o tempo em que viveram ilhados em cima de casa, Albertina e a família sobreviveram graças às cestas básicas doadas aos atingidos pelas cheias.


Como os funcionários que faziam a entrega não conseguiam chegar até a laje, Albertina diz que buscava os mantimentos a nado, enfrentando a água turva do rio, misturada à chuva, à lama e ao esgoto.

Publicidade


"Eu ia e voltava nadando, mergulhando dentro dessa água", diz a comerciante.


Albertina vive há 22 anos em Trizidela do Vale e há dois nesta casa, construída por ela e o marido.


Apesar de as enchentes serem comuns nesta região, Albertina diz nunca ter visto uma como a deste ano.


"No ano passado, também alagou, mas por bem menos tempo", afirma.


Prejuízo


Segundo a Defesa Civil, cerca de 15,5 mil dos 18 mil habitantes de Trizidela do Vale foram afetados pelas enchentes neste ano.


Na casa de Albertina, ainda não há eletricidade. "Acho que vão demorar mais uma semana para ligar a luz", diz.


A comerciante afirma faturar cerca de R$ 1,3 mil mensais com o bar, dinheiro que deixou de ganhar neste período de mais de um mês embaixo d'água.

"Ainda estamos calculando o prejuízo", diz.


Publicidade

Últimas notícias

Publicidade